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Capítulo 6 — O Reencontro

Autor: Eva L. D
last update Fecha de publicación: 2026-07-10 21:16:59

Capítulo 6 — O Reencontro

A segunda-feira amanheceu ensolarada.

Maya despertou antes do despertador tocar.

Por alguns segundos, ficou olhando para o teto.

Então sorriu.

Era seu primeiro dia na Beaumont Holding.

Levantou-se rapidamente.

Tomou um banho demorado.

Vestiu a camisa branca que havia separado dias antes.

Ajeitou cuidadosamente a calça social.

Prendeu os cabelos em um coque baixo e discreto.

Olhou-se no espelho.

Estava nervosa.

Mas pronta.

Antes de sair, passou pelo quarto de Gabriel.

Ele ainda estava dormindo.

Aproximou-se devagar.

Deu um beijo em sua testa.

— Me deseja sorte…

Como se tivesse ouvido, mesmo dormindo, Gabriel sorriu de leve.

Maya sorriu também.

Pegou a bolsa.

Respirou fundo.

E saiu de casa.

Ela ainda não sabia…

Mas, naquele mesmo horário…

No último andar da Beaumont Holding…

Nicolas Beaumont terminava seu café e se preparava para mais um dia de trabalho.

Os dois estavam indo para o mesmo lugar.

E, desta vez…

O destino faria questão de colocá-los frente a frente novamente.

O relógio marcava sete e vinte da manhã quando Maya atravessou as portas de vidro da Beaumont Holding.

Respirou fundo.

O saguão estava movimentado.

Funcionários caminhavam apressados, alguns segurando cafés, outros conversando sobre reuniões logo cedo.

Ela apertou discretamente a alça da bolsa.

Ainda se sentia deslocada naquele lugar.

A recepcionista sorriu ao reconhecê-la.

— Bom dia, Maya.

Ela sorriu de volta.

— Bom dia.

— A senhora Helena já está esperando por você.

— Obrigada.

…

Meia hora depois…

Maya já conhecia boa parte do andar da presidência.

Helena caminhava ao seu lado, mostrando cada setor.

— Aqui fica o departamento jurídico.

Mais à frente, o financeiro.

As salas da diretoria ficam naquele corredor.

E a presidência ocupa o último andar.

Maya observava tudo atentamente.

Tentava decorar cada detalhe.

— Você ficará na recepção exclusiva da presidência.

É um ambiente mais reservado.

Recebemos investidores, empresários e convidados importantes.

Seu atendimento será a primeira impressão que essas pessoas terão da empresa.

Maya assentiu.

— Pode deixar.

Farei o meu melhor.

Helena sorriu.

— Foi exatamente isso que pensei quando li sua carta de recomendação.

Chegaram ao balcão da recepção.

Uma funcionária levantou-se.

— Essa é Patrícia.

Ela ficará com você hoje.

Patrícia estendeu a mão.

— Prazer.

— O prazer é meu.

Durante toda a manhã, Maya aprendeu o sistema.

Como cadastrar visitantes.

Emitir crachás.

Atender chamadas.

Organizar a agenda dos diretores.

Anotar recados.

Era muita informação.

Mas ela aprendia rápido.

Sempre aprendera.

…

No último andar…

Nicolas encerrava uma videoconferência.

Assim que a tela apagou, levantou-se.

Olhou rapidamente a agenda.

Mais uma reunião.

Pegou a pasta de documentos.

— Vamos.

Disse ao diretor que o acompanhava.

Os dois saíram da sala conversando sobre um novo investimento.

Enquanto caminhavam pelo corredor, Lorenzo apareceu logo atrás.

— Você vai sobreviver a mais uma reunião?

Nicolas nem olhou para ele.

— Não comece.

— Estou apenas preocupado com sua saúde mental.

O diretor riu discretamente.

Já estava acostumado às provocações entre os dois.

Os três seguiram em direção aos elevadores.

…

No mesmo instante…

Patrícia entregava um crachá a Maya.

— Agora é sua vez.

Ela sorriu nervosa.

— Espero não fazer besteira.

— Vai dar tudo certo.

Maya respirou fundo.

Endireitou o blazer do uniforme.

Organizou alguns documentos sobre o balcão.

Naquele momento…

As portas do elevador se abriram.

Três homens saíram conversando.

O primeiro era alto.

Elegante.

Vestia um terno perfeitamente ajustado.

Maya levantou os olhos apenas para cumprimentá-los.

Então…

Seu coração falhou uma batida.

Ela conhecia aquele rosto.

Levou apenas um segundo para lembrar.

Era o cliente da cafeteria.

O homem que estivera ali com um amigo alguns dias antes.

Ela sorriu com educação.

Exatamente como fazia com qualquer pessoa.

— Bom dia, senhores.

Sejam bem-vindos.

Nicolas parou no mesmo instante.

As palavras morreram antes de chegar aos lábios.

Era ela.

Não podia ser.

Por um momento, todo o barulho do corredor pareceu desaparecer.

Ele apenas a observava.

O mesmo rosto.

Os mesmos olhos cor de mel.

O mesmo sorriso tranquilo.

Só que agora…

Ela usava o uniforme da Beaumont Holding.

Patrícia percebeu o silêncio.

Olhou para Nicolas.

Depois para Maya.

Sem entender o que estava acontecendo.

O diretor ao lado de Nicolas diminuiu os passos.

— Senhor Beaumont?

Nenhuma resposta.

Lorenzo acompanhou o olhar do amigo.

Quando viu Maya atrás do balcão…

Abriu um discreto sorriso.

Então era ela.

Nicolas finalmente despertou.

Piscou algumas vezes.

— Bom dia.

Sua voz saiu mais baixa do que pretendia.

Maya apenas manteve o sorriso profissional.

— Deseja que eu avise alguém sobre sua chegada, senhor?

Ela realmente não fazia ideia de quem ele era.

Lorenzo precisou conter uma risada.

Nicolas permaneceu alguns segundos em silêncio.

Até que respondeu calmamente:

— Não será necessário.

Maya assentiu.

— Tenha um ótimo dia.

Ele continuou caminhando.

Mas, antes de entrar na sala da presidência…

Olhou discretamente para trás.

Ela já estava atendendo outro funcionário.

Como se ele nunca tivesse estado ali.

Como se fosse apenas mais um.

….

Do lado de fora…

Maya organizava alguns crachás sobre o balcão.

Patrícia aproximou-se.

— Você conhecia o senhor Beaumont?

Maya franziu a testa.

— Beaumont?

— O presidente da empresa.

Ela ficou alguns segundos em silêncio.

Depois arregalou discretamente os olhos.

— Espera…

Aquele homem…

Era o presidente?

Patrícia riu.

— Você perguntou se precisava anunciar a chegada dele.

Maya levou a mão ao rosto.

— Meu Deus…

Patrícia começou a rir.

— Relaxa.

Acontece com todo mundo no primeiro dia.

Maya balançou a cabeça, completamente sem graça.

— Eu achei que ele fosse um diretor qualquer.

— Impossível.

Todo mundo conhece o senhor Beaumont.

Ela olhou discretamente para a porta da presidência.

Então…

Aquele cliente da cafeteria…

Era um dos homens mais ricos do país.

Lembrou-se de como o atendera.

Exatamente como atendia qualquer outra pessoa.

Sem bajulação.

Sem nervosismo.

Sem sequer imaginar quem ele era.

Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios.

— Pelo menos servi um bom café.

Patrícia riu novamente.

— Disso eu não duvido.

……

Nicolas fechou a porta da sala.

Largou a pasta sobre a mesa.

Passou alguns segundos completamente imóvel.

Nicolas tentou voltar ao trabalho.

Abriu um contrato.

Leu a primeira cláusula.

Depois a segunda.

Pegou a caneta.

Assinou no local indicado.

Quando ergueu os olhos por um breve instante…

Ela estava ali.

Atrás do balcão da recepção.

Conversava com um senhor de cabelos grisalhos.

O homem dizia alguma coisa que Nicolas não conseguia ouvir.

De repente…

Maya sorriu.

Depois riu baixinho.

Um riso leve.

Espontâneo.

O senhor também começou a rir.

Nicolas desviou os olhos imediatamente.

Voltou ao contrato.

Assinou mais uma folha.

“Concentre-se.”

Era apenas uma funcionária.

Nada além disso.

Cinco minutos depois…

Seu olhar voltou sozinho para a recepção.

Agora ela entregava um crachá a um visitante.

Sorria outra vez.

Com a mesma delicadeza.

A mesma calma.

Como se todas as pessoas merecessem exatamente a mesma atenção.

Nicolas apertou discretamente a caneta entre os dedos.

Franziu a testa.

Por que ela sorria daquele jeito para todo mundo?

A pergunta surgiu sem que ele percebesse.

Logo em seguida…

Outra.

Ela sorria daquele jeito para ele na cafeteria…

Ou era simplesmente assim com qualquer pessoa?

A resposta veio rápida.

Era óbvio.

Maya era gentil com todos.

Mesmo assim…

Aquilo o incomodou mais do que deveria.

Largou a caneta sobre a mesa.

Levantou-se.

Caminhou até a janela de vidro da sala.

De onde estava, conseguia vê-la perfeitamente.

Ela agradecia a um entregador.

Depois ajudava uma senhora a preencher um formulário.

Em seguida, sorriu para um dos seguranças que passava pelo corredor.

Todos retribuíam o sorriso.

Era impossível não retribuir.

Nicolas cruzou os braços.

Permaneceu observando por alguns segundos.

Até que a porta da sala foi aberta.

Sua secretária entrou carregando alguns documentos.

— Senhor Beaumont…

Ele desviou imediatamente o olhar da recepção.

— Sim?

Ela colocou uma pasta sobre a mesa.

— Estes contratos precisam da sua assinatura ainda hoje.

Nicolas assentiu.

— Pode deixar.

Ela permaneceu parada por um instante.

Parecia querer dizer alguma coisa.

— Mais alguma coisa?

A secretária sorriu discretamente.

— A nova recepcionista parece estar se adaptando muito bem.

Ele pegou a caneta sem levantar os olhos.

— Ótimo.

— Todos gostaram dela.

Ela é muito educada.

Nicolas respondeu apenas com um leve movimento de cabeça.

A secretária saiu.

Assim que a porta se fechou…

Ele voltou a olhar pela parede de vidro.

Maya continuava trabalhando.

Naturalmente.

Como se não existisse um homem, alguns metros acima, tentando entender por que não conseguia tirá-la da cabeça.

Nicolas soltou um longo suspiro.

— Ridículo…

Passou a mão pelo rosto.

Aquilo precisava parar.

Precisava.

Mas, pela primeira vez em muitos anos…

Quanto mais tentava afastá-la dos pensamentos…

Mais ela parecia ocupar espaço dentro deles.

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