INICIAR SESIÓNValentina acordou com uma sensação estranha.A casa estava silenciosa demais, ela olhou para o relógio, ainda era cedo.Dante estava ao lado da janela, falando baixo com Jonas e pelo tom de voz, alguma coisa havia acontecido.— O que foi? — Valentina se levantou.— Nada. — Dante desligou o telefone.— Não mente para mim. — ela estreitou os olhos.— Encontraram um dos nossos carros abandonado perto da estrada. — ele respirou fundo.— E?— Alguém deixou um aviso.— Que aviso? — Valentina se aproximou.Dante hesitou.— Uma mensagem. — ele mostrou o celular — "Parem de procurar."— Eles sabem. — Valentina sentiu um arrepio.— Sim.Jonas entrou na sala.— Não é só isso.Ele colocou um envelope sobre a mesa, dentro havia cópias de documentos que Valentina e Dante haviam encontrado.— Como eles conseguiram isso? — Valentina ficou pálida.— Alguém fotografou os arquivos. — Dante pegou uma folha.— Mas estavam guardados aqui.— Exatamente. — Jonas assentiu, afirmando.O silêncio tomou conta da
O carro seguia pela estrada em silêncio.Valentina olhava pela janela, mas sua cabeça estava longe dali.A fotografia de sua infância permanecia em suas mãos, ela ainda não conseguia entender.O homem que comandava tudo conhecia sua família desde o dia em que ela nasceu e talvez conhecesse ela melhor do que imaginava.— Dante...— Eu estou aqui.— Acho que nunca estivemos tão perto da verdade.— E talvez nunca tenhamos estado em tanto perigo. — ele olhou rapidamente para ela.— Foi isso que eu fiz. — Valentina apertou a fotografia.— O quê?— Eu descobri a verdade. — ela respirou fundo — E coloquei todo mundo em perigo.— Não foi você quem criou essa guerra. — Dante segurou o volante com mais força.— Mas fui eu quem encontrou os documentos.— E se você não tivesse encontrado?— Talvez minha família continuasse escondendo tudo.— E nós continuaríamos sem saber quem estava por trás dos ataques. — Dante olhou para ela.Ela ficou em silêncio.Ele tinha razão, mas isso não diminuía o medo
A antiga propriedade da família Albuquerque ficava afastada da cidade. Valentina conhecia aquele lugar.Quando criança, costumava passar alguns finais de semana ali com os pais, mas havia anos que ninguém mencionava aquela casa.— Tem certeza? — perguntou Dante, estacionando diante do portão enferrujado.— Minha mãe deixou isso para mim, preciso descobrir por quê. — disse, segurando a chave.Eles entraram.A casa estava silenciosa, tudo parecia abandonado, até que Valentina encontrou uma porta trancada no fundo do corredor.A chave serviu. Clique. A porta abriu e dentro havia caixas antigas. Documentos, fotografias e um pequeno gravador.Valentina apertou o botão e a voz de sua mãe surgiu.— Se você está ouvindo isso, significa que encontrou o arquivo.— Mãe... — chamou, emocionada.A gravação continuou.— Seu pai não foi o único envolvido, mas ele fez acordos que jamais deveria ter feito.— Que acordos? — Dante ficou sério.A voz continuou:— Para proteger nossa família, Alexandre ne
Valentina passou a noite inteira diante dos documentos, não conseguia escolher no que acreditar.De um lado, estava o pai.O homem que a ensinara a andar de bicicleta, que a protegia quando era criança e que dizia que faria qualquer coisa por ela.Do outro, estavam as provas.Assinaturas, transferências, empresas, nomes de pessoas envolvidas com a guerra e o nome de Alexandre aparecia em quase tudo.— Eu não sei mais quem é meu pai. — disse, fechando os olhos.Dante, sentado do outro lado da mesa, permaneceu em silêncio.— Você pode me dizer que ele é culpado. — continuou ela — Mas uma parte de mim ainda quer acreditar nele.— Você não precisa decidir hoje.— Preciso. — ela olhou para ele — Porque cada minuto que eu passo sem saber pode colocar você em perigo.— Valentina, escuta uma coisa. — Dante levantou, se aproximando — Eu não quero que você escolha entre sua família e eu.— Mas eu preciso escolher em quem confiar.— Então confie nas provas.— E se as provas estiverem erradas? —
A descoberta sobre Eduardo não saía da cabeça de Valentina.Se ele estava mentindo, quanto mais coisas sua família escondia?Dante passou a madrugada analisando os documentos encontrados no arquivo.Transferências, empresas, contas, nomes que se repetiam. Até que encontrou algo diferente.— Jonas.— Achou alguma coisa? — Jonas entrou na sala.— Veja essas transferências. — Dante apontou para a tela.— São valores altos. — Jonas se aproximou.— E olha para quem foram enviados.— São empresas ligadas à facção rival. — disse Jonas, analisando os nomes.— Exatamente. — Dante assentiu.Valentina, que estava do outro lado da sala, aproximou-se.— O que isso significa?— Que parte do dinheiro usado contra nós pode ter vindo de empresas da sua família. — disse, hesitante.Ela ficou imóvel.— Do meu pai?— Ainda não podemos dizer que foi diretamente ele. — Dante apontou para os documentos — Mas as empresas estão ligadas ao nome dele.— Então meu pai pode ter financiado os próprios homens que e
Valentina passou a manhã olhando para o mesmo documento.A frase continuava diante dela: "Alexandre Albuquerque não é o líder, ele responde a alguém."Aquilo mudava tudo.Se o pai não estava no topo, quem estava?Ela ainda tentava organizar os pensamentos quando ouviu um carro parar em frente à casa.— Você está esperando alguém? — Dante apareceu na porta.— Não.Uma batida soou.Dante foi abrir e Valentina congelou ao reconhecer quem estava do outro lado.— Tio Eduardo?Eduardo Albuquerque era um dos homens mais próximos de sua família, amigo de seu pai. Presente em aniversários, festas e viagens.Uma pessoa em quem Valentina confiara durante toda a infância.— Minha menina. — ele abriu os braços.Valentina o abraçou, mas se afastou rapidamente. Alguma coisa em seu olhar estava diferente.— O que você está fazendo aqui?— Vim conversar.Dante permaneceu próximo.— Sobre o quê?Eduardo olhou para os documentos sobre a mesa.— Sobre isso. — ele pegou uma das folhas — Valen, esses docu







