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last update Data de publicação: 2022-09-24 11:55:29

Em frente ao espelho, já vestido, olho para o meu próprio reflexo e sorrio tristemente pela minha situação. Não imaginei jamais que voltaria a dar à Ada o título de minha noiva, futura esposa. Na época em que ficamos noivos pela primeira vez, eu teria dado o mundo a ela se me pedisse. Agora, eu gostaria de poder voltar no tempo e desfazer a merda que eu fiz na minha casa em Miami. Eu estaria livre dessa porra toda.

Quando penso nisso, me repreendo mentalmente na mesma hora. Não posso dizer que isso é uma merda. Droga, eu não posso sentir ou mostrar que não quero ter esse bebê. Nenhuma criança merece descobrir que seu pai não o queria durante a gravidez. Essa criança não merece meu desprezo por causa das minhas burradas.

Tudo o que eu tenho que fazer é me casar com a mãe. Dar amor e um bom lar para essa criança é a minha nova meta de vida. Eu já perdi a ambição de ser feliz, mas não quer dizer que eu não possa fazer esse bebê feliz. A Ada é a mãe e eu devo cuidar da honra dela, pois não quero que meu filho cresça achando que sua mãe é uma perdida vagabunda. Também não quero que ela vá embora com o meu filho para Londres. Não quero ser o tipo de pai que ver o filho uma ou dias vezes por ano.

Mas ela está cometendo um erro se acha que eu irei honrar os votos do casamento. Não me permitirei amá-la de novo. Não sou burro o bastante para isso. Amar é um erro que só se comete uma vez. Eu cometi duas. E já estou cansado de errar nesse maldito aspecto.

Desço da minha cobertura com a chave do meu próprio carro em minhas mãos, dispensando o tão bem pago motorista que meu pai contratou para me servir. Gosto de dirigir e não gosto nem um pouco de ser conduzido. Quando entrego a chave ao manobrista do hotel ao chegar, um pânico toma conta de mim de repente. Minha respiração acelera e meu coração martela contra o meu peito. Eu preciso de um trago para suportar a noite pela frente.

Discretamente ponho a mão no bolso do meu smoking e tiro um pacotinho com alguns comprimidos de êxtase suficientes para me deixar bastante anestesiado. Ponho dois na mão e os engulo, jogando a cabeça para trás para facilitar a descida pela falta de líquido. Preciso manter em mente a lembrança de não beber hoje. Com uma longa respiração, ponho meu melhor sorriso e vou para dentro.

Ada e o seu pai, assim como os meus, já estão lá dentro, cumprimentando as pessoas e sorrindo como se todos já fizessem parte de uma grande família feliz. Meu estômago embrulha mais um pouquinho, mas eu deixo pra lá. Daqui a pouco as pílulas irão começar a fazer efeito e tudo ficará bem. Observo o lugar, nem um pouco admirado com o fato de estar tudo impecável. É claro, meu pai não faria nada menos que perfeito para uma noite como essa, assim como o Harold. As mesas estão quase todas lotadas de gente interesseira e que realmente não liga a mínima para o propósito da Fundação, mas vieram aqui para fazer charme, reforçar contatos e ganhar mais dinheiro.

Me aproximo da minha família, fazendo parte da farsa, e sorrio para todos, inclusive para o diretor executivo de uma das empresas com quem eu tenho trabalhado, que está aqui com a esposa. Então lhe dedico uma boa parte do meu tempo, conversando sobre a torre solar e outros projetos da minha empresa, assim como a Fundação Hoffman. Conto-lhe que o intuito da fundação é ajudar e incentivar as artes, a cultura, o lazer e os esportes. Distribuiremos bolsas de estudo e financiaremos atletas de várias modalidades a encontrarem um futuro, além de patrocinar artistas de vários lugares. Apesar de, em certa forma, ser uma conversa maçante, eu prefiro falar sobre qualquer coisa a subir no palco instalado na frente de todos e anunciar o meu terrível casamento com a Ada.

Mas não posso evitar o anúncio por muito tempo. Perto das oito da noite, o mestre de cerimônia me chama ao palco para o meu discurso. Quase posso ver dois coraçõezinhos nos olhos da Ada e eu realmente tenho que fazer um esforço muito grande para não revirar os olhos. Porém, minha máscara quando subo é totalmente condescendente com a situação. Que tipo de noivo amoroso eu seria se anunciasse um noivado com uma cara de quem está indo para uma sessão de castração? Não seria uma boa imagem para mim ou para a empresa. Droga, nem mesmo para ela. Então com um sorriso no rosto e o coração sangrando, eu saúdo a todos. Faço rapidamente meu discurso sobre a Fundação e minhas expectativas, e no fim... anuncio meu casamento.

Como é de praxe, as pessoas se colocam de pé e batem palmas, aparentemente alegres pela notícia. Elas soltam gritinhos e quando a Ada sobe ao meu lado, pedem um beijo do mais novo casal de Nova Iorque. Ainda com a minha máscara de felicidade, eu a seguro pela cintura e lhe dou um beijo casto, mas convincente. Ela agradece a todos pelos aplausos e sorri como se tivesse ganhado na loteria. Por um único e perfeito momento, eu me permito imaginá-la ganhando mesmo e indo embora da minha vida. Mas o momento logo se perde quando percebo que esta é mesmo a minha vida e não há escapatória para mim.

Ada desafiou os médicos de forma audaciosa ao engravidar duas vezes, após perder um ovário no nosso acidente em Mônaco. Não posso dizer que ela não é surpreendente. Tudo o que eu posso fazer é respeitar isso e aceitar passar todos os dias da minha miserável vida ao seu lado, mesmo que isso me mate aos poucos. Tudo por um filho. Como eu poderia não fazer isso se já perdi dois? Um terceiro eu não suportaria. Ninguém nunca vai tirar essa criança de mim e o preço que eu pago é a alma para sempre ao lado de uma pessoa que eu não amo.

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Último capítulo

  • Redençao    Epílogo

    Nicholas estava nervoso. Mil coisas para fazer em pouco tempo. Ellen não estava em um bom momento para ajudá-lo nessa hora então ele teria que se virar sozinho e mesmo com alguma experiência adquirida nos últimos anos, trocar as fraldas de um bebê não era essa coisa fácil que ele chegara a pensar um dia.— Amor, eu sei que você está ocupada aí, mas pode dar uma mãozinha aqui, por favor? — Nicholas gritou para Ellen que relaxava na banheira.Ela riu alto. Ele ainda não tinha pegado o jeito. Há três bebês atrás, ele fazia as mesmas reclamações. Por que eles fazem tanta sujeira? Por que choram tanto? E por que diabos têm que comer como se tivessem um buraco negro dentro da barriga? E agora, com mais um, ele repetia a mesma coisa. Ellen respondia apenas com um sorriso enquanto ele quebrava a cabeça com suas dúvidas.Enrolada em uma toalha, Ellen saiu do banheiro e caminhou até o quarto. A pequena Emily estava quieta olhando para o seu pai, mas sua bunda estava toda de fora, assim como est

  • Redençao    73

    — Eu odeio você. — faço beicinho como uma criança de dois anos a quem a mãe negou um doce. Ouço sua risada rouca e sinto meu ventre se retorcendo. Droga! Ele não pode me deixar excitada agora, eu estou zangada com ele.— Não odeia, não. Você me ama, garota.Sim. É claro que eu o amo. Menos quando ele está sendo obtuso desse jeito e me torturando assim. Eu consigo saber o caminho que estamos tomando por pelo menos cinco minutos, tendo como referência o lugar de onde saímos e o pouco de conhecimento que eu já tenho da cidade. Mas após o bastardo dar voltas e mais voltas pelas ruas, eu me perco completamente. Eu quase posso ver o seu sorriso vitorioso por me enganar assim.Quando enfim paramos, eu tento captar todo e qualquer sinal que me diga onde estamos, mas não consigo decifrar nada. Barulho? Não há. Cheiros? Não identifico. Apenas a temperatura me faz pensar em alguns lugares prováveis. É frio aqui e eu posso pensar em algo perto da praia pela brisa, mas não se parece com Miami Beac

  • Redençao    72

    ELLEN— Bom dia, dorminhoco. — toco os cabelos do Nick, que está se mexendo tranquilamente ao meu lado na cama do hospital. Ele abre os olhos devagar e esfrega-os antes de sorrir pra mim.Eu passei a noite no hospital mesmo achando isso desnecessário, pois me sentia muito bem depois que fui medicada. E embora sabendo que o Nick queria deixar esse dia horrível para trás na nossa cama, estar aqui o deixaria mais tranquilo em relação a mim e aos nossos bebês. Bebês. Como foi que eu consegui isso? Uma familia completa assim logo de cara com o homem da minha vida? Acho que sou a mulher mais sortuda do mundo, só pode.Mesmo com todos os contras, aqui estou eu. Casada com um homem maravilhoso, grávida de dois mini Nicks e ainda... Viva. Pensei que fosse morrer hoje com aquela vadia apontando uma arma para a minha cabeça e tudo o que eu conseguia pensar não era nem na minha própria vida, mas sim na dor que isso causaria ao Nick. Nossa! Eu sei que ele ficaria destruído de uma forma que talvez

  • Redençao    71

    É claro. Ela trouxe a Ellen e a Amber como garantia. Mas agora que ela acha que eu estou morto e que o Asher realmente está, não há motivos para manter as duas seguras.— Obrigado, Tomas. Informe a polícia e mande alguns policiais para as coordenadas que eu vou te enviar.Desligo o celular e instruo o Martin a mandar as coordenadas do lugar para o Tomas. Nesse momento, a Molly vai até o carro, tira a Amber de lá arrastada e a joga no chão. Em seguida faz a mesma coisa com a minha Ellen. Ok, isso é tudo que eu posso ver dessa vadia.— Martin, ela vai matá-las. Você tem boa pontaria?— Por que, senhor?— Porque a alternativa é eu aparecer atirando pra todo lado até matá-la antes que ela faça isso com a minha mulher.— Sim, senhor, eu tenho. Essa vadia morre agora.Martin começa a se aproximar mais do helicóptero, tomando cuidado para não ser visto. Ouço a Molly falando, mas entendo o que ela diz às duas. E quando ela aponta a arma para a Ellen, eu fico de pé – desesperado porque o Marti

  • Redençao    70

    — Por que você iria querer matar a Ellen, Asher? — jogo — O que ela te fez? Não sou eu o culpado por sua vida estar assim? — dou a entender que sei o motivo pelo qual ele entrou no jogo do Mike.— Você é o culpado. E matar você seria a melhor coisa do mundo.— Mas e a Ellen?— Ellen e eu ficaremos juntos para sempre.— Você é louco ou só idiota? A Molly vai matar a Ellen.— Não, ela não vai. Nós dois temos um acordo. Mas você não está facilitando.Oh. Ele quer me matar por vingança. A Molly também quer vingança. Os dois devem querer a mesma coisa, então. Se a Molly está com a Ellen e eu não estou "facilitando" as coisas para o Asher, quer dizer que a vida da Ellen depende da minha.— Você tem que me matar senão a Molly vai matá-la, não é?— Você enfim entendeu. Enquanto você estiver vivo, a vida dela não vale nada pra Molly.— Então você vai fazer isso.Jimmy e Martin saem da boate e me chamam. Deixo Asher aos cuidados do Tomas e vou encontrá-los.— Encontramos isso lá dentro, senhor

  • Redençao    69

    — Ele tentou me matar hoje e falhou. Ele deve ter vindo terminar o trabalho.Se ele não tem a intenção de matar a Ellen, ele só pode tê-la sequestrado para ficar com ela. Até porque se Ele a quisesse morta, ele a teria matado ou pelo menos tentado lá no aeroporto. Ele deve saber que eu o procuraria até no inferno pra tê-la de volta, então me matar é a única saída pra ter paz, por assim dizer.— Que bom que ele veio a nós. Vamos pegá-lo, senhor Hoffman. — Martin diz com um sorriso.— Vamos sim. Mas antes eu quero que um dos seus homens leve a minha mãe pra casa.— O quê? — ela fica indignada — Não mesmo. Eu não vou deixar você lidar sozinho com isso. Martin, não se atreva.— Me desculpe, senhor Hoffman, mas foi a senhora Hoffman quem me contratou, então...— Eu pago o dobro que ela te pagou, mas mande um dos seus homens a levar pra casa em segurança.Martin olha pra minha mãe como se tivesse pedindo permissão. Ela me encara com as mãos nos quadris, claramente me desafiando a fazê-la m

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