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CAPÍTULO 20 ENRICO CASANOSSA

last update Data de publicação: 2021-05-17 20:02:37

ENRICO CASANOSSA ACORDOU SOZINHO em sua cama pela primeira vez depois de alguns anos de casado com Gwen Dunhill, que devido a um acidente tinha ficado desfigurada, mas sempre foi carinhosa, fiel e acima de tudo, amiga – disso Enrico não podia negar. 

Enrico se casou com Gwen para ter uma vida boa sem precisar trabalhar, já que Gwen era uma mulher extremamente rica por causa do seu pai – Donald Dunhill – um dos homens mais ricos e poderosos de todo o planeta.

— Enrico Casanossa... – murmurou Enrico baixinho para si mesmo, e tentou se lembrar quando tinha sido a última vez que ele ouvira seu nome de batismo. Enrico se lembrou que tinha sido quando chegara aos Estados Unidos ilegalmente – fugindo de seu país natal – seguindo o rastro de seu pai e irmão mais velho depois de um assalto malsucedido.

ENRICO TINHA APENAS QUINZE anos de idade na época e seu pai foi assassinado covardemente por soldados americanos, assim que eles entraram ilegalmente em solo americano.

Ninguém sabia que Enrico estava no barco de pesca.

Enrico conseguiu se esconder dos soldados, mas seu pai estava tão bêbado – como sempre – que em vez de fugir, ficou exibindo suas partes íntimas e acabou sendo fuzilado por três soldados ao mesmo tempo – mesmo estando em uma posição tranquila no momento.

Na autópsia, Antônio Casanossa – pai de Enrico e Juanes – recebeu trinta e oito tiros, mas como o caso tinha que ser abafado por abuso de autoridade – já que dois dos cinco soldados também estavam bêbados e tinham abusado sexualmente de três moças que estavam no barco – ficou tudo por elas mesmo. Aquilo fez crescer ainda mais seu ódio pelos americanos, e Enrico sabia que de algum jeito iria retribuir aquele comitê de recepção.

Enrico foi apelidado de “Enrico Fuerte” – por causa de sua fisionomia esquelética –, foi chamado assim até os seus dezoito anos, mas o apelido acabou ficando.

Depois de um tempo, Enrico até passou a gostar do apelido já que pelas costas de sua esposa rica ele trabalhava com a máfia – conduzida por seu sogro, o poderoso Donald Dunhill –, fazendo alguns servicinhos, não pelo dinheiro, mas pelo simples prazer de matar – ou arruinar – alguns americanos por terem assassinado covardemente seu pai.

Depois que Enrico se casou com Gwen – quando ele tinha dezessete anos, mas tinha adulterado seus documentos, sua esposa nunca soube disso –, ele trouxe sua mãe – Maria Olvera Casanossa – para a América e a acompanhava até a igreja todos os Domingos – mesmo odiando Deus por fazê-lo comer o pão que o diabo tinha amassado na América, mas pelo amor que sentia por sua mãe a acompanhava sem reclamar de nada.

Sua esposa acabou se convertendo à religião dela, mas Enrico jamais gostou de religião, principalmente depois da morte de seu pai – e uma parte dele também que foi enterrada naquele dia.

ENRICO ANDOU PELA CASA e a cada cômodo que percorria em seu apartamento de luxo, seu sorriso ficava ainda aparente por não encontrar sua esposa.

Eu já vi dias maravilhosos, mas hoje tem sido um dia à parte... – pensou ele – quem me dera se todo dia fosse assim...

Enrico olhou pela janela e pensou que estava em meio a uma guerra, se lembrou de 11 de setembro – quando houve diversos ataques terroristas contra os Estados Unidos, Enrico estava perto das Torres Gêmeas quando aconteceu o fato – e mais uma vez escapou da morte por um triz dentro do território americano.

Ele ainda não conhecia Gwen, mas já fazia alguns pequenos trabalhos para seu futuro sogro, Donald Dunhill.

Enrico era um péssimo atirador – péssimo em tudo na verdade, atirador, chefe, líder de equipe, tinha um temperamento dos mais difíceis de se lidar que Donald conhecia – mas Enrico era o melhor motorista de fuga que existia na face da terra. Todos deram risada dele quando Enrico matou o seu primeiro homem. Enrico demorou quase dez minutos para puxar o gatilho – vacilando com a arma na mão, tremendo feito uma vara verde –, e quando atirou, fechou os olhos.

Assim que ele abriu os olhos – quase cinco minutos depois – vomitou em cima do cadáver – o que fez todos na sala darem risada dele, principalmente Donald e seu capacho pessoal – Carlos Ortiega.

POR MAIS QUE DONALD escondesse sua filha do mundo – por causa de sua total falta de beleza –, mais o interesse de seus homens crescia por uma oportunidade de se casar com a filha do chefe, mas todos desistiram da oportunidade de ouro ao vê-la – menos Enrico.

Enrico percebeu que era a sua chance de ouro de entrar de vez para a cúpula da máfia norte americana, sendo genro de Donald Dunhill, ninguém jamais tiraria sarro dele novamente, enfim, ele seria alguém na vida. Infelizmente seu plano deu mais errado do que ele sonhara – já que não entrou como cabeça da máfia, e muito menos foi respeitado por seus colegas –, a única coisa que eles respeitavam nele era a coragem de dormir com a mulher mais feia de Nova York – talvez do mundo todo.

Enrico conheceu Gwen em uma partida de golfe, onde Donald Dunhill jogava com alguns empresários. Ela saiu do carro trazendo o telefone para ele, dizendo que era muito importante – Enrico sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao vê-la, mas disse para si mesmo:

Todo sucesso tem a sua cota de sacrifício...

O sacrifício dele era se casar com a filha de um dos homens mais poderosos do planeta – custe o que custar –, felizmente a falta de beleza dela compensava na sua conta bancária.

Eles começaram a sair escondido de Donald e, quando ele descobriu, Enrico só não morreu por causa do pedido desesperado de sua filha, suplicando que ele não o matasse que ela o amava mais que a própria vida, e se ele morresse, ela também se mataria.

Donald mandou dar uma lição à Enrico – da qual ele jamais se esqueceu, nem poderia – eles colocaram uma faca – a que Donald usava para caçar – na lareira acesa e, quando a faca já estava incandescente, eles fizeram dois “D” (no mesmo estilo do herói Demolidor) no peito de Enrico para ele se lembrar que se fizesse algo contra a vida de sua filha, ele jamais escaparia – e Enrico sabia disso.

Pelo jeito, serei sempre marcado com fogo, primeiro em sua mão e depois em seu peito...

DE CERTA MANEIRA, NESSES ANOS ao lado de Gwen, Enrico não podia reclamar de sua vida, comia como um rei – ao qual engordou 15 kg e ficou com um corpo atlético –, transava praticamente todos os dias com ela:

No escuro toda mulher é a Cicciolina para mim... – dizia ele para seus amigos enquanto se gabava de estar casado com a mulher do chefe, desfrutando de uma vida da qual jamais sonhou.

Enrico era maluco pela Cicciolina.

Quando Enrico assistiu ao filme “A copa do mundo de Cicciolina” – quando tinha treze anos de idade – ele se masturbava mais de três vezes por dia – ou mais.

Enrico ficava irritado com Gwen às vezes – de tanto que ela o agradava –, eles nunca brigaram – uma discussão ou outra acontecia –, mas o temperamento de Gwen sempre foi dócil demais para que Enrico se enfurecesse com ela.

Por causa das constantes ameaças de Donald, Enrico nunca traiu Gwen, ele sabia que seu chefe – e sogro – era dono de quase todas as casas noturnas de Nova York, e qualquer deslize dele já era, sua cabeça rolaria feito uma bola de futebol na Copa do Mundo.

Dessa vez não seria a Copa do mundo da Cicciolina... – pensava ele.

Mesmo Enrico a par de todos os passos escuros de seu sogro – já que ele era casado e tinha mais de vinte amantes – Enrico ficava quieto, não ousava se levantar contra seu sogro, o respeitava mais do que a própria vida.

UMA VEZ GWEN CONTOU SUA HISTÓRIA para Enrico, ele se comoveu bastante ao saber que ela jamais pôde ter amigos, ficava trancada o dia inteiro em casa, com milhares de bonecas, roupas, filmes, empregados para a agradem.

Ela tinha tudo que alguém poderia sonhar, menos um ombro amigo.

Gwen contou a Enrico que não nasceu feia – muito pelo contrário – era a criança mais linda de toda Manhattan, só que, um acidente terrível desfigurou toda a face, mesmo depois de tantas cirurgias plásticas – cinquenta e três até onde ela contou –, nunca mais voltou ao normal, acabou ficando com o rosto deformado, gorda e sem prazer algum pela vida – até Enrico aparecer em sua vida como uma linda manhã de verão.

Enrico ficou comovido ao saber que seu desejo de morrer se foi quando ela o conheceu, e que ganhou um presente maravilhoso quando sua sogra foi morar com eles. Mesmo Enrico amando demais sua mãe, ele queria alugar um apartamento para ela morar sozinha e deixá-los a sós, mas Gwen jamais aceitou essa hipótese – já que seria ela quem pagaria o aluguel, não que dinheiro fosse o problema, mas – como eles tinham muitos quartos de hóspedes, ela não ligaria de ceder um para sua sogra que a conquistava a cada dia – que iria ser a amiga que nunca pôde ter.

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