MasukCecília Albuquerque tinha uma vida que parecia perfeita: uma família que a amava, um futuro promissor e um casamento prestes a acontecer. Até que, em uma noite, tudo lhe foi arrancado. Assassinada em circunstâncias misteriosas, Cecília desperta ao lado do próprio corpo e descobre que a morte não foi o seu fim. Presa entre dois mundos, invisível aos vivos e incapaz de seguir adiante, ela precisa descobrir quem desejou sua morte — e por quê. Mas as primeiras respostas são ainda mais dolorosas que a própria morte. Arthur, o homem com quem pretendia se casar, escondia segredos. Samantha, uma desconhecida que surge perigosamente próxima de sua família, parece saber muito mais do que deveria. E alguém continua manipulando as pistas de seu desaparecimento como se estivesse determinado a esconder a verdade para sempre. Quando Cecília é inexplicavelmente atraída para perto de um homem misterioso que possui um objeto de seu passado e parece determinado a encontrá-la, uma nova pergunta surge: o que o liga a ela? Enquanto sua família luta para encontrá-la e uma investigação secreta se aproxima de verdades que deveriam permanecer enterradas, Cecília percebe que sua morte pode ser apenas o início de algo muito maior. Entre traições, segredos, vingança e um vínculo impossível de compreender, ela terá de descobrir a verdade antes que aqueles que ama sejam as próximas vítimas. Porque talvez Cecília tenha recebido uma segunda vida por uma razão. E, desta vez, o amor pode nascer justamente onde a morte deveria ter colocado um ponto final.
Lihat lebih banyakUma dor insuportável atravessava o corpo de Cecília. Seu coração batia descontrolado, enquanto ela lutava para continuar respirando. Cada segundo parecia uma eternidade.
Com as mãos tremendo, pegou o celular e ligou para Arthur. A chamada tocou uma... duas... três vezes. Ninguém atendeu.
As forças abandonavam seu corpo junto com o sangue que escorria pelo chão frio do beco. Ela tentou gritar por ajuda, mas sua voz mal passava de um sussurro.
Olhou ao redor, desesperada. Não havia ninguém.Ou pelo menos era o que pensava.
De repente, enxergou uma silhueta se aproximando. Não conseguia distinguir o rosto daquela pessoa. Reuniu o pouco de força que ainda tinha para pedir socorro, mas nenhuma palavra saiu. Foi então que ouviu a voz do desconhecido falando ao telefone.
— Serviço feito. Agora quero o restante do pagamento.
Naquele instante, tudo ficou claro. Aquilo não era um assalto. Alguém havia mandado matá-la. Mas quem?
Ela nunca fizera mal a ninguém. Enquanto tentava encontrar uma resposta, sua respiração ficava cada vez mais fraca. A dor queimava seu peito.
— Ainda sou tão jovem... — pensou. — Eu tinha tantos sonhos...
Lágrimas escorreram por seu rosto. Ela não queria morrer. Queria viver. Queria descobrir quem havia feito aquilo. Queria voltar para casa. Mas seu corpo já não obedecia.
Fechou lentamente os olhos e tentou puxar mais uma vez o ar para os pulmões. Não conseguiu. Seu coração deu a última batida. Tudo ficou em silêncio.
De repente, uma força invisível a puxou violentamente, como se uma corda estivesse presa ao seu peito.
Quando abriu os olhos outra vez, percebeu que estava flutuando. Abaixo dela, seu corpo permanecia imóvel, cercado por uma poça de sangue.
Ela olhava para si mesma sem acreditar.
— Eu... morri?
As lágrimas voltaram. Por quê? O que eu fiz para merecer isso? Tentou lembrar de alguém que pudesse desejar sua morte, mas nenhuma resposta apareceu.
Enquanto observava a cena, viu uma pessoa usando um capuz preto e uma máscara esconder o rosto. O estranho segurou seu corpo e o carregou até um furgão estacionado na entrada do beco.
— Não!
Cecília correu atrás dele. Tentou empurrá-lo. Tentou segurá-lo. Tentou impedir que levasse seu corpo. Mas atravessava tudo como se fosse apenas fumaça.
Impotente, viu o furgão desaparecer na escuridão. Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, sentiu novamente aquela força misteriosa puxando seu espírito.
Tudo girou ao seu redor. Quando recuperou a consciência, estava dentro de uma sala reservada de um bar. Arthur estava sentado à mesa, bebendo com seu melhor amigo, Thiago.
Ela arregalou os olhos.
— Arthur...
Tentou chamá-lo. Ele nem sequer percebeu sua presença. Então ouviu Thiago perguntar:
— Por que você não atendeu a ligação da Cecília?
Arthur deu de ombros.
— Ela só queria chamar minha atenção.
Thiago tomou um gole da bebida antes de perguntar:
— Você não tem medo de que ela canse disso e termine com você?
Arthur caiu na gargalhada.
— Cecília terminar comigo? Isso nunca vai acontecer.
Ele sorriu com arrogância.
— Ela acredita em tudo o que eu digo.
Thiago ficou em silêncio por alguns segundos. Depois perguntou:
— E se ela descobrir que você só está com ela por causa do dinheiro da família?
Arthur apenas balançou a cabeça.
— Ela nunca vai descobrir.
Fez mais um gole da bebida e continuou:
— Além disso, a Samantha está me ajudando em tudo.
— A Samy? — perguntou Thiago.
Arthur sorriu.
— Ela entende minhas necessidades. Diferente da Cecília, que nem deixa eu chegar perto. Um homem tem seus desejos... e a Samy sabe muito bem como satisfazê-los.
Os dois riram. Arthur continuou sem o menor remorso.
— Quando eu conseguir colocar as mãos na fortuna da família dela... vou fazer a própria Cecília desistir da vida. Assim fico com tudo.
Thiago assobiou, impressionado.
— Você é um verdadeiro monstro.
Arthur apenas ergueu o copo.
— Eu prefiro a palavra inteligente.
Os dois brindaram enquanto riam. Cada palavra era como uma faca atravessando o coração de Cecília. Ela sentiu o mundo desabar. Então era tudo mentira.
O amor. As promessas. Os planos para o futuro. Tudo havia sido uma farsa. Ela levou as mãos ao rosto.
Como pôde ser tão cega? Como colocou um homem desses dentro da própria família? A tristeza rapidamente deu lugar ao ódio.
Ela avançou contra Arthur, tentando golpeá-lo. Mas seu corpo atravessou o dele como se ele fosse feito de fumaça. Tentou outra vez. E outra.
Nada. Desesperada, correu até a porta. Precisava sair dali. Precisava fugir.
Mas, antes de alcançá-la, bateu contra uma barreira invisível. Empurrou. Socou. Gritou.
Nada aconteceu. Ela estava presa. Sem saída. Sem voz. Sem vida.
Michael não se levantou de imediato. Ficou olhando para a xícara que não tinha bebido, como se a palavra que Caio acabara de dizer precisasse de tempo para atravessar a sala, e eu fiquei olhando para ele, esperando que negasse, que rissse, que explicasse. Ele não fez nada disso.— Diga que desço em cinco minutos — falou, por fim, ajeitando a gravata que já estava no lugar. — E mande pôr mais um lugar à mesa. O senhor Seixas nunca vem só para um café.— Já mandei, senhor. — Caio hesitou na porta. — E, se servir de consolo, o mensageiro confirmou a entrega. O envelope está na delegacia há meia hora. Pelo menos uma coisa hoje saiu do jeito que o senhor queria.Michael assentiu sem responder. Antes de sair, pousou a mão sobre o meu livro, que continuava na mesa ao lado da xícara, e deixou-a ali por um instante, como quem se despede de alguém. Depois desceu, e eu desci atrás dele, com aquela coisa sem nome ainda presa no peito. Eu não tinha o direito de sentir nada. Estava morta, ele não m
Ninguém se mexeu depois que a mensagem apareceu. O técnico continuava curvado sobre o notebook, com as mãos suspensas acima do teclado, como se qualquer toque pudesse fazer chegar outra frase, e o assistente tinha dado dois passos na direção da janela sem perceber, do jeito que as pessoas fazem quando sentem que estão sendo observadas. Só Michael permaneceu exatamente onde estava. Leu a mensagem uma vez, devagar, e eu vi os olhos dele voltarem ao fim da frase e pararem no próprio nome.— Desconecte o aparelho — disse, por fim. — Agora. E anote o horário exato em que isso chegou, até o segundo.— Já desliguei, senhor. — O técnico afastou as mãos do teclado como quem solta um fio desencapado. — Zero hora e dezoito minutos. Mas, se me permite, isso não devia ser possível. Ninguém sabia que o aparelho estava ligado. A não ser que...— A não ser que alguém estivesse só esperando que ele acordasse. — Michael completou a frase sem levantar a voz. — Eles não precisavam saber onde estávamos, D
Passei a madrugada tentando lembrar uma palavra. Repeti o alfabeto, pensei em nomes, datas, apelidos, músicas da infância. Nada. No lugar onde a senha deveria estar, havia só aquele branco liso, sem marca nenhuma, como se alguém o tivesse apagado com cuidado. Tudo o que eu tinha descoberto antes de morrer estava trancado naquela pasta.— Preciso voltar para casa — eu disse, olhando para o homem que ainda dormia e para o meu livro sobre a mesa de cabeceira.Nenhuma reação. Essa era uma das coisas mais cruéis da morte: saber exatamente o que fazer e não ter controle nenhum sobre o próprio caminho.***Naquela mesma noite, na Mansão Luau, Josias tinha reunido algumas pessoas para jantar: dois diretores da empresa, um casal de sócios antigos e Samantha, apresentada a todos como "uma consultora que tem nos ajudado muito". Arthur passou o jantar quase calado, logo ele, que sempre sabia a hora exata de sorrir. Olhava o celular por baixo da mesa a cada poucos minutos, e a tela mostrava sempre
Por que você ainda não conseguiu partir? A pergunta ficou no quarto depois que a figura sumiu, como um perfume que não vai embora. O homem misterioso dormia, o meu livro continuava na mesa de cabeceira e eu, pela primeira vez desde a minha morte, não pensei no beco. Pensei no que veio antes dele. Talvez algumas respostas não estivessem na noite em que me mataram, e sim nos meses em que eu fingi não ver.***Meses antes de morrer, eu quase terminei com Arthur. Não houve uma grande descoberta, nenhuma mensagem comprometedora, nenhum flagrante. Foi pior: num dia qualquer, percebi que já não reconhecia o homem com quem ia me casar. Ele vivia ocupado, entre reuniões, viagens e problemas na empresa. Quando eu reclamava, dizia que eu precisava entender as responsabilidades dele; quando eu perguntava onde estava, dizia que eu queria controlá-lo; quando eu ficava triste, dizia que eu fazia drama. Até a noite em que eu não aguentei.Estávamos no jardim da minha casa, debaixo da figueira onde o












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