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Capítulo 40 – A Decisão da Luna

Autor: Rosana Lyra
last update Data de publicação: 2026-01-02 08:11:07

Samantha

Ele estava de joelhos. A Lua pendia alta, clara, fazendo do prateado um espelho do que eu sentia por dentro: uma mistura de frio e claridade. O campo ainda cheirava a cinza, suor e algo que sempre me encontra, mesmo quando eu não quero, menta e terra molhada. O cheiro dele.

Eu não disse nada de imediato. Olhei para o homem à minha frente e, por um instante, o título desapareceu. Não vi o Alfa que me humilhou diante de todos.

Vi o menino que correu da própria tragédia, as mãos pequenas
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  • Rejeitada Pelo Alfa, Escolhida Pela Lua   Epílogo - Sob a Luz da Eternidade

    SamanthaA Lua estava cheia, testemunha paciente de tudo que vivemos. Desde a noite em que fui rejeitada, até a noite em que fui aceita diante de todos, eu entendi que nada na vida acontece por acaso. As cicatrizes que um dia queimaram meu peito hoje são as linhas que desenham meu destino.Depois da guerra, depois da dor e da vitória, a alcateia Greene não era mais a mesma. Nem eu. Nem Ayres. Nem o mundo ao nosso redor.O clã Lunar, antes escondido entre sombras e lendas, desceu das montanhas para selar uma aliança com nossa alcateia. Homens e mulheres de túnicas prateadas caminharam lado a lado com guerreiros de pele marcada pelo tempo, e nenhum dos dois lados olhou o outro como inimigo. A líder deles, Maelin, ergueu sua mão e proclamou diante de todos:— A Escolhida da Lua é uma só, e ela está aqui. Onde ela pisa, nós pisamos. Onde ela luta, nós lutamos.A matilha inteira uivou em resposta. Naquele momento, eu não era apenas a companheira do Alfa. Eu era ponte. Eu era caminho. Eu er

  • Rejeitada Pelo Alfa, Escolhida Pela Lua   Capítulo 66 - O Legado da Escolhida

    AyresA manhã encontrou a cabana ainda com cheiro de lenha fria e pele aquecida. A luz entrou pelas frestas como pequenos rios dourados, atravessando o tecido leve da cortina, pousando no rosto de Sam. Ela dormia no meu peito, a respiração calma, o traço de um sorriso no canto dos lábios, como se conversasse com a Lua em segredo. Passei a mão com cuidado por seus cabelos e, por um instante, deixei que a memória me esmagasse: o menino, o estampido, a queda da minha mãe. Depois, trouxe de volta o homem que acordava ali, inteiro, pertencente, escolhido também.Se eu tivesse mantido o orgulho, o que sobraria? Uma casa silenciosa e um comando vazio. Um Alfa forte por fora, oco por dentro. Foi preciso ajoelhar para ficar de pé. A força que eu gastava para negar o óbvio hoje serve para sustentar o que me sustenta: ela.Sam abriu os olhos devagar, lindo sereno atravessado por brilho travesso.— Bom dia, meu Alfa. — disse, a voz rouca de sono.— Bom dia, minha Luna. — respondi, encostando a b

  • Rejeitada Pelo Alfa, Escolhida Pela Lua   Capítulo 65 – O Vínculo Sagrado

    SamanthaA noite de lua cheia se abriu sobre nós como um véu prateado. O templo lunar estava lotado, mas o silêncio era tão profundo que eu podia ouvir a batida do meu próprio coração. Ayres estava ao meu lado, imponente, mas vulnerável, e por isso mais belo do que nunca.A Mestra do Ritual nos chamou para o círculo central. A matilha nos observava com olhos cheios de expectativa. Alguns choravam, outros apenas seguravam a respiração.— A Lua chama seus escolhidos. — a Mestra anunciou — Hoje, não há Alfa e Luna separados. Hoje, há união.Ayres estendeu a mão para mim. Por um instante, vi o homem que me rejeitou, o medo em seus olhos, o peso do trauma que ele carregou desde menino. Mas, quando toquei seus dedos, tudo se dissolveu. Ele era só meu. E eu, dele.A luz da Lua desceu sobre nós. As marcas prateadas na minha pele brilharam e se estenderam até encontrarem o peito de Ayres, como se fossem rios de luz conectando nossos corpos. Fenrir e Arwen uivaram ao mesmo tempo, e o som ecoou

  • Rejeitada Pelo Alfa, Escolhida Pela Lua   Capítulo 64 – O Alfa Rendido

    AyresO templo lunar da nossa matilha nunca me pareceu tão imponente. As paredes de pedra bruta refletiam o luar que entrava pelas aberturas no teto, derramando clarões prateados que dançavam pelo chão. Eu caminhava um passo atrás de Samantha, observando-a como se fosse a primeira vez. Cada olhar dirigido a ela tinha peso, respeito, temor, fascínio. Mas nenhum desses sentimentos se comparava ao que queimava dentro de mim: rendição.Os anciãos a posicionaram no centro do círculo, enquanto a matilha se reunia em silêncio absoluto. A fumaça das ervas queimadas subia e se misturava à luz da Lua. Samantha manteve a cabeça erguida, as mãos firmes ao lado do corpo, o olhar sereno. A força dela não era exibida, era natural, como a respiração.Quando a voz da Mestra do Ritual ecoou, a sala pareceu se contrair:— A Deusa da Lua chama sua escolhida. Se for de Sua vontade, que as marcas se revelem.No instante seguinte, o milagre aconteceu. Na pele de Samantha, símbolos prateados começaram a br

  • Rejeitada Pelo Alfa, Escolhida Pela Lua   Capítulo 63 - Enfim Casal

    Samantha Levei Ayres até um banco largo, perto da forja apagada. Sentei-o aos poucos, cuidando para não tensionar o lado ferido. Ele obedeceu sem discussão, o que, confessei, me deu uma paz secreta.— Vai ficar uma marca. — comentei, observando o selo de luz que ainda vibrava sob a pele.— Quero que fique. — ele disse, sem hesitar — Para lembrar do que não volto a fazer.— E do que voltamos a ser. — acrescentei.Ele segurou minha mão de novo, mas agora não era ancoragem, era afeto quieto. O pátio nos rodeava sem nos invadir, como se soubesse que aquele banco, naquele minuto, era nosso altar.— Tem algo que eu não disse do jeito certo. — Ayres começou, o olhar procurando o meu — Sempre falei sobre destino com raiva, como se fosse uma corrente. Hoje entendo: ele só aponta. Quem anda somos nós. Se eu te aceito diante de todos, é porque decidi andar contigo, não porque a Lua me empurrou.— Eu sei. — respondi, sentindo a garganta apertar do jeito bom — E, se eu digo que escolho ser tua, é

  • Rejeitada Pelo Alfa, Escolhida Pela Lua   Capítulo 62 – O Reconhecimento da Luna

    SamanthaA madrugada cedeu lugar a um início de manhã que não tinha força para ser bonito. O campo estava gasto, brasas morrendo, cascas de munição enterradas no barro, passos arrastados de quem voltou. A vitória é um bicho silencioso depois do estalo e, ainda assim, viva. Os nossos se juntaram em torno de mim e de Ayres como quem busca calor. Vi rostos manchados de terra e sangue, vi olhos fundos e, mesmo assim, inteiros. Crianças foram trazidas para fora, agarradas às saias das mães, provando com o toque que a casa continuava de pé.Ayres permanecia ajoelhado, uma mão no chão para apoiar o corpo ferido, a outra segurando a minha, como quem se ancora no que é certo. Eu sentia sob os dedos o pulsar dele irregular, mas firme o suficiente para me manter ali. A cada respiração, ele lutava um pouco, e vencia um pouco. O corte estava selado, obra da Lua e das minhas mãos, mas o veneno rondava por dentro, como um inverno tardio tentando demorar-se. Eu fiquei. Não por pena. Por escolha. Eu

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