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CAPÍTULO 26

last update Data de publicação: 2025-03-23 08:32:02

Apoios Discretos e Tensões Crescentes

Aria

Os dias parecem pesar mais a cada encontro. Cada vez que vejo Alexandro, a sensação de sufocamento cresce dentro de mim.

O ciúmes dele, embora disfarçado de arrogância e ironia, me deixa tensa e inquieta. Mas o pior é que eu não posso demonstrar fraqueza. Não posso.

Ainda não contei a ninguém sobre a gravidez. O medo de Alexandro descobrir antes de eu estar pronta para falar me consome. Ele nunca quis filhos, aliás nunca quis nem família, sempre foi
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Comentários (1)
goodnovel comment avatar
Maria Tereza
que tensoooo, não tá fácil pra ela lidar com toda essa pressão não
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Último capítulo

  • O preço do Esquecimento    EPÍLOGO EXTRA

    Epílogo Extra – Herança de AmorJulianHoje é meu aniversário de vinte e um anos.Acordei cedo, como sempre fazia quando era criança. O sol ainda não havia vencido completamente a neblina da serra, e o cheiro das lavandas do jardim da estufa ainda pairava no arEssa é minha casa. Ainda é.Desci pelas escadas do chalé principal em silêncio, sentindo cada degrau como um pedaço da minha memória. Ali aprendi a andar, a cair, a levantar. Ali chorei pela primeira vez por uma briga boba com um amigo da escola. Ali meu pai me ensinou a usar uma chave de fenda. Ali, minha mãe me ensinou a plantar uma semente.No balcão da cozinha, havia um bilhete. Com a caligrafia que reconheço de longe: “Filho, estamos na estufa. Te esperamos com amor.Com carinho,Mamãe e papai.”Senti um nó na garganta. Porque mesmo adulto, eu ainda sou o menino que corria com a mochila nas costas para ver minha mãe regar as mudas e meu pai explicar planilhas e projetos com aquele brilho nos olhos.Visto uma camisa bra

  • O preço do Esquecimento    90

    Herança de EsperançaAria.A brisa da manhã é suave e perfumada com hortelã e manjericão. Caminho descalça pelo jardim do resort, sentindo a terra fresca sob meus pés. Julian corre adiante, o cabelo voando, rindo enquanto persegue borboletas que parecem dançar só para ele.Alexandro me observa de longe, apoiado no parapeito de madeira da varanda, como quem ainda precisa se convencer de que esse momento é real. E eu o entendo. Eu também às vezes acordo no meio da noite esperando reencontrar a solidão.Mas a realidade agora é outra.Quando me aproximo, ele estende a mão, como faz desde que me reencontrou. É um gesto simples, mas cheio de significado. Eu a seguro.— Ele está diferente. Comento, olhando Julian, que agora tenta construir uma pequena casa com pedras. — Mais feliz, mais seguro.— Porque ele sente que estamos aqui. Juntos. Alexandro sorri, e aquele sorriso ainda me tira o fôlego, mas agora, com um misto de gratidão e tranquilidade.Silêncio. Daqueles bons, que acolhe

  • O preço do Esquecimento    EPÍLOGO 2

    Epílogo 3: Flores que PermanecemAriaA brisa da montanha traz o perfume das lavandas em flor. Caminho pelo jardim do Instituto com Julian ao meu lado, agora com quase cinco anos, de mochila nas costas e uma curiosidade que nunca se apaga dos olhos. Ele corre na frente, indo cumprimentar Marta, a nova orientadora do centro de formação, com um abraço caloroso que me faz sorrir.O Instituto Aria já está ativo há um ano. Foram doze meses de construção, treinamentos, parcerias com empresas locais e seleção criteriosa de profissionais. Agora, acolhemos mulheres de várias regiões do país, vindas de abrigos, casas de apoio ou indicações judiciais. Cada uma delas com uma história. Cada uma delas com uma cicatriz. E todas com uma possibilidade.Hoje, a rotina está mais tranquila. As oficinas de costura e marcenaria estão em andamento. As crianças brincam sob o pé de pitanga. Ao longe, vejo Alexandro conversando com Adriano e Miguel, todos com pastas nas mãos e semblantes serenos. Ele

  • O preço do Esquecimento    EPÍLOGO 1

    Epílogo 1: Amor que PermaneceAriaA noite cai silenciosa sobre o vale. As luzes do resort desenham um caminho dourado até a estufa de orquídeas, e eu o sigo, em silêncio, com o coração acelerado. Julian já dorme, abraçado ao novo travesseiro que Alexandro trouxe de surpresa com estrelas bordadas à mão. Um gesto pequeno. Mas que, para mim, tem o peso de um universo inteiro.Entro na estufa e o encontro lá, regando as últimas flores, como fazia nos velhos tempos. Seu perfil está calmo, mas há algo no modo como ele segura o regador, como se cada gota tivesse o peso de uma lembrança. Ele me ouve e vira devagar.— Não pensei que viria. Diz, com a voz baixa, íntima.— Nem eu. Mas aqui estou.Ele sorri, um pouco tenso. Deixa o regador no chão e se aproxima, passo a passo, até que o cheiro de hortelã e orquídeas se mistura com o da sua pele.— Às vezes ainda acordo com medo de que tudo isso seja um sonho. Confessa. — O instituto, Julian... você.— Não é um sonho, Alexandro. É resultado

  • O preço do Esquecimento    89

    Os Ecos da VerdadeAlexandro.A manhã seguinte começa com o telefone tocando às 6h12. Atendo antes que o segundo toque se complete.— Monteiro? A voz do delegado Franco parece ainda embargada pelo cansaço. — Temos novidades. Marcelo Rosa acrescentou mais detalhes ao depoimento dele, acredito que vai te interessar saber o que ele falou.Levanto da cama devagar, tentando não acordar Aria. Julian dorme entre nós, braços abertos como um anjo cansado. Puxo o lençol sobre ele e caminho até a varanda com o celular ao ouvido.— Diga.— Ele negou envolvimento direto no atentado ao carro, mas admitiu ter vendido informações da empresa. Disse que era chantageado. Alguém o ameaçava há meses… Um antigo sócio seu.Paro. O ar se torna mais denso, como se eu tivesse mergulhado em um tanque de concreto.— Quem?— Augusto Villar.Congelo. Meu ex-sócio. Expulso da empresa há cinco anos, depois de tentar manipular contratos e inflar ações com promessas falsas de tecnologia que nunca existiria. Pen

  • O preço do Esquecimento    88

    A Face do InimigoAlexandro.O ambiente da delegacia federal em Belo Horizonte é estéril, frio e impessoal. Mas a tensão que percorre meu corpo aquece meu sangue como se eu estivesse prestes a entrar em campo de batalha. Adriano está ao meu lado, os olhos fixos na porta metálica que logo se abrirá.— Tem certeza de que quer fazer isso? Ele pergunta, mais uma vez.— Preciso. Preciso olhar nos olhos dele. —Preciso entender de onde veio tanta podridão.O delegado Franco aparece, com a expressão dura de quem já viu o pior dos homens e ainda se recusa a se acostumar.— Ele está pronto para o interrogatório. Querem entrar?Assinto, sentindo meu maxilar travar.Atravessamos o corredor silencioso. Do outro lado do vidro opaco, vejo a figura de Marcelo Rosa, algemado, sentado com uma postura relaxada, como se estivesse num café e não numa cela. Quando ele nos vê, sorri.Um sorriso de canto de boca. Arrogante. Cínico.— Ora, ora…—Alexandro Monteiro. O homem que achou que podia me apagar da

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