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last update Data de publicação: 2022-09-24 11:55:02

— Você tem algum outro tipo de qualificação? — pergunto de maneira sugestiva — Em quê mais você é boa?

Ela abre a boca, fechando logo depois por duas vezes. Franze a testa de forma tão sutil que eu não perceberia se não estivesse olhando fixamente para o seu rosto.

— Todas as minhas qualificações estão no meu currículo e as que não estão, eu falei pessoalmente.

— Claro. Mas algumas qualidades não são vistas em um pedaço de papel. Ou mesmo são ditas em entrevista formal. — lhe dou meu melhor sorriso sedutor — Algumas precisam de certa demonstração prática antes de uma contratação.

Sinto um prazer crescer dentro de mim ao ver que ela arregala os olhos, se dando conta do que eu estou falando. Quando fiz esse jogo com a ruiva, ela imediatamente se jogou de joelhos no chão e abriu minha calça. Amber apenas me olha surpresa e se levanta, colocando sua pequena bolsa no ombro antes de me encarar com um semblante sério.

— Bom, senhor Hoffman, minhas qualificações práticas podem ser vistas facilmente quando eu estou trabalhando. — ergo a sobrancelha, mostrando surpresa — Imagino que não na sua empresa após essa entrevista. Acho que não sou o tipo de assistente que o senhor está procurando.

Ela se vira pronta para ir embora e eu deixo que ela chegue até a porta para poder pará-la, sorrindo por encontrar exatamente quem eu queria para o cargo.

— Você começa amanhã, senhorita Hitchcock. — ela se vira pra mim com uma expressão confusa, enquanto eu visto minha máscara de profissional sério — Vejo você às oito em ponto.

Pouco antes de deixar o escritório às cinco em ponto depois de a senhorita Hitchcock sair, meu pai entra sem bater e se encosta na porta com os braços cruzados, bloqueando minha passagem. Termino de guardar alguns papéis de reuniões que eu não participei enquanto estava rodando o mundo, mas que tive que dar uma olhada porque são importantes, e me preparo pra sair.

Ele não sai do caminho e quando vou perguntar o que ele quer, ele resolve falar. Fecho os olhos na mesma hora soltando um suspiro bem longo e frustrado, porque quando Julian Hoffman começa a falar, ele não para nunca.

— Me diga que está tudo de pé para o seu discurso na inauguração de hoje.

— Está, pai. Eu não mudei de ideia.

— Acho bom. Você sabe o que está em jogo aqui, filho. Você ter voltado no fim de semana foi ótimo para acalmar os ânimos da diretoria e dos acionistas, mas se começar a circular o boato de que o presidente da HHE não arca com suas responsabilidades, nossa imagem vai para o buraco outra vez.

Ele não precisa me lembrar disso. Eu sei o que tenho que fazer. Não posso agir como um filho da puta com a filha de um sócio. E não posso deixar que as pessoas pensem que eu sou um moleque imaturo que mistura trabalho e vida pessoal. Mas ainda assim...

— Francamente não sei por que você se importa. Já conseguiu a fusão das empresas e nem está mais aqui. Está muito mais preocupado com a sua candidatura a prefeito do quê com a empresa do vovô.

— Sua empresa, Nicholas. Seu avô se foi. Você tem a maioria das ações agora.

— O jeito que você fala parece que...

— Parece o quê? — ele dá um passo na minha direção — Que eu não sinto falta do meu pai todos os dias desde que ele morreu?

— Eu não disse isso.

— E nem precisou. Acha mesmo que eu não penso nele todos os dias? Sei que nós tínhamos nossas diferenças, mas eu o amava. Ele era meu pai, porra. Você não é o único que sente falta dele.

Não falo nada. Não tenho motivos para achar que meu pai não sofre pela morte do pai dele. Ele com certeza deve ter a consciência menos pesada do que a minha. Se eu não tivesse ido à Miami naquela noite, eu poderia ter ido almoçar com ele e quando o infarto ocorresse, eu estaria por perto para ouvir suas últimas palavras. Não sou pretencioso o bastante para achar que impediria um ataque cardíaco, mas pelo menos ele não estaria sozinho nos seus últimos momentos. Mas ao invés disso, tudo o que eu tive foi uma conversa rápida por telefone. E eu sequer fui ao seu funeral, porque não tive forças de ver o homem mais forte do mundo pra mim, inerte e gelado, esperando pra ser enterrado embaixo dos meus pés.

— Eu sei, papai. — digo com a cabeça baixa — Desculpe.

Quando levanto os olhos, ele está me olhando de maneira estranha e com a insinuação de um sorriso no rosto. Eu o encaro sem saber o motivo desse olhar e mesmo desse sorriso quando me lembro que é porque o chamei de papai. Há quantos anos eu não o chamo assim? Acho que pelo menos uns quatro anos. Ou cinco, sei lá.

Rapidamente desvio os olhos do rosto dele, e limpo a garganta com um pigarro. Em segundos, eu visto minha máscara séria e faço um movimento para sair, mas ele se põe à minha frente novamente e me puxa para um abraço, me deixando de queixo caído e sem saber como reagir com os braços ao lado do corpo. Ele me aperta e dá alguns tapinhas nas minhas costas, mas quando eu me permito levantar os braços para abraçá-lo de volta, ele se afasta olhando para o outro lado.

Saio do escritório com o estômago embrulhado por causa do meu pai ao meu lado e por causa da noite que virá. Ansiedade me invade por conta do discurso e do anúncio que farei. E a situação fica tão desconfortável na lenta descida pelos vinte e cinco andares do prédio que eu preciso me encostar na parede do elevador para não passar mal.

Nos despedimos no estacionamento e eu entro no meu carro. No meu novo apartamento na quinta avenida, algumas quadras mais longe do meu antigo, eu tomo um banho longo e gelado. Estamos no final de maio e o clima na cidade está seco. Não se parece com o verão de Miami, mas é suficiente para me deixar todo suado, transpirando como se estivesse numa sauna.

Quando saio do banheiro, visto meu smoking o mais devagar que eu posso. Não tenho nenhuma pressa em ir ao hall do Regency Hotel onde ocorrerá o evento de inauguração da Fundação Hoffman. Não por causa da inauguração em si, mas pelo anúncio que tenho que fazer. Casamento. Eu farei o anúncio do meu noivado com a Ada.

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Último capítulo

  • Redençao    Epílogo

    Nicholas estava nervoso. Mil coisas para fazer em pouco tempo. Ellen não estava em um bom momento para ajudá-lo nessa hora então ele teria que se virar sozinho e mesmo com alguma experiência adquirida nos últimos anos, trocar as fraldas de um bebê não era essa coisa fácil que ele chegara a pensar um dia.— Amor, eu sei que você está ocupada aí, mas pode dar uma mãozinha aqui, por favor? — Nicholas gritou para Ellen que relaxava na banheira.Ela riu alto. Ele ainda não tinha pegado o jeito. Há três bebês atrás, ele fazia as mesmas reclamações. Por que eles fazem tanta sujeira? Por que choram tanto? E por que diabos têm que comer como se tivessem um buraco negro dentro da barriga? E agora, com mais um, ele repetia a mesma coisa. Ellen respondia apenas com um sorriso enquanto ele quebrava a cabeça com suas dúvidas.Enrolada em uma toalha, Ellen saiu do banheiro e caminhou até o quarto. A pequena Emily estava quieta olhando para o seu pai, mas sua bunda estava toda de fora, assim como est

  • Redençao    73

    — Eu odeio você. — faço beicinho como uma criança de dois anos a quem a mãe negou um doce. Ouço sua risada rouca e sinto meu ventre se retorcendo. Droga! Ele não pode me deixar excitada agora, eu estou zangada com ele.— Não odeia, não. Você me ama, garota.Sim. É claro que eu o amo. Menos quando ele está sendo obtuso desse jeito e me torturando assim. Eu consigo saber o caminho que estamos tomando por pelo menos cinco minutos, tendo como referência o lugar de onde saímos e o pouco de conhecimento que eu já tenho da cidade. Mas após o bastardo dar voltas e mais voltas pelas ruas, eu me perco completamente. Eu quase posso ver o seu sorriso vitorioso por me enganar assim.Quando enfim paramos, eu tento captar todo e qualquer sinal que me diga onde estamos, mas não consigo decifrar nada. Barulho? Não há. Cheiros? Não identifico. Apenas a temperatura me faz pensar em alguns lugares prováveis. É frio aqui e eu posso pensar em algo perto da praia pela brisa, mas não se parece com Miami Beac

  • Redençao    72

    ELLEN— Bom dia, dorminhoco. — toco os cabelos do Nick, que está se mexendo tranquilamente ao meu lado na cama do hospital. Ele abre os olhos devagar e esfrega-os antes de sorrir pra mim.Eu passei a noite no hospital mesmo achando isso desnecessário, pois me sentia muito bem depois que fui medicada. E embora sabendo que o Nick queria deixar esse dia horrível para trás na nossa cama, estar aqui o deixaria mais tranquilo em relação a mim e aos nossos bebês. Bebês. Como foi que eu consegui isso? Uma familia completa assim logo de cara com o homem da minha vida? Acho que sou a mulher mais sortuda do mundo, só pode.Mesmo com todos os contras, aqui estou eu. Casada com um homem maravilhoso, grávida de dois mini Nicks e ainda... Viva. Pensei que fosse morrer hoje com aquela vadia apontando uma arma para a minha cabeça e tudo o que eu conseguia pensar não era nem na minha própria vida, mas sim na dor que isso causaria ao Nick. Nossa! Eu sei que ele ficaria destruído de uma forma que talvez

  • Redençao    71

    É claro. Ela trouxe a Ellen e a Amber como garantia. Mas agora que ela acha que eu estou morto e que o Asher realmente está, não há motivos para manter as duas seguras.— Obrigado, Tomas. Informe a polícia e mande alguns policiais para as coordenadas que eu vou te enviar.Desligo o celular e instruo o Martin a mandar as coordenadas do lugar para o Tomas. Nesse momento, a Molly vai até o carro, tira a Amber de lá arrastada e a joga no chão. Em seguida faz a mesma coisa com a minha Ellen. Ok, isso é tudo que eu posso ver dessa vadia.— Martin, ela vai matá-las. Você tem boa pontaria?— Por que, senhor?— Porque a alternativa é eu aparecer atirando pra todo lado até matá-la antes que ela faça isso com a minha mulher.— Sim, senhor, eu tenho. Essa vadia morre agora.Martin começa a se aproximar mais do helicóptero, tomando cuidado para não ser visto. Ouço a Molly falando, mas entendo o que ela diz às duas. E quando ela aponta a arma para a Ellen, eu fico de pé – desesperado porque o Marti

  • Redençao    70

    — Por que você iria querer matar a Ellen, Asher? — jogo — O que ela te fez? Não sou eu o culpado por sua vida estar assim? — dou a entender que sei o motivo pelo qual ele entrou no jogo do Mike.— Você é o culpado. E matar você seria a melhor coisa do mundo.— Mas e a Ellen?— Ellen e eu ficaremos juntos para sempre.— Você é louco ou só idiota? A Molly vai matar a Ellen.— Não, ela não vai. Nós dois temos um acordo. Mas você não está facilitando.Oh. Ele quer me matar por vingança. A Molly também quer vingança. Os dois devem querer a mesma coisa, então. Se a Molly está com a Ellen e eu não estou "facilitando" as coisas para o Asher, quer dizer que a vida da Ellen depende da minha.— Você tem que me matar senão a Molly vai matá-la, não é?— Você enfim entendeu. Enquanto você estiver vivo, a vida dela não vale nada pra Molly.— Então você vai fazer isso.Jimmy e Martin saem da boate e me chamam. Deixo Asher aos cuidados do Tomas e vou encontrá-los.— Encontramos isso lá dentro, senhor

  • Redençao    69

    — Ele tentou me matar hoje e falhou. Ele deve ter vindo terminar o trabalho.Se ele não tem a intenção de matar a Ellen, ele só pode tê-la sequestrado para ficar com ela. Até porque se Ele a quisesse morta, ele a teria matado ou pelo menos tentado lá no aeroporto. Ele deve saber que eu o procuraria até no inferno pra tê-la de volta, então me matar é a única saída pra ter paz, por assim dizer.— Que bom que ele veio a nós. Vamos pegá-lo, senhor Hoffman. — Martin diz com um sorriso.— Vamos sim. Mas antes eu quero que um dos seus homens leve a minha mãe pra casa.— O quê? — ela fica indignada — Não mesmo. Eu não vou deixar você lidar sozinho com isso. Martin, não se atreva.— Me desculpe, senhor Hoffman, mas foi a senhora Hoffman quem me contratou, então...— Eu pago o dobro que ela te pagou, mas mande um dos seus homens a levar pra casa em segurança.Martin olha pra minha mãe como se tivesse pedindo permissão. Ela me encara com as mãos nos quadris, claramente me desafiando a fazê-la m

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