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CAPÍTULO 10 - DOIS ALFAS, UMA FRONTEIRA

Autor: Evilyn Sá
last update Fecha de publicación: 2026-02-27 19:09:06

A notícia chegou antes deles.

A Aurora Prateada sempre soube antes.

— Ele está vindo.

Elira sentiu o vínculo reagir no mesmo instante em que ouviu a frase.

Não foi dor.

Foi presença.

Forte. Próxima. Determinada.

Kael não estava apenas na fronteira desta vez.

Ele estava cruzando.

Ela estava na área central da matilha quando os guerreiros começaram a se posicionar.

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Último capítulo

  • Rejeitada pelo Alfa da Lua Sombria   EPÍLOGO: O QUE PERMANECE

    (ELIRA)O tempo não apagou.Ele… acomodou.Aurora voltou a respirar primeiro.Depois, Obsidiana.Depois… nós.Não houve um dia exato em que tudo ficou bem.A cura não veio como uma onda — veio em pequenos instantes, quase imperceptíveis.Um lobo que voltou a correr.Uma árvore que floresceu fora de época.Uma noite em que consegui dormir sem sentir o peso esmagando meu peito.E, ainda assim…Havia coisas que o tempo não levou.Orion.Eu ainda penso nele.Não com a dor crua de antes.Mas com uma ausência que se transformou em algo mais… silencioso.Mais profundo.Ele não voltou para Aurora.Não ficou em Obsidiana.Orion partiu.Não por fraqueza.Mas porque precisava.Porque permanecer… teria destruído o que restava dele.E talvez… o que restava de nós.Ninguém sabe exatamente para onde ele foi.Alguns dizem que ele está ao norte, reconstruindo uma alcateia própria.Outros dizem que ele caminha sozinho, ajudando territórios menores a se manterem estáveis.Kael não fala sobre ele.Mas eu

  • Rejeitada pelo Alfa da Lua Sombria   CAPÍTULO 102 - CAPÍTULO FINAL: ETERNO

    (ELIRA) Obsidiana nunca pareceu tão… viva.Não como antes.Antes, o território pulsava com poder, com hierarquia, com força bruta. Era imponente. Intocável. Dominado.Agora—Ele respirava.Havia algo diferente no ar.Mais leve.Mais… humano.Eu parei no alto da escadaria de pedra, olhando tudo à minha frente.A matilha estava reunida.Lobos em forma humana e animal, espalhados pelo pátio central, formando um círculo amplo ao redor do altar de pedra negra — o mesmo onde decisões eram tomadas, onde destinos eram selados.Onde, uma vez…Eu fui rejeitada.Meu peito apertou levemente com a lembrança.Mas não doeu.Não mais.Porque agora—Eu não era a mesma.E aquele lugar…Também não.— Está com medo?A voz veio ao meu lado.Baixa.Grave.Familiar.Kael.Eu não precisei olhar para saber que ele estava ali.Eu senti.Sempre sentia.Mas agora não como uma força que me puxava.Como uma escolha que me ancorava.Eu soltei um pequeno suspiro.— Não.Minha resposta saiu sincera.E isso me surpre

  • Rejeitada pelo Alfa da Lua Sombria   CAPÍTULO 101 - ESCOLHA FINAL

    (ELIRA)A lua estava alta quando eu finalmente parei de fugir.Não dos outros.De mim.Aurora ainda respirava devagar, como se cada parte do território estivesse reaprendendo a existir depois do colapso. O silêncio já não era tão pesado quanto antes… mas também não era leve.Era… honesto.Como tudo dentro de mim agora.Eu caminhei sem destino até parar no limite da clareira central. O mesmo lugar onde tudo começou a ruir… e onde tudo terminou.Ou quase.O vento tocou meu rosto suavemente.Frio.Mas não incômodo.Eu fechei os olhos.E senti.A lua ainda estava ali.Constante.Presente.Mas silenciosa.Como se, pela primeira vez… estivesse me deixando escolher sozinha.Meu peito apertou.Orion.A ausência dele ainda estava ali.Não como ferida aberta… mas como cicatriz recente.Eu ainda sentia.A falta.O eco.A marca.E aquilo nunca iria desaparecer completamente.Eu sabia.E aceitei.— Obrigada… — sussurrei para o vazio, sem saber se ele poderia ouvir.Talvez não.Mas eu precisava diz

  • Rejeitada pelo Alfa da Lua Sombria   CAPÍTULO 100 - AUSÊNCIA

    (ELIRA)O silêncio não foi embora.Ele se instalou.Entrou nas paredes de Aurora, se acomodou entre as árvores, se deitou ao lado dos corpos feridos… e ficou.Mas dentro de mim—Ele gritou.Eu não dormi.Não de verdade.Meu corpo até cedeu em algum momento, vencido pelo cansaço, mas minha mente… não parou.Porque toda vez que eu fechava os olhos—Eu sentia.Não presença.Ausência.Orion.Meu peito apertou antes mesmo que eu me movesse.Acordar doía.Não como ferimento.Mas como consciência.Eu sabia, no instante em que abria os olhos, que algo não estava ali.E não voltaria.Eu levei a mão ao peito, ainda deitada, os dedos pressionando com força, como se… talvez… se eu insistisse o suficiente…Eu pudesse sentir de novo.Qualquer coisa.Um eco.Um resquício.Mas o que encontrei foi pior.Nada.Um vazio limpo.Frio.Definitivo.Minha respiração falhou por um segundo.— …Nem o nome saiu.Porque dizer “Orion” agora… parecia errado.Como chamar alguém que não podia mais responder.Mas não

  • Rejeitada pelo Alfa da Lua Sombria   CAPÍTULO 99 - SILÊNCIO

    (ELIRA)O mundo não voltou.Ele… parou.Não houve um momento de alívio, nem um suspiro coletivo, nem celebração.Aurora simplesmente… cessou.Como um coração que bateu rápido demais por tempo demais… e agora não sabe mais em que ritmo continuar.O ar estava limpo.Mas pesado.As árvores estavam de pé.Mas imóveis.Os sons… quase inexistentes.Sem gritos.Sem rosnados.Sem guerra.Só silêncio.Um silêncio tão profundo que parecia pressionar meus ouvidos, como se o próprio território estivesse… tentando entender o que ainda restava.Eu ainda estava de pé.Não sabia exatamente como.Minhas pernas tremiam levemente, o corpo inteiro pesado, como se cada parte de mim tivesse sido esticada além do limite… e agora estivesse tentando voltar ao lugar.Mas algo não voltava.Eu sentia.Por dentro.Diferente.Vazio… e cheio ao mesmo tempo.Minha respiração saiu lenta.Controlada.Mas não natural.Nada parecia natural.Meus olhos percorreram o que restava.Lobos espalhados pelo chão.Alguns conscie

  • Rejeitada pelo Alfa da Lua Sombria   CAPÍTULO 98 - ÚLTIMO SUSPIRO

    (LYRA) O silêncio… doeu mais que o grito.Porque o grito era luta.O silêncio… era o fim.Eu não senti o momento exato em que o poder me deixou.Eu senti… a ausência.Como se algo que sempre esteve queimando dentro de mim simplesmente… apagasse.Frio.Vazio.Errado.Minhas mãos tremiam.Eu tentei fechá-las… mas não havia mais força.— N-não… — minha voz saiu fraca, quebrada… irreconhecível até para mim.Isso não podia estar acontecendo.Eu era a Noite.Eu a carregava.Eu a controlei.Eu—Uma dor atravessou meu peito.Eu arqueei, o ar falhando completamente.Não era dor de ataque.Era… ruptura.Como se algo estivesse sendo arrancado de dentro de mim.Não.Não arrancado.Rejeitado.A Noite não me pertencia mais.Ela estava… indo embora.E sem ela—Eu não sabia quem eu era.O chão parecia distante.Ou talvez eu estivesse caindo.Eu não sabia.Tudo estava… lento.Distorcido.Apagando.Então—Braços.Fortes.Firmes.Desesperados.Eron.O nome veio como um eco.Ele me segurou antes que eu

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