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Minha noiva

Penulis: Roseanaautora
last update Tanggal publikasi: 2026-04-14 07:47:36

POV Romeo Salvatore

Rijonia se remexia de propósito no meu colo, tentando me deixar excitado.

— Eu não tenho certeza se o vestido que escolhi é realmente o melhor — disse — Não queria deixar o colo muito à mostra. E aquela estilista que contratei já não é mais considerada promissora.

Ela envolveu meu pescoço:

— Você está me ouvindo, Romeo?

Eu estava. Só não me importava com o vestido. Sabia que minha noiva tinha bom gosto e se dedicava àquele casamento havia quase um ano. Não existia chance de algo sair diferente do que ela idealizou.

— Amor? — beijou meu pescoço.

Antes que pudesse me marcar com um chupão, reagi:

— Não — afastei seu rosto. — Amanhã vou assinar o divórcio. Não quero aparecer com marcas no pescoço.

Ela arregalou os olhos antes de gargalhar:

— Está com medo do que sua esposa invisível vai pensar?

— Claro que não! Só não quero estar marcado no evento de oficialização do meu nome como o acionista majoritário da Obsidian. Certamente não vou cruzar com essa mulher, que se vendeu. Jamais irei conhecê-la. A única coisa que sinto por ela é desprezo.

A Obsidian, empresa da minha família, era a maior agência de gerenciamento de imagem pública do país. Quando meu avô morreu, a principal cláusula do testamento determinava que eu deveria ficar casado, por três anos, com a mulher que ele escolheu, alguém cuja identidade eu nunca precisaria saber. Assim que passasse o prazo, poderia, enfim, me divorciar.

Alguém que aceitava um acordo desses, casando-se com um desconhecido sem saber com quem estava assinando a própria vida, só podia ser uma coisa: uma pessoa sem caráter, desesperada por dinheiro, status ou qualquer vantagem que pudesse tirar da situação.

O meu caso era diferente. Não tive escolha. Aquele contrato era a única condição para assumir o comando da empresa da minha família; uma empresa que já era minha por direito, independentemente do testamento.

Sempre achei que ele fez aquilo para me impedir de casar com Rijonia, o que não fazia sentido, considerando que ela vinha de uma família do mesmo nível social que eu. E, principalmente, era a mulher que escolhi para compartilhar minha vida. Como ele estava morto, eu jamais teria essa resposta.

— Melhor seria se vocês nem se encontrassem na assinatura do divórcio — minha mãe entrou na sala. — Tenho medo de essa parasita interesseira não se contentar com o dinheiro e exigir mais.

A presença da minha mãe, independentemente do ambiente, impunha respeito. Era refinada, altiva e carregava um sobrenome que a precedia.

— Tem um contrato, mãe. Essa mulher não tem como exigir nada.

Rijonia levantou do meu colo e apontou para as revistas sobre a mesa:

— Elisa, estou escolhendo outro vestido de noiva.

— E o que houve com o primeiro?

— Não quero mais. Enjoei antes de usar. Decidi optar por uma estilista renomada.

Definitivamente, Rijonia tinha mudado muito. Havia momentos em que eu não encontrava traço algum daquela menina que arriscou a própria vida para me salvar. Ao mesmo tempo, entendia: sempre foi a princesa da família Deschamps e, por isso, um pouco mimada. Ela não sabia ser de outro jeito.

— Faz bem, querida. Não dá para confiar nesses novatos que querem crescer às custas de gente como nós. — minha mãe concordou com ela. — Precisa se envolver mais nos preparativos, Romeo. Rijonia está triste com a forma como tem tratado esse casamento, como se fosse um mero evento social. — criticou.

E não era?

— Estou prestes a me divorciar de uma mulher que nunca vi e assumir uma das maiores empresas do país. É só isso que ocupa minha mente no momento.

— Você já é o CEO, amor — Rijonia argumentou. — Teoricamente, pouca coisa muda.

Respirei fundo. Não adiantava explicar. Rijonia mal sabia o que significava trabalho. Mais de uma vez questionou por que eu precisava sair todos os dias para ir à empresa.

Eu ainda não tinha o controle real da Obsidian. Embora todos soubessem que ela era minha por direito, meu avô garantiu que eu só assumiria o comando quando cada exigência do testamento fosse cumprida.

Até lá, meu poder era limitado. Meu sobrenome abria portas, minha posição impunha respeito, mas a palavra final nunca era minha.

Enquanto eu vivia preso àquela humilhação burocrática, o resto do mundo não sabia que eu já era casado. Para todos, Rijonia era minha noiva. A mulher que eu amava. Aquela com quem me casaria em um mês.

O que ninguém sabia era que, antes disso, eu precisava sobreviver ao fim daquela farsa de três anos, conseguir o divórcio e arrancar das mãos de um morto o controle do que sempre foi meu.

Minha mãe comentou algo sobre os lustres da casa, o que bastou para Rijonia cogitar trocá-los outra vez.

Para mim, tanto fazia o vestido, o bolo ou os lustres. Eu só me importava com o casamento e a casa nova.

Separadas, elas já eram complicadas. Juntas, imbatíveis no quesito convencimento.

Se eu tivesse que defini-las com um pecado capital, seria soberba. Rijonia ainda vinha com um bônus: preguiça. Ainda assim, eu me apegava ao altruísmo dela no passado.

— Vou encontrar André e Seo-Jun hoje — avisei.

— Despedida de solteiro? — Rijonia arqueou a sobrancelha.

— Algo do tipo.

Ela sorriu, segura:

— Não faça nada que comprometa a imagem do meu futuro marido exemplar.

Nem esperou resposta e voltou a atenção para a minha mãe, voltando aos preparativos finais do casamento.

Rijonia sempre ocupava espaço sem esforço. Às vezes, me sentia sufocado. Ainda assim, funcionávamos bem. Tínhamos um relacionamento estável.

Em menos de 24 horas, tudo terminaria. O divórcio seria o rompimento oficial daquele contrato. E então minha vida voltaria ao eixo, como sempre deveria ter sido. No papel, não havia margem para erro.

— Já mandei polir o anel da sua bisavó — minha mãe acrescentou. — Está pronto para ser entregue oficialmente à Rijonia.

Rijonia sorriu em cumplicidade para ela. Senti um leve desconforto com a menção ao anel, mas preferi ignorá-lo.

BAR DO HOTEL CALIFÓRNIA

— Finalmente! — Seo-Jun bateu no meu ombro assim que entrei no bar.

— Já estávamos apostando que você iria desistir — André disse, erguendo a cerveja.

— Eu nunca desisto.

— Casamento assusta até homem confiante — Seo-Jun provocou.

— O que me assusta é o relacionamento blindado da minha mãe com a minha noiva.

André e Seo-Jun eram meus amigos desde o Ensino Médio. André era o solteiro mais requisitado da cidade. Seo-Jun, mais reservado, herdeiro de um império hoteleiro.

As portas do bar se abriram e um grupo de mulheres entrou. Bonitas, produzidas e conscientes do papel que desempenhavam ali.

— O que achou? — André perguntou, puxando uma pela cintura.

Observei sem entusiasmo:

— Previsível.

— Você precisa aproveitar hoje — insistiu. — Última noite antes de vender a alma.

— Amanhã você encerra oficialmente seu casamento fantasma. Então resolvemos te dar um presente.

— Eu não sabia que divórcio vinha com brinde. — arqueei uma sobrancelha.

— No seu caso, vem. Quem consegue esperar três anos para herdar a empresa que já é sua por direito por causa de um contrato absurdo?

Cruzei os braços, curioso:

— Onde está o presente?

Seo-Jun ergueu um cartão:

— Está te esperando.

Arqueei a sobrancelha, rindo sem humor:

— Contrataram uma prostituta para mim? — brinquei.

— Prefiro chamar de “a última boa foda da sua vida”. Dentro de um mês você vai comer todos os dias a mesma mulher e isso é a pior coisa que pode acontecer na vida de um homem. — André lamentou por mim.

Vindo deles, não me surpreendi. Mas, desde que comecei a namorar com Rijonia, nunca mais estive com outra mulher, e isso me deixou levemente atraído pela proposta em forma de “presente”.

Minha noiva e eu tínhamos uma vida sexual... boa, se é que eu podia definir assim. Mas Rijonia ainda tinha muito a aprender. Eu tentava ensinar, mas havia coisas que ela insistia em não entender.

Me preocupei com o tipo de mulher que contrataram:

— Quanto vocês pagaram?

— O suficiente para garantir que você considere este o gesto de amizade mais nobre da sua vida.

— Nível executivo premium — André garantiu. — Linda, discreta e altamente qualificada.

Peguei o cartão. Suíte 169.

— 1 “69” — ri — claro que não é mera coincidência. O número é bem sugestivo.

— Melhor sexo da sua vida — Seo-Jun prometeu.

Guardei o cartão no bolso, tentando organizar os pensamentos. Desde que me comprometi com Rijonia, há quase três anos, eu não transava de verdade, com alguém que estivesse ali comigo, presente, interessada no meu corpo e no prazer que podia me dar.

Tudo girava em torno dela, da aparência impecável, do cabelo no lugar, da luz perfeita destacando o melhor ângulo do próprio corpo. Era como transar com alguém que estava mais preocupada em ser vista do que em sentir.

Não importava se eu gozava ou não. Não importava se eu estava satisfeito ou frustrado. Nada importava além da performance dela. Era bonito de olhar, mas vazio de viver.

E, no fim, sempre terminava do mesmo jeito: eu frustrado, insatisfeito, com a sensação de que tinha passado mais tempo encenando do que realmente transando.

Não demorei muito a tomar a decisão:

— É melhor aproveitar enquanto ainda tenho algum resquício de liberdade. Nunca traí Rijonia. Mas como é só sexo, não configura traição. Se um dia ela souber, posso alegar isso.

— Que existência trágica! — André debochou.

Enquanto eu caminhava pelo corredor do hotel, girando o cartão entre os dedos, tudo parecia sob controle.

Se alguém dissesse que minha vida estava prestes a sair dos trilhos quando eu cruzasse aquela porta, eu teria rido.

E entrado mesmo assim.

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