INICIAR SESIÓNPonto de vista: LiraPassei quase toda a noite depois da pergunta de Eron acordada, não porque ainda não soubesse se o amava, porque essa parte da resposta havia deixado de ser dúvida havia muito tempo, mas porque ele não me perguntara apenas se eu pretendia continuar ao lado dele, e sim o que eu desejava fazer com a própria vida agora que nenhuma investigação, ameaça, obrigação política ou necessidade de sobrevivência podia escolher a direção em meu lugar.Durante anos, qualquer decisão importante chegara acompanhada por alguma urgência suficientemente grande para ocupar todo o espaço disponível dentro de mim, porque primeiro eu precisava sobreviver ao convento e às pessoas que chamavam minha existência de maldição, depois precisei sobreviver ao mundo que continuava tentando decidir o que eu significava, enquanto mais tarde vieram Nolan, o vínculo rejeitado, Eron, Luara, os documentos, o dom, as casas políticas e uma sucessão interminável de homens convencidos de que saber o que faze
Ponto de vista: EronA avaliação começou sem testemunhas políticas, sem representantes de casas, sem qualquer conselheiro interessado em transformar cada movimento do meu corpo em argumento sobre estabilidade do reino, porque pela primeira vez desde o atentado eu podia entrar numa sala de recuperação sem sentir que cada resposta muscular carregava uma pergunta constitucional escondida atrás dela, enquanto Marek conferia os apoios, o médico revisava os últimos registros e eu mantinha meu lobo consciente dentro de mim com uma estabilidade que já não exigia esforço suficiente para ocupar toda a minha atenção.Lira não estava presente.A escolha tinha sido minha, e não porque eu ainda precisasse provar que qualquer avanço físico acontecia sem ela, já que essa questão havia sido encerrada muitas vezes antes, mas porque eu queria descobrir o que meu corpo podia fazer naquele dia sem que nosso vínculo transformasse inevitavelmente o momento em alguma coisa compartilhada antes mesmo que eu en
Ponto de vista: LiraDepois que a verdade sobre minha mãe deixou de ocupar cada hora do dia como uma ferida que precisava ser examinada novamente para eu acreditar que finalmente conhecia sua forma, comecei a perceber que algumas perguntas haviam sobrevivido ao fim da investigação, embora nenhuma delas tivesse relação com Rael, Ines, comissões, páginas desaparecidas ou qualquer outro pedaço do passado que eu pudesse resolver encontrando um documento escondido na gaveta certa.Uma dessas perguntas tinha o rosto de Theron.Desde nossa última conversa, ele fizera exatamente aquilo que prometera fazer, o que talvez fosse a parte mais irritante de admitir, porque não tentou ocupar minha rotina com uma presença desesperada, não perguntou a Eron coisas sobre mim pelas costas, não tratou cada risco que eu assumia como oportunidade para exercer uma autoridade paterna atrasada e, principalmente, não apareceu todos os dias para demonstrar que estava respeitando meu espaço de uma maneira tão insi
Ponto de vista: EronDurante anos, eu tratei o silêncio do meu lobo como uma ausência que precisava ser vencida, uma espécie de território arrancado de mim no mesmo instante em que perdi o movimento das pernas e acordei dentro de um corpo que continuava sendo meu embora já não respondesse da maneira que eu conhecia, mas somente muito depois consegui compreender que havia transformado duas perdas diferentes numa única sentença porque parecia mais simples acreditar que, se recuperasse uma delas completamente, a outra deveria acompanhá-la como consequência inevitável.A sessão daquela manhã foi organizada justamente para impedir essa confusão, porque não havia intenção de testar minhas pernas, buscar transformação ou provocar qualquer resposta física maior do que aquilo que meu corpo já demonstrara conseguir em condições controladas, enquanto Lira sequer permaneceria na sala para que ninguém, nem eu mesmo, pudesse atribuir a presença do meu lobo à proximidade dela, ao vínculo entre nós o
Ponto de vista: LiraDurante tanto tempo eu soube exatamente o que fazer no instante seguinte que demorei quase três dias para perceber que a ausência daquela urgência estava me assustando, porque minha vida tinha sido construída em torno de sobreviver a alguma coisa, escapar de alguém, enfrentar uma mentira, procurar uma prova, impedir que decidissem por mim ou descobrir qual parte do passado ainda estava escondida esperando para me ferir, enquanto agora os nomes finalmente estavam onde deveriam estar, Luara tinha recebido uma verdade que não podia devolvê-la à vida, os culpados já não existiam apenas como sombras e ninguém estava correndo pelos corredores com outro pedaço de mistério capaz de me obrigar a continuar.Eu deveria ter sentido paz, embora paz fosse uma palavra bonita demais para aquilo que encontrei.O que encontrei foi espaço.E espaço, quando você passa a vida inteira lutando para conquistá-lo, pode parecer assustadoramente parecido com vazio.Naquela manhã, fiquei tem
Ponto de vista: ClaraQuando Eron pediu que eu comparecesse ao gabinete depois do encerramento formal da investigação principal, minha primeira reação foi desconfiar da própria reação, porque durante tempo demais qualquer convocação dele carregou uma camada pessoal que eu fingia não sentir, enquanto agora eu precisava descobrir se conseguia entrar naquela sala sem transformar cada gesto do rei na sombra do homem que abandonei quando ele perdeu o lobo, o movimento das pernas e quase toda a autoridade que eu julgava indispensável para reconhecer valor em alguém.A porta estava aberta quando cheguei, e Josh saía com uma pasta de acordos recém-assinados debaixo do braço, enquanto Vika caminhava ao lado dele sem parecer convidada tolerada, símbolo diplomático ou exceção cuidadosamente escoltada dentro de uma estrutura que durante anos havia tratado vampiros e lobos segundo suspeitas diferentes.“Imagino que eu esteja chegando depois de alguma coisa importante, porque Josh só carrega docume







