FAZER LOGINSTELLA HARPER
Fingir estar doente não exigiu esforço. Depois do que aconteceu ontem, meu corpo inteiro se sentia como se tivesse sido atropelado por um caminhão invisível. Havia um peso emocional esmagador que me mantinha deitada, imóvel, encarando o teto manchado do meu apartamento. O beijo que Damian me deu parecia ainda queimar na minha boca como uma marca. Não foi um beijo... foi uma invasão. Uma quebra de barreira. Assim que saí do avião ontem, tudo em mim gritava para fugir. Meu coração batia tão forte que mal consegui dormir na noite passada. E quando finalmente dormi, sonhei com ele. Ainda consigo lembrar do peso do corpo dele sobre o meu, a mão segurando meu rosto, os olhos famintos e meus gemidos implorando por mais. Então hoje, ao acordar, liguei para o RH e disse que estava passando mal. Nem precisei me esforçar para fingir o resfriado. Meu tom já era o de alguém quebrado. Passei o dia inteiro pensando em pedir demissão. Cheguei a abrir o notebook, digitar algumas linhas e apagar tudo logo em seguida. A verdade me encarava cruelmente: eu não podia me dar esse luxo. Minhas contas estavam atrasadas. O aluguel venceria em quatro dias e os agiotas do meu pai logo apareceriam. Sair daquele emprego significava escolher a fome, a rua e talvez até a morte. Bem talvez eu esteja exagerando um pouco, minha querida Leah nunca me deixaria passar fome ou não ter onde morar, mas não quero colocar sobre ela o fardo de sustentar nós duas. Mas como continuar ali depois daquilo? Depois de ver no rosto dele aquela ausência total de arrependimento? Me encolhi no colchão e me enrolei numa coberta fina, tentando me convencer de que era só um pesadelo. Que aquilo tudo iria passar. Foi quando a campainha tocou. Franzi a testa. Ninguém viria aqui nesse horário e Leah estava trabalhando. Aproximei-me da janela lateral e puxei a cortina com cuidado. Meu coração afundou. Damian Winter estava parado na porta do meu prédio. De terno, como se estivesse em mais um dia normal no escritório e o olhar dele era de quem veio caçar. Dei um passo para trás, como se ele pudesse me ver dali. A campainha tocou de novo. Uma, duas, três vezes. — Stella. — a voz dele soou irritada do lado de fora. — Eu sei que está aí. Abra a porta. Fechei os olhos. Engoli em seco, respirei fundo e, com os dedos trêmulos, destranquei a porta. — O que você está fazendo aqui? — minha voz saiu baixa e defensiva. Os olhos dele escanearam o ambiente: a parede descascada, a bagunça no sofá, os pratos acumulados na pia. Mas a expressão dele não mudou como se não fosse surpresa e voltou seu olhar para mim. — Você não está doente. — ele disse, entrando sem pedir permissão. — Sai da minha casa, senhor Winter. — Não é isso que você quer. — Você não sabe o que eu quero. — Não? — Ele virou o rosto analisando novamente tudo que estava à sua volta. — Você quer fugir. Porque está com medo do que aconteceu. — Do que você fez. Corrija a frase. Ele se aproximou devagar e eu me afastei. — E deve estar pensando em pedir demissão. Mas sabe que não pode. Meu estômago revirou. Ele falava como se estivesse narrando meus próprios pensamentos. — Por que você está aqui? — sussurrei. Ele tirou um envelope da pasta que trazia e estendeu para mim. — Estou aqui pra resolver as coisas entre nós. Peguei o envelope com cuidado. Dentro havia um contrato. Comecei a ler. À medida que os olhos percorriam as cláusulas, o sangue foi sumindo do meu rosto. — Isso só pode ser brincadeira. — É uma proposta. Você continua trabalhando pra mim. Mas... também será minha companhia íntima. — Você quer que eu durma com você. Por dinheiro. — Quero um acordo limpo. Você é atraente, competente, e precisa de ajuda. Eu terei uma mulher que me satisfaz, uma secretária eficiente e você terá a ajuda financeira que necessita em troca da sua colaboração. E... de não engravidar. Nós dois ganhamos. Jogo o contrato na mesa e olho para ele incrédula. — Eu não sou uma prostituta. — Não estou dizendo que é. Mas todos temos um preço, Stella. O nojo que senti me fez querer vomitar. — Você é um monstro. — Não finja surpresa. Você me conheceu no ambiente corporativo. Acha mesmo que alguém chega onde estou sem fazer o que é preciso para conseguir o que quer? Estou sendo objetivo. Você precisa de dinheiro. Precisa desse emprego. E eu... estou atraído por você, Stella. Mas não estou disposto a fingir que isso será romântico. — Eu não vou assinar isso. Nunca. Ele deu um passo à frente e pude ver seu olhar endurecendo. — Tem certeza? Porque eu não teria vindo aqui se não soubesse que você está numa situação... delicada. Engoli em seco. — Você não sabe nada sobre mim. — Lembra-se? Você entrou aqui com um diploma e um currículo falsificados. — …Mas eu já expliquei tudo! — Essas explicações não constam no seu arquivo, querida. Eu posso te levar ao tribunal a qualquer momento. Além disso, creio que não preciso te lembrar — ele olha para o envelope do banco sobre a mesa — Você tem dívidas a pagar. Muitas. Meu corpo gelou. — Você investigou minha vida? — Não se preocupe com detalhes insignificantes, você só precisa fazer o que estou dizendo e tudo ficará bem. Eu sou um homem que protege seus interesses. E, nesse momento, você é um deles. — Isso é chantagem! — É a verdade. Você pode ir à polícia se quiser. Mas vai sair daqui direto pra um tribunal por falsidade ideológica. E com ficha criminal, esqueça qualquer outra vaga em uma empresa. Lágrimas começaram a brotar nos meus olhos, quentes e revoltadas. — Eu odeio você. Ele me entregou a caneta. — Pode me odiar à vontade. Mas assine. Fiquei parada, encarando o contrato como se fosse uma sentença de morte. Meu nome já estava impresso no cabeçalho. Assinei. Chorando. Minha mão tremia tanto que a letra saiu torta. Quando terminei, larguei a caneta como se queimasse meus dedos. Damian não esboçava reação, nem emoção. Como se estivesse apenas fechando mais um negócio. Meu rosto estava molhado de lágrimas, mas meu estômago ardia com desprezo. Ergui o queixo, tirei a camiseta pela cabeça e a joguei no chão. Depois, abri o botão do short e o deixei escorregar pelas pernas, ficando só com minhas peças íntimas. — Quanto custa por vez? — O encarei sem disfarçar a mágoa por trás das lágrimas.Oiii amigos, tudo bem com vocês? Espero que estejam gostando da história. Muito obrigada por lerem e apoiarem. Não se esqueçam de deixar seus comentários sempre que quiserem!
MARKUS BLACKWOOD DIA 4: A SALA Era noite e chovia lá fora. Uma tempestade tropical repentina açoitava as janelas de vidro do bangalô, relâmpagos iluminavam o quarto escuro a cada poucos segundos. Estávamos na sala de estar. O jantar tinha sido empurrado para o lado. Leah estava sentada no meu colo, no sofá grande e macio, vestindo apenas uma das minhas camisas brancas. Estávamos ouvindo jazz no sistema de som, mas o barulho da chuva era a verdadeira trilha sonora. Havia algo aconchegante em estar abrigado da tempestade com ela. — Eu adoro esse som. — Ela murmurou, traçando o contorno do meu braço. — Faz eu me sentir segura aqui dentro. — Você está segura. — Garanti, beijando o pescoço dela. Minha mão deslizou por baixo da camisa, encontrando a pele quente da barriga dela, subindo para acariciar os seios livres. Ela suspirou, reclinando-se contra mim. — Markus... — Ela virou o pescoço para me beijar, um beijo preguiçoso que logo esquentou. Com um movimento suave, de
MARKUS BLACKWOOD Os dias nas Maldivas flutuavam. Aqui o tempo era irrelevante. O sol nascia, pintando o céu de tons impossíveis de laranja e rosa, e se punha num espetáculo de roxo. E entre esses dois eventos, existia apenas nós. Leah e eu. Desliguei o celular no momento em que chegamos e o tranquei no cofre. Nossa rotina se tornou uma doce repetição de prazer, descanso e conversas que nunca tivemos tempo de ter. Descobri que Leah adorava frutas exóticas que eu nem sabia pronunciar o nome. Descobri que ela ficava com as sardas no nariz mais evidentes quando pegava muito sol. E descobri que a minha esposa tinha um apetite insaciável que rivalizava com o meu. DIA 2: O DECK Era o meio da tarde do terceiro dia. O sol estava alto, o calor era úmido, tropical, daquele que faz a pele brilhar de suor mesmo quando se está parado. Leah estava deitada numa espreguiçadeira de madeira no nosso deck privativo, de bruços. Ela usava a parte de baixo de um biquíni preto minúsculo e tinh
LEAH HAMPTON — Por que você parou? Markus se levantou devagar, os lábios úmidos e vermelhos, um sorriso torto e diabólico no rosto. Ele desceu minhas pernas dos ombros dele, deixando-as penderem para fora do balcão, mas manteve minhas coxas abertas, encaixando-se no meio delas. — Porque eu não quero que você goze sozinha. — Ele falou com a voz rouca e baixa. — Eu quero estar dentro de você quando acontecer. Eu quero sentir você pulsando ao meu redor. Ele segurou meu rosto e me beijou, um beijo que tinha gosto de mim e de desejo. Enquanto nos beijávamos, senti a mão dele descer para a própria calça, ouvi o som do zíper descendo e o farfalhar do tecido. A antecipação era uma dor doce. Eu o queria. Eu precisava senti-lo me preenchendo. A mão dele envolveu minha cintura com força, seus dedos apertaram minha pele, e ele me puxou para a ponta do balcão, até que minha bunda estivesse perigosamente na beira. — Segura em mim. — Ele ordenou contra meus lábios. Entrelacei meus bra
LEAH HAMPTON Maldivas. Eu já tinha visto fotos. Já tinha visto protetores de tela de computador e documentários de viagem. Mas nada, absolutamente nada, me preparou para a realidade de estar aqui. O hidroavião nos deixou no píer privativo do resort há apenas trinta minutos, e desde então, eu sentia que estava vivendo dentro de um sonho. O céu era de um anil profundo, sem nuvens. O mar era uma colcha de retalhos de turquesa, esmeralda e safira, tão transparente que eu podia ver os peixes nadando lá embaixo sem nem precisar entrar na água. E o nosso bangalô... bom, "bangalô" era uma palavra modesta demais. Era uma mansão suspensa sobre as ondas, com paredes de vidro e um deck infinito que parecia se fundir com o horizonte. Corri pela sala de estar gigantesca, com meus pés descalços deslizando na madeira. O ar condicionado mantinha o interior deliciosamente fresco. — Markus! Olha isso! — Gritei, parando em cima de uma placa de vidro no chão da sala. — Tem um tubarãozinho pass
MARKUS BLACKWOOD Descemos pelo elevador social, cercados pela nossa "guarda de honra": Alex, Damian, Stella e Lizzy. No momento em que as portas se abriram no salão de festas, a música animada nos atingiu. Era um contraste surreal, mas necessário. A vida continuava. A alegria tinha que continuar. Sentei numa das mesas reservadas para a família, com Mark ainda no meu colo. Ele tinha parado de chorar, mas continuava agarrado à minha lapela. — Mark, olha. — Leah chamou, apontando para a mesa de doces que parecia uma confeitaria. — Tem uma torre de cupcakes do Batman escondida ali no meio. O tio Alex me contou. Mark levantou a cabeça devagar, fungando. — Do Batman? — Sim. — Alex confirmou, se sentando ao lado dele. — E acho que vi uns brigadeiros que dão superpoderes. Mas a gente precisa ir lá investigar. Os gêmeos e Danian estão esperando você com a babá. Mark olhou para mim, pedindo permissão. — Pode ir, filho. O tio Alex vai com você. Alex estalou os dedos. — Vamos
MARKUS BLACKWOOD O som explodiu nos meus ouvidos, seguido imediatamente pelo cheiro de pólvora. Fechei os olhos por um milésimo de segundo, esperando a dor. Esperando sentir o metal rasgando a minha carne ou, pior, ouvir o grito de dor da mulher atrás de mim. Meu corpo estava tenso, preparado para o impacto final. Mas a dor não veio. O que veio foi um grito. Mas não era meu. E não era de Leah. Era um grito estridente, cheio de surpresa e agonia, vindo da minha frente. Abri os olhos. Patrícia não estava mais de pé. O corpo dela tinha colapsado para a direita, e ela estava no chão, segurando a coxa. O vestido vermelho agora tinha uma mancha mais escura e úmida se espalhando rapidamente pelo tecido caro. A arma prateada tinha voado da mão dela e deslizava pelo chão do terraço, parando inofensivamente perto de um vaso de plantas. Virei a cabeça rapidamente para a esquerda. Um dos seguranças que Damian tinha posicionado estrategicamente estava com a arma em punho. Ele nã







