LOGINOlhei para nossas mãos entrelaçadas.
Durante grande parte da minha vida, acreditei que Lisandro seria o homem com quem eu me casaria. Não porque meu corpo o desejasse ou porque meu coração disparasse quando ele se aproximava, mas porque ele sempre esteve ali. Crescemos juntos, dividimos segredos, medos, castigos e planos de fuga.
Ele era a única pessoa em quem eu confiava completamente. Talvez eu tivesse confundido confian&
— Éramos jovens, Paige. Tínhamos dezesseis anos. Mal sabíamos o que estávamos fazendo naquela época.Fechei os olhos e me lembrei da música alta, da minha risada, da forma como pressionava o acelerador e observava o ponteiro subir.— Poderia ter sido eu, Paige.— Mas não foi, Lisandro.— Não fui eu por uma questão de poucos segundos. Estávamos quase lado a lado quando aconteceu. Nossos carros estavam praticamente alinhados.Olhei para ele. Lisandro carregou aquela parte da história em silêncio durante seis anos. Nunca permiti que assumisse que também participava daquela corrida ilegal. Sabia que os pais dele jamais o perdoariam. Assumi tudo. Não perante a Justiça ou da forma como deveria, mas diante do meu pai. Aos olhos dele, fui a garota inconsequente que bateu o carro e fugiu. Eu sabia que Rafael Bellini resolveria a si
Olhei para nossas mãos entrelaçadas.Durante grande parte da minha vida, acreditei que Lisandro seria o homem com quem eu me casaria. Não porque meu corpo o desejasse ou porque meu coração disparasse quando ele se aproximava, mas porque ele sempre esteve ali. Crescemos juntos, dividimos segredos, medos, castigos e planos de fuga.Ele era a única pessoa em quem eu confiava completamente. Talvez eu tivesse confundido confiança com amor.— Nós não nos perdemos — respondi. — Acho que nunca estivemos onde imaginávamos.Lisandro franziu a testa:— Como assim?— Fomos criados juntos. Você sempre cuidou de mim, e eu sempre tentei cuidar de você. Quando sentia medo, corria para os seus braços. Quando alguma coisa acontecia com você, eu queria destruir o mundo inteiro para protegê-lo.Lisandro sorriu:
— Fale, Paige. Diga as palavras, nem que seja para o vento levar. Você precisa fazer isso. Eu tenho certeza que se sentirá melhor e mais leve depois que conseguir pronunciar.Apertei os papéis entre os dedos e mordi o lábio, deixando que uma lágrima solitária rolasse pela minha bochecha.— Eu amo Alessandro.A minha voz ficou quase inaudível. Mas me senti melhor depois que conseguia falar para mim mesma.— Eu amo Alessandro De Lucca Montrelli. — sorri, percebendo que não doía tanto admitir.Lisandro fechou os olhos e respirou fundo:— Desde quando você sabe?— Tive certeza no dia em que parti.Ele seguiu me olhando, procurando melhor explicação.— Enquanto estava presa naquele castelo, eu só conseguia pensar em fugir. Mesmo quando as coisas entre nós mudaram, quando Alessandro parou de
Meu peito se apertou quando a imagem de Alessandro surgiu em minha mente. Seus olhos verde-escuros, as cicatrizes, as tatuagens e a forma como dizia que me amava, mesmo quando eu não conseguia responder.Eu havia fugido dele. Atravessei aqueles portões e entrei num avião acreditando que conseguiria deixar tudo para trás. Mas não parti sozinha. Eu trouxe comigo um pedaço de Alessandro De Lucca Montrelli.— A senhora está bem? — o médico perguntou.Percebi que as lágrimas escorriam pelo meu rosto:— Sinceramente... eu não sei. — Minha voz saiu quase inaudível.— Essa gravidez foi planejada?Eu não sabia se ria ou chorava:— Doutor, nada na minha vida foi planejado. Nem meu casamento. Muito menos o marido.Ele me ofereceu um lenço de papel. Peguei-o, mas não enxuguei as lágrimas. Continuei co
POV PaigeO pequeno posto de saúde ficava a poucos minutos da praia e parecia ter sido construído numa época em que a medicina ainda resolvia tudo com chá, repouso e amputações.As paredes eram de um verde desbotado, o ventilador no teto girava com tanta lentidão que parecia estar refletindo sobre cada volta, e o cheiro de álcool se misturava ao de maresia que entrava pelas janelas abertas.Eu tinha dinheiro para pagar por um atendimento digno e de qualidade. Mas atravessar a ilha levava tempo e estar no continente era perigoso, pois eu e Lisandro ficaríamos em evidência, o que poderia facilitar as coisas para Alessandro.Eu estava sentada numa cadeira de plástico havia quase uma hora, esperando o resultado dos exames.Minha perna balançava sem parar. Tentei me distrair contando as rachaduras na parede, lendo pela décima vez um cartaz sobre vacinaç&atil
Eu a conhecia o suficiente para saber que não estava.— Fale, Bianca. Fui sincero com você e quero que também seja sincera comigo. Se não quiser continuar com isso, eu entenderei.Bianca respirou fundo antes de falar:— Sei que dinheiro não é um problema para você.— Realmente não é — confirmei.— Mas você é saudável. Provavelmente, eu também sou saudável e fértil. Então por que estamos fazendo isso de maneira artificial? Por que não tentamos pelo método natural? Pelo que entendi, as chances podem ser até maiores.Eu poderia mentir ou inventar uma justificativa que a ferisse menos. Contudo, não achei justo iludi-la:— Porque eu não conseguiria sentir desejo a ponto de ter uma ereção.Olhei-a de relance. Bianca comprimiu os lábios







