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06

Autor: Masttani H.
last update Fecha de publicación: 2024-09-27 08:52:33

Aki encarou Chiara por alguns segundos, sua expressão séria, enquanto cruzava os braços. O ambiente no vestiário estava carregado de suspense.

— Sabe qual o meu problema com você? — começou Aki, o tom de voz controlado, mas carregado de desprezo. — Eu não gosto desse tipo de jogador que chega em um time sem ter lutado por nada. Que não sabe o que é sacrificar o corpo, o tempo, e tudo mais, só para ter a chance de jogar.

Chiara sentiu o estômago apertar, mas manteve-se firme, com os ombros retos, tentando parecer imperturbável.

— Do que você tá falando? — ela retrucou, tentando manter a voz firme. — Eu treino como qualquer um aqui.

Aki soltou uma risada curta, mas sem humor.

— É fácil falar agora. — Ele deu um passo à frente, mantendo o olhar fixo nela. — Mas você sabe o que o Luca passou? O cara jogava em um time de quinta categoria antes de finalmente conseguir uma chance aqui. Três anos sendo ignorado por clubes de elite até alguém enxergar o talento dele.

Ele apontou para outro jogador que estava de saída do vestiário.

— E o Marco? Ele teve que pagar do próprio bolso para fazer um teste em um time pequeno em outro país. Foi lá sem garantias, sem apoio, sem saber onde ia dormir, só por uma oportunidade. E conseguiu. — Aki respirou fundo. — E aí tem você. Um garoto privilegiado, com um pai cheio de dinheiro, que “coincidentemente” conseguiu uma vaga logo depois de um enorme patrocínio cair na conta do time.

Chiara sentiu o sangue ferver. Ele não tinha ideia do esforço real que Dario havia feito para chegar ali.

— Você não faz ideia do que tá falando. — A voz de Chiara saiu mais baixa, mas firme. — Eu fui sondado antes de qualquer patrocínio. Entrei aqui porque tenho talento. O dinheiro do meu pai não tem nada a ver com isso.

Aki balançou a cabeça lentamente, sem mudar sua expressão séria.

— É isso que você diz. Mas olha, para mim, tanto faz. — Ele deu de ombros. — Eu só quero saber de uma coisa: você é um jogador de verdade? Porque isso é o que vai fazer a diferença no final. O time precisa de alguém que aguente a pressão, não de um filhinho de papai.

As palavras dele estavam sufocando-a, e Chiara sentiu-se impotente. Tudo o que ela queria era defender o irmão, mas, ao mesmo tempo, sabia que Aki não aceitaria explicações fáceis. Ele via o patrocínio dos Bianchi como um sinal claro de privilégio, e não parecia estar disposto a mudar de ideia.

— Eu vou te provar que mereço estar aqui tanto quanto qualquer um. — As palavras saíram de sua boca com uma convicção que surpreendeu até ela mesma. — Você vai ver que eu tenho o que é preciso para estar nesse time.

Aki deu um leve sorriso de canto de boca, algo entre desdém e desafio.

— Espero que sim. — Ele começou a levantar a camisa suada do treino. — Não quero um companheiro de time que só está aqui devido ao sobrenome.

Chiara tentou manter o foco, mas quando Aki tirou a camisa, revelando o abdômen bem definido e marcado de cicatrizes leves, ela se pegou distraída por um segundo. A visão a tirou momentaneamente do controle, e o raciocínio travou. Sem pensar duas vezes, ela girou nos calcanhares e saiu do vestiário apressadamente, tentando afastar da mente a imagem que havia acabado de ver.

Chiara saiu do vestiário como um furacão, o rosto ainda quente de raiva e, para sua frustração, um pouco de timidez também. Tudo o que queria era sair dali o mais rápido possível.

Enquanto caminhava apressada em direção ao carro de Dario, os pensamentos se acumulavam.

Idiota... arrogante... quem ele pensa que é? Esse Aki acha que sabe tudo, só porque j**a bem... As palavras de Aki ecoavam na cabeça dela, e a raiva crescia cada vez mais. Ele pode ser um imbecil completo, mas...

Sem perceber, ela deixou escapar em voz alta.

— Mas ele é um gostoso com G maiúsculo. — murmurou, os pensamentos escapando sem controle.

— Opa, peraí! — Uma voz surgiu de repente ao lado dela.

Chiara parou imediatamente, congelada. Quando virou, viu Luca parado a poucos metros de distância, segurando o riso, claramente se divertindo com o que acabara de ouvir.

— Eu não ouvi isso, ouvi? — perguntou Luca, ainda rindo, os olhos brilhando de malícia.

Chiara arregalou os olhos, o pânico tomando conta. Droga, por que eu falei isso em voz alta? Ela abriu a boca para dizer algo, mas Luca foi mais rápido.

— Relaxa, Dario, eu não vou contar para ninguém que você acha o Aki um “gostoso com G maiúsculo”. — Ele fez aspas com os dedos, com um sorriso travesso. — Seu segredo está seguro comigo.

Chiara sentiu o rosto esquentar ainda mais, mas não era de vergonha ou talvez fosse um pouco. Ela tentou pensar em algo para dizer, alguma explicação que salvasse a situação, mas Luca já estava saindo, ainda rindo.

— Ei, sem julgamentos, ok? Não tenho preconceito, pode ficar tranquilo. — Luca virou-se uma última vez, piscando para ela.

Chiara ficou parada por um momento, totalmente atônita. Agora, além de lidar com Aki, teria que administrar Luca pensando que Dario era gay.

Ela balançou a cabeça e soltou um suspiro, entrando no carro com uma sensação de exaustão. Não sabia se ria ou chorava da confusão que sua vida havia se tornado.

Chiara dirigia concentrada na direção, as mãos estavam firmes no volante enquanto sua mente girava com tudo o que havia acontecido. Era muita coisa para assimilar em um único dia: o treino puxado, o confronto com Aki, o mal-entendido com Luca. Ela suspirou profundamente, sentindo falta dos dias tranquilos em que sua maior preocupação era ser uma bibliotecária comum, longe de todo esse caos.

Sem pensar muito, pegou o celular e ligou para Martina. Precisava desabafar antes que explodisse.

— Marti, você não vai acreditar no dia horrível que eu tive — disse Chiara assim que Martina atendeu.

Do outro lado, Martina riu.

— Oi para você também, sua louca. O que foi agora?

Chiara suspirou dramaticamente, apertando o volante.

— Eu odeio a minha vida! — exclamou. — Eu não sei por que eu me coloco nessas situações.

— Tá, respira e me conta o que aconteceu. — Martina tentou segurar a risada, mas Chiara já sabia que ela estava se divertindo.

— Primeiro, eu quase tive uma briga com o Aki no vestiário — começou Chiara, o tom de voz já exasperado. — Ele basicamente disse que eu, na verdade, o Dario só está no time devido ao patrocínio do meu pai e que eu não sou boa o suficiente, no caso ele. Mio Dio, eu já estou toda confusa.

— Ai, esse Aki pelo visto vai te dar trabalho. — Martina interrompeu. — Sempre com essa cara de superior, mas com aquele corpinho, né? Continua.

— Sim! Exatamente. Aí, eu surtei e disse que ia provar que mereço estar no time e tudo mais. E ele deu um sorrisinho arrogante, sabe? E aí... — Chiara parou por um segundo, se lembrando do momento em que ele tirou a camisa. — Aí o cara começa a tirar a camisa, Marti! Tirou a camisa e aí, mio Dio, ele é muito gostoso.

Martina gargalhou do outro lado da linha.

— Não acredito que você disse isso, Chiara!

— Eu disse isso em voz alta, Marti! — Chiara exclamou, agora rindo junto. — Pior, o Luca Ricci tava passando e ouviu. Ele agora acha que o Dario é gay. Ele me disse: “Não tenho preconceito, pode ficar tranquilo.”  — Ela fez uma imitação fajuta do sotaque interiorano de Luca.

Martina gargalhava tanto que mal conseguia falar.

— Meu Deus, eu não aguento! Você atrai essas confusões, amiga! — disse ela, ainda rindo. — Mas, honestamente? Isso é hilário. Deixa o Luca pensar o que quiser!

Chiara riu, mas logo voltou ao seu tom dramático.

— Sério, como eu deixo essas coisas acontecerem?

— Ai, Chiara, para com isso! — disse Martina, agora mais séria, mas ainda com um sorriso na voz. — Você tá fazendo um trabalho incrível, mesmo que tenha uns tropeços. E, ó, às vezes a vida dá umas voltas engraçadas.

— Engraçadas? Isso aqui é uma novela ridícula das 18h, Marti! — Chiara resmungou, mas não conseguia evitar o riso.

— E quem não gosta de um pouco de drama? — Martina provocou. — Mas olha, você tá certa em querer provar que pode fazer isso. Vai lá, mostra para ele quem você é! E se, no meio do caminho, você quiser fazer umas besteiras. — ela riu. — Eu apoio também.

— Claro que você apoia! — Chiara riu, sentindo-se um pouco mais leve. — Eu sabia que você ia me incentivar a fazer coisas erradas.

— Às vezes, a gente precisa, né? — Martina respondeu com um tom brincalhão. 

Chiara balançou a cabeça, sorrindo, enquanto estacionava em frente ao seu prédio.

— Vou tentar não me meter em mais confusão, mas com o Aki por perto não prometo nada.

— Boa sorte com isso, porque ele é um pedaço de mau caminho. — Martina riu de novo. — Mas, se precisar de conselhos duvidosos, você sabe quem chamar.

— Sempre. — Chiara desligou o telefone com um sorriso no rosto.

Chiara estacionou o carro e subiu as escadas rapidamente. Quando entrou no apartamento, foi recebida pelo aroma delicioso de algo sendo preparado por sua cunhada. 

— Oi, Elena — disse Chiara, forçando um sorriso cansado. — O que tá cozinhando de bom?

Elena virou-se com um sorriso caloroso no rosto.

— Oi, Chiara! Nada de mais, só um macarrão ao pesto para jantarmos. Como foi o treino?

— Bem, foi puxado — respondeu Chiara, jogando a bolsa no sofá. — Mas a equipe está se ajustando. Ainda temos alguns dias até a primeira partida, então ainda dá para melhorar bastante.

— Que bom — disse Elena, voltando a mexer na panela. — Vou terminar aqui, depois te chamo para jantar.

Chiara assentiu e foi direto ao quarto de Dario que estava deitado descansando. Ela bateu levemente na porta e entrou com um sorriso.

— Como você tá? — perguntou ela, sentando-se ao lado da cama.

Dario sorriu levemente, ajeitando-se nos travesseiros.

— Melhorando. Como foi o treino?

Chiara respirou fundo, já decidida a omitir as partes mais complicadas do dia. Ele não precisava saber da tensão com Aki ou das insinuações de Luca. Dario precisava de paz para se recuperar, não de mais estresse.

— Foi puxado, como sempre — começou ela, tentando soar natural. — O técnico fez algumas considerações sobre o bloqueio e a recepção. A gente ainda tem uns ajustes para fazer, mas nada que a gente não consiga resolver até o início do campeonato.

Dario assentiu, atento a cada palavra.

— E você, como se saiu?

— Bem, dentro do possível. — Chiara sorriu. — Estou conseguindo acompanhar o ritmo, e o técnico não fez nenhuma crítica muito séria.

— Que bom. — Dario suspirou, relaxando um pouco mais. — Obrigado por tudo, Chiara. Eu sei que não deve ser fácil.

Chiara sorriu, tocando o braço dele com carinho.

— Só se preocupa em melhorar logo. O resto eu resolvo.

Dario sorriu em resposta e Chiara deu um leve suspiro. Tudo que ela queria no momento é que seu irmão se recuperasse sem preocupações, mesmo que isso significasse carregar o peso de algumas coisas sozinha.

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Último capítulo

  • Por trás do jogo   55

    Chiara quase esqueceu de responder pelo nome de Dario.Foi por um segundo apenas.Um segundo pequeno, ridículo, perdido entre o rangido dos tênis na quadra, o eco da bola batendo no piso e a voz do treinador cortando o ginásio como um apito.— Dario! Na cobertura!A bola vinha rápida pela diagonal.Chiara ouviu o nome.O nome que vinha usando há semanas.O nome que já tinha colado na sua pele como uma segunda camisa suada.Mesmo assim, naquele instante, ela demorou.Não porque estivesse distraída com o treino.Mas porque, dois dias antes, Aki tinha dito Chiara contra sua boca, contra sua pele, contra o silêncio quente do apartamento dele. E depois disso, voltar a ser chamada de Dario parecia vestir uma roupa molhada: servia, mas incomodava em todos os lugares.— Dario! — Luca gritou de novo.Dessa vez, ela se moveu.Jogou o corpo para frente, sentiu os joelhos queimarem contra o piso e conseguiu salvar a bola no último segundo. A recepção subiu torta, mas viva. O bastante para Aki cor

  • Por trás do jogo   54

    O som da chuva fina batendo na janela foi a primeira coisa que Chiara escutou. Ainda de olhos fechados, ela sorriu ao sentir o toque suave de dedos passeando por suas costas, desenhando caminhos invisíveis na pele quente.— Você sempre acorda assim, quietinha? — a voz de Aki soou baixa, rouca de sono, tão próxima que ela podia sentir o calor da respiração dele em seu pescoço.— Estou processando... — murmurou, abrindo os olhos lentamente, sem querer encarar o mundo de vez.Aki riu baixinho e se aproximou mais, o peito nu encostando em suas costas.— Processando o quê? A noite maravilhosa que a gente teve ou o fato de eu ser excelente companhia matinal?— As duas coisas. — ela respondeu, virando-se de lado, até ficar de frente para ele. — Mas eu ainda não decidi se você é excelente ou só convencido.Ele sorriu, os olhos apertados de sono.— Eu voto nos dois.Chiara riu e, sem pensar muito, passou o dedo no cantinho da boca dele.— Você dorme de um jeito engraçado... meio sério demais.

  • Por trás do jogo   53

    O quarto de Aki estava um pouco escuro, iluminado apenas por alguns raios solares que passavam pelas persianas. O único som era o da respiração acelerada de ambos. Chiara desceu do colo dele, mas rapidamente sentiu a presença dele atrás de si, o calor que emanava do corpo dele a deixava completamente excitada. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Aki aproximou-se, sua mão firme envolvendo delicadamente sua garganta. Não era força, mas controle, um gesto que fazia seu coração disparar e sua pele se arrepiar. Ele inclinou o rosto dela para o lado, a ponta dos dedos roçando seus lábios, tudo que se passava em sua mente era o quanto ele desejava aquela mulher.Quando os lábios dele encontraram os dela, o beijo foi cheio de desejo contido. Chiara mal conseguia raciocinar, só sabia que tudo que ela queria era ele. Sem aviso, ela girou o corpo, seus braços se agarrando ao pescoço de Aki enquanto ela pulava em seu colo, as pernas se entrelaçando em volta de sua cintura. O movimento foi ráp

  • Por trás do jogo   52

    Chiara saiu do quarto usando a camiseta de Aki, que caía levemente solta em seu corpo, cobrindo até metade das coxas. O tecido macio roçava sua pele, e ela se sentia estranhamente confortável – e ao mesmo tempo inquieta. Aki, por outro lado, ficou estático ao vê-la. Seus olhos demoraram um pouco mais do que o necessário para subir das pernas de Chiara até seu rosto. Ele engoliu em seco, afastando pensamentos que, claramente, não deveria estar tendo.“Eu poderia me acostumar com isso”, pensou ele, sem conseguir desviar o olhar.— Serviu? — Ele perguntou, tentando soar casual, mas sua voz entregava algo mais.— Sim. — Chiara respondeu, mexendo na barra da camiseta como se tentasse se esconder. Ela se sentou no sofá novamente, mas o ar parecia mais carregado do que antes.Aki respirou fundo, passando a mão pela nuca enquanto tentava recobrar a compostura. Sentou-se ao lado dela, a uma distância que considerava segura – embora a proximidade fosse suficiente para ele sentir o perfume dela.

  • Por trás do jogo   51

    Chiara respirou fundo, parada na frente da porta do apartamento de Aki. A sensação de desconforto que vinha sentindo desde a noite anterior parecia crescer a cada segundo. A mensagem de Asana, que havia perturbado sua mente por horas, fora esquecida temporariamente. Agora, tudo o que ocupava seus pensamentos era o convite de Aki e o fato de que passariam o dia juntos. Ela estava nervosa – mais do que gostaria de admitir.Ergueu a mão para tocar a campainha, mas hesitou no último segundo.“Você consegue, Chiara,” pensou, mordendo o lábio inferior.“É só um dia. Nada demais.”Antes que pudesse reunir coragem para bater, a porta se abriu, e Aki apareceu. Ele usava uma camisa básica e jeans escuros, algo raro de se ver, já que estava quase sempre em roupas esportivas. O cabelo úmido caía de forma despretensiosa na testa, como se ele tivesse acabado de sair do banho.— Achei que você fosse ficar aí para sempre. — Ele cruzou os braços, apoiando-se no batente da porta, um pequeno sorriso dan

  • Por trás do jogo   50

    Quando Chiara chegou à academia, a primeira coisa que viu foi Aki, focado em seu primeiro exercício. Ele estava de costas, os músculos bem definidos se movendo sob o tecido leve da camiseta, e sua concentração parecia inabalável. Chiara percebeu que havia esquecido completamente da mensagem de Asana. O incômodo inicial da manhã, a irritação por ela ter encontrado o seu Instagram, tudo tinha desaparecido tão logo ela viu Aki.Era como se ele estivesse monopolizando todos os seus pensamentos naquela manhã, e, sinceramente, ela não sabia como se sentir sobre isso. Na verdade, ela não queria admitir, mas estava completamente apaixonada por Aki Ishikawa. Ela olhou ao redor, procurando Luca, seu parceiro de sempre, mas ele não estava em lugar nenhum.“Provavelmente dormiu demais”, pensou, mordendo o lábio.Luca era pontual, mas até ele tinha suas manhãs de preguiça. O pensamento trouxe um sorriso breve, mas ela ainda se sentia ansiosa, como se algo estivesse para acontecer.O ambiente da a

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