LOGINHenrique Queiroz sempre fora impecável e sereno. Herdeiro de uma família tradicional e poderosa, crescera cercado de privilégios e honra. Um verdadeiro filho do destino, admirado por todos, alguém que parecia intocável, como se vivesse acima do mundo comum. Durante quatro anos de amor, todos sabiam: Carolina Brito era a marca mais profunda que ele carregava no coração. Então, um escândalo de "traição" caiu entre eles como uma lâmina. O que antes fora um amor absoluto transformou-se em um término humilhante e irreversível. Cinco anos depois, o destino os fez se reencontrarem. Ele a prensou contra a parede. Os olhos carregavam um ódio capaz de destruir tudo ao redor. — Já que você desapareceu do meu mundo, então desapareça por completo. Não volte a aparecer diante de mim. — Tudo bem. — Respondeu ela sem hesitar, fria e decidida. Henrique a odiava com uma intensidade que doía. E, mesmo assim, continuava enlouquecendo por ela. Continuava perdendo qualquer controle sempre que era por causa dela. Quando a verdade finalmente veio à tona, ele a encurralou contra a porta, os olhos vermelhos, a respiração pesada. — Então pague por isso a vida inteira. Case comigo. A sua dívida… Eu assumo.
View MoreAs peras do jardim estavam maduras.Carolina achou que Henrique estivesse com vontade das peras dali. Só então Lívia lhe contou que aquela era a fruta preferida dela, e que Henrique havia plantado a pereira especialmente para Carolina.Carolina foi até a árvore, estendeu a mão e colheu uma pera. Esfregou a casca com a palma da mão e deu uma mordida.O suco doce e fresco se espalhou pela boca, trazendo aquele aroma intenso da fruta. Ela realmente gostava daquele sabor.Mas tudo ainda lhe parecia estranho demais.Aquilo a deixava um pouco ansiosa, inquieta. Ao mesmo tempo, havia também uma leveza quase ingênua, despreocupada, como se ela simplesmente não soubesse que existia algo com que deveria se preocupar.O almoço preparado pela sogra estava delicioso. Vanessa não parava de colocar comida no prato dela, e Carolina ficou sem graça de recusar. No fim, acabou comendo demais.Uma hora depois do almoço, ainda se sentia pesada. Foi até Vanessa e perguntou:— Mãe, tem algum remédio para dig
Lívia pegou a mala e voltou para o lado de Carolina.— Ela é minha mãe. Vanessa. Sua sogra.Sogra?Depois de onze anos de namoro, aquilo ainda fazia tanta diferença em relação a um casamento?Carolina se apressou em cumprimentá-la com educação.— Mãe.Vanessa ficou paralisada.Por um instante, pareceu não acreditar no que acabara de ouvir. Logo depois, seus olhos se avermelharam de repente, marejados de lágrimas. Ela assentiu várias vezes, feliz a ponto de quase não conseguir conter a emoção.— Sim, minha querida... Depois de mais de dois meses internada, você finalmente se recuperou e recebeu alta. Isso merece uma comemoração. Preparei um almoço enorme para você.— Obrigada, mãe.A voz de Carolina ainda soava um pouco distante. Por dentro, ela se sentia deslocada, mas sabia que quem havia perdido a memória era ela. Sua família não tinha esquecido nada. Por isso, também precisava levar em conta os sentimentos deles.Pelos olhos úmidos de Vanessa, dava para perceber que, a menos que aqu
No caminho de volta para casa, Lívia dirigia com atenção enquanto apresentava a família a Carolina.— Meu avô teve dois filhos e duas filhas. Meu pai é o caçula. Meus pais tiveram três filhos: meu irmão mais velho, Henrique e eu. Você é namorada do Henrique. A esposa do meu irmão mais velho se chama Júlia.Carolina ouvia tudo de cabeça baixa, mexendo no celular.Os contatos no WhatsApp lhe pareciam completamente estranhos. Ela não conseguia se lembrar de nenhum.De repente, uma questão muito séria passou por sua cabeça.— Lívia, até onde eu estudei?— Você tem ensino superior completo.— Meu Deus... Então joguei todos esses anos de estudo no lixo.Lívia deixou escapar um sorriso discreto.— Você perdeu a memória, não a inteligência. Talvez não se lembre das pessoas nem do que viveu, mas sua capacidade continua a mesma.— E eu trabalhava com o quê?— Você é advogada.Carolina levou a mão à testa, desolada. Depois se recostou no banco e soltou um longo suspiro.— Por que fizeram uma ciru
A cada vez que passava por aquele procedimento e acordava, Carolina precisava de muito tempo para se lembrar de quem eram as pessoas ao seu redor.Quanto mais sessões fazia, mais vazia sua memória parecia ficar. E mais tempo levava para reconhecer alguém.Mais tarde, chegou a um ponto em que nem sabia por que precisava passar por aquele tratamento. Toda vez que acordava, esquecia quem estava ao seu lado. Esquecia até por que estava internada em uma clínica psiquiátrica.O outono em Nova Capital era especialmente frio.Carolina ficou internada no setor psiquiátrico por dois meses. Ao sair da última sessão, levou muito tempo até se recuperar, aos poucos, daquele estado apático.Ela havia esquecido até os médicos e enfermeiros que vira pouco antes do procedimento. As pessoas ao seu redor, então, pareciam ainda mais estranhas.Um homem muito bonito segurava sua mão e dizia:— Amanhã vou viajar a trabalho para a base e vou ficar fora por uns quinze dias. Estamos na fase de testes do foguete






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