INICIAR SESIÓNCapítulo 41
— Orgulho e Preconceito. Teodoro virou lentamente para Gabriele. O sorriso apareceu antes que ele conseguisse disfarçar. — Não. Gabi apontou para ele. — Nem uma palavra. — Eu não disse nada. — Seu rosto disse. — Só estou admirando a consistência do universo. — Teodoro. — Primeiro você me chama de Darcy. Depois descobrimos que seu pássaro de infância se chamava Darcy. Agora o documento mais importante dessa história está escondido dentro de... — Se terminar essa frase, eu juro que... — Darcy. Gabriele fechou os olhos. — Eu odeio você. — Não foi isso que pareceu ontem à noite. O rosto dela esquentou imediatamente. Joaquim pigarreou. — Eu ainda estou aqui. Teodoro endireitou a postura. — Senhor Almeida. — E ainda não gosto de você. — Pai! — O quê? Estou sendo sincero. Helena balançou a cabeça. — Podemos buscar o contrato antes que vocês transformem isso numa reunião de família? Gabriele pegou a bolsa. — Onde está o livro? A mãe hesitou. — Na casa da sua tia. — Que tia? — Lúcia. Gabi arregalou os olhos. — Em Petrópolis? — Sim. — Você escondeu um documento que pode valer milhões dentro de um livro na casa da tia Lúcia? Helena deu de ombros. — Álvaro procuraria num banco. Num cofre. Num escritório. Talvez até aqui. — Mas nunca na estante de uma professora aposentada — completou Teodoro. Helena apontou para ele. — Exatamente. Teodoro sorriu. — Estou começando a gostar da sua mãe. Joaquim cruzou os braços. — Eu ouvi. — Imaginei. Uma hora depois, Gabriele estava no carro de Teodoro. Sozinha com ele. Helena e Joaquim seguiriam mais tarde. — Por que eu aceitei vir com você? — perguntou. — Porque gosta de mim. — Porque seu carro é mais confortável. — Também. Ela olhou pela janela. Teodoro dirigia com uma das mãos no volante. A outra descansava perto do câmbio. Gabi tentou não lembrar da noite anterior. Do beijo. Da mão dele em seu rosto. Daquela pergunta simples: Posso? O problema era que agora que sabia exatamente como era beijar Teodoro Braga sem máscaras, estava difícil pensar em outra coisa. — Está olhando. Ela virou rapidamente. — Não estou. — Estava. — Para a estrada. — Minha barba fica entre você e a estrada? — Seu ego ocupa metade do carro. Ele riu. O rádio tocava baixo. Por alguns minutos, ficaram em silêncio. Então Teodoro perguntou: — Você realmente quer escrever? Gabriele olhou para ele. — De onde veio isso? — Quero saber. — Sim. — Um livro? — Muitos. — E por que não escreve? Ela demorou. — Eu escrevo. — Então por que não publica? — Porque escrever e achar que alguém vai querer ler são coisas diferentes. Teodoro diminuiu a velocidade. — Posso ler? — Não. — Por quê? — Porque não. — Excelente argumento. — Meus textos são pessoais. — Você já invadiu o escritório da minha família. — Vai usar isso para sempre? — Provavelmente. Ela riu. Teodoro olhou rapidamente para ela. — Estou falando sério. — Eu também. — Um dia quero ler. Gabi desviou o rosto. Ninguém dizia aquilo. A mãe dizia que escrever era bonito, mas precisava de uma profissão. O pai dizia que ela tinha talento, embora provavelmente nunca tivesse lido mais que duas páginas. Teodoro simplesmente dissera: Quero ler. Aquilo a tocou mais do que deveria. A casa de tia Lúcia parecia saída de outro tempo. Pequena. Flores nas janelas. Livros por todos os lados. Muitos livros. — Helena não disse que vocês vinham — reclamou Lúcia enquanto abraçava Gabi. Depois olhou para Teodoro. — E você trouxe namorado. Gabriele quase tropeçou. — Não! Teodoro estendeu a mão. — Teodoro. Prazer. — Lúcia. Ela analisou o homem dos pés à cabeça. — Bonito. — Tia! — Tenho olhos. Teodoro sorriu. — Gostei dela. — Todo mundo gosta até ela começar a fazer perguntas. — Você trabalha? — Tia! — Trabalho — respondeu Teodoro. — Com quê? Gabi colocou a mão no rosto. — Publicidade. — Ganha bem? Teodoro começou a rir. — Razoavelmente. — Tem casa própria? — Algumas. Lúcia estreitou os olhos. — Algumas? Gabriele agarrou o braço dele. — Vamos procurar o livro. Encontraram a biblioteca no segundo andar. — Sua tia tem uns três mil livros — disse Teodoro. — Talvez quatro. — Sua mãe falou onde? — Estante de clássicos. Ele olhou para as paredes inteiras cobertas de livros. — Excelente. Procuraram durante quase vinte minutos. Até Teodoro puxar um volume. — Achei. Gabriele virou. Uma edição antiga de Orgulho e Preconceito. Capa verde-escura. Ela aproximou-se. — Essa era da minha avó. Na primeira página estava escrito: Cecília Almeida — 1987. Gabi passou os dedos pela assinatura. Teodoro ficou atrás dela. — Abre. Ela folheou. Nada. Mais algumas páginas. Nada. — Talvez minha mãe tenha tirado. — Ou... Teodoro pegou o livro. Examinou a lombada. — Isso está grosso demais. — Desde quando entende de livros? — Desde que comecei a perseguir uma escritora. — Não está me perseguindo. Ele olhou para ela. — Ainda bem. Gabriele engoliu em seco. Teodoro encontrou uma pequena abertura na parte interna da capa. Puxou. Um envelope caiu. Os dois ficaram imóveis. Na frente: CONTRATO ORIGINAL — A&B COMUNICAÇÃO. — Encontramos. Sentaram-se no chão. Gabriele abriu com cuidado. O documento era antigo. Três assinaturas. Augusto Braga. Cecília Almeida. E uma terceira. Gabi franziu a testa. — Pai disse que Álvaro nunca foi sócio. Teodoro aproximou-se. — E não é o nome dele. A terceira assinatura pertencia a: Elisa Vasconcelos. Gabriele congelou. — Elisa? Teodoro pegou o documento. As participações estavam descritas. Augusto Braga — 40%. Cecília Almeida — 40%. Elisa Vasconcelos — 20%. — Então Álvaro... — Nunca teve nada — concluiu Teodoro. Gabriele continuou lendo. Havia uma cláusula adicional. — Aqui. Teodoro aproximou o rosto. Perto demais. Ela sentiu o perfume dele. — Lê. — “Nenhuma participação poderá ser transferida a Álvaro Vasconcelos ou empresas vinculadas a ele sem aprovação unânime dos fundadores.” Teodoro levantou os olhos. — Eles já desconfiavam dele desde o começo. — Mas por quê? Outra folha estava presa atrás do contrato. Gabriele puxou. Não era documento societário. Era uma carta de Cecília. Augusto, se alguma coisa acontecer comigo, não permita que Álvaro encontre o livro-caixa. Elisa sabe por quê. Gabriele parou. — Livro-caixa? Teodoro continuou lendo por cima do ombro dela. Helena conhece o lugar onde escondi o original. Joaquim não deve ser envolvido enquanto Álvaro ainda puder ameaçá-lo. Gabi sentiu um aperto. Sua avó tentou proteger o pai. Até dele mesmo. No final: E, Augusto... cuide dos meus meninos como cuidaria dos seus. Gabriele franziu a testa. — Meninos? Teodoro também percebeu. — Seu pai é filho único? — É. Os dois se entreolharam. Não. Outro segredo, não. Gabriele virou a folha. Havia uma frase escrita posteriormente, com outra caneta: Joaquim e Augusto. Ela soltou o ar. — Ah. Teodoro sorriu. — Por um segundo achei que descobriríamos outro parente. — Eu não aguentaria. — Nem eu. Então ele ficou sério. — Cecília considerava meu pai como um filho. Gabriele olhou para ele. Aquela descoberta parecia tocá-lo. — Talvez por isso Augusto nunca tenha abandonado sua família. — Talvez. Teodoro passou os dedos pela assinatura do pai. Gabriele tocou sua mão. Ele virou. Ficaram próximos. Muito. — Gabi... — Hum? — Tem uma coisa que estou tentando fazer desde ontem. — O quê? — Isso. Ele a beijou. Dessa vez não houve pressa. Gabriele segurou sua camisa. Teodoro puxou-a delicadamente pela cintura. O livro caiu no chão. Ela riu contra os lábios dele. — Estamos beijando em cima de Orgulho e Preconceito. — Darcy aprovaria. — Você estragou. — Posso tentar de novo. E tentou. Até ouvirem a voz de Lúcia no corredor: — GABRIELE, VOCÊS QUEREM CAFÉ? Os dois se separaram. Gabi começou a rir. Teodoro encostou a testa na estante. — Sua família tem um talento impressionante. — Para quê? — Interromper meus melhores momentos. Quando Gabriele pegou o livro do chão, algo caiu de dentro da lombada. Um pequeno papel dobrado. — Tem mais. Teodoro abriu. Era uma página arrancada de um livro-caixa. Datas. Valores. Transferências. E vários nomes. Um deles estava circulado. Álvaro Vasconcelos. Ao lado: Retirada não autorizada. Mas havia uma anotação abaixo. Gabriele leu: — “A.V. descobriu a cópia. Transferir original para H.A.” — Helena Almeida — disse Teodoro. — Minha mãe. Mais abaixo, outra frase. Se Augusto conseguir a auditoria, entregar tudo no dia 16. Teodoro ficou imóvel. — Meu pai morreu dia quinze. O clima mudou imediatamente. Gabriele olhou para a data do documento. Dia quatorze. Um dia antes do acidente. — Teodoro... Ele pegou a página. No rodapé havia algo escrito à mão. Reunião confirmada — 16/10 — Polícia Federal. Silêncio. Augusto não estava apenas pensando em denunciar Álvaro. Já havia marcado a entrega das provas. Para o dia seguinte à sua morte. Teodoro apertou o papel. — Agora sabemos o motivo. — Motivo para quê? Ele olhou para Gabriele. — Para alguém impedir meu pai de chegar ao dia dezesseis. E então o celular de Gabi tocou. Helena. Ela atendeu. — Mãe? Do outro lado, silêncio. — Mãe? Quando Helena finalmente falou, sua voz estava trêmula. — Gabi... não voltem para casa. Gabriele ficou de pé. — O que aconteceu? — Alguém entrou aqui. Teodoro imediatamente se aproximou. — Você e papai estão bem? — Estamos. — Levaram alguma coisa? Helena demorou alguns segundos. — Não. — Então o que fizeram? A mãe respirou fundo. — Deixaram uma coisa. — O quê? — Uma fotografia. Gabriele sentiu um arrepio. — De quem? Helena respondeu: — De Augusto. Silêncio. — E atrás está escrito... A voz dela falhou. — “Ele chegou vivo ao hospital.” Teodoro congelou. Porque durante vinte e três anos todos acreditaram na mesma versão: Augusto Braga havia morrido no local do acidente. Se aquela fotografia fosse verdadeira, alguém não estava apenas escondendo quem provocara o acidente. Alguém havia mentido sobre quando Augusto morreu.Capítulo 67 Um ano e três meses depois. — Teodoro! O grito atravessou o apartamento. Teodoro apareceu correndo no escritório. — O que aconteceu? Gabriele estava diante do notebook, completamente imóvel. — Gabi? Ela apontou para a tela. — Olha. Teodoro se aproximou. Um e-mail estava aberto. Ele leu uma vez. Depois outra. Então olhou para ela. — É isso que estou pensando? Gabi assentiu lentamente. — Meu livro vai ser publicado em Portugal. O sorriso de Teodoro apareceu antes que ela terminasse. — E na Espanha. Ele a puxou da cadeira. — Teo! Teodoro girou Gabi no ar. — Meu Deus! Me coloca no chão! — Minha esposa é internacional! — Seu ego está comemorando como se o livro fosse seu! — Eu inspirei parte dele. Gabi estreitou os olhos. — Você continua acreditando nisso? — O viajante tem tatuagens, barba e mania de fugir. — Coincidência. — E se chama Theodore na versão inglesa? Ela congelou. — Como você sabe disso? Teodoro sorriu. — Li escondido. — Teodoro
Capítulo 66Durante exatos sete minutos, o noivado permaneceu em segredo.Foi o máximo que conseguiram.Quando Gabriele e Teodoro voltaram ao salão, ela tentou esconder a mão esquerda.Tentou.Izadora precisou de três segundos para perceber.— Gabi...Ela olhou para a irmã.Depois para Teodoro.Depois novamente para a mão dela.— Não.Gabi mordeu o lábio.— Sim.O grito de Izadora chamou atenção de metade do salão.— VOCÊS ESTÃO NOIVOS?— Sete minutos — Teodoro murmurou. — Tivemos sete minutos de paz.Gabi começou a rir.Izadora a abraçou tão forte que quase a derrubou.Mateus aproximou-se.— Então ela aceitou.Gabi estreitou os olhos.— Você sabia?Mateus percebeu tarde demais.— Eu...— Izadora também sabia?A irmã ergueu as mãos.— Tecnicamente, eu desconfiei.— Todo mundo sabia menos eu?Teodoro passou o braço por sua cintura.— Esse era o objetivo.Júlia apareceu logo depois.— Posso contar agora?Gabi arregalou os olhos.— Você também?Teodoro beijou sua testa.— Surpresa.Helen
Capítulo 65Teodoro já havia olhado o relógio quatro vezes.— Ela vai chegar — disse Mateus.— Eu sei.— Então pare de olhar para a porta.Teodoro lançou um olhar para o irmão.— Cuida da sua namorada.Mateus sorriu.Izadora estava a poucos metros, conversando com Júlia. Usava um vestido verde-escuro e uma máscara delicada.— Minha namorada está perfeitamente bem.Teodoro estreitou os olhos.— Você gosta muito de falar isso.— Bastante.— Irritante.Mateus riu.— Está nervoso?— Não.— Sua mão está no bolso há cinco minutos.Teodoro retirou imediatamente.— Hábito.— Claro.A pequena caixa parecia pesar uma tonelada.O salão estava irreconhecível.Velas, flores brancas, luzes douradas e fotografias antigas contavam os cinquenta anos da Agência Braga.Teodoro deveria estar pensando na empresa.No pai.Nos convidados.Mas só conseguia olhar para a entrada.Até que sentiu.Antes mesmo de vê-la.O perfume.Teodoro fechou os olhos por um segundo.Sorriu.Então virou.Gabriele estava no alt
Capítulo 64 Gabriele releu a mensagem de Lavínia pela quarta vez. Gostaria de conversar com você sobre Teodoro antes do baile. Aquilo poderia significar tantas coisas que sua imaginação já havia criado pelo menos seis versões. Em quatro, Lavínia era insuportável. Em uma, queria Teodoro de volta. Na última, provavelmente a mais absurda, revelava que os dois eram casados secretamente na Europa. — Para. Gabi largou o celular. Memória fotográfica era uma péssima qualidade quando acompanhada de imaginação fértil. Digitou: Podemos tomar um café amanhã. A resposta chegou pouco depois. Lavínia: Perfeito. Prometo não tornar isso estranho. Gabi fez uma careta. Já estava estranho. Lavínia chegou exatamente no horário. Gabriele a reconheceu imediatamente. Alta. Elegante. Cabelos castanhos compridos. Bonita de um jeito que parecia exigir pouco esforço. — Gabriele? — Lavínia. Ela sorriu e estendeu a mão. — Finalmente. Gabi apertou. — Finalmente? — Teodoro falou bastante
Capítulo 63— Lavínia?Teodoro levantou os olhos do celular.Mateus estava sentado à sua frente.— Confirmou presença ontem — explicou. — Júlia achou melhor avisar.— Por quê?Mateus arqueou uma sobrancelha.— Porque vocês tiveram uma história.— Tivemos um acordo estranho e algumas viagens.— Para algumas pessoas isso se chama namoro.Teodoro fechou o notebook.— Lavínia morava na Europa. Nós nos encontrávamos quando dava. Nenhum dos dois queria compromisso.— Até você querer a Gabi.Teodoro ficou em silêncio.Era exatamente isso.Com Lavínia, a distância nunca incomodara.Talvez porque fosse conveniente.Ela não cobrava presença.Ele não prometia permanência.Funcionava porque nenhum dos dois esperava muito.Gabriele tinha sido diferente desde o começo.Ela bagunçara tudo.— Gabi sabe que ela vai?— Ainda não.Mateus inclinou-se na cadeira.— Vai contar?— Claro.A resposta veio tão rapidamente que Mateus sorriu.— O antigo Teodoro esconderia para evitar problema.— O antigo Teodoro
Capítulo 62Gabriele estava atrasada.Não cinco minutos.Não dez.Quarenta e três.Quando entrou no café quase tropeçando na própria bolsa, encontrou Teodoro sentado perto da janela.Notebook aberto.Café pela metade.— Desculpa!Ele olhou o relógio.— Quarenta e três minutos.— Eu sei.— Eu estava começando a considerar abandono.Gabi sentou-se diante dele.— A reunião demorou. Depois Dante quis discutir o capítulo seis e...Parou.Esperou.Teodoro percebeu.— E?— E nada.— Então por que parou?Gabi hesitou.— Costume.Ele fechou o notebook.— Você achou que eu ficaria incomodado porque estava com Dante.— Um pouco.Teodoro respirou fundo.— Não vou fingir que gosto dele.— Teo...— Mas confio em você.Ela ficou em silêncio.— E seu trabalho não precisa ser um assunto delicado entre nós.Gabriele sorriu.— Você realmente leu meu livro três vezes.— Terapia teria saído mais barato.Ela começou a rir.Teodoro pediu outro café para ela.— Como está o segundo livro?— Travado.— Você es







