LOGINHenrique Queiroz sempre fora impecável e sereno. Herdeiro de uma família tradicional e poderosa, crescera cercado de privilégios e honra. Um verdadeiro filho do destino, admirado por todos, alguém que parecia intocável, como se vivesse acima do mundo comum. Durante quatro anos de amor, todos sabiam: Carolina Brito era a marca mais profunda que ele carregava no coração. Então, um escândalo de "traição" caiu entre eles como uma lâmina. O que antes fora um amor absoluto transformou-se em um término humilhante e irreversível. Cinco anos depois, o destino os fez se reencontrarem. Ele a prensou contra a parede. Os olhos carregavam um ódio capaz de destruir tudo ao redor. — Já que você desapareceu do meu mundo, então desapareça por completo. Não volte a aparecer diante de mim. — Tudo bem. — Respondeu ela sem hesitar, fria e decidida. Henrique a odiava com uma intensidade que doía. E, mesmo assim, continuava enlouquecendo por ela. Continuava perdendo qualquer controle sempre que era por causa dela. Quando a verdade finalmente veio à tona, ele a encurralou contra a porta, os olhos vermelhos, a respiração pesada. — Então pague por isso a vida inteira. Case comigo. A sua dívida… Eu assumo.
View MorePor um instante, a tensão dentro de Carolina cedeu.Ela virou a cabeça na direção indicada.O caminho estreito estava vazio. Silencioso. Não havia ninguém.A esperança que acabara de nascer se apagou na mesma hora.Quando percebeu o erro, já era tarde.O homem surgiu num movimento rápido ao lado dela, agarrou seu pulso com força brutal, torceu o braço sem piedade e arrancou o bastão elétrico da mão dela, jogando-o para dentro dos arbustos.O pânico tomou conta.Carolina se virou e saiu correndo, gritando com todas as forças:— Socorro…!Antônio disparou atrás dela e puxou seu cabelo com violência.— Ah!Uma dor lancinante explodriu no couro cabeludo. As pernas travaram. Ela não conseguiu avançar nem mais um passo.Antônio não era um homem grande ou imponente.Mas a diferença de força entre um homem e uma mulher ainda assim era cruel.Diante dele, Carolina continuava em desvantagem.Com uma mão, ele tapou a boca dela.Com a outra, manteve os dedos enroscados em seus cabelos, arrastando
— Você mesma que vai fazer?— Esse eu não dou conta. Só dá pra comprar pronto.Carolina caminhava enquanto ouvia os áudios no WhatsApp, e o sorriso não saía do rosto.A voz grave de Henrique, fosse em mensagem de áudio ou ao vivo, era sempre assim, fácil de gostar.Ela fingiu estar decepcionada, alongando o final da frase de propósito:— Tá boooom…Henrique perguntou na hora:— Ficou chateada?Carolina não queria dar trabalho pra ele. Tinha medo de que, por causa de uma frase solta, ele fosse atrás de vídeo, receita, tutorial, e acabasse passando horas tentando inventar algum doce complicado de amendoim.— Não fiquei chateada, não. — Disse em voz baixa, agora mais relaxada. — Na verdade, tô até animada. Amanhã é feriado, vai ter queima de fogos na praia. Dizem que ainda vai rolar show de drones.— Então eu vou com você.— Deixa pra ver amanhã… — Carolina respondeu. — Nem sei se vou acabar fazendo hora extra.De cabeça baixa, ela entrou no condomínio, trocando áudios com Henrique, uma m
Henrique entrou no quarto com uma mão segurando os doces e a outra fechando a porta.Carolina, já no limite da paciência, apoiou as duas mãos na porta dele e falou pausadamente, palavra por palavra:— Eu vou de metrô pro trabalho. Não preciso que você me leve. Entendeu?Henrique sorriu com tranquilidade.— Somos amigos, ué? Não precisa tanta cerimônia. Não vou te cobrar corrida.— Não é questão de dinheiro. — Carolina fechou o rosto, séria. — É questão de tempo e de energia.— Tempo e energia eu tenho de sobra.— Henrique, você…Ele a interrompeu com a maior naturalidade:— Se você não me deixa fechar a porta, é porque quer dormir comigo?A frase saiu de repente, carregada de uma ambiguidade perigosa.O coração de Carolina deu um solavanco. Assustada, ela recolheu as mãos na mesma hora. O rosto voltou a queimar.— Boa noite. — Henrique sorriu de um jeito que deixava claro que sabia exatamente o efeito que tinha causado e fechou a porta devagar.Carolina ficou parada diante da porta del
Por um instante, ele mesmo achou que tinha ouvido errado.Carolina estendeu o dedo e apontou para as três caixas nas mãos dele, lendo com cuidado, de baixo para cima:— Pão de queijo, cocada… Marido gelado.As orelhas de Henrique ficaram vermelhas na hora. Ele apertou os lábios, sorriu de leve, meio sem jeito, e assentiu com a cabeça.— Uhum. Ouvi sim.— São doces bem comuns. — Carolina explicou. — Não sabia se você já tinha provado, então trouxe pra você experimentar.— Pão de queijo eu já comi. — Henrique olhou para ela com um meio sorriso difícil de decifrar. — Marido… É a primeira vez que eu ganho um. Que gosto tem?Carolina travou.O calor subiu direto para o rosto.— É… É só o nome do doce. — Apressou-se em explicar. — Creme com bolacha, dessas sobremesas geladas. Você não gosta muito de coisa muito doce, então não peguei as versões mais enjoativas.O olhar de Henrique escureceu um pouco. Ele ficou encarando-a por alguns segundos antes de falar, com a voz baixa:— Você lembra que






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