FAZER LOGINASSIM QUE ENRICO FUGIU de Donald Dunhill, procurou emprego como um louco, mas como já previa, todas as portas estavam fechadas para ele – todos conheciam o genro pobre e latino-americano de Donald Dunhill:
Enrico Fuerte... o homem que dormia com a mulher mais feia de toda Nova York...
Ele sabia que era arriscado, mas procurou trabalhar até mesmo para o grande rival de Donald Dunhill – Gianfrancesco Halguraisco –, conhecido como El Capo, que comandava grande parte do tráfico de drogas de Nova York, além de ser dono de inúmeros restaurantes, prostíbulos e pontos de jogatina ilegal.
Enrico jamais imaginaria que Halguraisco também era um joguete nas mãos de Dunhill, eles fingiam uma rincha entre eles para que o foco das situações fosse direcionado sempre para Halguraisco.
Enrico tentou fugir diversas vezes dos Estados Unidos, mas sempre acontecia alguma coisa, ou roubavam o ônibus, ou o ônibus quebrava... —sempre acontecia algo.
Enrico se sentia como um animal enjaulado na maior cidade do mundo – era verdadeiramente uma selva de pedra, onde ele era a caça preferida de todos – principalmente de Donald Dunhill e sua sombra, Carlos Ortiega.
Seus dez mil dólares que tinha levado da casa de sua esposa se foram rapidamente, afinal, depois de treze anos de casado – com uma mulher feia e extremamente sexualmente ativa – precisava aliviar a barra dele. Mas eram apenas quinze minutos de prazer, e logo depois a solidão voltava a rondar seus pensamentos como fantasmas em uma velha mansão que Enrico detestava passar em frente, quanto mais entrar.
Seu apartamento era muito pequeno – mas muito confortável – e, apesar do preço barato, Enrico quase nunca conseguia pagar o aluguel de vinte e cinco dólares semanais em dia.
Enrico começou a fazer pequenos furtos, mas quase todas as vezes dava errado – já que ele era um péssimo atirador, não sabia bater nem em uma mosca sem que se machucasse e não tinha nada que convencesse que o que ele estava fazendo era sério –, sua única especialidade era fugir, nisso ninguém era mais especialista do que ele.
Certo dia, Enrico estava em um ônibus voltando para o seu pequeno apartamento e aquela desgraça em especial ele se lembraria por muitos anos.
Enrico estava sentado em um banco reservado para idosos, só que, o ônibus estava praticamente vazio e uma senhora de aproximadamente oitenta anos entra no ônibus e fica olhando para ele:
— Posso ajudá-la senhora? – Disse Enrico num tom amigável, tentando esquecer a frustração de não conseguir fazer nada direito.
O motorista do ônibus deu um pequeno sorriso já prevendo o que iria acontecer.
— Você está sentado no meu lugar, jovenzinho sem educação, sua mãe não te ensinou que é errado sentar no lugar dos outros.
Enrico olhou para ela perdendo a paciência.
— Desculpa, vovó, talvez a sua idade não permita que enxergue direito, mas tem aproximadamente quarenta lugares vazios e a senhora quer exatamente o qual estou sentado?
— Claro... – disse ela num tom de arrogância – sento nesse exato lugar há mais de trinta anos, o que te dá o direito de sentar no meu lugar – ela deu ênfase ao meu – anda... sai logo daí seu moleque sem educação.
Ela deu uma guarda-chuvada na cabeça de Enrico, ele jamais esperava uma ofensiva da senhora.
Enrico tentava se defender em vão dos ataques daquela senhora, sem que se desse conta do que fazia, Enrico sacou seu revólver e enfiou na boca dela.
— Se a senhora sequer levantar essa porcaria de guarda-chuva em minha direção mais uma vez, arrebento seus miolos sua velha desgraçada, não estou com paciência para esquisitices hoje, a senhora sentava aqui há trinta anos, agora é a hora perfeita para arranjar um novo assento e encostar essa bunda murcha e enrugada que você tem em outro canto.
Sem que Enrico percebesse, a velha lhe deu uma pancada com o guarda-chuva em suas partes íntimas que ele ficou vendo estrelas por muito tempo.
— Você acha que tenho medo de morrer? – Disse a velha o ameaçando com o guarda-chuva – Já estou velha e não tenho nada a perder nessa vida, agora você... deveria pensar em um futuro, ainda mais agora que morreram tantas pessoas, boas oportunidades não faltam...
— Porque está aqui ainda? Todos que não eram fortes morreram...
Enrico ia continuar, mas a velha lhe deu outra guarda-chuvada na cabeça.
— Aí... – gritou Enrico – isso dói sabia?
— É para doer mesmo, seu vadio, é para você aprender a não ficar ameaçando velhinhas indefesas.
— Até onde estou vendo, você não é nada indefesa, esse guarda-chuva é tão perigoso quanto esse revólver.
—Bla-bla-bla... – disse a velha fazendo careta para Enrico – você só sabe murmurar, é? Levanta logo e sai do meu lugar, já perdi muito tempo com você...
Enrico pegou o revólver e saiu mancando por entre o ônibus e sentou lá no fundo, ele percebeu que a velhinha se sentou no banco ao lado.
— Ei... velha maluca – gritou Enrico lá do fundo do ônibus – você sentou no banco errado...
— Sentei nada... meu banco na verdade é esse aqui, acho que me enganei – disse a velha se apoiando no guarda-chuva feliz.
Alguns pontos depois que a velha desceu, e o motorista falou para Enrico que aquilo era normal, desde que o marido dela tinha falecido, ela se achava no direito de querer consertar a todos pelas ruas, seu marido foi morto em um assalto, desde então ela vivia fazendo encrenca com todo mundo, Enrico não era o primeiro e nem seria o último.
DEPOIS DE SUA VINDA PARA OS ESTADOS UNIDOS quando tinha quinze anos de idade, Enrico nunca mais entrou no mar novamente, Enrico pegou um trauma desesperador, que só era superado ao ver o grande capanga de seu sogro – Carlos Ortiega – frente a frente – principalmente de olhar em seus olhos vermelhos como o sangue.
Enrico ao mesmo tempo em que era o pior malandro que existia na face da Terra, era o melhor de todos, afinal, jamais conseguiram pegá-lo, ele conhecia todas as rotas de fugas possíveis e impossíveis, ninguém em todo território americano dirigia melhor que ele, principalmente quando tinha uma viatura atrás gritando com aquelas sirenes ensurdecedoras.
Enrico se lembrou de todas as fugas que fizera. Fugas mirabolantes, mas uma em especial ele se dizia um gênio.
Desde criança Enrico sempre tivera um dom especial...
De ter uma visão privilegiada... –, principalmente à noite.
Todas as vezes que eles faziam um assalto noturno, Enrico quebrava as lanternas traseiras do carro para que dificultasse a perseguição, e quebrava as dianteiras também.
Uma vez Enrico enganou a polícia entrando em uma pequena mata fechada, ninguém até hoje sabe como ele conseguiu enxergar dentro daquele matagal todo e escapar com toda polícia atrás deles – nem mesmo as pessoas que estavam com ele –, Enrico sempre guardava seus segredos para si mesmo, tornando-o assim uma pessoa importante dentro do grupo comandado por seu sogro.
DAVID DEMOROU ALGUNS SEGUNDOS para entender e absorver o que estava acontecendo com sua esposa quando ouviu um barulho e um selvagem que ele conhecia muito bem abriu a porta e disse:— Desculpe, Sr. Heringer – disse Chain –, mas temos que sair imediatamente ou uma guerra vai eclodir por causa de seu filho.— Guerra? Que merda você está falando, Chain?— Seu filho... senhor Heringer... ele está no comando de tudo e está pronto para tirar tudo do senhor.David olhou para a esposa sem vida na sua frente.— Não sei se eu tenho tanta coisa assim para ser tirada, Chain... simplesmente mais nada...
IVY COMEÇOU A SENTIR as contrações:—David, está na hora.David a levou até ambulatória que tinha mandado fazer no prédio de seu escritório em Londres.—É a melhor sensação do mundo, querido.—Não fale nada você precisa descansar e se concentrar.Norman havia acompanhado toda a gravidez e tinha orientado que não havia mais partos naturais naquela época, mas Ivy foi efusiva quanto a isso.—David – chamou Brady – preciso realmente fazer uma cesárea, é muito perigoso um parto normal.—Ela escolheu assim, Norman, tenho que respeitar a sua vontade, ela sabia de todos os riscos.—Não entendo a teimosia de vocês, sabia?—Não é teimosia, é fé.—Se ela morrer, só quero ouvir sua justific
KARL ARRUMOU A SUA MESA enquanto Brian ficou olhando sentado com os pés na mesa da presidência da N.O.M.—Te desejo sucesso, Brian.—Acordo é acordo.—O que você fez foi realmente o melhor para todos, espero que seja tão feliz quanto fui.Karl colocou um documento em cima da mesa.—Só assina, você sabe o que é... te concedi poderes temporários sobre a N.O.M., mas não te dá o direito de usurpá-lo, sabe que Kev deverá sucedê-lo e não haverá negociações.—Eu sou um Johnson também.—Você é só um moleque mimado.Brian quase nem viu o movimento que Karl fez, o segurando pelo pescoço, apertou um botão e a janela se abriu.—O... o... que... você... fará? – disse em um esforço heroico.
— ESTAVA ANSIOSO EM SABER MAIS DETALHES do porquê ter me convidado para jantar, Brian.—Tenho o nome da pessoa que irá voltar no passado.—Acredito que não será de graça essa informação.—Meu preço é bem salgado, espero que esteja preparado.—Só preciso do nome, Brian, e um mundo novo se abrirá para você.Brian estender um contrato e Karl o leu atentamente.—Você é louco, não é?—Você sabe que sou, mas agora só desejo que assine... uma assinatura por um nome.—Não... um reino por um nome você quer dizer.—Sabe muito bem que se Burke vencer, você jamais existirá, os Johnson’s jamais chegarão ao poder e o mundo como conhecemos jamais existirá.—Assinarei de bom grado
TAT ACOMPANHAVA DE PERTO toda a construção de Salém, mas acima de tudo acompanhava de perto a vida do homem que desejava ardentemente se vingar, ela sabia muito bem no que aquilo implicava, morreria para tirar a vida do homem que tirou tudo dela.Olho por olho e dente por dente...Apesar de ser uma inscrição milenar, ela achou que valeria a pena arriscar tudo, era simplesmente sua vida, ou o que restara dela.Tat acompanhava a restauração de uma das cidades mais antigas do mundo e ver aqueles homens desnudos trabalhando fez com que sua libido voltasse à mil por hora, pela primeira vez desde que conheceu Norman desejava estar com um homem novamente.Conheceu alguns selvagens que a fez rever seu conceito sobre eles.SUA MAIOR FONTE DE INFORMAÇÕES eram aqueles que conheceu e trabalhavam nas obras e passavam informaç&oti
COMO EM UM PASSE DE MÁGICA, em pouquíssimos meses o projeto deslanchou, toda a mão-de-obra que precisava estava com os selvagens, que usaram de seu desejo mais íntimo em fazer parte daquela sociedade que não se preocuparam em trabalhar ao extremo por suas ambições.David recebia relatórios semanais e aquilo estava fazendo um bem danado a ele, seu sonho enfim estava começando a se concretizar, a cidade de David estava se erguendo como nos tempos antigos, mas agora para nunca mais ser tombada.Brady mostrou a planta atualizada e David disse que queria tudo de mais moderno que estava à disposição da tecnologia, o aeroporto seria o maior de todos da União dos países, além de um prédio comercial que abrigaria um escritório dos principais fornecedores do mundo todo, além de um convênio que ele conseguiu firmar com o