LOGINJACK: No mesmo dia em que descobri que meu coração pode parar a qualquer momento, descobri também que o coração do meu marido nunca foi meu. Durante sete anos, vivi um casamento sem amor, sem imaginar que fui apenas a segunda opção depois que a mulher que ele realmente amava recusou seu pedido. Então decidi ir embora. Assinei o divórcio, fiz uma lista com tudo o que quero viver antes de morrer e prometi nunca mais implorar pelo amor de ninguém. Eu só não esperava que minha primeira noite de liberdade terminasse nos braços de um desconhecido... que, na manhã seguinte, descobri ser o meio-irmão do meu ex-marido. OLIVER: Eu sempre achei que teria tempo para consertar nosso casamento. Só percebi o quanto amava minha esposa quando ela foi embora levando uma mala na mão e deixando os papéis do divórcio sobre minha mesa. Enquanto tento convencê-la de que ainda podemos recomeçar, descubro que meu próprio irmão entrou na disputa pelo coração da única mulher que nunca deveria ter perdido. Agora, talvez seja tarde demais para implorar pelo perdão daquela que um dia chamei de esposa.
View MorePOV Jaqueline
— Quanto tempo exatamente eu ainda tenho, doutor?
O médico suspirou antes de responder, me olhando consternado:
— É difícil precisar exatamente, senhora Bianchi. Seu coração pode entrar em uma arritmia fatal a qualquer momento.
Mordi o lábio com tanta força que senti o gosto metálico do sangue misturar-se à saliva.
Menos de um ano... talvez nem isso. E não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer para impedir.
Atordoada, acabei me sentando em uma praça próxima ao hospital.
Há alguns meses, comecei a sentir palpitações, desmaios e uma falta de ar que surgia sem qualquer esforço. Achei que fosse apenas cansaço. Depois de muitos exames, recebi um diagnóstico que eu nunca tinha ouvido antes: cardiomiopatia arritmogênica.
Uma doença capaz de fazer meu coração simplesmente... parar.
Eu tinha apenas vinte e cinco anos e dois filhos de seis. E uma sentença de morte.
Saí do hospital sem saber como meus pés continuavam andando. Era como se alguém tivesse apertado o botão de pausa no meu mundo, enquanto todo o resto continuava exatamente igual.
Depois de dias de chuva, o sol finalmente apareceu. Famílias faziam piqueniques debaixo das árvores. Crianças corriam pelo gramado. Casais caminhavam de mãos dadas, rindo de coisas que provavelmente esqueceriam no dia seguinte.
E eu... Eu morreria sem viver quase nada. Nunca fiz um piquenique em família. Nunca viajei apenas por diversão. Nunca comemorei um aniversário de casamento.
A vida passou rápido demais para mim. E percebi que eu só tinha sobrevivido... e nunca vivido.
Limpei as lágrimas antes que alguém percebesse. Um gemido escapou quando uma pontada de dor me consumiu. A dor, porém, não vinha apenas da doença. Vinha da ideia de deixar meus filhos. E... meu marido.
Talvez eu estivesse prestes a partir sem nunca conseguir dizer tudo o que precisava.
Olhei o relógio.
Naquela tarde, Oliver buscaria as crianças na escola. Como ainda faltava algum tempo para a saída deles e a empresa onde ele trabalhava ficava a poucas quadras dali, decidi ir até lá.
Precisávamos conversar. E aquela conversa, diferente de todas as outras, não poderia ser adiada.
Enquanto caminhava pela calçada, mal percebia as pessoas ao meu redor. Minha cabeça repetia apenas uma pergunta:
Como uma pessoa saudável podia estar tão perto da morte?
Quando parei diante da Diamond Bianchi Group, ergui os olhos para o prédio espelhado. No trigésimo andar ficava o escritório onde meu marido passava a maior parte da vida.
Entrei na recepção e segui para o elevador exclusivo da presidência. Durante a subida, uma tontura repentina me obrigou a apoiar a mão na parede metálica da cabine.
Fechei os olhos por alguns segundos. Quantas vezes aquilo ainda aconteceria antes do fim?
Quando as portas se abriram no trigésimo andar, caminhei até a enorme sala da presidência.
A secretária levantou a cabeça imediatamente. Era raro eu aparecer ali. Eu sorri, gentil:
— Pode avisar ao meu marido que estou aqui?
Ela devolveu um sorriso constrangido:
— O senhor Bianchi não está.
Suspirei. Conversar com Oliver em casa era quase impossível. Sempre havia uma reunião, uma ligação importante ou as crianças servindo de desculpa para encerrar qualquer conversa entre nós.
— Sabe me dizer se ele vai demorar?
Ela balançou a cabeça:
— Não faço ideia, senhora Bianchi. Mas ele saiu... bem apressado.
Olhei discretamente para o relógio. Ainda não estava na hora de buscar as crianças.
Voltei a encará-la.
— Vou esperá-lo na sala dele.
Depois de sete anos de casamento, aquele lugar nunca me pareceu familiar. Estive menos vezes ali do que em reuniões escolares, e isso jamais pareceu um problema... Até agora. Depois de descobrir que eu iria morrer em breve, tudo passou a doer mais.
Porque eu sabia que jamais conseguiria salvar o meu casamento. E finalmente entendia que, por mais que eu tentasse me convencer de que parte daquele fracasso era culpa minha, nunca foi. Aquele casamento nasceu condenado, porque Oliver nunca desejou vivê-lo de verdade.
Fui até a cadeira onde ele costumava se sentar e passei os dedos levemente sobre o encosto, como se, de alguma forma, pudesse senti-lo naquele toque.
Sorri ao imaginá-lo sentado naquela mesa, sério, dando ordens. Oliver nasceu para liderar, para ter o mundo aos seus pés. E aquela era uma das muitas qualidades que eu admirava nele. Talvez por isso jamais pudesse ser outra coisa além do CEO da maior empresa de alta perfumaria e cosméticos de luxo do país.
Oliver Bianchi era um homem de beleza marcante. Alto, de ombros largos e porte elegante, tinha cabelos loiros escuros presos em um coque baixo impecável, barba curta perfeitamente aparada e olhos claros, intensos e frios, capazes de intimidar qualquer pessoa.
Era o tipo de homem que chamava a atenção por onde passava. Para mim, porém, Oliver sempre foi muito mais do que bonito. Desde a adolescência, eu o enxergava como o homem mais lindo e perfeito do mundo.
Eu ainda era capaz de perder o fôlego ao vê-lo entrar em um ambiente, lamentando que aqueles mesmos olhos perfeitos, que encantavam tantas pessoas, jamais tivessem repousado sobre mim com amor.
Um som veio do computador sobre a mesa de Oliver. A tela estava ligada e uma notificação apareceu com o nome "Senhor Love". Cliquei no mouse e percebi que o W******p dele permanecia aberto.
Eu não queria abrir a conversa. Sabia que estaria invadindo a privacidade do meu marido. Mas aquele nome despertou minha curiosidade. Era diferente, quase engraçado. Cheguei até a me perguntar se o contato realmente se chamava Senhor Love ou se Oliver havia cometido algum engano ao salvá-lo.
Movida pela curiosidade, abri a conversa. Fiquei imóvel.
Senti meu coração acelerar e a falta de ar voltar ainda mais intensa. Sentei-me na cadeira dele antes que minhas pernas cedessem e meu corpo desabasse no chão.
O "Senhor Love" não era um homem. Era uma mulher.
Natália deu um sorrisinho e soltou o braço da mulher:— Tomara que você tenha a sorte de vê-la.A enfermeira não disse nada e seguiu pelo corredor.— Como você foi capaz de desejar isso a ela? Ver Brianna não é sorte, é azar. — falei, furiosa.— E você acha que eu não sei? Eu só precisava ser convincente.— E aposto que conseguiu... agarrando o braço da mulher no corredor e fingindo ser uma fã enlouquecida.Natália suspirou:— Não existem muitos motivos para Brianna Tayson estar num hospital além de... uma gravidez.Abaixei a cabeça e cravei as unhas nas palmas das mãos. Certificar-me de que Oliver teria um filho com Brianna provavelmente me custaria algumas boas semanas de vida.Natália segurou meu queixo e me obrigou a encará-la:— Por que você ainda reage dessa forma a tudo que envolve esse idiota?— Eu... estou bem — menti.— Jack, qual é o seu problema? Você está namorando um homem lindo, rico e
— Jack... isso é maravilhoso!— Eu ainda preciso passar por outros exames. O médico precisa avaliar se realmente tenho condições de entrar na fila e qual seria a urgência do meu caso. Mesmo que eu seja aceita, isso não significa que aparecerá um coração compatível a tempo.— Mas existe uma possibilidade.— Existe — confirmei, sorrindo e apertando as mãos dela. — Pela primeira vez, existe uma chance para mim.Natália me abraçou com força:— Você vai conseguir. Eu sabia que não era o fim. Sabia que você não podia simplesmente morrer e me deixar sozinha com dois pestinhas, um ex-marido arrependido e um namorado bonito demais para ser confiável.Não consegui evitar a risada:— Acredite, você não daria conta deles. Isso é uma coisa que só eu consigo fazer. — Suspirei. — Mas não quero criar falsas esperanças, Natália.— Você não tem nada a perder, Jack. Crie todas as esperanças possíveis.Olhei para ela e respirei fundo. Pela
POV JaquelinePara mim, aquela parte da minha vida estava encerrada. Eu nunca mais me preocuparia com qualquer coisa relacionada a Johnny. Tampouco perderia meu precioso tempo indo a hospitais ou delegacias por causa dele. Infelizmente, eu sabia que deixar Johnny de lado também significava deixar minha mãe para trás.Mas eu já havia feito muitas escolhas ruins na vida. E aquela era uma escolha totalmente racional.Enquanto eu caminhava pelo corredor ao lado de Natália, ela perguntou:— O que Oliver fez? Ele te agrediu?— Não.Eu havia ido falar com minha mãe no hospital e quase acabei internada. No entanto, já perdera tempo demais naquele lugar e queria desesperadamente sair dali e voltar para casa.— Jack, se ele te agrediu, pode me contar. Eu sou sua amiga. Você nunca me escondeu nada e...Eu praticamente corria, enquanto Natália tentava me alcançar. Quem olhasse para nós duas naquele corredor provavelmente acharia que ela er
— Isso é uma ameaça?— É um aviso. A imprensa terá interesse em saber que Oliver Bianchi traiu a esposa com uma modelo ligada à própria empresa, levou a amante para dentro da casa da família, prometeu assumir um relacionamento e depois a abandonou quando ela tentou tirar a própria vida.— Eu não a abandonei. Estou aqui.— Por enquanto — Maikele respondeu. — Mas veremos quanto tempo ficará quando sua ex estalar os dedos e usar seus filhos como cúmplices.Brianna limpou as lágrimas com a mão que não estava presa ao soro:— O lançamento do seu perfume está próximo. Minha imagem faz parte da campanha e todos sabem da nossa relação. Imagine o que acontecerá se eu contar publicamente que você me usou e me descartou.— Tirem Jack e meus filhos dessa conversa. — esbravejei, tentando manter a calma.— Eu preciso de você para ficar bem, Oli... — ela tentou agarrar a minha mão.— Não posso ser o tratamento de que você precisa.— Vo
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