Mag-log in“Eu nunca vou te amar”, ele disse, a boca ainda a centímetros da minha. As mãos firmes seguravam minha cintura, me prendendo nele. “Eu não pedi que amasse”, respondi, sem desviar dos olhos dele. “Só pedi que fosse meu parceiro de vida.” Então ele me beijou. ******************************************************************************************* Arrastada da família e trancada em um convento, Lira cresceu sendo chamada de aberração, sem saber quem era — e, pior, o que era. Quando finalmente é reclamada pelo pai, descobre a verdade sobre seu sangue… e sobre o lugar que deveria ter ocupado. Mas, ao voltar para casa, Lira encontra outra no seu lugar: outra filha, outra noiva, outro nome. Diante de todos, o homem que deveria ser seu noivo a rejeita sem hesitar. Cansada de ser humilhada, Lira faz o impensável. Ela ergue o queixo, finge indiferença e anuncia que vai se casar com outro. Qualquer outro. E aponta o dedo na primeira direção que encontra. O dedo dela para em Eron. O lobo quebrado. O futuro Rei Alfa que sobreviveu a um acidente misterioso, perdeu o lobo — e a coroa — e agora vive condenado a uma cadeira de rodas. Dizem que ele está destruído. Dizem que ele não é mais um alfa de verdade. Dizem muita coisa. Quando os olhos de Lira se prendem aos de Eron, ela entende numa fração de segundo: se ele aceitar o jogo, nenhum dos dois vai sair inteiro desse acordo.
view more“Merda!”, eu me olho no espelho e tento, pela décima vez, ajeitar a roupa, que parecia grande demais.
Suspiro. Afinal, eu não tinha opção, era isso ou nada.
“Inferno…” a palavra sai da minha boca antes que eu possa impedir, e a madre Camila me olha com reprovação, com aquele olhar que diz que você vai para o inferno.
Tenho vontade de rir. Afinal, pelo jeito, estou no inferno desde que nasci e fui abandonada ali naquele convento no meio do nada.
Respiro fundo e pergunto, com uma fraca esperança de me livrar daquele tormento:
“Preciso mesmo ir? Já vou fazer dezoito anos daqui a alguns dias. Quem adotaria uma garota de dezoito anos?”
Ela me encara de um jeito diferente, como se quisesse me dizer algo importante, mas apenas responde:
“Sim, você precisa ir.”
“Maldição!”, resmungo, sem me importar com o olhar acusador dela, e me viro, saindo do quarto com aquele vestido que parecia mais um atentado à moda. Não que eu tivesse opção, afinal, todas as minhas roupas eram doações de pessoas que não as queriam mais: ou apertadas demais, ou largas demais, algumas curtas, outras longas, mas nunca do meu tamanho exato.
Porém, o vestido que nos obrigavam a usar sempre que os casais iam ao convento à procura de uma criança para adotar tinha se tornado, para mim, o símbolo da rejeição.
Imagens minhas de quando eu era menor invadem minha mente, como eu ficava ansiosa sempre que sabia que tínhamos visitas, com a esperança de que alguém olhasse para mim e me achasse boa o suficiente para me tirar dali. Mas eu nunca era a escolhida. É claro, havia algo errado comigo, e todo mundo sabia.
Afastei da minha mente as imagens dos dias em que eu, acorrentada no porão, urrava de dor, como se algo quisesse sair do meu corpo, enquanto o padre e as freiras oravam, fazendo um ritual de exorcismo. Isso me rendeu o apelido de “a monstra”.
Ao chegar ao grande salão onde as visitas geralmente aconteciam, porém, tive uma surpresa: não havia outras crianças ou jovens, apenas um homem de costas para mim. Ele era enorme, musculoso, mas o que realmente me atingiu foi o cheiro dele. Era algo familiar. Senti o estômago pesar, minha mão começou a suar frio quando a freira na porta murmurou:
“Creio em Deus Pai”, e fez o sinal da cruz. Eu já sabia: meus olhos estavam mudando de cor. Toda vez, antes de uma possessão, eles ficam vermelhos, o que fazia todos se afastarem e eu ser arrastada para o porão antes que o monstro que habitava dentro de mim conseguisse sair.
“Droga, agora não, por favor, não”, falo, já me preparando para ser levada ao porão, porém a voz do homem ecoa:
“É ela, sem dúvida, ela é minha filha.”
Tudo à minha volta pareceu sumir, e, freneticamente, as palavras dele se repetiam na minha mente: minha filha. Ele tinha dito minha filha, eu ouvi, não estou ficando maluca.
Meus olhos e os dele se encontram e, para minha surpresa, os dele estavam vermelhos também. Isso foi o suficiente para fazer a freira sair correndo, rezando um Pai-Nosso desesperado.
O homem deu um passo em minha direção, mas eu recuei. Aquilo não era normal: os olhos dele, meus olhos… éramos ambos amaldiçoados. Ele parou, como se estivesse frustrado, passou as mãos pelos cabelos e disse, como se estivesse conversando com alguém que eu não via:
“Ela está assustada. Dê um tempo a ela.”
Olhei rapidamente ao redor, talvez a mulher dele estivesse ali e eu não tinha notado, talvez minha mãe…
Recuso-me a deixar a esperança tomar conta de mim. Eu sabia como isso acabava: era sempre eu sozinha, lidando com a decepção.
E, novamente, estava certa. Não havia ninguém, somente eu e ele.
“Ótimo, ele é louco”, pensei.
Ele sorri e, por um segundo, achei que ele havia lido minha mente, mas isso era loucura. Não era possível, não podia ser. Essa história toda estava me deixando maluca também. Respiro fundo, me endireito e pergunto:
“Você disse que é meu pai?”
Ele assentiu, sem tentar se aproximar dessa vez, e diz:
“Sim, pequena, eu sou seu pai. Você se parece tanto com sua mãe.”
Olhei novamente ao redor, como se, a qualquer momento, uma mulher mais velha e muito parecida comigo fosse entrar de algum lugar, mas o suspiro triste do homem à minha frente me fez encará-lo de novo.
“Ela não está aqui, querida. Infelizmente, sua mãe morreu no dia em que lhe deu à luz, e você foi levada para longe de mim.”
A dor na voz dele era algo que não dava para fingir e, por um segundo, eu quis confortá-lo, mas logo voltei a ser a garota racional e perguntei:
“Como sabe que é meu pai, assim, do nada, sem teste de DNA?”
Ele me encarou e respondeu:
“Pelo seu cheiro. Você tem o meu sangue, e o que está dentro de mim reconhece o que está dentro de você.”
Agora sim o pânico tomou conta de mim. Esse cara era louco. Como assim cheiro? Eu não estava cheirando mal. E que história era essa do que está dentro de mim?
Dei dois passos para trás, já imaginando que, como se não bastasse ser possuída às vezes, o inferno tinha mandado o chefão me buscar.
Ele percebe o meu medo e diz:
“Princesa, querida, não é o que está pensando.”
Quase gritando, eu pergunto:
“E como sabe o que estou pensando?”
Ele solta um palavrão baixinho e diz:
“É complicado, é coisa de…” ele para de falar, me encarando como se estivesse decidindo se continuava ou não.
E então, depois de um segundo tenso, ele diz:
“É coisa de lobo.”
Ponto de vista: EronA pergunta deixou de ser se meu lobo ainda existia no instante em que pessoas suficientes o viram atravessar meus olhos, mas isso não significava que as casas reunidas naquela manhã estivessem dispostas a aceitar minha recuperação sem encontrar outra forma de submetê-la a medida, condição ou conveniência política.Eu permanecia diante da mesa onde representantes de cinco casas discutiam autoridade, sucessão e tudo aquilo que tinham reorganizado durante os anos em que minha incapacidade de alcançar o lobo servira como justificativa para manter Theron no centro do governo, enquanto Lira ocupava uma cadeira alguns lugares adiante sem qualquer contato comigo e sem oferecer às pessoas naquela sala a oportunidade de transformá-la novamente em explicação para tudo que acontecia dentro de mim.Depois da revelação pública do vínculo, até a distância entre nós tinha começado a ser observada como informação política, o que me irritava menos pela curiosidade em si do que pela
Ponto de vista: LiraDepois da confissão de Theron, eu não consegui mais olhar para os escritos de minha mãe como se fossem apenas registros sobre lobos, vínculos e um poder que eu ainda tentava entender, porque algumas frases que antes pareciam observações soltas começaram a assumir outro peso quando colocadas ao lado do que Eron descobrira sobre ordens falsas, intermediários obedientes e decisões que atravessavam estruturas legítimas sem carregar claramente o nome de quem realmente se beneficiava delas.Eron estava comigo quando espalhamos os cadernos e folhas soltas sobre a mesa, embora aquela já não fosse a primeira vez que passávamos horas tentando transformar a caligrafia de Luara em alguma coisa mais útil do que perguntas capazes de criar outras perguntas.“Theron disse que percebeu gente empurrando autoridade para ele depois do atentado sem conseguir apontar uma única mão conduzindo tudo, então talvez estejamos procurando nomes quando minha mãe estava registrando justamente um
Ponto de vista: InesA revelação do vínculo entre Lira e Eron destruiu uma estratégia que ainda poderia ter funcionado alguns dias antes, porque continuar insistindo apenas na ideia de que ela influenciava o lobo dele começava a produzir o efeito oposto ao que eu precisava, principalmente depois que Eron demonstrara diante de outras casas que conseguia pensar, decidir e conduzir uma discussão política sem depender de ninguém para sustentar sua autoridade.Rael entendeu isso tão rápido quanto eu.Quando entrou na sala naquela manhã, trouxe consigo relatórios sobre as casas que já começavam a discutir a legitimidade de Eron e colocou os papéis diante de mim com uma irritação cuidadosamente contida.“Se continuarmos sugerindo que Lira controla Eron de maneira direta, vamos acabar oferecendo a ele uma acusação fácil demais para destruir, porque agora existem pessoas suficientes dispostas a testemunhar que o homem continua perfeitamente capaz de governar.”Eu percorri as primeiras anotaçõe
Ponto de vista: LiraA primeira vez que alguém me procurou para pedir ajuda por causa do meu dom, eu quase achei engraçado, principalmente porque não fazia tanto tempo que parte da matilha discutia se eu deveria ser observada, limitada ou mantida longe de qualquer pessoa cujo vínculo pudesse ser afetado pela minha falta de controle.O homem que veio falar comigo se chamava Tomas e trazia ao lado uma mulher que devia ser sua irmã, porque os dois tinham os mesmos olhos cansados e a mesma maneira de apertar as mãos quando não sabiam o que fazer com a própria preocupação.“Meu filho não consegue sentir o lobo como antes desde uma febre muito forte que teve há alguns meses, e os curadores dizem que não existe ferimento físico suficiente para explicar por que a ligação continua tão distante.”Eu olhei para Marek antes de responder, porque ele estava ali justamente para impedir que qualquer pedido desesperado se transformasse em experiência improvisada.“Se você veio esperando que eu toque n












Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.
RebyuMore