FAZER LOGINE para resolver o meu problema atual, procurei a máfia com o melhor sobrenome para me casar - Os Rossis. O acordo era claro, um contrato de casamento e o fim dos nossos embates e disputas territoriais. De início comecei falando com Francesco, o irresponsável que estava afundando a família em dívidas nos últimos anos com sua má administração, mas como ele renunciou o poder passando o bastão para seu primogênito Nicolas Rossi fui obrigado a terminar as negociações com o meu maior inimigo declarado.
Sempre houve um ódio natural entre a gente que só aumentou conforme precisei conviver com ele enquanto cortejava minha prometida, Bianca. De início o acordo tinha sido conversado para que eu me casasse com Beatrice, mas como descobriram a existência dela e como é a mais velha, mudamos o combinado depois que eu fiquei encantado com sua beleza e educação. Ela é uma bastarda, mas linda o suficiente para ser aceita por mim e o principal, seria reconhecida e carregaria o sobrenome que precisava. Nunca tinha me empenhado em agradar uma mulher antes, mas por ela abri uma exceção. Fui paciente, educado, cavalheiro e galanteador. Tudo na esperança de conquistá-la pois realmente queria ter um casamento verdadeiro com ela. Pela primeira vez me encantei com uma mulher, por isso a tratava com respeito, procurando forjar um relacionamento pautado na verdade, fidelidade e amor. Enquanto nós nos conhecíamos, programamos um casamento digno da realeza no maior castelo da Itália. No dia da festa a recebi no castelo ansioso para que o momento da cerimônia acontecesse, apresentei-a a minha mãe e quando chegou a hora, deixei-a nos seus aposentos a fim de se arrumar. Na hora da festa, nossos convidados começaram a chegar. Todos elegantes, sorridentes e cheios de presentes. Eu me sentia o noivo mais sortudo do mundo, cumprimentava a todos com empolgação e satisfação por estar prestes a casar com a jovem mais linda da Itália que carrega o sobrenome que eu precisava, vendo o belo trabalho que havíamos realizado na escolha de cada detalhe da festa. Tudo parecia fabuloso até que a notícia de que algo estava estranho com a minha noiva chegou. Nem sei descrever o que senti quando invadi o quarto em que ela deveria estar e o encontrei vazio. Por alguns segundos fiquei incrédulo, temeroso e com muita raiva. Porém, logo recuperei o meu juízo, me lembrando que o colar que eu havia deixado para usar durante a cerimônia tinha rastreador. Sem demora, ordenei uma busca imediata. E em poucas horas a encontrei, numa casa moderna, numa ilha a alguns quilômetros de distância. Invadi a casa em silêncio, a encontrei dormindo nua ao lado de Nicolas, o que me deixou enjoado por imaginar que ele tinha raptado e estuprado a própria irmã. Mais do que depressa o imobilizei e o apaguei, o que fez ela acordar assustada. Preocupado com ela e sua honra, guardei para esconder o edredom que continha a evidência da sua pureza e deixei claro que nada do que tinha acontecido ia atrapalhar a nossa união. Jurei puni-lo com a morte pelo mal que tinha cometido, mas para a minha surpresa ela intervém em favor dele, deixando claro toda a sua preocupação e desejo de livrá-lo. Naquele momento uma nova decepção se abateu em mim, tudo tinha ficado claro, de alguma forma ela o ama. Não como irmão, mas como homem. O que me deixou enjoado dada a ligação sanguínea que possuem. Desnorteado e pronto para me vingar, decidi voltar ao castelo para punir a família toda que me envergonhou de várias formas possíveis. No castelo, fiz questão de reunir todos, deixando claro que sofreriam uma severa punição por terem tramado contra mim. Torturei Nicolas como gosto, causando muita dor e severos machucados internos que levariam muito tempo para se curar enquanto todos viam até Bianca implorar para que eu parasse, deixando claro que iria se submeter a mim em troca da liberdade da sua família. A essa altura eu já estava em conflito porque queria mantê-la na minha vida, mas não suportava a ideia que ficasse apenas por medo ou por falta de opção, afinal a amo. Eu não a queria assim, queria que ela me amasse, me desejasse e quisesse ficar comigo, então decretei um momento de descanso para todos nós porque até eu precisava pensar no que faria a seguir. Eles foram levados para as masmorras e eu segui para o quarto real com a minha noiva fugitiva porque eu não iria correr o risco de perdê-la de vista novamente. Dentro do cômodo, fiz questão de abrir o meu coração, propondo um recomeço e um novo acordo, desta vez apenas entre nós, onde eu permitiria a soltura da sua família desta única vez, deixando claro que desejo um casamento real e com amor onde nós dois seríamos beneficiados ao manter a história do rapto. Mas como sabia que Bianca estava cansada e com medo, decidi dar um tempo para que ela pensasse com cautela e tomasse a decisão certa. Nós tomamos um banho e nos deitamos juntos na cama mais confortável que já dormi, grudando ao máximo os nossos corpos, onde senti pela primeira vez a deliciosa sensação da sua pele macia. Foi impossível evitar, quando percebi estava unindo os nossos lábios, ficando extremamente excitado e doido para tê-la depois de sentir seu cheiro bom e seus contornos perfeitos. Meu desejo era tomá-la naquele momento, mas respeitei quando ela encerrou o beijo devagar sentindo seu corpo trêmulo junto ao meu. Eu não queria forçá-la, queria que ela me desejasse. O restante da madrugada foi lenta e silenciosa, mas isso me permitiu curtir a sua presença que acabou sucumbindo ao cansaço e sono que sentia. Na manhã seguinte, acordei Bianca com carinho e recebi a resposta que queria. Ela aceitou o acordo e assim mandei que preparassem uma nova cerimônia e um contrato redigido onde Nicolas passaria alguns dos seus bens para mim pelos transtornos e gastos que já tive. Em poucas horas a cerimônia aconteceu somente na presença dos nossos familiares, uma outra exceção que abri para provocar meu inimigo que esbravejou nos primeiros segundos ao perceber que ela tinha me escolhido. Nem acreditei quando o padre decretou a oficialização após as assinaturas. Eu enfim estava casado com a mulher que queria, e ainda estava prestes a conseguir ainda mais vantagens após a assinatura de Nicolas que aconteceu sem demora porque deixei bem claro que essa era a condição para que toda a sua família saísse com vida do castelo. Após todos os trâmites estarem concluídos, peguei a minha donna no colo e sai da sala real ansioso para consumar o casamento. No quarto real tentei ser o mais gentil possível, beijando e tocando o seu corpo com carinho a fim de prepará-la para me receber, mas seu nervosismo aumentou tanto que foi impossível prosseguir. Tudo o que passava na minha cabeça é que o merdinha do Nicolas tinha sido violento com ela, e como precisava saber se isso tinha acontecido para saber como me comportar, levantei a questão. Sem demora e entendendo que eu tinha a pretensão de continuar o bom relacionamento que tínhamos desenvolvido durante o nosso namoro, Bianca decidiu ser verdadeira comigo, abrindo o seu coração, contando o que tinha acontecido e o que sente.PRÓLOGOAndrea RossiO cheiro de sêmen, uísque caro e perfume feminino importado costumam ser o meu ponto de partida a cada novo amanhecer, e hoje não está sendo diferente. Abro os olhos devagar, sentindo o peso suave de um braço feminino cruzado sobre o meu peito nu. Cabelos loiros, longos e bagunçados cobrem parte do lençol de seda preta. Corpo escultural, perfeitamente moldado ao meu. Se bem me lembro, o nome dela é Chiara. Ou talvez Elena. Sinceramente, detalhes nominais nunca são o meu forte às seis da manhã. Mas uma coisa é certa, todas elas lembram de mim.Sorrio sozinho, estico os braços e aprecio o teto alto do meu loft no centro de Palermo. Um lugarzinho singelo que mantenho para as minhas atividades preferidas: Pegar mulher. Às vezes, várias ao mesmo tempo. Uma coisinha maravilhosa que aprendi cedo e nunca mais larguei. Aos vinte e cinco anos, tenho a assinatura exata do homem que venceu na loteria genética e social. Sou um Rossi. Mais especificamente, o filho do meio de
O silêncio das madrugadas na mansão já não carrega mais a frieza de um quartel-general. O visor do relógio digital marca pouco mais de três da manhã, e o único som que preenche o corredor da ala residencial é a ressonância compassada e suave que vem do quarto ao lado. Caminho descalço pelo tapete escuro, com as mãos afundadas nos bolsos da calça de moletom, parando por alguns segundos diante da porta semiaberta do berçário. Sob a luz fraca de uma luminária em formato de estrela, observo Matteo e Valentina, agora com seus rostos ganhando traços cada vez mais definidos, dormindo profundamente.Ajusto a luz sem fazer ruído e volto para o nosso quarto. Cruzo o arco e encontro Beatrice exatamente na mesma posição em que a deixei: aninhada entre os lençóis, com os cabelos castanhos espalhados pelo travesseiro e um semblante de pura serenidade. Sento-me na borda do colchão com uma lentidão calculada, observando a mulher que reescreveu cada linha do meu destino.Puxo o lençol para cobrir seu
Sento-me à cabeceira da mesa ao lado de Beatrice, que acomoda Valentina no bebê-conforto enquanto mantenho Matteo sonolento no meu colo. Olho para a mulher da minha vida, para as ondas do seu cabelo e para as flores vermelhas do seu vestido, sentindo uma felicidade que transborda o meu peito de forma violenta.Se no passado eu imaginava que a vida de um Don exigisse um isolamento frio e aparente, hoje compreendo a verdadeira grandeza da minha existência. O homem implacável que comanda o submundo com punho de ferro foi transformado pela paixão e pela garra da minha Donna. Estou cercado por amigos leais, por irmãos de sangue e de aliança, e pelos frutos do amor mais puro que nasce de um contrato forçado. Olhando para os meus filhos dormindo sob a luz do sol, aperto a mão de Beatrice por cima da toalha de linho, sabendo que o nosso verdadeiro império está fincado ali, sob as bênçãos do céu e protegido por todas as minhas forças.O falatório cruzado ao redor da imensa mesa do pergolado ga
O sol da manhã de domingo banha o jardim principal da mansão com uma luz dourada e límpida, espantando qualquer vestígio das sombras que um dia rodeou esta propriedade. O vento suave traz consigo o aroma fresco da grama cortada e das flores que decoram o perímetro. Caminho ao lado de Beatrice, cruzando o arco de pedra que dá acesso ao gramado imenso, chamando a atenção de todos e a sensação de satisfação que infla o meu peito é maior do que qualquer vitória territorial que já conquistei.Eu visto uma roupa de linho inteiramente branco, despido da sobriedade escura que meu cargo de Don costuma exigir. Nos meus braços, Matteo descansa com a cabeça apoiada no meu ombro, os olhos escuros e curiosos piscando devagar contra a claridade, também de branco. Ao meu lado, Beatrice caminha com uma graciosidade que paralisa o ambiente. Ela usa um vestido branco fluido, adornado com delicadas flores vermelhas ao longo da barra e do corpete, um contraste perfeito que exala a paixão ardente e a força
Quando estou fora, no meio de um galpão ou em uma mesa de negociações cercado por homens armados, a minha mente se recusa a se desligar do que realmente importa. Eu fico literalmente louco para voltar para casa. O homem que antes não tinha paradeiro agora conta os minutos para cruzar os portões da mansão, arrancar o paletó do terno sob medida e me despir de qualquer vestígio de violência para poder ser apenas o marido e o pai que eles precisam.Tenho me dedicado para ser um suporte cem por cento presente para Beatrice. Eu vi o que o corpo dela sofreu, vi a fibra que ela demonstrou para se recuperar e me recuso a deixá-la carregar esse peso sozinha. Quero participar de cada detalhe da rotina das crianças. Eu me viro nas madrugadas para trocar as fraldas do Matteo, ajudo a escolher as roupinhas e faço questão absoluta de estar presente em um momento específico do dia: o banho de sol da manhã.Há uma paz inexplicável quando o sol começa a invadir o janelão do nosso quarto e eu acomodo os
Ter visto o visor das máquinas estabilizar e os olhos castanhos de Beatrice focarem nos meus foi o maior alívio que já experimentei, mas o submundo me ensinou que nenhuma vitória é entregue sem um preço logo em seguida. Vencer o coma e a embolia amniótica foi o primeiro passo; trazê-la de volta à vida ativa, porém, transformou-se em uma nova e dolorosa batalha que testou a minha sanidade de uma forma diferente de tudo o que eu já tinha vivido.Os dias que se seguiram à extubação foram marcados por uma exaustão que eu conseguia ler em cada linha do rosto da minha mulher. A fragilidade física de Beatrice me cortava o peito. Seus músculos, castigados pelo colapso respiratório e pelo tempo de imobilidade, mal respondiam. Vê-la tentar erguer os braços e falhar, ou assistir todos o esforço que ela fazia apenas para se sentar na cama com a ajuda dos travesseiros, despertava em mim uma agonia silenciosa. Eu queria poder transferir aquela dor e aquela fraqueza para o meu próprio corpo e passar







