LOGINHenrique Queiroz sempre fora impecável e sereno. Herdeiro de uma família tradicional e poderosa, crescera cercado de privilégios e honra. Um verdadeiro filho do destino, admirado por todos, alguém que parecia intocável, como se vivesse acima do mundo comum. Durante quatro anos de amor, todos sabiam: Carolina Brito era a marca mais profunda que ele carregava no coração. Então, um escândalo de "traição" caiu entre eles como uma lâmina. O que antes fora um amor absoluto transformou-se em um término humilhante e irreversível. Cinco anos depois, o destino os fez se reencontrarem. Ele a prensou contra a parede. Os olhos carregavam um ódio capaz de destruir tudo ao redor. — Já que você desapareceu do meu mundo, então desapareça por completo. Não volte a aparecer diante de mim. — Tudo bem. — Respondeu ela sem hesitar, fria e decidida. Henrique a odiava com uma intensidade que doía. E, mesmo assim, continuava enlouquecendo por ela. Continuava perdendo qualquer controle sempre que era por causa dela. Quando a verdade finalmente veio à tona, ele a encurralou contra a porta, os olhos vermelhos, a respiração pesada. — Então pague por isso a vida inteira. Case comigo. A sua dívida… Eu assumo.
View More— Então é assim? Você não se importa nem um pouco com o fato de eu ser seu irmão?Pedro perguntou, furioso.Carolina riu.— E você? Em algum momento lembrou que eu era sua irmã? Eu esqueci os últimos anos, mas ainda guardo algumas lembranças da infância. Quando você fazia besteira, quem apanhava era eu. Quando aprontava, jogava tudo nas minhas costas. Se havia três balas, você comia duas. Se havia duas, ficava com as duas também. Você sempre foi egoísta, Pedro. Minhas lembranças podem estar uma bagunça, mas disso eu não tenho dúvida.— Tá. Chega de falar do passado. Eu vou arrumar o dinheiro.Pedro respondeu entre os dentes.Carolina desligou e sentiu uma satisfação limpa se espalhar pelo peito.Ergueu o rosto, deixando o sol tocar sua pele clara.Nos últimos dias, algumas lembranças da infância tinham voltado aos poucos, ainda sem muita nitidez. Quase todas, porém, giravam em torno da mesma coisa: o favoritismo dos pais.Do jeito que estava agora, Carolina já conseguia olhar para aqui
Com o celular na mão, Carolina se levantou e foi até a varanda. Parou sob o sol morno e perguntou, sem pressa:— De quanto estamos falando?Pedro pareceu se incomodar.— Carol, você já está pensando no dinheiro? Essa indenização é do nosso pai.— Se é dele, por que precisam da minha assinatura? Peçam para ele assinar.— É que... Ele está preso.— E daí? Ele não perdeu a capacidade civil. Um advogado pode ir até o presídio colher a assinatura.Do outro lado, Pedro engasgou nas próprias palavras. Tentou encontrar uma saída, mas nenhuma desculpa parecia boa o bastante.Carolina não se lembrava de muita coisa, mas ainda tinha bom senso. E, mais importante, entendia de Direito.— Deixa eu adivinhar. Quando a mamãe ficou doente, ela deixou um testamento? A casa antiga também tem uma parte no meu nome?Pedro percebeu que não adiantava mais esconder. Depois de alguns segundos de silêncio, respondeu a contragosto:— Sim. Quando a mamãe adoeceu, você ajudou com dinheiro, cuidou dela, fez o que p
Enquanto falava, Vanessa já não conseguia segurar as lágrimas. Fungou, tentando se recompor, mas a dor continuava ali, presa na garganta.— E, no fim, foi justamente você que acabou escolhendo o caminho mais difícil. Como mãe, eu vejo tudo isso e sofro cem vezes mais. Para ser sincera, eu tenho até mais medo do que você de a Carol ir embora.Os olhos de Henrique também ficaram vermelhos. Ele se virou, pegou alguns lenços sobre a escrivaninha e enxugou o rosto da mãe com cuidado.— Mãe, por que a senhora tem tanto medo de a Carol ir embora?Vanessa respirou fundo. O suspiro saiu pesado, cheio de uma amargura que vinha de muitos anos.— Porque, nos cinco anos em que ela ficou longe, eu vi aquele meu filho alegre, que vivia sorrindo, sumir pouco a pouco. Você foi ficando calado, fechado, sem brilho nos olhos. Parou de rir, parou de conversar. Depois vieram o cigarro, a bebida... Eu via você se desfazendo por causa desse amor, e aquilo, para uma mãe, era uma dor que não passava. Quantas ve
O olhar de Carolina caiu sobre a mão dele.— Me solta. Vou pedir desculpas ao seu pai e dizer para eles ficarem.— Não é uma disputa para ver quem está certo ou errado. E você não precisa ser a primeira a ceder só porque ele é mais velho.Henrique a levou de volta à mesa, fez com que se sentasse e se acomodou ao lado dela.— Primeiro, termina de tomar café.— Mas seus pais vão embora.— Eles nem moravam aqui. Só vieram porque você estava grávida e queriam cuidar de você.A culpa apertou o peito de Carolina.— Justamente por isso. Não podemos deixar que eles saiam daqui por causa de uma discussão boba. Fica parecendo que fomos longe demais.Henrique pousou a mão sobre a coxa dela, impedindo que ela se levantasse.— Não fomos. Se a gente recuar hoje, amanhã vai ter que recuar de novo. Depois, mais uma vez. E isso nunca acaba. No fim, quem vai ficar engolindo desaforo é você. Prefiro manter distância desses parentes falsos, viver a nossa vida em paz e cuidar da nossa casa. Para mim, isso






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