INICIAR SESIÓNUma semana depois…
… Eu te amei quando te vi pela primeira vez no meio daquela feira agitada.
… E eu te desejei ardentemente.
… Eu te quis, e é por isso que você está aqui comigo agora.
… Você é especial para mim, Abby, e será somente minha.
… Porque eu não pretendo dividi-la com mais ninguém. Nem mesmo com um filho.
Vittorio Leonel não estava mentindo quando expressou seus desejos insanos por mim. Pensar que, após pagar à minha família uma quantia que lhes garantiu um bom futuro, é gratificante. Mas não foi somente isso: ele se encarregou de comprar uma moradia melhor e mais confortável em outro país, onde nunca mais teriam contato comigo. Isso me quebrou por dentro.
Contudo, o que me conforta é saber que eles estão bem.
— Bom dia! — meu marido diz, ao sair do banho. Timidamente, sento-me na cama, cobrindo a minha nudez com um lençol branco.
— Bom dia! — respondo, igualmente tímida. Entretanto, ele se aproxima, sobe na cama e se inclina para beijar a minha boca.
— Quero tomar o café da manhã com as minhas esposas reunidas essa manhã. Acho que já está na hora de você começar a fazer isso, querida.
Não, eu quero ficar bem aqui dentro do meu quarto, protegida de todos lá fora. Tenho vontade de dizer, mas sei que ele odeia ser contrariado. Eu vi, com os meus próprios olhos, o que Vittorio Leone é capaz de fazer quando isso acontece.
— Claro.
— Ótimo! Quero que fique linda para mim. Então escolha o seu melhor vestido para esta manhã. — Ele volta a me beijar.
Devo dizer que Vittorio é um homem extremamente bonito e atraente. Que o seu corpo é moldado pelos exercícios frequentes que faz em uma academia mantida aqui mesmo na mansão. Sua aparência é realmente de tirar o fôlego. A forma como se veste atrai olhares famintos das mulheres. A sua voz. Seu olhar. Tudo é um belo conjunto de sedução, de sensualidade e perversidade. Entretanto, sua presença também causa medo e insegurança. Todos nessa casa o temem, sem exceção. E eu não serei burra em contrariá-lo.
Minutos depois, descemos os degraus da mansão de mãos dadas e logo seguimos para uma sala, onde uma mesa farta, com suas esposas e filhos já nos aguarda. Em silêncio, os assisto interagir como uma família normal e feliz. No entanto, me pergunto: como isso pode acontecer? Quero dizer, como elas não se incomodam com essa união louca e sem sentido? E ainda, como conseguem agir como se fossem grandes amigas?
De repente, alguém adentra a sala e se aproxima do Senhor da casa para dizer-lhe algo ao pé do ouvido. A face tranquila de Vittorio Leone muda subitamente, tornando-se tenebrosa. Ele calmamente passa a ponta do guardanapo no canto da boca e o larga em cima da mesa, ficando de pé no segundo seguinte. As mulheres fazem o mesmo e sem saber como agir, levanto-me no mesmo instante.
— Terminem seu café da manhã — Vittorio ordena. — Eu preciso resolver uma coisa. — Então, inesperadamente, ele se aproxima de mim e me beija demoradamente.
— Fique tranquila, Coelhinha — Vittorio sussurra cuidadoso. Seu polegar se arrasta docemente pela minha bochecha, enquanto o seu olhar intenso se fixa no meu. Entretanto, mesmo usando um tom tão baixo, ele consegue causar-me medo.
Vittorio me vê como um maldito bichinho assustado, e isso me deixa irritada.
— Seja bem-vinda à casa, Abby! — Uma loira sentada do outro lado da mesa diz, despertando-me. — Meu nome é Bertha. E essa é a Lise, minha filha.
Forço um sorriso sem graça.
— É um prazer, Bertha! E, oi, Lise! — falo meio sem jeito.
— Essa é a Nádia…
— A primeira esposa — A morena completa a frase de Bertha rudemente. — E, eu sou a mãe do primogênito de Vittorio Leone — ralha, como se exibisse um troféu reluzente em ouro.
Bertha revira os olhos.
— Relaxe, a Nádia é assim mesmo. Ela vive se vangloriando de ser “a mãe de um menino”.
— Soube que você será a bonequinha de porcelana do Vittorio — Nádia comenta venenosa, abrindo um sorriso forçado em seguida.
— Sorte sua não ter que gerar filhos para ele. — Bertha sibila. — O Vittorio costuma ser bem… exigente com isso — retruca, levando uma porção de frutas à boca.
— É, sorte sua — Nádia concorda um tanto debochada. Incomodada, ajeito-me na cadeira.
— O que tem para fazer nesta casa? — procuro saber, mudando de assunto.
— Ah, a Ava vai te mostrar tudo. Ela será a sua dama de companhia dentro e fora de casa. A pessoa que te mostrará tudo, inclusive o que fazer para se divertir. — Uma espiã. Penso, pois sei que ela estará vinte e quatro horas colada em mim apenas para garantir que estarei sempre na linha.
Uma biblioteca. Uma piscina enorme com cascatas, um gazebo, uma pequena trilha para corridas matinais, uma ampla sala de cinema, outra de massagem e tem até uma sauna. Optei pela leitura e pelas corridas matinais. Isso deverá me ajudar a manter minha mente ocupada.
— Você vai mesmo ler tudo isso? — Ava, uma jovem de aparentemente vinte anos pergunta, sentando-se ao meu lado em um banco largo de madeira, fazendo-o balançar um pouco.
— Eu amo ler romances. Então, sim, pretendo ler cada um deles.
— Será que eu consigo fazer o mesmo? — Ela avalia a espessura dos livros com curiosidade.
— Você pode tentar.
— Ps. Ainda Te Amo! — ela experimenta o título. — É, parece interessante. — Ava abre o livro e, em poucos segundos, encosta-se no encosto almofadado do banco e começa a ler. Não seguro um sorriso satisfeito e me concentro em meu romance preferido.
***
No dia seguinte…
A porta do meu quarto se abre no exato momento em que termino de amarrar o cabelo em rabo de cavalo. Inevitavelmente, observo Vittorio entrar no cômodo e embora ele esteja assanhado, e com a roupa bagunçada, meu marido exala uma sensualidade ímpar. Em silêncio, ele se aproxima por trás, me prende ao seu corpo e beija arduamente minha nuca.
— Você está tão linda, Abby! — sussurra áspero.
A verdade é que eu não suporto o seu toque e gostaria de me livrar de seu agarre. De afastá-lo de mim. Mas resolvo aceitar as suas investidas sem qualquer resistência.
— Estou pensando em iniciar algumas corridas matinais — comento como quem não quer nada, quando a sua mão segura firme na minha garganta, apertando-a com uma firmeza singular, enquanto a sua língua desliza sorrateira pelo lóbulo da minha orelha, causando-me arrepios e certa repulsa.
— Se em trinta dias ela não mostrar a eficiência que você precisa, eu mesma a demitirei. Mas se você a enxotar dessa empresa como fez com as outras. Eu juro, Vincenzo, que eu mesma me demito. — Ela rebate e sai da minha sala no mesmo instante.Eva passa pela porta, fechando-a logo em seguida e eu volto a ocupar a minha cadeira. No mesmo instante a porta se abre e uma loira passa por ela. Ela me abre um sorriso profissional e ergue um tablet protetoramente rente a seus peitos.— Bom dia, senhor Vincenzo! Meu nome é Lucile e serei a sua assistente por hoje. Podemos ver a sua agenda agora? — Sem emitir som, faço um gesto de mão e aponto uma cadeira para ela. — Ok, o senhor tem uma reunião importante…Me perco em meio a imagem dos seus beijos. Eram insanos e famintos. Algo tão carnal. Nada emocional. No fundo eu sabia que ela nunca seria minha. Um desencontro de almas. Um amor nada puro. E eu sempre me entregava aos seus caprichos. No fundo eu sempre soube; eu me tornaria a sua segunda op
Adeus Nella!Um ano após a nossa despedida, essas palavras ainda gritam dentro dos meus ouvidos. Reverberam por cada terminação nervosa do meu corpo, rasgando o meu peito, fazendo o meu coração sangrar.Deus sabe que eu quis correr ao encontro dela. Eu quis impedi-la de partir. Mas no fundo eu sabia; Nella precisava sair da minha vida. Eu precisava dá um fim a esse sentimento doentio que me sufocava por dentro. Me mantinha seu prisioneiro. Eu precisava me libertar da sombra da minha própria traição. Contudo, não me sinto limpo. Pelo contrário, eu sou a própria treva andando por caminhos gelados e sem vida. E por mais que meu irmão me diga: eu perdoei os seus pecados, não me sinto livre.— Que merda é essa? — O silêncio do amplo escritório é quebrado pelo meu rosnado implacável, direcionado a mulher em pé na frente da minha mesa. Contudo, não tiro os meus olhos dos papéis que ela me entregou há poucos minutos. — Chama essa porcaria de relatório?Dessa vez, encaro o seu olhar que tem um
AdelinaMe consideram uma força da natureza. A final, eu sobrevivi a perda do meu pai e do meu irmão em um trágico acidente de avião. Mas agora vivo sobre a linha tênue entre a vida e a morte de minha mãe. Penso, enquanto observo as dezenas de medicamentos espalhados em cima da minha mesa.O fato, é que não me considero uma força da natureza. Porque se eu fosse, não estaria com medo de perder a única pessoa que amo nesse mundo.— Ah, você está tão linda, filha!A voz fraca de mamãe me faz fitá-la. Ela força um sorriso para mim, mas no fundo, eu sei que as dores a consomem por dentro.— Ainda não sei se vou a essa festa, mamãe — retruco, separando um coquetel de comprimidos em um pequeno copo descartável.— Que bobagem, querida. É claro que você vai. E eu quero que se divirta muito essa noite.— Mamãe...Tento replicar, mas ela continua. Entrego-lhe os medicamentos e um copo com água.— Se não quer fazer isso por você, faça por sua mãe, Adelina.Suspiro quando a campainha começa a toca
Flora DeenUm ano depois…Querido Papai Noel,Meu nome é Flora Deen, mas o Senhor já sabe disso, certo? Antes de fazer o meu pedido especial para esse ano, quero te agradecer por atender o meu pedido no ano passado. Estou muito feliz de ter o meu papai de volta e estou mais feliz ainda por ganhar uma nova mamãe tão linda e tão carinhosa. É sério, eles são perfeitos juntos. Mas já está na hora de eu ganhar um irmãozinho, não acha? Ah, só para o Senhor saber eu fui uma boa garotinha o ano inteiro. Mas isso o Senhor também já sabe. Então, espero ansiosa pelo meu PRESENTE ESPECIAL DE NATAL.— Flora? — Escutar a voz de Mia me chamando me faz dobrar a minha cartinha imediatamente e logo a escondo debaixo do meu travesseiro. — Flora? — Ela volta a me chamar e no segundo seguinte a porta do meu quarto se abre. Seus lindos olhos me avaliam por alguns segundos. — O que você está fazendo aí, Bonequinha?Bonequinha. Esse foi o apelido novo que eu ganhei desde que eles começaram a levar o relacion
FranckAlgumas horas depois…— Espere, filho. — Mamãe pede com carinho assim que desço o último degrau da escadaria da sua casa. Logo ela começa a ajeitar a gola da minha camisa de botões, que está por baixo da camisa de caxemira e quando termina, ela sorri, olhando dentro dos meus olhos. — Eu esperei tanto por esse momento. — Apenas beijo calidamente a sua testa. — Senti sua falta, Franck. Senti falta desse seu sorriso e de ouvir o som da sua voz.— Também senti saudades, mãe — falo, segurando em cada lado do seu rosto. — Me desculpe por demorar tanto! — Seu sorriso se amplia.— O importante é que você veio e que está aqui conosco. — A abraço fortemente.— Temos que ir ou vamos nos atrasar — ralho quando nos afastamos.— Sim, sim. A Mia já deve estar nos esperando.E eu estou explodindo de ansiedade de vê-la novamente.— Onde está a Flora?— Provavelmente ela curtindo o seu mais novo brinquedo. — Papai responde adentrando o cômodo. No entanto, subo as escadas de volta e vou direto pa
Franck— Então, como se faz isso? — pergunto para a minha filha, encarando com diversão a branca neve que cobre o chão como se ela fosse um imenso tapete felpudo.— É bem simples, papai. Primeiro, você precisa se deitar na neve. Depois começa a abrir seus braços e pernas várias vezes.— Está me dizendo que isso dará forma a um anjo? — ralho, fitando a menina que me lança um olhar perspicaz.— Isso. Assim, papai. — Flora imediatamente se deita no chão gelado e começa a mexer seus braços e pernas, e aproveito para tirar algumas fotos suas com o meu celular.Contudo, eu só consigo pensar em quanto tempo eu perdi longe dela. Esse seu sorriso lindo, essa sua alegria infantil, as suas notas na escola, as novidades do seu dia a dia. Como eu fui tolo em pensar que estava sozinho nesse mundo. E eu sei que decepcionei a Lisa de todas as formas possíveis. Decepcionei a mãe da minha filha, porque eu bem sei que a última coisa que ela esperava de mim era o abandono.— Vem, papai! — Flora me chama







