Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora

Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora

Oleh:  Yanira FeyBaru saja diperbarui
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Com vinte e cinco semanas de gravidez, Tatiane foi sozinha à consulta pré-natal. Foi ali que descobriu a traição do próprio marido. Mais pesada, com os traços apagados e mal conseguindo sustentar a barriga, acabou sendo tratada como uma mulher muito mais velha pela amante - jovem e bonita - e ignorada pelo marido diante de todos. Henrique não a defendeu. Não explicou. Não negou nada. Limitou-se a olhá-la com desprezo, como se ela fosse um peso do qual queria se livrar. Poucos sabiam que, anos antes, no primeiro encontro entre Tatiane e Henrique, ela também fora o centro das atenções, admirada por todos. Convencido de que Tatiane havia se aproveitado dele para ascender socialmente, foi Henrique quem tomou a iniciativa de pedir o divórcio. Naquele instante, o coração dela morreu. Oito anos. Da universidade ao mercado de trabalho. Um amor silencioso, dedicação absoluta, incontáveis sacrifícios. Nada daquilo tinha valido a pena. Tatiane deu à luz, assinou o acordo do divórcio e foi embora sem olhar para trás. Cinco anos depois, ela já não era a mulher apagada de antes. Agora, era uma empresária poderosa, dona de um império avaliado em centenas de milhões. Linda. Confiante. Radiante. Cercada por admiração, poder e possibilidades. O homem que pedira o divórcio, porém, jamais o oficializara. Quando Tatiane entrou com uma ação judicial, Henrique voltou a se aproximar, afastando, um a um, todos os homens que tentavam chegar perto dela. Até o dia em que Tatiane surgiu em público, de mãos dadas com outro homem, anunciando o noivado. Henrique a encurralou contra a parede. Fora de si, rosnou: — Tatiane, casar com outro homem? Nem pense nisso.

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Bab 1

Capítulo 1

Com vinte e cinco semanas de gravidez, Tatiane Oliveira acabou flagrando a traição do marido no hospital.

O homem alto e impecavelmente bonito vestia um sobretudo preto.

Nos braços, protegia uma jovem delicada e encantadora.

Ela usava um casaco branco de pele de raposa. As bochechas estavam rosadas pelo frio; o rosto pequeno, quase todo envolto em um cachecol de lã macia. Os traços eram finos e perfeitos, como os de uma boneca de porcelana.

Tatiane apertava com força o papel do exame pré-natal.

Os dedos iam ficando pálidos, sem cor.

O vento gelado cortava-lhe o rosto, mas nada era mais frio do que a dor súbita que atravessou seu peito.

Henrique Barbosa a viu de longe.

Seu rosto permaneceu indiferente, sem o menor sinal de constrangimento por ter sido flagrado.

Foi ele mesmo quem abriu a porta do carro para a garota, com gestos cuidadosos e gentis.

Tão distante.

Tão frio.

Tão inacessível.

O homem que sempre parecera um superior inalcançável também era capaz de demonstrar tamanha ternura.

A garota pareceu notar Tatiane.

Hesitou por um instante, lançou-lhe um olhar curioso e, em seguida, virou-se para Henrique.

— Aquela mulher ali. — Perguntou, apontando de leve. — Por que ela fica olhando pra você o tempo todo? Rick, você conhece ela?

O vento uivava nos ouvidos.

Tatiane não conseguiu ouvir claramente o restante da conversa.

Mas, pelo tom e pela forma como a jovem se referia a ela, entendeu com nitidez dolorosa.

Estava sendo tratada como uma mulher mais velha.

Tatiane soltou um riso amargo por dentro.

Ela tinha apenas vinte e quatro anos.

Mas o corpo levemente acima do peso, o rosto comum, o casaco preto volumoso, o gorro escuro…

Somados à gravidez já avançada, ao inchaço e à expressão exausta, faziam-na parecer uma mulher de trinta e tantos, talvez quarenta.

Como poderia competir com uma jovem bonita, radiante, cheia de vida?

Henrique envolveu a garota com o braço e a ajudou a entrar no carro.

Tatiane permaneceu imóvel no mesmo lugar, o corpo rígido, os pés cravados no chão, observando o veículo se afastar pouco a pouco até desaparecer.

Ela e Henrique haviam se casado por causa da gravidez.

Para alguém como ele, um homem sempre destinado ao topo, aquela união forçada era uma mancha em sua vida.

E a criança que ela carregava no ventre não passava de uma ferramenta.

Um meio de pressão.

Ele a odiava.

Odiava profundamente.

Ela o amara em silêncio por oito anos.

Tatiane sempre soubera que não estava à altura dele.

Por isso, só podia se esforçar cada vez mais.

Estudava sem descanso, avançava passo a passo, tomando Henrique como o ideal de vida que precisava alcançar, seguindo de longe cada pegada deixada por ele.

Até que, finalmente, conseguiu.

Tornou-se sua assistente.

Passou a ficar ao lado dele, tão perto quanto jamais ousara imaginar.

Mas aquela noite…

Não destruiu apenas Henrique.

Foi ainda mais cruel com ela.

Despedaçou, sem piedade, todo o orgulho e a dignidade que Tatiane tentava manter diante dele.

Ela jamais conseguiria esquecer o olhar que ele lançara depois.

Cheio de nojo.

Como se tivesse tocado em algo imundo, repulsivo.

Era por isso que apenas garotas bonitas, jovens e impecáveis eram dignas de alguém como ele.

Uma lágrima quente escorreu pelo canto de seus olhos.

Logo em seguida, uma fisgada atravessou-lhe o baixo-ventre.

Tatiane levou a mão à barriga quase por reflexo, apoiando-se com a outra em um pilar de pedra ao lado.

Uma enfermeira que passava percebeu seu estado e correu até ela, amparando-a com cuidado e conduzindo-a ao consultório.

Não era nada grave.

Apenas uma reação causada pela forte oscilação emocional.

O bebê fora afetado pelo estresse.

Depois de algum tempo, quando tudo se estabilizou, Tatiane deixou o hospital.

Com o corpo e a mente exaustos, dirigiu sozinha até o Residencial Aurora.

Aquela era uma das mansões particulares de Henrique.

Por ordem da avó dele, Lorena Dias, duas babás experientes haviam sido enviadas da residência principal da família Barbosa para cuidar dela.

Naquele momento, as duas estavam sentadas na sala aquecida, comendo tranquilamente, conversando e rindo, como se fossem as verdadeiras donas da casa.

Ao ouvirem o barulho da porta, uma delas virou a cabeça em direção à entrada.

Ao ver Tatiane retornar, levantou-se e foi até ela.

— E aí? Como foi o resultado do exame? — Perguntou.

O tom era arrogante.

O olhar, claramente desdenhoso.

Diziam estar ali para cuidar dela, mas agiam muito mais como vigias ou como anfitriãs fiscalizando a presença de uma intrusa.

Tatiane lançou apenas um olhar frio na direção da mulher.

Não respondeu.

Virou-se e seguiu diretamente para a escada.

A babá franziu o cenho, irritada.

— Ei, eu estou falando com você.

Tatiane continuou sem dizer uma única palavra.

A mulher observou suas costas se afastarem e não conteve um resmungo de desprezo.

Soltou um riso frio pelo nariz e murmurou, quase inaudível:

— Gorda e sem o menor pudor… Ainda acha que virou alguém da família Barbosa? Fazendo pose… Pra quem, afinal?

Tatiane voltou para o quarto.

Sentou-se na beira da cama, com o coração completamente vazio, perdida, sem direção.

Nem Henrique nem a família Barbosa jamais a haviam aceitado de verdade como esposa.

Naquela época, fora Lorena quem insistira para que registrassem o casamento.

O velho Sr. Barbosa sofrera uma piora repentina no estado de saúde e, justamente naquele momento, Tatiane aparecera grávida à porta.

Para trazer esperança à família e evitar boatos, acusações e escândalos, a união fora decidida às pressas, como se tudo estivesse sendo empurrado pela mão invisível do destino.

Talvez tivesse sido apenas coincidência.

Com o passar do tempo, a saúde do patriarca se estabilizou.

E a atitude da avó em relação a Tatiane tornou-se um pouco menos dura.

Mas os outros membros da família Barbosa continuavam a tratá-la com um desprezo descarado, sem qualquer tentativa de disfarce.

A ida ao hospital naquele dia tinha outro motivo.

Ela fora confirmar o sexo do bebê.

Era uma menina.

A mãe de Henrique, Bianca Moreira, provavelmente já havia recebido a notificação do hospital.

Nesse instante, o celular vibrou.

Tatiane respirou fundo e trouxe a mente de volta ao presente.

Pegou o telefone dentro da bolsa e, ao ver o nome na tela, ficou imóvel por um segundo.

Era seu professor.

— Professor Leandro.

— Surgiu uma vaga para doutorado sanduíche em Stanford. — Disse ele. — Você gostaria de tentar?

Ao ouvir aquelas palavras, Tatiane ficou completamente paralisada por alguns segundos.

Percebendo o silêncio, Leandro completou:

— Não é obrigatório, se você achar que…

— Eu vou.

Tatiane respondeu sem qualquer hesitação.

Dessa vez, foi Leandro quem permaneceu em silêncio.

Ele conhecia bem o quanto Tatiane havia se esforçado ao longo dos anos para merecer o direito de estar ao lado de Henrique.

Agora, com o casamento e a gravidez, como ela poderia simplesmente aceitar ir embora?

Aquela vaga restante ele oferecera apenas por tentativa, sem grandes expectativas.

— Professor Leandro. — Tatiane chamou, em voz baixa.

— Então venha amanhã às dez da manhã ao meu escritório. — Disse ele, por fim.

— Certo.

Leandro não acrescentou mais nada e desligou.

Tatiane baixou o celular e soltou um longo suspiro.

Pela primeira vez em muito tempo, teve a estranha sensação de que as nuvens haviam se aberto, deixando a lua aparecer.

Era hora de acordar.

"Um homem que não te ama não vai se prender a você nem por causa de um filho.

A criança que você carrega não será o laço que o fará voltar, nem fará com que ele te olhe uma única vez a mais."

Pouco depois, o celular voltou a tocar.

Era Lorena.

Ela pediu que Tatiane fosse até a residência principal da família Barbosa.

Tatiane concordou.

Provavelmente, o assunto era o bebê.

Mas agora, ela tinha forças.

Antes de sair, foi até o banheiro e tomou um banho demorado, lavando o corpo e tentando acalmar a mente.

Depois, sentou-se diante da penteadeira.

Tatiane encarou o reflexo no espelho.

O rosto inchado e redondo.

As olheiras profundas.

As bolsas sob os olhos.

As manchas escuras espalhadas pelas bochechas.

A aparência cansada, abatida, sem vida.

Diante daquela imagem…

Quem não sentiria repulsa?

Como alguém como ela poderia ter o direito de estar ao lado de um homem como Henrique, um verdadeiro escolhido pelo destino?

Tatiane se maquiou.

Trocou de roupa, vestiu um casaco acolchoado rosa claro e colocou um gorro branco de abas arredondadas.

O reflexo no espelho parecia um pouco mais vivo.

Ao menos por fora.

Ela pretendia ir sozinha de carro até a residência principal.

Mas, assim que saiu, o celular tocou.

Era Henrique.

A voz dele soou fria, distante, sem emoção alguma:

— Saia.

Tatiane se sobressaltou por um instante.

Provavelmente fora dona Lorena quem pedira que ele voltasse à casa principal.

— Já vou. — Respondeu ela.

Do lado de fora da mansão, o Rolls-Royce de Henrique estava estacionado à entrada.

Duas horas antes, aquela mesma carroceria havia levado outra mulher.

Tatiane puxou o ar fundo, avançou e abriu a porta.

Assim que entrou no carro, sentiu um leve perfume no ar.

Doce.

Suave.

Claramente o tipo de fragrância usada por garotas jovens.

No interior do veículo, havia ainda um pequeno urso de pelúcia cor-de-rosa, repousando diante do banco do passageiro.

Bastava um olhar para saber que era algo que uma mulher jovem escolheria.

Tatiane ergueu os olhos.

Por acaso, seu olhar caiu sobre o pulso do homem.

Ali, envolvendo o pulso forte e bem definido, havia um elástico fino de cabelo.

Ela sabia muito bem.

Detalhes assim nunca eram fruto do acaso.

Era a marca deixada por outra garota.

Uma presença silenciosa, mas inequívoca.

Uma forma clara de posse.

Henrique provavelmente gostava muito dela.

Tatiane reprimiu o amargor que subia do fundo do peito, sentou-se direito no banco e afivelou o cinto de segurança.

O motorista deu partida, e o carro começou a se mover lentamente.

Tatiane manteve o olhar voltado para a paisagem do lado de fora da janela, em silêncio absoluto.

Em outros tempos, qualquer momento a sós com ele teria sido precioso.

Ela teria feito de tudo para se aproximar, puxado conversa sem descanso, mesmo sendo tratada com impaciência ou desprezo.

Porque, ingenuamente, acreditava que já eram marido e mulher, que tinham um filho, que ainda teriam muitos anos pela frente.

Achava que, se fosse uma esposa adequada, uma boa mãe, talvez, um dia, Henrique finalmente olhasse para ela.

Mas tudo não passava de autoengano.

O homem, como sempre, não se importou com o estado emocional dela.

Com a mesma frieza de sempre, perguntou:

— É menino ou menina?

— Uma menina. — Respondeu Tatiane.

Ao ouvir isso, o rosto bonito e impassível de Henrique não demonstrou reação alguma.

Apenas disse, em tom neutro:

— Quando a criança nascer, nós nos divorciamos.

As palavras caíram.

Tatiane apertou os dedos com força.

O coração parecia ser esmagado por mãos invisíveis, e o ar começou a faltar.

Ela sempre soubera que aquele casamento não poderia durar.

Já estava preparada para isso.

Ainda assim, no instante em que ele disse aquilo em voz alta, a dor veio com a mesma intensidade.

Tatiane mordeu o lábio e respondeu, com a voz controlada:

— Tudo bem.

Henrique virou o rosto e lançou-lhe um olhar de soslaio, ligeiramente surpreso com a rapidez com que ela aceitara.
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