FAZER LOGINChegamos ao fim da linha, queridos leitores. Ou, melhor dizendo, chegamos ao ponto onde a caneta encontra o presente, onde a história escrita se funde com a vida que eu vivo agora, neste exato instante, sentada na minha nova e imponente cobertura, observando as luzes da cidade que me condenou e me consagrou. Eu sei que este livro não foi uma leitura fácil. Não houve heroínas impecáveis, nem arcos de redenção clássicos. Vocês leram sobre a garota que foi quebrada pela exigência de perfeição do seu pai e que se reconstruiu com os pedaços de sua própria luxúria. Vocês me viram no esplendor da alta sociedade e na sujeira do feno. Vocês estiveram comigo na dor, na vergonha e, acima de tudo, no gozo. E é por isso que estou falando com vocês agora. Esta é a minha confissão, mas é mais do que isso: é a minha declaração de propriedade. Por anos, minha vida foi escrita por terceiros. Pelo meu pai, que me deu um roteiro de “Filha Perfeita” que e
Nós nos separamos abruptamente. Na entrada do restaurante, um paparazzo havia conseguido a foto perfeita: o beijo entre a herdeira deserdada e o melhor amigo de seu pai. — Puta que pariu! Isso não poderia acontecer — eu explodi, o pânico tomando conta de mim. A exposição nunca me incomodava nos meus filmes, mas a exposição que afetava a vida de Arthur era inaceitável. — Fica tranquila, Madison. Não tem problema, é só uma foto — Arthur tentou me acalmar, com uma serenidade que me irritou. — Arthur, como você pode ficar calmo? Não é só uma foto, é a sua reputação. Seu negócio, sua vida! — Do que você está falando? — Você tem uma reputação a zelar! Você é o melhor amigo do meu pai! Se ele ver uma foto dessa, a amizade de vocês vai acabar. E eu sei o quanto essa amizade é importante para você. Ele soltou uma risada amarga, mas com os olhos fixos nos meus, a fúria e o amor se misturando em um
O despertar no Hotel Imperial foi diferente. Não havia o peso da mentira ou o medo de ser descoberta, apenas o cheiro residual de Henrique e a certeza de que a minha vida antiga havia sido, finalmente, dinamitada. Eu estava sozinha, deserdada, e pela primeira vez, totalmente livre. Minha primeira ligação foi para Arthur. Ele era a minha bússola moral em meio à minha anarquia sexual. Disquei o número, e ele atendeu no primeiro toque, como se estivesse esperando. — Madison? Como você está? — A voz dele era urgente, carregada de preocupação. Eu contei tudo, sem suavizar os detalhes: o confronto com meu pai, o sermão e a expulsão com a roupa do corpo. Fui sincera e direta, como sempre fui com ele. — Ele não me deixou pegar nada, Arthur. Mas estou bem, juro. Houve um longo silêncio no telefone, um silêncio de dor, não de julgamento. Ele conhecia Hector Falcone profundamente, e sabia o quanto aquela rejeição
Lá fora, o carro estava parado. Henrique, meu fiel motorista e cúmplice secreto, estava próximo ao carro, a expressão dele era uma mistura de dor e lealdade inabalável. — Para onde a senhorita deseja ir? — ele perguntou, mantendo a formalidade. Eu sorri para ele, o meu primeiro sorriso de total liberdade. — Para um lugar onde eu não precise mais fingir. Para um hotel de luxo, Henrique. O mais discreto possível. — Sim, Madison. Entramos no carro. O silêncio era diferente do habitual; não era de tensão, mas de entendimento. Eu estava vestindo um vestido de dia caro, mas era, de fato, a única coisa material que eu possuía. Chegamos ao Hotel Imperial. Usei um cartão de crédito que Leon havia me forçado a abrir, uma conta secreta mantida com meus lucros, para provar que eu não dependia de meu pai. Pedi uma suíte luxuosa. Ao chegar no quarto, eu sabia que Henrique estava ali para algo
Cinco anos. Cinco anos tinham se passado desde aquele dia de aniversário, quando a mão protetora e experiente de Arthur, o melhor amigo do meu pai, me conduziu para a libertação. Eu tinha apenas dezoito anos, uma gaiola de ouro ambulante, e ele me mostrou a chave para o portão. Agora, aos vinte e três anos, a menina assustada havia desaparecido, substituída por uma mulher forjada no fogo do desejo e da fama. Eu explodi. Não havia outra palavra para descrever a minha ascensão. Graças à visão clínica e ao toque de gênio de Leon, eu me tornei a estrela mais quente do universo erótico. Meu nome artístico, Madison Flare, era sinônimo de excelência, luxúria e perversão. Eu não apenas participava de cenas; eu as dominava. Meu corpo, antes um templo intocado da pureza forçada, era agora uma obra de arte exibida para milhões. Eu fiz todos os tipos de cenas imagináveis, desafiando os limites do que era aceitável até mesmo no meu ramo: dupla penetração, gangbangs
Meses se passaram desde o turbilhão inicial de auto-descoberta. O gangbang, a violência do celeiro, o prazer roubado no consultório do Dr. Montez — tudo isso havia sido superado e catalogado como degraus na minha jornada incessante. Eu continuava minha vida dupla: a herdeira impecável sob o olhar frio do meu pai e a devoradora de prazeres insaciável na escuridão. Mas em meio a essa anarquia planejada, eu encontrei uma única constante, um refúgio que era ao mesmo tempo seguro e sexualmente intenso: Arthur. Eu estava no apartamento de Arthur, meu primeiro homem, aquele que, com um beijo proibido, havia libertado meu corpo do cativeiro social e dado início a essa minha saga pessoal. Seu apartamento era um santuário de luz suave e silêncio, sem o luxo opressor da mansão Falcone. Era um lugar onde eu podia ser apenas Madison, despida de títulos e mentiras. Adoro a intensidade de nossos encontros. A cada vez, é um reencontro, não apenas físico,







