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last update Data de publicação: 2022-10-08 21:52:59

Tudo o que eu penso agora é xingar a todos por estar nesse lugar olhando para a imagem perfeita do homem que partiu meu coração. Porém, mesmo com todas as emoções violentas que passam pela minha mente agora, minha vista se torna um borrão quando ele abre a boca e começa a falar.

Todo o ar deixa os meus pulmões quando ele dá boa noite às pessoas presentes com um grande sorriso específico de Nicholas Hoffman. Sua voz. Oh meu Deus. Parece mais rouca do que eu me lembrava. Sinto meu coração acelerar, minhas entranhas derreterem e meus mamilos, ah esses malditos traidores, se eriçarem.

Melissa continua a falar alguma coisa sobre o nosso atraso, mas suas palavras se perdem na minha mente enquanto eu o escuto discursar sobre os objetivos da Fundação Hoffman, me perguntando como alguém pode ser tão sério e eloquente e ao mesmo tempo, sexy como o inferno. Qual é, Ellen? Quando ele não é sexy? Eu nunca o vi menos que perfeito. Até mesmo quando ele estava arrasado ao ficar sabendo da morte do avô no hospital, ele estava absurdamente lindo.

—... e assim finalmente, eu tenho um anúncio a fazer. Muitos de vocês, certamente, imaginaram que eu nunca iria sossegar. Mas hoje, é com muito orgulho que eu digo que Ada Mitchell, essa linda mulher ao lado do meu pai, aceitou se casar comigo.

O quê? A taça de champanhe que eu estou me preparando para levar aos lábios quase cai da minha mão. Meu pulso para por um instante e eu tenho certeza que minha cara parece uma piada. Casar com ela? Como ele pode ser tão idiota? Mas obviamente eu sou a única pessoa presente que acha que ele é um verdadeiro a**o porque todas as outras se levantam e o aplaudem, assim como a loira filha da puta que sobe no palco, encantada com o anúncio. Deus, como eu a odeio.

Todos gritam, até mesmo a Melissa, pedindo um beijo do casal. Sentada ainda na cadeira, eu consigo ver de relance quando ele a toma em seus braços e a beija com devoção. Uma ânsia de vômito me sobe de repente e eu preciso me abanar para não jogar em cima da mesa o almoço que fiz às duas da tarde quando cheguei em Nova Iorque. Mas principalmente, eu preciso ir embora. Esse anúncio é nojento demais, doloroso demais e inacreditável demais para continuar aqui presenciando.

— Tudo bem? — Melissa me pergunta quando eu me levanto, segurando a ponta da mesa para não cair.

— Eu preciso sair daqui. — digo com o estômago embrulhado.

— Minha nossa, você está pálida. Até parece que viu um fantasma.

Eu vi. O fantasma da dor que eu tentei esconder de todos nos últimos três meses. Ela fala mais alguma coisa, mas eu não capto, pois já estou saindo às pressas do salão e indo para o terraço do hotel, tentando respirar porque parece que todo o ar sumiu lá de dentro. Minhas pernas fraquejam um pouco quando alcanço a calçada e eu me encosto no grande muro do prédio, fechando os olhos e fazendo movimentos lentos de inspirar e expirar para tentar acalmar as pancadas furiosas do meu coração.

Quando estou me recuperando, Mel aparece ao meu lado com uma cara de preocupação. Eu sorrio para acalmá-la, mas não surte muito efeito. Sua testa continua franzida e seu olhar, atento.

— O que aconteceu com você lá dentro?

— Eu passei mal.

— Bom, isso deu pra perceber. Mas eu quero saber é o por quê.

Posso contar a ela que é porque o presidente da Fundação Hoffman é o meu ex-namorado. Nós terminamos de forma dramática. Eu ainda o amo e ele acabou de anunciar, na frente de toda a elite da cidade, que vai casar com a mulher que eu mais odeio no mundo. Mas no final das contas, tudo o que eu digo é:

— Alguma coisa que eu comi no almoço deve ter caído mal. — digo, sentindo uma pontada de culpa pela mentira porque o almoço estava uma delícia.

— Você deveria prestar mais atenção no que come, Ellen. — agora a sua cara é de repreensão — Você não pode ficar doente. A equipe depende de você.

— Eu sei, eu sei. — reviro os olhos pra ela — Prometo que vou me cuidar mais. — completo com um sorriso.

— Mas já está melhor?

— Sim, já me sinto melhor. — minto mais uma vez.

— Que bom, — ela segura no meu cotovelo e começa a me puxar pra dentro de novo — porque precisamos voltar. Nós temos que nos apresentar ao senhor Hoffman.

— O que? — livro-me das suas mãos com um pequeno puxão — Eu não posso entrar lá de novo.

— Por que não? — ela põe as mãos nos quadris — Você disse que está melhor.

— Eu estou melhor porque estou aqui fora, tomando ar fresco. Tenho certeza de que se eu voltar, passarei mal de novo. — Quanto a isso não há dúvidas — Está muito quente lá dentro.

Ela não parece acreditar muito, mas não discute. Apenas concorda com um aceno de cabeça.

— Você entra e se apresenta por toda a equipe. Se eu entrar, vamos causar uma péssima impressão. Você mesma disse que eu estou pálida, lembra? O homem vai pensar que não quero estar lá.

O que não deixa de ser verdade. A última coisa que eu quero é voltar lá dentro e presenciar mais uma cena de romance de araque daqueles dois.

— Tudo bem. Vou fazer isso, mas nós duas teremos uma conversinha depois. — ela diz apontando um longo dedo na minha direção.

Não falo nada em resposta e ela volta para o salão, sacudindo a cabeça e resmungando alguma coisa que eu não consigo entender. Quando ela finalmente entra, eu imediatamente começo a procurar por um táxi para a nossa volta, satisfeita por eu ter saído sem que ele me visse. Quase meia hora depois, ela entra no carro com um sorriso no rosto e cara de quem foi flechada pelo charme indiscutível do Nicholas.

Fecho o zíper da minha pequena mala, prestando atenção no quarto para ter certeza de que não esqueci nada. Mel, que já está pronta como de costume, apenas me olha a cada lugar que eu vou. Ela manteve esse olhar desde ontem à noite quando chegamos da inauguração.

— Sabe, acho que a gente deveria adiar a viagem para amanhã. — ela diz estreitando os olhos na minha direção — Você pode ter uma recaída.

— Recaída? — pergunto distraída.

— É. Da sua... o que era mesmo? Intoxicação alimentar?

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Último capítulo

  • Redençao    Epílogo

    Nicholas estava nervoso. Mil coisas para fazer em pouco tempo. Ellen não estava em um bom momento para ajudá-lo nessa hora então ele teria que se virar sozinho e mesmo com alguma experiência adquirida nos últimos anos, trocar as fraldas de um bebê não era essa coisa fácil que ele chegara a pensar um dia.— Amor, eu sei que você está ocupada aí, mas pode dar uma mãozinha aqui, por favor? — Nicholas gritou para Ellen que relaxava na banheira.Ela riu alto. Ele ainda não tinha pegado o jeito. Há três bebês atrás, ele fazia as mesmas reclamações. Por que eles fazem tanta sujeira? Por que choram tanto? E por que diabos têm que comer como se tivessem um buraco negro dentro da barriga? E agora, com mais um, ele repetia a mesma coisa. Ellen respondia apenas com um sorriso enquanto ele quebrava a cabeça com suas dúvidas.Enrolada em uma toalha, Ellen saiu do banheiro e caminhou até o quarto. A pequena Emily estava quieta olhando para o seu pai, mas sua bunda estava toda de fora, assim como est

  • Redençao    73

    — Eu odeio você. — faço beicinho como uma criança de dois anos a quem a mãe negou um doce. Ouço sua risada rouca e sinto meu ventre se retorcendo. Droga! Ele não pode me deixar excitada agora, eu estou zangada com ele.— Não odeia, não. Você me ama, garota.Sim. É claro que eu o amo. Menos quando ele está sendo obtuso desse jeito e me torturando assim. Eu consigo saber o caminho que estamos tomando por pelo menos cinco minutos, tendo como referência o lugar de onde saímos e o pouco de conhecimento que eu já tenho da cidade. Mas após o bastardo dar voltas e mais voltas pelas ruas, eu me perco completamente. Eu quase posso ver o seu sorriso vitorioso por me enganar assim.Quando enfim paramos, eu tento captar todo e qualquer sinal que me diga onde estamos, mas não consigo decifrar nada. Barulho? Não há. Cheiros? Não identifico. Apenas a temperatura me faz pensar em alguns lugares prováveis. É frio aqui e eu posso pensar em algo perto da praia pela brisa, mas não se parece com Miami Beac

  • Redençao    72

    ELLEN— Bom dia, dorminhoco. — toco os cabelos do Nick, que está se mexendo tranquilamente ao meu lado na cama do hospital. Ele abre os olhos devagar e esfrega-os antes de sorrir pra mim.Eu passei a noite no hospital mesmo achando isso desnecessário, pois me sentia muito bem depois que fui medicada. E embora sabendo que o Nick queria deixar esse dia horrível para trás na nossa cama, estar aqui o deixaria mais tranquilo em relação a mim e aos nossos bebês. Bebês. Como foi que eu consegui isso? Uma familia completa assim logo de cara com o homem da minha vida? Acho que sou a mulher mais sortuda do mundo, só pode.Mesmo com todos os contras, aqui estou eu. Casada com um homem maravilhoso, grávida de dois mini Nicks e ainda... Viva. Pensei que fosse morrer hoje com aquela vadia apontando uma arma para a minha cabeça e tudo o que eu conseguia pensar não era nem na minha própria vida, mas sim na dor que isso causaria ao Nick. Nossa! Eu sei que ele ficaria destruído de uma forma que talvez

  • Redençao    71

    É claro. Ela trouxe a Ellen e a Amber como garantia. Mas agora que ela acha que eu estou morto e que o Asher realmente está, não há motivos para manter as duas seguras.— Obrigado, Tomas. Informe a polícia e mande alguns policiais para as coordenadas que eu vou te enviar.Desligo o celular e instruo o Martin a mandar as coordenadas do lugar para o Tomas. Nesse momento, a Molly vai até o carro, tira a Amber de lá arrastada e a joga no chão. Em seguida faz a mesma coisa com a minha Ellen. Ok, isso é tudo que eu posso ver dessa vadia.— Martin, ela vai matá-las. Você tem boa pontaria?— Por que, senhor?— Porque a alternativa é eu aparecer atirando pra todo lado até matá-la antes que ela faça isso com a minha mulher.— Sim, senhor, eu tenho. Essa vadia morre agora.Martin começa a se aproximar mais do helicóptero, tomando cuidado para não ser visto. Ouço a Molly falando, mas entendo o que ela diz às duas. E quando ela aponta a arma para a Ellen, eu fico de pé – desesperado porque o Marti

  • Redençao    70

    — Por que você iria querer matar a Ellen, Asher? — jogo — O que ela te fez? Não sou eu o culpado por sua vida estar assim? — dou a entender que sei o motivo pelo qual ele entrou no jogo do Mike.— Você é o culpado. E matar você seria a melhor coisa do mundo.— Mas e a Ellen?— Ellen e eu ficaremos juntos para sempre.— Você é louco ou só idiota? A Molly vai matar a Ellen.— Não, ela não vai. Nós dois temos um acordo. Mas você não está facilitando.Oh. Ele quer me matar por vingança. A Molly também quer vingança. Os dois devem querer a mesma coisa, então. Se a Molly está com a Ellen e eu não estou "facilitando" as coisas para o Asher, quer dizer que a vida da Ellen depende da minha.— Você tem que me matar senão a Molly vai matá-la, não é?— Você enfim entendeu. Enquanto você estiver vivo, a vida dela não vale nada pra Molly.— Então você vai fazer isso.Jimmy e Martin saem da boate e me chamam. Deixo Asher aos cuidados do Tomas e vou encontrá-los.— Encontramos isso lá dentro, senhor

  • Redençao    69

    — Ele tentou me matar hoje e falhou. Ele deve ter vindo terminar o trabalho.Se ele não tem a intenção de matar a Ellen, ele só pode tê-la sequestrado para ficar com ela. Até porque se Ele a quisesse morta, ele a teria matado ou pelo menos tentado lá no aeroporto. Ele deve saber que eu o procuraria até no inferno pra tê-la de volta, então me matar é a única saída pra ter paz, por assim dizer.— Que bom que ele veio a nós. Vamos pegá-lo, senhor Hoffman. — Martin diz com um sorriso.— Vamos sim. Mas antes eu quero que um dos seus homens leve a minha mãe pra casa.— O quê? — ela fica indignada — Não mesmo. Eu não vou deixar você lidar sozinho com isso. Martin, não se atreva.— Me desculpe, senhor Hoffman, mas foi a senhora Hoffman quem me contratou, então...— Eu pago o dobro que ela te pagou, mas mande um dos seus homens a levar pra casa em segurança.Martin olha pra minha mãe como se tivesse pedindo permissão. Ela me encara com as mãos nos quadris, claramente me desafiando a fazê-la m

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