INICIAR SESIÓNDonatella
Quando confrontei Alessandra com a pergunta que estava assombrando meus pensamentos há anos, uma sensação de tremor percorreu meu corpo. Era como se uma parte de mim temesse a resposta, mas ao mesmo tempo, eu ansiava por ela. Eu precisava saber a verdade, por mais dolorosa que fosse.
Seu olhar pesaroso encontrou o meu, e por um momento, senti como se estivesse olhando para o abismo. Havia uma história por trás daquela expressão, uma história que eu temia ouvir, mas que sabia que precisava saber.
― O que aconteceu com meus pais, Alessandra? ― Minha voz estava repleta de uma mistura de ansiedade e determinação. Eu estava preparada para enfrentar qualquer coisa, desde que pudesse finalmente descobrir a verdade.
― Donatella, há coisas que você precisa saber. Coisas que vão mudar tudo que você pensava saber sobre sua família. ― Ela hesitou, seus lábios se curvando em uma expressão de tristeza antes de finalmente responder.
Aquelas palavras pairam no ar entre nós, carregadas de um peso que eu mal conseguia suportar. Minha mente começou a girar, tentando antecipar o que ela estava prestes a me dizer. Eu sabia que não seria fácil ouvir, mas eu precisava saber.
Com um suspiro profundo, Alessandra começou a compartilhar a história que eu tanto temia ouvir. Ela falou sobre os segredos que meus pais guardavam, sobre as descobertas que fizeram na empresa de Raphael. Ela me contou sobre as ameaças que eles enfrentaram, sobre os perigos que rondavam suas vidas.
Cada palavra que ela falava parecia uma faca cortando minha alma. A imagem que eu tinha dos meus pais, dos heróis que eu idolatrava, estava sendo despedaçada diante dos meus olhos. E no centro de tudo isso estava Raphael, o homem que agora dominava meus pensamentos de uma maneira que eu não conseguia explicar.
Enquanto absorvia a magnitude daquela revelação, uma onda de emoções me inundou. Raiva, tristeza, confusão. E acima de tudo, uma sensação avassaladora de traição. Como pude me sentir atraída por alguém que estava ligado à tragédia que havia mudado minha vida para sempre?
Mas mesmo enquanto lutava com essas emoções, uma parte de mim se recusava a acreditar. Uma parte de mim se agarrava à esperança de que havia mais na história do que eu estava contando. Eu queria acreditar que Raphael não era culpado, que tudo era um terrível engano.
No entanto, a voz de Alessandra ecoava em minha mente, lembrando-me dos perigos que agora pairavam sobre mim. Eu estava em perigo, mais do que nunca, e precisava tomar uma decisão sobre quem confiar, sobre quem acreditar.
Enquanto eu me despedi de Alessandra naquela noite, senti um peso esmagador sobre meus ombros. As palavras dela ecoavam em minha mente, repetindo-se incessantemente, como se quisessem me forçar a encarar a verdade que eu tanto temia. Mas como poderia? Como poderia aceitar que tudo que eu pensava saber sobre meus pais, sobre minha própria vida, era apenas uma ilusão?
Caminhei pelas ruas iluminadas pela luz fraca das lâmpadas, perdida em meus próprios pensamentos. Cada passo parecia um fardo, cada respiração uma luta para compreender o que estava acontecendo ao meu redor. Eu não sabia em quem confiar, em quem acreditar. Tudo o que eu sabia é que precisava encontrar respostas, custasse o que custasse.
Cheguei em casa e me deparei com a solidão que me aguardava dentro daquelas paredes familiares. Era estranho como um lugar que uma vez foi meu refúgio agora parecia um labirinto de incertezas. Sentei-me no sofá, olhando para o nada, perdida em um mar de pensamentos conflitantes.
Minha mente revirava as palavras de Alessandra, tentando encontrar algum sentido nelas. Ela falou sobre perigos, ameaças, uma conspiração que envolvia a empresa de Raphael. Mas como eu poderia acreditar nisso? Como poderia aceitar que o homem por quem eu me sentia atraída estava ligado à morte dos meus pais?
Por outro lado, havia a vozinha da dúvida sussurrando em meu ouvido. E se houvesse alguma verdade no que Alessandra estava dizendo? E se Raphael não fosse quem eu pensava que era? A ideia era quase insuportável, mas eu sabia que precisava considerá-la.
Enquanto me debatia com esses pensamentos, uma coisa ficou clara: eu não poderia descansar até descobrir a verdade. Não importava o custo, não importava o quanto doeria, eu precisava saber. Por mim, pelos meus pais, por tudo que eles representavam.
Levantei-me do sofá com determinação, sentindo uma nova energia pulsar em minhas veias. Eu não podia me dar ao luxo de ficar parada, esperando que as respostas caíssem do céu. Eu precisava agir, e precisava agir agora.
Decidi começar com o básico: pesquisar sobre a empresa de Raphael, sobre meus pais, sobre tudo o que Alessandra havia mencionado. Abri meu laptop e mergulhei de cabeça na internet, devorando cada pedaço de informação que encontrava. Era como se eu estivesse montando um quebra-cabeça gigantesco, tentando juntar os pedaços dispersos de uma verdade escondida.
Horas passaram, mas eu mal percebi. Minha mente estava totalmente absorvida pelo desafio diante de mim. Eu estava determinada a desvendar o mistério que assombra minha vida há tanto tempo.
Quando finalmente decidi desligar o laptop e me recolher para a cama, senti-me exausta, mas também revigorada. Apesar da incerteza que pairava sobre mim, havia uma sensação de progresso, uma sensação de que eu estava um passo mais perto da verdade.
Fechei os olhos e me deixei afundar no sono, sabendo que o amanhã traria novos desafios, mas também novas oportunidades. Eu não tinha ideia de onde essa jornada me levaria, mas uma coisa era certa: eu não desistiria até descobrir a verdade, não importasse o quão dolorosa ela fosse.
O jogo havia mudado, e eu estava determinada a jogar até o fim.
Donatella O peso não é apenas físico. Às vezes, sento-me à beira da cama, observando o reflexo da minha barriga no espelho, e sinto como se estivesse carregando o peso de um mundo que nunca pedi para habitar. Cada mudança no meu corpo, cada pequeno chute que sinto lá dentro, ecoa como um lembrete do que está em jogo. Não estou apenas carregando um bebê; estou carregando um alvo. A gravidez, que deveria ser o momento mais puro da minha vida, tornou-se o epicentro de um terremoto.A luxúria que antes me envolvia no apartamento de Raphael, aquela aura de poder e perigo que eu achava excitante, agora cheira a medo. A porta blindada, os seguranças no corredor, o silêncio excessivo, tudo o que antes era sinônimo de proteção, hoje soa como uma cela dourada.Ouvi Raphael conversando com Dante no escritório mais cedo. Não precisei entender todas as palavras, mas o tom… aquele tom de voz dele, gélido, cortante como uma lâmina, dizia tudo. Eles não estão discutindo negócios comuns. Estão discu
Raphael O escritório estava mergulhado naquela penumbra que sempre me pareceu o espelho da minha própria alma. O relógio na parede tiquetaqueava com uma insistência que irritava, lembrando-me de que o tempo, para homens como eu, nunca era um aliado; era apenas uma corda que se apertava gradualmente ao redor do pescoço. Eu estava sentado na minha cadeira de couro, com um copo de uísque que eu não havia tocado. O líquido âmbar apenas refletia a luz do abajur, um brilho dourado sobre um abismo que eu preferia não encarar.Dante. O nome martelava na minha mente como um disparo solitário no silêncio da noite.Meu irmão. O sangue que corria nas veias dele era o mesmo que corria nas minhas, uma herança de poder, de violência, de um legado que nenhum de nós pediu, mas que fomos obrigados a carregar. Sempre houve uma linha tênue entre a lealdade que devo a ele e a necessidade premente de sobreviver. Mas, nos últimos dias, essa linha tornou-se não apenas tênue, mas perigosamente invisível.Dan
Donatella O ar entre nós estava pesado, carregado com o peso das palavras não ditas e as feridas que ainda latejavam, frescas, como se tivessem sido infligidas há apenas um segundo. Raphael estava ali, diante de mim, ocupando cada centímetro do meu espaço vital, sua presença magnética como um campo gravitacional do qual eu não conseguia, ou talvez não quisesse, escapar. Ele era o meu veneno e o meu antídoto, uma contradição ambulante que me fazia odiar cada batida do meu próprio coração enquanto ele estava perto.Tentei desviar o olhar. Fixei-me na moldura da janela, em qualquer detalhe que não fosse a intensidade dos olhos dele. Mas, mesmo sem vê-lo diretamente, eu sentia o calor que emanava de seu corpo. Era uma pulsação constante, uma eletricidade que fazia os pelos dos meus braços se arrepiarem, apesar da minha mente gritar para que eu me mantivesse fria, distante, protegida."Donatella", ele disse, sua voz um rosnado baixo, quase um pedido de desculpas, mas que carregava a auto
Raphael Existem homens que você aprende a temer.E existem aqueles que você nunca imagina que precisará enfrentar.Dante pertencia à segunda categoria.Meu irmão.Meu sangue.O homem que esteve ao meu lado em enterros, guerras, negociações e vinganças.O homem em quem confiei minha retaguarda inúmeras vezes.Mas, naquele momento, olhando para a mão dele segurando o braço de Donatella, eu não enxergava um irmão.Enxergava um homem tocando a minha mulher.E alguma coisa dentro de mim ficou perigosamente escura.— Solta ela.Minha voz saiu baixa.Dante me encarou.Não obedeceu imediatamente.Esse foi o primeiro erro.— Raphael... — Donatella murmurou.Ignorei.Meu olhar permaneceu preso ao dele.— Eu disse para soltar.Dante retirou a mão devagar.Não por medo.Aquilo ficou claro em seus olhos.Ele simplesmente não queria piorar a situação diante dela.E, por algum motivo, isso me irritou ainda mais.Como se agora ele fosse o sensato.O protetor.Enquanto eu era o monstro.— Lorenzo — f
Donatella Existem olhares que acariciam.Outros ferem.O de Raphael conseguia fazer as duas coisas ao mesmo tempo.Depois que Lorenzo saiu do quarto trazendo a notícia da mensagem deixada por Alexandra, o silêncio voltou a ocupar o espaço entre nós. Raphael continuava segurando minha mão, mas sua expressão já não era a mesma. O homem que havia acabado de confessar que me amava dera lugar novamente ao Don da família Moretti.Era como se ele vestisse uma armadura invisível.E eu odiava aquela armadura.Ela sempre me roubava dele.— Você precisa ir, não é? — perguntei baixinho.Raphael demorou alguns segundos para responder.— Preciso.Assenti.Era sempre assim.O dever.A família.Os negócios.Eu sempre compreendia.Sempre esperava.Sempre perdoava.E talvez esse tivesse sido meu maior erro.Ele acariciou minha mão com o polegar, num gesto delicado que contrastava com a dureza de seu rosto.— Vou deixar homens protegendo este andar inteiro.Sorri sem alegria.— Você acha que isso vai i
Raphael O poder tem um preço.Durante anos, vi meu pai carregar o peso do sobrenome Moretti como uma armadura. Achei que entendia o que significava ser Don. Imaginei que bastava inteligência, respeito e coragem para comandar homens dispostos a matar em meu nome.Eu estava errado.Ser Don era aprender a sufocar o homem que existia dentro de mim.Naquela manhã, eu estava sentado na sala reservada do hotel, transformada provisoriamente em meu escritório. Mapas do Rio de Janeiro cobriam a mesa de madeira escura. Fotografias, relatórios financeiros e anotações sobre os movimentos de Alexandra ocupavam quase todo o espaço.Lorenzo e outros homens aguardavam minhas ordens.— Os carregamentos continuam saindo pelo porto sem alterações? — perguntei.— Sim, Don Raphael. Nossos contatos garantiram que ninguém levantou suspeitas.Assenti.— E quanto aos homens de Alexandra?Lorenzo respirou fundo.— Ela continua invisível. Mas sabemos que ainda está na cidade.Fechei a pasta lentamente.Era exat







