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A Festa 2

Autor: Rafa Cabral
last update Fecha de publicación: 2025-06-23 09:17:22

Tentei agir como se estivesse tudo bem, mas minha saída repentina não deve ter dado essa impressão. Procurei uma saída, senti que precisava de ar fresco e logo encontrei uma trilha que levava até a área de piscina da pousada. Mas não demorou muito para que eu tivesse companhia.

— O que aconteceu? — logo reconheci a voz de Ettore e me virei para ele.

— Por que me beijou? — falei irritada.

— Porque... Sim. — Ettore respondeu incerto e suspirou estarrecido com minha reação. — Foi só um beijo, A
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Último capítulo

  • Palácios de Vidro   Qual sua história

    *Ettore Miguel* Na sexta-feira, passei num restaurante famoso e comprei uma paella e uma garrafa de vinho. Amélie merecia um agrado depois de vencer a primeira semana de trabalho. Deu para ver em seus olhos o quanto ela gostou da surpresa. Dividiu a comida em dois pratos e sentamos no sofá vigiados pelo olhar atento do Vigarista. No início, falamos sobre nossa semana e tecemos comentários sobre o noticiário. Recolhi os pratos e os lavei, mas a garrafa de vinho ficou lá. Vigarista pulou no meu colo, a novela começou e troquei para um filme qualquer. A garrafa de vinho esvaziava rapidamente e de repente, vi Amélie respirar fundo e se virar para mim. — Qual a sua história, Ettore? Sei muito pouco sobre você. Eu preferia que continuasse sem saber. A Amélie que eu estava conhecendo, não merecia um homem como eu. Ainda não tinha certeza sobre ela, mas podia ver o quanto apesar de forte, ela ainda era inocente. — Não há nada de interessante para saber. — Ninguém é tão desinte

  • Palácios de Vidro   Uma Amiga

    Saí cedo bem cedo para não atrasar e cheguei na hora certa. A mulher do RH me pediu para procurar pela Camila e ela já estava me esperando, usando calça jeans e um croped azul, a minha tutora tinha a pele escura e o cabelo com tranças, um piercing reluzia no umbigo e além de duas argolas enormes na orelha, tinha mais três brincos menores. — Você deve ser a Amélie. Sou a Camila, nós duas ficamos com três andares, é muita coisa, então sem moleza. — Ela falava enquanto andava e de repente parou e me olhou de cima abaixo. — Você parece as paty do Leblon. — Não, eu sou de São Paulo, deve ser por isso. — Dei de ombros, mas percebi que não convenci. — Você já trabalhou com limpeza? — Balancei a cabeça negando. — Hoje você me acompanha e te explico tudo. Entramos num vestiário feminino, onde outras funcionárias se preparavam para a jornada. Camila parecia conhecer todas e me apresentou. Todas elas mencionaram a minha cara de "patricinha", duvidando da

  • Palácios de Vidro   Pequena Vitória

    No dia seguinte, tive outra entrevista marcada e dessa vez eu iria. Por sorte, precisava pegar apenas um ônibus. Não criei muita expectativa, aliás, estava tentando não pensar em coisas boas, as perspectivas não eram nada favoráveis. Eu tinha muito conhecimento, sei administrar uma empresa bilionária, mas colocar isso no currículo? O que responder quando me perguntarem, como perdi tudo? A vaga era de faxineira na sede de um dos maiores bancos brasileiros. O salário estava ótimo para a categoria, não era longe e aparentemente o serviço era fácil. Eu não tinha experiência, minha aparência deixava isso claro, mas podia aprender e foi isso que enfatizei. Saí sem uma resposta, mas com um pouco de esperança.Na volta, consegui um lugar para sentar próximo à janela. Era estranho olhar para as ruas, as pessoas e perceber que agora morava ali. Parecia tão diferente da vida em São Paulo, uma sensação de que o dia tinha mais cores. Exceto por Ettore, ele ainda parecia cinza. Pensar nele sempre

  • Palácios de Vidro   Eu vou casar com ela

    A primeira ligação marcando uma entrevista me deixou bem frustada, o salário, a localização e a função, não eram nada do que eu esperava. Queria me convencer a não ficar escolhendo, mas é difícil quando antes não se tinha escolha. Olhando de forma otimista, era a chance de aprender algo novo, de ver o outro lado da moeda. Não vou pensar na forma pessimista.Completamente entediada, decidi dar uma volta no bairro, conhecer o lugar, tentar fazer amizade. Estava calor, então vesti um shorts e uma camiseta larga. Por precaução, deixei o celular em casa, não sabia nada sobre aquele lugar, mas ainda era o Rio de Janeiro e eu só ia andar e voltar pra casa. Andei algumas quadras em linha reta e cheguei a uma rua movimentada, com comércios e pedestres. Uma verdadeira bagunça de músicas, promoções e o cheiro inconfundível de fritura no ar. Não sabia ao certo porque continuei com a caminhada, mas segui, até que algo chamou minha atenção. Um lugar estava contratando. Perto de casa, não precisa

  • Palácios de Vidro   Dia ruim

    Organizei o apartamento, tantos dias presa ali me permitiram aprender a limpar e podia dizer que sabia lavar um banheiro e usar água sanitária. Estava me esforçando para não ser um peso para o Ettore, ainda assim ele se parecia mais com um bloco de gelo. Depois daquele jantar, todas as minhas tentativas de aproximação pareciam mais com humilhação e eu estava desistindo de ter qualquer amizade com ele. Terminei a janta e pegava a comida para jantar, ao me virar, Ettore estava na sala. Minha mente estava tão agitada que não o vi chegar, sorri e me sentei para comer. Também não o vi se aproximar. — Você está bem? — Estou. Não sei se o convenci, mas ele me deixou sozinha. Voltou quando eu já estava lavando a louça da janta. — Disse que iria procurar um emprego, você foi? — Sim, disseram que vão ligar caso apareça algo. Prometo que vou embora assim que conseguir resolver tudo, você sabe, preciso de um advogado. — Não se preocupe com isso, pode ficar o tempo que precisar. — é o

  • Palácios de Vidro   Vida Real

    Eu precisava de um emprego, isso se intensificou ainda mais quando meu pé se recuperou. Não sabia ao certo como procurar, ou até mesmo o que escrever no currículo, certamente colocar "Presidente de uma mineradora" não seria convincente, aliás, soaria mais como uma piada. Parece que minha vida virou uma piada. Assisti vídeos na internet e finalmente concluí que estava bom o suficiente, decidi ir até uma agência de empregos e procurei pelo endereço. Queria sair ainda pela manhã, imaginei que não iria demorar, também pensei que conseguiria pagar um carro por aplicativo, mas todos os meus bens ainda estavam bloqueados. Mandei mensagem para Ettore, não sabia ao certo o que fazer e precisava de ajuda, minutos depois ele respondeu, tinha um cartão com passes para ônibus na gaveta da escrivaninha em seu quarto. O quarto dele, um lugar totalmente proibido até então. Abri a porta com cuidado, mas não havia nada além de um quarto comum, cama, guarda roupa e a escrivaninha com uma cadeira e um

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