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Sofie Márquez
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Novels by Sofie Márquez

O preço do Esquecimento

O preço do Esquecimento

Aria Sanchez sempre foi uma assistente pessoal dedicada, escondendo seus sentimentos pelo chefe, Alexandro Barroso, um CEO arrogante e intransigente. Mas tudo muda quando um acidente de carro os deixa feridos e Alexandro, sem memória. Sozinha no hospital, Aria, desesperada para ajudá-lo, se passa por sua noiva para obter informações sobre seu estado de saúde e garantir que ele não fique sozinho. No entanto, a mentira se torna um fardo insustentável, e a descoberta de sua gravidez só complica ainda mais a situação. Alexandro pode não se lembrar do passado, mas duas certezas o assombram: ele sempre foi um solteiro convicto e sente uma atração irresistível por Aria. Para piorar, a proximidade dela com Adriano Pérez, seu sócio e amigo de confiança, desperta um ciúme incontrolável, e quando ele por acidente descobre que Aria está grávida, o que o leva a suspeitar que o filho que Aria espera pode ser de Adriano. Enquanto Adriano investiga a sabotagem que causou o acidente e o desfalque milionário na empresa, Alexandro se vê cada vez mais perdido entre a falta de memória, os sentimentos intensos por Aria e a raiva causada pela dúvida sobre a paternidade. Aria precisa tomar uma decisão: revelar a verdade e contar a Alexandro que está grávida e arriscar tudo por esse amor ou partir em segredo? Em meio a segredos, desejo, ciúmes e desconfiança, Alexandro e Aria caminham por um fio. Mas como decidir o futuro quando o passado é um mistério e o presente, uma tempestade de emoções? Aria suportará toda essa pressão? O que terá o destino reservado para eles? Como poderá Alexandro decidir seu futuro se não recorda seu passado? Qual será o preço de seu esquecimento?
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Chapter: EPÍLOGO EXTRA
Epílogo Extra – Herança de AmorJulianHoje é meu aniversário de vinte e um anos.Acordei cedo, como sempre fazia quando era criança. O sol ainda não havia vencido completamente a neblina da serra, e o cheiro das lavandas do jardim da estufa ainda pairava no arEssa é minha casa. Ainda é.Desci pelas escadas do chalé principal em silêncio, sentindo cada degrau como um pedaço da minha memória. Ali aprendi a andar, a cair, a levantar. Ali chorei pela primeira vez por uma briga boba com um amigo da escola. Ali meu pai me ensinou a usar uma chave de fenda. Ali, minha mãe me ensinou a plantar uma semente.No balcão da cozinha, havia um bilhete. Com a caligrafia que reconheço de longe: “Filho, estamos na estufa. Te esperamos com amor.Com carinho,Mamãe e papai.”Senti um nó na garganta. Porque mesmo adulto, eu ainda sou o menino que corria com a mochila nas costas para ver minha mãe regar as mudas e meu pai explicar planilhas e projetos com aquele brilho nos olhos.Visto uma camisa bra
Last Updated: 2025-07-02
Chapter: 90
Herança de EsperançaAria.A brisa da manhã é suave e perfumada com hortelã e manjericão. Caminho descalça pelo jardim do resort, sentindo a terra fresca sob meus pés. Julian corre adiante, o cabelo voando, rindo enquanto persegue borboletas que parecem dançar só para ele.Alexandro me observa de longe, apoiado no parapeito de madeira da varanda, como quem ainda precisa se convencer de que esse momento é real. E eu o entendo. Eu também às vezes acordo no meio da noite esperando reencontrar a solidão.Mas a realidade agora é outra.Quando me aproximo, ele estende a mão, como faz desde que me reencontrou. É um gesto simples, mas cheio de significado. Eu a seguro.— Ele está diferente. Comento, olhando Julian, que agora tenta construir uma pequena casa com pedras. — Mais feliz, mais seguro.— Porque ele sente que estamos aqui. Juntos. Alexandro sorri, e aquele sorriso ainda me tira o fôlego, mas agora, com um misto de gratidão e tranquilidade.Silêncio. Daqueles bons, que acolhe
Last Updated: 2025-07-02
Chapter: EPÍLOGO 2
Epílogo 3: Flores que PermanecemAriaA brisa da montanha traz o perfume das lavandas em flor. Caminho pelo jardim do Instituto com Julian ao meu lado, agora com quase cinco anos, de mochila nas costas e uma curiosidade que nunca se apaga dos olhos. Ele corre na frente, indo cumprimentar Marta, a nova orientadora do centro de formação, com um abraço caloroso que me faz sorrir.O Instituto Aria já está ativo há um ano. Foram doze meses de construção, treinamentos, parcerias com empresas locais e seleção criteriosa de profissionais. Agora, acolhemos mulheres de várias regiões do país, vindas de abrigos, casas de apoio ou indicações judiciais. Cada uma delas com uma história. Cada uma delas com uma cicatriz. E todas com uma possibilidade.Hoje, a rotina está mais tranquila. As oficinas de costura e marcenaria estão em andamento. As crianças brincam sob o pé de pitanga. Ao longe, vejo Alexandro conversando com Adriano e Miguel, todos com pastas nas mãos e semblantes serenos. Ele
Last Updated: 2025-07-02
Chapter: EPÍLOGO 1
Epílogo 1: Amor que PermaneceAriaA noite cai silenciosa sobre o vale. As luzes do resort desenham um caminho dourado até a estufa de orquídeas, e eu o sigo, em silêncio, com o coração acelerado. Julian já dorme, abraçado ao novo travesseiro que Alexandro trouxe de surpresa com estrelas bordadas à mão. Um gesto pequeno. Mas que, para mim, tem o peso de um universo inteiro.Entro na estufa e o encontro lá, regando as últimas flores, como fazia nos velhos tempos. Seu perfil está calmo, mas há algo no modo como ele segura o regador, como se cada gota tivesse o peso de uma lembrança. Ele me ouve e vira devagar.— Não pensei que viria. Diz, com a voz baixa, íntima.— Nem eu. Mas aqui estou.Ele sorri, um pouco tenso. Deixa o regador no chão e se aproxima, passo a passo, até que o cheiro de hortelã e orquídeas se mistura com o da sua pele.— Às vezes ainda acordo com medo de que tudo isso seja um sonho. Confessa. — O instituto, Julian... você.— Não é um sonho, Alexandro. É resultado
Last Updated: 2025-07-02
Chapter: 89
Os Ecos da VerdadeAlexandro.A manhã seguinte começa com o telefone tocando às 6h12. Atendo antes que o segundo toque se complete.— Monteiro? A voz do delegado Franco parece ainda embargada pelo cansaço. — Temos novidades. Marcelo Rosa acrescentou mais detalhes ao depoimento dele, acredito que vai te interessar saber o que ele falou.Levanto da cama devagar, tentando não acordar Aria. Julian dorme entre nós, braços abertos como um anjo cansado. Puxo o lençol sobre ele e caminho até a varanda com o celular ao ouvido.— Diga.— Ele negou envolvimento direto no atentado ao carro, mas admitiu ter vendido informações da empresa. Disse que era chantageado. Alguém o ameaçava há meses… Um antigo sócio seu.Paro. O ar se torna mais denso, como se eu tivesse mergulhado em um tanque de concreto.— Quem?— Augusto Villar.Congelo. Meu ex-sócio. Expulso da empresa há cinco anos, depois de tentar manipular contratos e inflar ações com promessas falsas de tecnologia que nunca existiria. Pen
Last Updated: 2025-07-02
Chapter: 88
A Face do InimigoAlexandro.O ambiente da delegacia federal em Belo Horizonte é estéril, frio e impessoal. Mas a tensão que percorre meu corpo aquece meu sangue como se eu estivesse prestes a entrar em campo de batalha. Adriano está ao meu lado, os olhos fixos na porta metálica que logo se abrirá.— Tem certeza de que quer fazer isso? Ele pergunta, mais uma vez.— Preciso. Preciso olhar nos olhos dele. —Preciso entender de onde veio tanta podridão.O delegado Franco aparece, com a expressão dura de quem já viu o pior dos homens e ainda se recusa a se acostumar.— Ele está pronto para o interrogatório. Querem entrar?Assinto, sentindo meu maxilar travar.Atravessamos o corredor silencioso. Do outro lado do vidro opaco, vejo a figura de Marcelo Rosa, algemado, sentado com uma postura relaxada, como se estivesse num café e não numa cela. Quando ele nos vê, sorri.Um sorriso de canto de boca. Arrogante. Cínico.— Ora, ora…—Alexandro Monteiro. O homem que achou que podia me apagar da
Last Updated: 2025-07-02
NOS CAMPOS DO DESTINO - Algumas histórias Nunca Acabam.

NOS CAMPOS DO DESTINO - Algumas histórias Nunca Acabam.

Sinopse Mariana Valença acreditava ter enterrado o passado quando deixou a Fazenda Santa Aurora, sem saber que carregava no ventre o filho de Raul Fontes de Alvarenga, seu grande amor da adolescência. Convencida de que ele a trocara por um casamento de conveniência, escolheu o silêncio e criou Miguel sozinha, enquanto construía uma carreira brilhante como fisioterapeuta na cidade. Anos depois, o destino muda o rumo de duas vidas. Raul perde a esposa em um acidente trágico, fica paraplégico e se transforma em um homem amargurado, vivendo apenas para proteger a pequena Clara, sua filha. Ao mesmo tempo, Mariana vê seu noivado desmoronar ao descobrir a traição do homem em quem confiava. Ela decide voltar para Santa Aurora ao lado de Miguel, para reorganizar sua vida e rever seus pais. O reencontro entre os antigos apaixonados reacende feridas, culpas e sentimentos nunca esquecidos. Mas o maior impacto ainda está por vir:  A revelação de que Miguel é filho de Raul. Entre segredos a tanto tempo enterrados, poderá o amor verdadeiro sobreviver ao tempo, às perdas e às escolhas mais dolorosas?
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Chapter: CLARA TAMBÉM TEM MEDO
Os dias seguintes transcorreram com uma calma apenas aparente na Fazenda Santa Aurora. Depois da intensidade da revelação e das emoções que transformaram a vida de todos naquela casa, a rotina começava lentamente a retomar seu espaço. Os peões voltavam a ocupar os currais antes mesmo de o sol nascer, o cheiro de café fresco escapava da cozinha de Rosa todas as manhãs e os tratores percorriam os cafezais como faziam havia tantos anos. Para quem observasse a propriedade do lado de fora, nada parecia diferente. No entanto, dentro da casa-grande, cada olhar, cada silêncio e cada pequeno gesto carregavam um significado novo. Era como se todos estivessem aprendendo novamente a ocupar os próprios lugares dentro daquela família que renascia de maneira inesperada.Raul também começava a descobrir que a paternidade não era construída apenas pelos grandes acontecimentos. Depois da conversa com Miguel e do primeiro "pai" pronunciado quase por impulso, passou a procurar maneiras discretas de
Last Updated: 2026-09-28
Chapter: MEDO DE ERRAR OUTRA VEZ
O sol já ultrapassava o ponto mais alto do céu quando a rotina da Fazenda Santa Aurora começou a desacelerar para o almoço. O aroma do feijão preparado no fogão a lenha espalhava-se pela varanda, misturando-se ao cheiro da carne assando lentamente e do pão recém-retirado do forno por Rosa. Do lado de fora, os peões lavavam as mãos nos tanques próximos ao galpão antes de seguirem para o refeitório, enquanto os cavalos descansavam à sombra das grandes figueiras que cercavam as baias. A fazenda mantinha o ritmo tranquilo de sempre, mas, para Mariana, aquele dia parecia longo demais. Desde que acordara, carregava a sensação de que caminhava sobre um terreno frágil, onde qualquer palavra mal colocada poderia abrir novamente a ferida que todos tentavam aprender a fechar.Da janela da cozinha, ela observava Miguel ajudar Bento a separar algumas ferramentas que seriam usadas na manutenção das cercas do piquete norte. O menino permanecia atento às explicações do avô, fazia perguntas, carr
Last Updated: 2026-09-28
Chapter: DISTÂNCIA
A manhã amanheceu luminosa sobre a Fazenda Santa Aurora. Depois da névoa fina que costumava cobrir os campos nas primeiras horas do dia, o sol apareceu forte, espalhando uma luz dourada sobre os cafezais, os pastos e as cercas de madeira que delimitavam cada parte da propriedade. O vento soprava devagar, balançando as copas das árvores centenárias próximas à casa-grande e trazendo consigo o cheiro da terra úmida misturado ao perfume doce das flores que Rosa cultivava ao redor da varanda. A fazenda despertava como fazia todas as manhãs havia décadas. Os peões cruzavam o terreiro conversando em voz alta, os tratores iniciavam lentamente o trabalho nas lavouras e os cavalos, impacientes, batiam os cascos contra as portas das baias esperando a primeira alimentação do dia. Era uma rotina conhecida por todos, mas, para Raul, aquele amanhecer parecia completamente diferente. Pela primeira vez desde que assumiu a administração da Santa Aurora, sentia-se um estranho dentro da própria cas
Last Updated: 2026-09-26
Chapter: ORGULHO TAMBÉM DESTRÓI FAMÍLIAS
O amanhecer chegou silencioso à Fazenda Santa Aurora. Uma névoa fina cobria os campos, escondendo parcialmente as cercas e os pastos que pareciam emergir lentamente conforme os primeiros raios de sol atravessavam o horizonte. O cheiro de terra úmida misturava-se ao aroma do café recém-passado que escapava da cozinha da casa-grande, enquanto os peões iniciavam mais um dia de trabalho. O som das botas sobre o cascalho, o ranger dos portões dos currais e os relinchos dos cavalos devolviam à fazenda a rotina de sempre. Mas, dentro da casa, ninguém conseguia agir como se fosse um dia comum.Raul já estava acordado havia horas. Não pregará os olhos durante a noite inteira.Permanecera sentado no escritório até quase o amanhecer, olhando fotografias antigas e tentando imaginar o rosto de Miguel em cada lembrança da infância que vivera ao lado do pai. Quando finalmente deixou o cômodo, o cansaço estampava-se nas olheiras profundas e na barba que começava a crescer sem o cuidado habitual
Last Updated: 2026-09-12
Chapter: O PESO DOS NOVE ANOS 2
Perfeito.Mariana permaneceu sentada na beira da cama, observando o filho dormir. A luz prateada da lua desenhava contornos suaves sobre o rosto de Miguel, revelando uma expressão que alternava momentos de tranquilidade com pequenos sinais de inquietação. Em alguns instantes ele franzia discretamente a testa, murmurava palavras incompreensíveis ou apertava o lençol entre os dedos, como se sua mente continuasse tentando organizar tudo o que aconteceu durante o dia. Aquele comportamento não era comum. Desde pequeno, Miguel sempre dormira profundamente. Bastava deitar a cabeça no travesseiro para mergulhar em um sono tranquilo, consequência das longas brincadeiras ao ar livre e da segurança que sempre encontrou ao lado da mãe. Naquela noite, porém, nem mesmo a inocência da infância fora capaz de protegê-lo da confusão que se instalara em seu coração.Mariana deslizou delicadamente a mão pelos cabelos do menino, repetindo um gesto que fazia desde o dia em que ele nascera. Quantas v
Last Updated: 2026-09-12
Chapter: O PESO DE NOVE ANOS
A noite caiu lentamente sobre a Fazenda Santa Aurora, cobrindo os campos com uma escuridão tranquila que contrastava com o caos instalado dentro da casa-grande. As primeiras estrelas surgiam no céu limpo enquanto uma lua quase cheia iluminava os pastos, desenhando sombras compridas sobre as cercas de madeira e fazendo o orvalho começar a se formar sobre a relva. Os peões já haviam encerrado o trabalho do dia. O barulho dos tratores dera lugar ao canto ritmado dos grilos e ao som distante dos cavalos se movimentando nas baias antes de adormecerem. Para quem observasse a fazenda de fora, tudo parecia em perfeita ordem. A propriedade respirava paz. Apenas quem estivesse dentro daquela casa perceberia que nenhuma daquelas pessoas conseguiria dormir naquela noite.Raul permanecia sozinho no antigo escritório de Damião. A única iluminação vinha do abajur sobre a mesa de madeira maciça, cuja luz amarelada deixava o ambiente ainda mais silencioso. À sua frente, estavam espalhados álbu
Last Updated: 2026-09-10
Depois do Fim Você

Depois do Fim Você

Miguel Brandão já foi um nome aclamado. Escritor premiado, presença constante nos círculos mais prestigiados da literatura, era o tipo de homem que brilhava em eventos e manchetes, enquanto sua vida íntima ruía silenciosamente sob o peso das exigências e do ego. Mas quando um acidente brutal o lança em coma por dois anos, tudo aquilo que ele conhecia: Fama, prestígio, família, desaparece como tinta em água. Ao despertar em uma UTI, entre máquinas e vozes estranhas, Miguel se depara com um vazio que nenhum livro poderia prever. Isadora, sua esposa, morreu em um incêndio. Sua filha, Brenda, agora com quatro anos, quase não o reconhece. E aqueles que o rodeavam nos tempos de glória: Amigos, família, parceiros, desapareceram sem deixar rastros, como se o tivessem enterrado em vida. A única que ficou foi Clara. Enfermeira dedicada, silenciosa, resistente, Clara não apenas o manteve vivo com cuidados e presença. Foi ela quem criou Brenda, cumprindo a promessa feita a Isadora nos instantes finais. Tornou-se mãe sem ter parido. Guardiã de um lar que nunca foi o seu. E, sem perceber, apaixonou-se por um homem em ruínas. Agora, Clara e Miguel caminham por um campo de escombros emocionais: Luto, culpa, amor não dito. Miguel precisa se reconstruir, mas será capaz de aceitar um amor que nasceu da tragédia? E Clara conseguirá viver esse sentimento sem trair a memória da mulher que tanto amava? O que nasce quando tudo foi perdido? É possível amar alguém que é um estranho até para si mesmo? E se, para seguir em frente, for preciso desafiar o passado?
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Chapter: ONDE O AMOR ESCOLHE FICAR
EPÍLOGO Onde o Amor Escolhe Ficar.O dia amanhece claro, como se o céu tivesse sido avisado.Não há pressa.Não há nervosismo do tipo que paralisa.Há apenas uma emoção funda, serena, que ocupa o peito inteiro sem pedir licença.A casa está cheia desde cedo. Vozes baixas, passos leves, o cheiro de café fresco misturado ao de flores recém-colhidas do jardim. Clara está no quarto, sentada diante do espelho antigo que trouxemos do sítio, enquanto uma amiga ajeita os últimos detalhes do vestido.O vestido não é grandioso. Nunca foi a ideia.É simples, de tecido fluido, caindo com delicadeza sobre o corpo que agora carrega outra vida. A barriga ainda é discreta, mas presente um segredo compartilhado apenas com quem olha com atenção.Clara passa a mão pelo ventre num gesto quase inconsciente. Um carinho breve, protetor. Depois respira fundo.— Estou pronta. Ela diz.Mas sei que não fala do vestido.No quarto ao lado, Brenda gira em frente ao espelho pela quinta vez.O vestido dela é c
Last Updated: 2026-01-09
Chapter: O PESO LEVE DO RECONHECIMENTO
O Peso Leve do ReconhecimentoUm ano depois….Às vezes, penso que um ano é pouco tempo para quem perdeu tudo.Outras vezes, parece uma eternidade para quem aprendeu a sobreviver um dia de cada vez.A livraria está cheia. Não cheia de ruído, cheia de presença. Gente que espera, que segura livros contra o peito como se fossem cartas pessoais. Gente que sorri para mim com um tipo de gratidão que ainda me desconcerta.O cartaz atrás da mesa traz meu nome em letras grandes demais para quem, por muito tempo, não conseguiu sequer assinar o próprio nome sem sentir culpa.Miguel Brandão – Sessão de Autógrafos.O título do livro, impresso logo abaixo, brilha sob a luz quente dos refletores:Depois do Fim Você.Respiro fundo antes de abrir a primeira página.Minhas mãos não tremem mais como antes. Mas também não são as mãos confiantes de quem nunca caiu. São mãos que sabem o peso exato da queda e da permanência.Clara está sentada a alguns metros de mim, perto da estante de lançamentos. Us
Last Updated: 2026-01-09
Chapter: CONSOLIDAÇÃO E NOVOS HORIZONTES
Consolidação e Novos HorizontesO sol da manhã se espalhava pelo quintal com uma intensidade suave, refletindo nas folhas verdes das árvores e nos girassóis recém-plantados. O céu estava claro, quase sem nuvens, e o ar fresco carregava o perfume da terra molhada e das flores. Brenda corria pelo gramado, rindo, enquanto uma bola colorida quicava entre seus passos ágeis. Cada risada da menina parecia ecoar na casa, trazendo vida e sentido para cada canto. Eu a observava com um sorriso silencioso, sentindo que cada instante vivido ali era um pedaço do que construímos juntos, meu amor por Clara, nossa filha de coração, e o refúgio que chamávamos de lar.Clara surgiu na varanda com a xícara de café ainda fumegante, os olhos brilhando enquanto me observava. O vento brincava com alguns fios soltos do seu cabelo, e a forma como ela se movia, tão natural e cheia de graça, fazia meu peito apertar de um jeito bom, aquele aperto que mistura desejo e ternura.— Bom dia! Disse ela, entregando
Last Updated: 2026-01-08
Chapter: ESCOLHAS E COMPROMISSOS
Escolhas e CompromissosO sol despontava timidamente entre nuvens dispersas, iluminando o quintal com uma luz dourada e tênue. A brisa leve balançava os galhos das árvores e fazia os girassóis recém-plantados ondularem suavemente, como se cumprimentassem a manhã. Brenda corria pelo gramado, rindo, enquanto perseguia uma bola colorida que rolava pelo chão molhado do orvalho. Cada passo dela despertava em mim um misto de alegria e responsabilidade, a consciência de que tudo que eu tinha reconstruído estava ali, diante dos meus olhos, em forma de sorrisos e risadas.Clara surgiu na varanda com uma caneca de café fumegante nas mãos. Seus olhos, ainda sonolentos, me encontraram, e ela sorriu, um sorriso carregado de ternura, desejo e cumplicidade. Eu me levantei, deixando o caderno de lado, ainda que a inspiração estivesse presente, hoje era dia de viver o presente em vez de escrever sobre ele.— Bom dia. Disse ela, aproximando-se e oferecendo-me a caneca. — Dormiu bem?— Como nunca
Last Updated: 2026-01-08
Chapter: TEMPESTADE E ABRAÇOS
Tempestades e Abraços.A manhã começou fria e cinzenta, com gotas de chuva finas batendo nas janelas do sítio. O cheiro de terra molhada e folhas frescas invadia a cozinha, onde Clara preparava panquecas e café para mim e Brenda. A menina ria e conversava sem parar, contando suas aventuras imaginárias com dinossauros e dragões, distraindo-me de qualquer resquício de preocupação.— Papai, e se o tricerátopo e o dragão fossem amigos? Perguntou Brenda, com os olhos brilhando de curiosidade.— Então eles precisariam de uma casa bem grande para brincar juntos. Respondi, sorrindo, e passei a mão pelos cabelos dela.Clara trouxe a bandeja até a mesa, o aroma quente e reconfortante das panquecas enchendo o ambiente. Sentamos juntos, compartilhando o café da manhã em silêncio, mas com o tipo de comunicação que não precisava de palavras: Olhares, sorrisos e gestos suaves.Quando terminei, percebi que meu telefone vibrava com notificações de redes sociais e mensagens de e-mail. O sucesso d
Last Updated: 2026-01-08
Chapter: VENTOS DE APROXIMAÇÃO E RESISTÊNCIA
Ventos de Aproximação e Resistência.O dia amanheceu nublado, com nuvens cinzentas cobrindo o céu e uma leve garoa batendo nas folhas da horta. Brenda já havia levantado, trajando seu pijama azul claro, os cabelos levemente despenteados. A menina entrou na cozinha com passos silenciosos, o olhar curioso sobre o movimento da manhã.— Bom dia, papai! Disse ela, aproximando-se da mesa, onde eu revisava o último capítulo do novo livro.— Bom dia, princesa. Respondi, sorrindo e passando a mão pelos cabelos dela — Dormiu bem?— Sim! Sonhei com um tricerátopo que falava comigo. — Ela riu, e a risada preenchia o ambiente, leve e pura. — Ele disse que você ia escrever algo novo hoje.Sorri, sentindo novamente o calor de responsabilidade e inspiração que só a presença de Brenda conseguia me trazer. Clara entrou logo depois, com o cabelo ainda úmido da ducha matinal, vestindo um suéter confortável e calças jeans. Seu olhar encontrou o meu, e um sorriso sutil passou por seus lábios, carre
Last Updated: 2026-01-08
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