Compartilhar

Capítulo 4

Autor: Sah Quele
last update Data de publicação: 2024-07-19 10:13:00

Valentina

Acordei com o barulho do meu celular tocando. Dei um pulo na cama, indo pegar o aparelho que havia deixado na mesinha ao lado.

— Alô!

Disse tentando abrir os olhos para enxergar melhor.

— Senhorita Martinez, perdoe incomodar tão cedo. Sou a enfermeira- chefe responsável pela internação do seu avô. A senhora pode comparecer no consultório do doutor Renato?

A mulher disse, eu respondi que me encontrava no hospital.

— Vou trocar de roupa e chego em vinte minutos. Peça para providenciarem o café da manhã e meus pais foram chamados?

Perguntei à enfermeira, que respondeu que papai já estava sabendo e chegaria em breve. Se desculpou por ligar ao invés de vir até o quarto que fiquei. Disse que não precisava se desculpar e que eu logo chegaria. Desliguei o celular, corri apressada para dentro do banheiro, tirando a roupa e entrando embaixo do chuveiro. A água quente acabou me despertando com mais rapidez. Cinco minutos depois, enrolada com o roupão, vou procurar uma roupa para vestir. Enquanto procurava uma calcinha, alguém batia na porta e fui atender, achando que era alguma emergência. Ao abrir, dei de cara com Diego. O grandalhão usava seu uniforme de sempre e a expressão em seu rosto ao me encontrar vestindo somente o roupão foi engraçada.

— Aconteceu algo?

Perguntei, parada na porta, aguardando ele dizer algo.

— Bom dia, senhorita! Seu pai está se dirigindo para cá e o doutor deseja conversar com a família sobre a situação do seu avô.

— Eu recebi a ligação há alguns minutos — respondi e Diego ficou calado olhando para o meu rosto até que respondeu que iria me esperar do lado de fora.

— Tudo bem! Em dez minutos estou pronta — fechei a porta e só então percebi a calcinha na mão e pude entender o motivo do rosto desconfortável do homem.

— Sem noção!

Recriminando a mim mesmo, enquanto vestia a peça e depois colocava o sutiã. Peguei minha calça jeans e a camiseta preta vestindo. Passei uma escova no meu cabelo, que ainda estava molhado. Peguei minha bolsa e guardei as roupas sujas na mochila. Pediria para um dos seguranças levar as peças para lavar e tia Áurea poderia mandar uma mala com mais roupas, se fosse necessário. Conferi meu rosto e como se nada tivesse acontecido, saí do quarto. Encontrei Diego encostado na parede, com os braços cruzados e os olhos fechados.

— Estou pronta!

Disse, vendo os olhos dele se abrirem, encarando meu rosto. O homem apontou em direção ao corredor. Sorri para ele, como sempre fazia, recebendo a mesma expressão séria de sempre. Dei de ombros, caminhando ao lado dele em silêncio, até o consultório do doutor. Encontrei os outros seguranças do lado de fora e com certeza meu pai estava aqui.

— O presidente chegou e a senhora pode entrar!

Diego apontou para a porta.

— Obrigada e desculpe o que aconteceu lá na porta do meu quarto — disse, me dirigindo até o consultório. Não falei mais nada além de pedir desculpas. Ele era um homem esperto e entendeu muito bem ao que me referi. Bati na porta, aguardando resposta para entrar. Abri a porta, dando de cara com papai sentado com um sorriso que encheu meu coração de esperanças.

— Minha princesa, veio sem tomar café da manhã?

Papai perguntou, levantando-se para me receber.

— A enfermeira ligou achando que eu não estava aqui. Mas depois eu penso em comer algo, conte uma notícia boa, por que pela cara do senhor e do doutor posso acreditar que o meu avô acordou?

Fui logo perguntando, ignorando as boas maneiras.

— Calma, senhorita! Bom dia, primeiro e visto que o olhar do seu pai entregou tudo. Pode ficar tranquila. Ricardo acordou e está neste momento tomando seu café da manhã. Como ele acordou um pouco confuso, achei melhor chamar Leonardo e você.

Doutor Renato diz, eu abraço meu pai, segurando a emoção e não chorando na frente do médico.

— Eu posso tomar café da manhã no quarto com o vovô?

Perguntei e o médico autorizou, entretanto, eu deveria manter a calma e não deixar que o paciente tivesse fortes emoções.

— Prometo que me comporto — disse levantando-me da cadeira dando a mão para o meu pai, como sempre fiz desde criança.

— Vamos até aquele velho teimoso, princesa — papai disse, se levantando também, saindo de mãos dadas comigo do consultório. Encontramos Diego aguardando como sempre e todos seguiram para o quarto do vovô.

— A mamãe não quis acompanhar o senhor ou achou melhor ela ficar em casa com a vovó e os gêmeos?

Perguntei, porque era estranho meu pai sozinho.

— Sua mãe teve uma discussão com sua avó logo cedo. Sabe como sua avó é difícil de lidar e como sua mãe deixou de se importar com tudo que minha mãe faz há muitos anos, achei melhor Jessica ficar na mansão.

Com certeza, era algo relacionado aos gêmeos ou meu avô. Aquelas duas se detestavam e nunca consegui entender o motivo de tanta implicância entre as duas. Diego foi na frente enquanto eu conversava com papai. Antes de entrarmos, os dois se afastaram indo conversar baixinho para que ninguém pudesse ouvir. Eu tentei ouvir o que diziam, contudo, não consegui nada. Meu pai voltou para o meu lado e juntos entramos no quarto. Encontramos vovô sentado na cama, tomando suco e rindo de algo que a enfermeira contava. Nem parecia que horas atrás, estava naquela cama lutando pela vida.

— Que susto o senhor deu em todos nós!

Papai foi o primeiro a falar, enquanto eu, sem me importar em levar bronca, me sentei na cama ao lado do vovô.

— Amor do vovô — fui recebida com um sorriso pelo vovô Ricardo, que acariciou meu rosto, com a mão enrugada com as agulhas do soro e da medicação.

— O papai tem razão, que susto deu na gente. Peguei o primeiro voo para São Paulo e abandonei tudo em Manaus para chegar o mais rápido que eu podia.

Confessei e meu avô respondeu que só assim eu voltava para casa.

— Estou bem e Renato veio assim que despertei para ver como eu estava. Não se preocupem que foi somente um susto.

A enfermeira pediu licença nos deixando sozinhos, porém antes avisou que seria servido o café para meu pai e eu no quarto do paciente. Papai sentou na cadeira que a enfermeira estava antes e eu continuei na cama sentada com o vovô.

— Leonardo, não precisa se desesperar filho. Foi somente um susto, eu estou bem melhor e Renato disse que terei alta em dois dias.

Vovô disse, meu pai e eu trocamos olhares porque sabíamos que teríamos que cuidar da saúde dele ainda mais. E conhecendo bem o avô que tenho, mesmo sendo médico, era teimoso como uma mula empacada.

— Melhor conversar sobre esse assunto, quando o senhor sair do hospital — disse mudando o teor da conversa.

— Então, minha netinha, voltou de vez ou vai embarcar no primeiro avião de volta a Manaus?

— Sua neta, vai ficar. Pode melhorar ainda mais do que está, decidi retornar antes do previsto e vou entrar em contato com meu chefe e enviar a carta de desligamento.

Havia pensado bem e conversaria com Mateus sobre voltar para São Paulo. Não sei se meu namorado aceitaria, contudo, a saúde do meu avô era importante para mim e se fosse preciso encerrar meu contrato antes do previsto eu faria.

— Isso significa que você vai voltar para casa e morar com seus avós?

Papai perguntou. Eu esperava essa pergunta, visto estar de volta à cidade. Contudo, eu não moraria com minha família, permaneceria vivendo sozinha e iria procurar um apartamento próximo do hospital. Teria que assumir meu cargo na diretoria e começaria a cuidar de tudo.

— Significa que volto a morar em São Paulo como antes e não comece a criar planos — apontei para os dois. Recordo o que o médico disse e achei melhor não falar sobre a minha decisão de continuar morando sozinha. Passei a distrair vovô com assuntos aleatórios, uma enfermeira trouxe o café da manhã. Nós três comemos, conversamos e assim eu distraía meu pai e meu avô de mais perguntas que com toda certeza os dois fariam.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • O segurança da filha do Presidente   Capítulo 142 (final)

    01 ano depois…DiegoUm ano se passou desde o pior momento da minha vida. Porém, hoje vamos comemorar um ano da chegada da minha joia preciosa. Em um ano, muitas coisas aconteceram — a maioria foram boas, é claro — mas houve também a parte ruim: saber que dinheiro e poder compram tudo, até mesmo a liberdade de pessoas que cometem crimes. Conseguem sair ilesas.Nem mesmo o poder do presidente do Brasil conseguiu colocar aquele desgraçado atrás das grades. O juiz, aliado ao partido da oposição, conseguiu livrar o garoto das acusações e, no final de tudo, o bandido rico se safou dos crimes cometidos e fugiu para o exterior, como um bom bandido da sociedade hipócrita faz.Minha relação com o meu sogro melhorou bastante e, dessa vez, realmente fui aceito pelo senhor Leonardo. Consegui explicar tudo desde a minha infância, e ele entendeu que Marcelo, para mim, sempre foi — e sempre será — apenas um bandido maldito que acabou com a vida da minha mãe.— Meu amor, vamos, os convidados já estão

  • O segurança da filha do Presidente   Capítulo 141

    Ao ouvir tudo o que houve dias atrás, não consigo acreditar em como Matheus teve coragem de cometer algo tão cruel assim. No quarto, estavam meus irmãos, meus pais e Diego, todos reunidos. Meus avós não sabiam de nada, e papai queria que permanecessem sem saber. Natália ainda tentou fazer um escândalo, dando a entender que eu era culpada pela mudança do filho, porém minha mãe a colocou em seu devido lugar.Estou cansada, mas feliz ao mesmo tempo. Dinah ligou para saber como eu estava, e Diego disse que em breve eu teria alta. A médica explicou que eu acabei bloqueando os acontecimentos e que, em algum momento, iria me lembrar de tudo.Nos braços, estou com minha princesa linda, que dorme sem imaginar o terror que os pais passaram. Meu esposo não quis comentar detalhes, mas imagino o que possa ter acontecido.— Diego, conversando com Jéssica, penso que o melhor é vocês se mudarem para o mesmo condomínio dos meus pais. Assim, a segurança, além de reforçada, me permitirá monitorar tudo.

  • O segurança da filha do Presidente   Capítulo 140

    Matheus— Droga... Como pude ser tão estúpido a ponto de tentar sequestrar a Valentina? Eu preciso me livrar desse vício. Preciso voltar a ser o Matheus de antes. Talvez assim... talvez ela consiga me amar de novo.Falo comigo mesmo, trancado neste quarto de hospital, como um animal enjaulado. Fui um completo idiota por agir no impulso, levado pela emoção. Achei que, cometendo tal loucura, ela iria me amar.Tomado pelas drogas, cometi um erro que vai me custar caro, e sei que irei envergonhar minha família. Um ato idiota colocou toda a minha vida em risco. Sentado nessa poltrona, me assusto ao ouvir a porta batendo com toda força.Levanto meu rosto e, à minha frente, encontra-se o senhor Leonardo. Seu olhar de decepção, misturado com raiva e um ódio que só vi assim na noite em que contei sobre o caso, na época da Valentina, com aquele desgraçado do segurança bastardo.— Filho da puta! Desgraçado!Sinto o soco em meu rosto, vindo como um furacão. Depois do segurança bastardo, agora era

  • O segurança da filha do Presidente   Capítulo 139

    Leonardo— Como o Mateus conseguiu passar pela segurança sem que ninguém neste hospital percebesse qualquer movimento suspeito?! — minha voz ecoa pelas paredes da sala de reuniões. — Expliquem agora como uma tragédia dessas acontece bem debaixo dos nossos narizes — e ninguém viu nada?!O silêncio dos funcionários é ensurdecedor. Alguns abaixam o olhar. Outros se encolhem nas cadeiras. Não me importo com o escândalo que estou causando. Minha filha... minha princesinha passou por momentos de puro terror por culpa de uma falha absurda — inaceitável — de uma equipe inteira de segurança.— Com todo o respeito, senhor presidente, houve uma falha nos protocolos, mas estamos investigando... — tenta justificar um homem de jaleco branco. Não sei se é médico, segurança ou algum diretor covarde.— Investigar?! — cuspo a palavra como veneno. — A Valentina quase morreu por "uma falha nos protocolos"! Isso é o que têm para me oferecer? Uma nota de rodapé em um relatório?Jéssica, ao meu lado, segura

  • O segurança da filha do Presidente   Capítulo 138

    Diego— O senhor pode ficar no berçário por dez minutos.A enfermeira se retirou, e o silêncio que ficou parecia gritar dentro de mim. Agora era só eu... e ela.Valentina ainda não sabia o nome que eu havia escolhido para nossa filha. A médica já me explicara o quadro clínico. E embora ainda houvesse apreensão, eu finalmente podia respirar — pela primeira vez em horas. O garoto estava detido em um dos quartos privativos, aguardando a chegada do meu sogro. Por mim, ele já estaria algemado, trancado e longe de tudo que amamos. Mas... eu não podia desobedecer o presidente. Não ainda.Vestido com a roupa apropriada, abri a porta de vidro com as mãos trêmulas. Entrei no berçário como quem invade um santuário. Cada passo era uma oração silenciosa. Não queria fazer barulho. Não queria espantar o momento.Minha princesinha era a única ali. Tão pequena, tão frágil... e tão forte. A pediatra havia me dito que ela poderia ter alta em três dias. Valentina... bem, Valentina ainda precisava se re

  • O segurança da filha do Presidente   Capítulo 137

    Ainda estou ofegante.Os braços de Leandro me seguram com força, como se ele fosse a única âncora entre mim e o abismo. Sofia está ao meu lado, o rosto manchado de lágrimas e tensão. Ninguém fala. Só o som distante dos monitores, dos passos apressados dos enfermeiros. O corredor está cheio, mas eu só vejo o vazio. Mateus estava isolado no quarto, com a polícia fazendo sua segurança. Eu realmente teria matado aquele garoto se não tivesse sido impedido. Aquela brincadeira dele, teria consequências graves, quem aquele moleque pensava que era? Por conta da gracinha cometida, Valentina quase morreu e agora aguardamos notícias dela. Não permitiram a entrada dos gêmeos na hora do parto, pois não queriam que o emocional atrapalhasse tudo. Achei um absurdo visto que os dois em breve estarão formados como médicos.A porta da sala de cirurgia se abre.Uma médica jovem, de olhar sério, mas não frio, caminha em nossa direção. Veste um jaleco manchado de pressa e responsabilidade. Ela para à minha

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status