INICIAR SESIÓNHelena
Às dezenove horas em ponto, um carro preto e luxuoso estacionou diante da casa de Helena.
— Está tudo bem, mãe — disse Helena, tentando soar convincente. — O senhor Monteiro parece ser uma boa pessoa… e o fato de ele querer que eu conheça os pais antes do casamento demonstra que é um homem decente.
A mãe, pálida e abatida, apertou-lhe a mão com ternura.
— Mesmo assim, minha filha, sinto que está indo para um sacrifício.
Helena engoliu em seco e sorriu como pôde. Beijou-lhe o rosto e, antes de sair, sussurrou com firmeza:
— Não se preocupe mamãe. Preciso ir.
Antes de sair deu uma última olhada no espelho, para a ocasião escolheu um vestido preto, que havia usado uma única vez, era um dos poucos vestidos que tinha guardado para ocasiões especiais, era discreto e elegante, a gola quadrada e alças largas revelavam um colo impecável na pele alva, o tecido abraçava as curvas de Helena de forma suave dando um ar elegante, mas ao mesmo tempo realçava sua beleza sem exageros.
Caminhou firme onde o motorista, impecavelmente trajado de terno escuro, já a aguardava. Ao vê-la aproximar-se, abriu a porta traseira com um gesto respeitoso.
— Boa noite, senhorita.
— Boa noite.
Enquanto o veículo avançava, seu coração batia descompassado. A estrada terminou diante de um portão imponente.
Logo depois, após uma curva, Helena conteve o fôlego. A mansão Monteiro erguia-se em quatro andares em estilo clássico, janelas altas emolduradas por colunas, jardins perfeitamente aparados e fontes iluminadas. O lugar parecia um palácio.
O carro parou diante da escadaria principal. Para sua surpresa, o próprio Eduardo abriu a porta e estendeu a mão. Apesar do gesto cortês, seus olhos mantinham a mesma frieza distante. Elegante em uma calça social preta e camisa azul clara dobrada no cotovelo, revelando braços fortes.
— Obrigado por ter vindo. — A voz soou neutra, sem emoção. — Considere isso apenas como parte do contrato.
O calor inesperado daquele contato percorreu-lhe os dedos, mas Eduardo logo a soltou como se nada tivesse acontecido.
— Minha avó está aqui, ela não sabe sobre o contrato. — Disse baixo.
— Entendi. — Ela ergueu o queixo e passou por ele. Eduardo deixou escapar um leve sorriso antes de acompanhá-la.
*****
A família Monteiro
Assim que cruzou o limiar, sentiu-se tomada pela grandiosidade do lugar. O saguão central se abria em um espaço colossal que se estendia pelos quatro andares até a cúpula, onde um lustre de cristal, com centenas de lâmpadas, derramava luz dourada sobre o mármore branco do piso.
Escadarias duplas subiam em curva até os andares superiores, decoradas com corrimãos de ferro trabalhado e detalhes em dourado.
Eduardo conduziu Helena pelo amplo saguão, ao se aproximarem da sala de estar, três figuras a esperava, uma com olhar frio e distante e duas outras com visível curiosidade.
O pai de Eduardo, Gilberto Monteiro, um homem alto, de postura impecável e traços marcantes que lembravam Eduardo e ainda carregava o charme da juventude.
— Boa noite, senhorita — disse ele, com a voz firme e sem nenhum tipo de emoção.
Helena inclinou levemente a cabeça, tentando esconder a tensão.
— Boa noite, senhor Monteiro. — A voz saiu calma, mas seu coração disparava.
A mãe de Eduardo, Olivia Monteiro, aproximou com um sorriso, seus cabelos prateados presos em um coque e olhos gentis, mas penetrantes, assim como os de Eduardo.
— Helena… — disse, abrindo os braços. — Que prazer finalmente conhecê-la!
Helena parou, surpresa.
— S-senhora Monteiro… — balbuciou, sem saber exatamente como reagir.
— Oh, não seja formal demais, querida — disse a mulher, soltando-a com delicadeza.
Ela se afastou alguns passos, os olhos percorrendo Helena com admiração.
— Que olhos… e esse cabelo… — comentou, a voz baixa, mas carregada de sinceridade. — Você é realmente linda, Helena.
Helena corou levemente
— Muito obrigada, senhora. — Sua voz soou mais firme dessa vez, apesar do rubor que se espalhou pelas bochechas.
— Eduardo, parabéns, ela é encantadora. — Olivia sorria de forma como que dissesse que Helena havia sido aprovada.
Helena ficou um pouco desconfortável com o comentário.
— Mãe, não force. — Eduardo disse de forma mais gentil e baixa. — Helena e eu temos um acordo.
— Eu sei, — Ela também usava um tom mais baixo para que só eles escutassem. — Mas acordos podem ser quebrados e mudados, não é mesmo?
Olivia pegou a mão de Helena e a puxou em direção a uma senhora.
— Venha, querida, quero que conheça minha mãe. Carmen.
Helena só assentiu.
— Ah! Então você é a noiva de Eduardo. — A senhora tinha os traços gentis de Olivia.
— É um prazer conhecê-la, senhora Carmen.
Carmen fez um gesto com a mão para que ela se aproximasse mais e sentasse ao seu lado.
— Por favor, me chame de vovó. — E olhando para Eduardo, completou. — Meu neto soube escolher muito bem. Finalmente Eduardo se livrou daquele traste.
— Vovó, por favor. — Eduardo tentou esconder a impaciência diante do comentário.
Mas ao se aproximar da avó, seus olhos se tornaram suaves e deu um leve beijo no rosto da avó.
Olivia não querendo que o clima ficasse pesado por algum comentário indiscreto, disse de forma casual:
— O jantar já será servido. Vamos! — Anunciou Olivia.
Com a presença da avó, Eduardo não teve alternativa senão oferecer o braço a Helena. O gesto, íntimo demais para o que existia entre eles, pareceu natural aos olhos de quem observava. Para Helena, porém, foi impossível ignorar a firmeza do toque dele em seu braço, uma presença marcante e perturbadora.
A grande sala de jantar exalava o mesmo luxo e requinte da casa. O ambiente estava iluminado por candelabros de cristal que refletiam a luz sobre os móveis.
— Por favor, sente-se ao meu lado. Quero ouvir mais sobre você, sobre seus estudos e sua música. — disse Olívia, os olhos castanhos penetrando os de Helena com uma curiosidade genuína por trás do tom gentil.
Helena forçou um sorriso. Eduardo olhou para ela como um alerta para ter cuidado com o que iria falar. Ao desviar o olhar para a avó Carmen, ela observa os dois atentamente e um leve sorriso surgiu em seus lábios, deixando Helena desconfortável, aquele jantar não seria uma nada fácil.
Os lábios finalmente se tocaram. O beijo começou suave, quase tímido, como se pedisse permissão.Eduardo não pressionou os lábios macios dela, apenas saboreava aquele contato como que sentindo a doçura daquele contato. Então o beijo se aprofundou apenas o suficiente para que ambos percebessem que aquilo já não era algo que pudesse ser evitado.A mão de Helena segurou de leve a camisa dele. Eduardo passou um braço ao redor de sua cintura, aproximando-a.O coração dos dois parecia bater no mesmo ritmo. Por alguns segundos, não existiram mais nada ao redor deles, apenas aquele beijo. Eduardo aprofundou ainda mais o beijo e Helena correspondeu com a mesma intensidade, ele começou a explorar o interior de sua boca, Helena deixou, mas quando ela se aproximou um pouco mais, Eduardo abriu os olhos.E então pareceu despertar.Ele interrompeu o beijo e se afastou lentamente.Helena abriu os olhos, ainda tentando recuperar o fôlego.Eduardo passou uma das mãos pelos cabelos, como se tentasse r
As horas passaram sem que nenhum dos dois percebesse.O parque já não estava tão movimentado. Algumas barracas começavam a recolher seus produtos, enquanto famílias deixavam o local e os grupos de amigos se dispersavam. As luzes continuavam acesas entre as árvores, iluminando os caminhos por onde Eduardo e Helena haviam caminhado durante horas.Eles já tinham andado bastante e, agora, caminhavam lado a lado em silêncio.Não era um silêncio desconfortável, era tranquilo como se a presença um do outro os completasse.Até que Eduardo parou.Helena deu mais alguns passos antes de perceber que ele havia ficado para trás. Quando se virou, encontrou-o imóvel, olhando para algum ponto distante.Havia algo diferente em seu semblante e Eduardo parecia não estar mais naquele parque. Uma lembrança havia surgido de repente.Ele era apenas um menino, talvez tivesse oito ou nove anos.Lembrou-se de uma tarde distante, de um parque muito parecido com aquele. Lembrou-se de suas pequenas mãos segurando
Os dois caminhavam pela calçada movimentada. Pessoas passavam por eles, uma apressadas outras apenas apreciando a noite, algumas desviavam discretamente o olhar para admirar o casal.Embora caminhassem próximos, Eduardo mantinha as mãos nos bolsos da calça. Seu rosto estava sereno, e a brisa da noite tocava suavemente seus cabelos.Helena, vez ou outra, olhava para o perfil dele. Aquele homem não parecia o Eduardo que conhecia.Não havia ali a postura austera do grande empresário, nem o olhar frio e calculista que costumava intimidar executivos em uma sala de reuniões. Naquela noite, ele parecia simplesmente... um homem comum.Eduardo também não estava indiferente à mulher que caminhava ao seu lado. Observava-a discretamente, o vento brincando com seus cabelos e aquele sorriso leve que surgia vez ou outra em seus lábios.Eles caminhavam sem um destino definido quando chegaram às proximidades de um grande parque.As árvores estavam contornadas por pequenas luzes, enquanto uma música to
Naquela mesma noite, Eduardo e Helena chegaram a um dos restaurantes mais exclusivos da cidade, localizado na cobertura de um luxuoso hotel, frequentado por magnatas e grandes personalidades.O restaurante, premiado com três estrelas Michelin, oferecia uma das vistas mais privilegiadas da cidade.Foram recepcionados pelo maître, que os cumprimentou com discrição e os conduziu até a mesa reservada. Enquanto atravessavam o salão, era impossível não prestar atenção ao casal.Helena usava um vestido preto de corte elegante, com decote quadrado que valorizava seu colo e a pele clara. Os cabelos estavam escovados em ondas suaves, emoldurando seu rosto.Eduardo estava impecável em um terno cinza-claro, perfeitamente ajustado ao corpo.A mesa reservada era uma das melhores do restaurante, posicionada próxima às grandes janelas de vidro, de onde se podia contemplar a cidade iluminada.Helena já ouvira falar daquele lugar, mas jamais imaginara que Eduardo a levaria para jantar ali.Ele afastou
— John Walker mandou pessoas procurarem por ela. Toda a equipe de inteligência dele varreu a cidade e até outros estados atrás de qualquer pista. O homem que, até então, parecia não se importar com o que os outros pensavam passou a agir como alguém que havia perdido a própria razão.Amanda franziu a testa, surpresa.— Mas, se eles praticamente não apareciam juntos... era porque talvez não se amassem. Talvez aquele casamento não fosse exatamente um casamento por amor.Helena baixou os olhos, fingindo prestar atenção ao próprio copo. Aquelas palavras haviam atingido como uma facada em seu coração.Um casamento sem amor.Por alguns segundos, a história de John e Elizabeth deixou de parecer apenas uma história distante sobre duas pessoas famosas. Helena não conseguiu evitar a comparação.Será que havia começado da mesma maneira que o seu casamento com Eduardo?Um acordo. Uma necessidade. Duas pessoas unidas por circunstâncias que nada tinham a ver com amor.Helena apertou discretamente os
O restaurante escolhido por Laura não era um dos mais elegantes ou sofisticados da cidade. Para uma reunião entre amigas, ela preferira um lugar mais discreto, que tinha um reservado no mezanino, onde poderiam conversar tranquilamente sem chamar a atenção ou incomodar os demais clientes.Quando Helena chegou acompanhada de Bianca, as outras já estavam no local.Depois dos abraços e cumprimentos calorosos, acomodaram-se nos confortáveis sofás em forma de meia lua na grande mesa. Assim que finalizaram os pedidos, a conversa girou em torno da saudade que sentiam umas das outras.— Confesso que fiquei surpresa com o convite da Laura — comentou Amanda. — Fazia muito tempo que não nos encontrávamos.— É verdade. Até pensei que a Helena tivesse esquecido da gente. — brincou Cláudia.Apesar de já se conhecerem há muito tempo, as amigas continuavam mantendo contato com Helena, principalmente depois que souberam da sabotagem sofrida pela Vasconcelos Mármores e Granitos.Cláudia e Amanda também







