INICIAR SESIÓNScarlet Hayes
O mundo pode ruir em silêncio, e mesmo assim ferir tanto. Você nunca espera que o amor se torne uma armadilha. Eu achava que sabia o que era confiar em alguém, que podia enxergar através dos olhos de quem se torna o nosso amor, até que fui deixada sozinha no escuro, machucada por verdades escondidas atrás de sorrisos. Eu cresci em um orfanato, onde fui deixada pela minha mãe, quando eu tinha apenas dois anos, e não tinha nenhuma lembrança em minha mente dela, mas apenas de um lobo com pelos acinzentados e olhos azuis, era a única lembrança do meu passado que muitas vezes aparecia em meus sonhos, antes do Noah, eu não sabia o que sentir amor por alguém, apesar de não ter sido adotada, eu recebia afeto e amor da única amiga que fiz no orfanato, mas até ela precisou ir, quando eu tinha dez anos, e ela quinze.Parte de mim ficou feliz ao ver que ela teria uma família, mas outra parte estava triste por não ter mais minha melhor amiga ao meu lado. Anos depois, quando eu estava prestes a completar meus quinze anos, ela apareceu no orfanato e então me adotou, desde o dia em que ela voltou por mim, meus dias se tornaram únicos a Maya era diferente, ela revelou seu maior segredo, quando se tornou a minha tutora, ela então se transformou para mim e então eu vi uma loba, com olhos azuis e pelos cinzas, só que mais escuros, foi então que conheci um novo mundo, e me vi envolvida com humanos que também podiam se transformar. Quando completei dezoito anos, consegui um estágio em uma empresa de renome, e foi então que todo caos da minha vida começou, quando eu conheci o Noah. Gentil, carismático, cuidadoso. Ele era o tipo de homem que faz você acreditar que o universo finalmente sorriu para você. Eu o amei rápido, profundamente, e com aquela ingenuidade que a gente só percebe depois de sentir que tudo foi um erro Estávamos prestes a dar o próximo passo. Ele me disse que queria que eu conhecesse a família dele e eu achei que era real. Era amor. Pelo menos pra mim. Mas então veio o acidente. E com ele, o vazio.Noah perdeu a memória, um dia antes dele me apresentar a sua família, ele perdeu tudo que vivemos. No começo, me mantive firme, fiz questão de ir todos os dias ao hospital, segurava sua mão, contava nossas histórias, mostrava fotos. Esperava que ele lembrasse. Que o brilho no olhar voltasse. Mas ele apenas me olhava, como se diante dele, houvesse apenas uma estranha e tudo o que eu tentava recuperar se tornava cada dia pior, foi então que conheci a ex dele e descobri que o homem gentil que eu conhecia, escondia de mim absolutamente tudo sobre quem realmente ele era. Ela era bonita, articulada, com aquele jeito venenoso de quem sabe manipular. E ele acreditava nela. Ela sorria como se tivesse totalmente envolvido e apaixonado por sua ex, como se eu fosse apenas uma intrusa na história que elas haviam reescrito. Eu tentei avisar. Tentei confrontá-la. Eu gritei com ela no hospital, dizendo que ele era meu. Que ela estava mentindo. E naquele momento, eu vi nos olhos dela que ela sabia que eu estava certa e não se importava. No dia seguinte, na porta do hospital ,eu fui agredida, e logo tudo escureceu. Não sei quanto tempo fiquei desacordada. Só sei que acordei com os pulsos presos por correntes frias e uma venda nos olhos. O cheiro de mofo e medo era sufocante. Eu tentei gritar, me debater, mas ninguém me ouviu. Fui arrastada por corredores de pedra, forçada a vestir um vestido branco, e jogada em uma sala onde outras meninas choravam baixinho. Eu era parte de algo horrível. Um leilão.E então... eu o vi.Um homem surgiu das sombras. Alto, olhar cortante, presença que pesava como ferro quente na pele. Ele era selvagem. Perigoso. E quando ele me olhou, era como se o mundo inteiro tivesse parado. Senti um frio percorrer minha espinha, meus joelhos enfraquecerem. Algo dentro de mim dizia pra fugir,mas eu estava presa ao chão. Ao olhar dele, sem conseguir sequer parar de sentir o medo se espalhar pelo meu corpo. Ele veio até mim, me libertou daquele leilão cruel.Me encarou como se eu fosse dele. E, pela primeira vez em muito tempo, além da Séfora, minha melhor amiga, alguém me protegeu. Mas havia algo errado. Aquele homem não era como Noah. Ele era mais. Algo primal vibrava nele. Algo que me deixava exposta, vulnerável, como se ele pudesse ver tudo que eu escondia por trás da minha dor. Eu não sabia quem ele era. Mas tinha certeza de uma coisa, ao ver lutando com um alfa, ele só podia ser o alfa que a Séfora tanto falava, ele era temido e não temia nada, o vi se tornando líder da Alcatéia após derrotar o alfa daquela região que eu sequer sabia, já que nem imaginava onde eu estava. Assim que ele me tirou daquela mansão, eu o olhei e então perguntei: —O que pretende fazer com as mulheres que estão lá dentro ainda presas?Deixará que os lobos que estão lá dentro, possam fazer o que quiserem com elas? —O que quer que eu faça?—ele perguntou, com sua voz grave. Eu o encarei por um momento, observando o olhar dele, aqueles olhos azuis que pareciam ser familiar para mim. Foi então que um carro se aproximou de nós e logo a Séfora saiu e correu em minha direção. Ela se curvou diante do homem que havia me tirado daquele leilão, em seguida o agradeceu, foi então que Séfora o chamou de Alfa, apesar de não ter visto ele se transformar em lobo, algo dentro de mim sabia, ele só podia ser o temido líder da Alcatéia em que minha melhor amiga era a beta junto com o seu parceiro Josh um beta. continua...Dimitri Ela assentiu, as lágrimas deslizando lentamente por seu rosto.— Houve uma guerra… uma antiga, e pessoal, não essa que levou Lucian. Eu fui ferida, e para que ele vivesse, precisei me desfazer de mim. Parti, deixei para trás o que fui. Lunael foi o que restou, a parte de mim que esqueceu, que dormiu.Fiquei imóvel.O fogo estalava, o vento gemia nas frestas da janela, e eu me sentia pequeno diante do que via.Scarlett.O nome ecoava como uma prece antiga.Ela era a origem. A chama que começou tudo.E agora estava ali, viva, diante de mim.— Então Lunael era você o tempo todo? — perguntei, ainda sem acreditar.Ela aproximou-se mais, e pude sentir o calor de sua pele, o mesmo calor que um dia Lucian descrevera com reverência.— Era eu, e não era. — respondeu. — Eu fui parte de Lunael ele ela era a parte de mim que o mundo poupou da dor. Scarlett, era a que o mundo esqueceu.Passei as mãos pelos cabelos, tentando entender.— Por que agora? Por que voltar?Ela respirou fundo, e s
Lunael Voss Ele passou a mão pelo rosto, o olhar sombrio. — Eu também não pedi por isso, Dimitri. — Então por que veio? — gritei. — Por que não me deixou sofrer em paz? Por que precisava me envenenar com essa promessa absurda? Ele me fitou, os olhos cheios de uma dor silenciosa. — Porque eu fiz uma promessa ao homem que amei como um irmão. E vou cumpri-la, mesmo que isso me destrua. O silêncio voltou a cair entre nós. Eu tremia. O coração latejava como se tentasse escapar do peito. Tudo que eu queria era acordar daquele pesadelo, abrir os olhos e encontrá-lo novamente no jardim, com as flores brancas e o sorriso que me salvava do mundo. Mas não havia mais volta. Afastei-me alguns passos, tentando respirar. — Você acha que casar comigo vai honrar a memória dele? — perguntei, com amargura. — Lucian não me amaria menos se eu escolhesse viver sozinha. Ele jamais pediria algo que me ferisse. — Mas ele pediu — disse Dimitri, com a voz embargada. — Pediu porque sabia que, de algum
Lucian Voss A noite caiu devagar, e o céu parecia chorar junto comigo, pequenas gotas de chuva começaram a cair sobre o jardim, como se o próprio céu lamentasse o que estava por vir. Lunael ficou parada sob a chuva, as flores brancas agora encharcadas, presas entre seus dedos trêmulos. Eu quis correr até ela, arrancá-la dali, escondê-la do que eu já sabia que poderia acontecer, mas sabia que não podia. O tempo tinha suas próprias leis e eu, por mais que quisesse, não podia quebrá-las. — Lucian… — ela chamou meu nome com um sussurro que me feriu mais do que qualquer espada. — Se você se for, quem eu serei? Aproximei-me lentamente, cada passo mais pesado que o anterior. Toquei seu rosto e deixei que ela sentisse meu calor uma última vez. — Você será tudo o que eu vi em você, Lunael. A luz que o escuro não conseguiu apagar. Ela fechou os olhos, e uma lágrima escorreu por sua pele fria. — E se o amor não for o bastante? — O amor é o bastante — respondi. — Só não é justo. Ficamo
Lucian Voss O tempo tem um jeito curioso de nos testar. Há dez anos, eu vivia à sombra das minhas tristezas, carregando o peso de lembranças que não sabia se eram sonhos ou vidas antigas. E então ela voltou, Lunael. Desde a noite em que o passado se rasgou diante de nós e o nome dela ecoou como um chamado esquecido, nada mais foi o mesmo. Vivíamos juntos agora. Não como fugitivos de uma vida que parecia diferente, mas como sobreviventes dela. Havia dias em que ela me olhava e eu via séculos nos olhos dela, o reflexo de um amor que o tempo tentou apagar e falhou. Outros dias, eu apenas a observava caminhar pelo jardim, e me perguntava se realmente merecia aquela paz. Mas a paz é um disfarce traiçoeiro quando se vive à beira de uma guerra. As fronteiras estavam se movendo de novo. O conselho da alcateia, como a vingança do sobrinho do Dimitri, reunia em sigilo. Ele havia me convocado. E quando Dimitri chama, é porque o mundo está prestes a ruir, eu que havia me tornado
Lunael VossO silêncio entre nós parecia antigo, como se tivesse atravessado séculos para chegar ali. A brisa fria trouxe o cheiro das flores do jardim, e o tempo, por um instante, parou. — Eu esperei tanto por isso. — Séfora sussurrou, a voz embargada. — Por entender o porquê de tudo. Por saber que não era loucura lembrar de uma promessa que eu nem sabia se realmente existiu. Aproximei-me devagar, e quando nossas mãos se tocaram, um calor percorreu minha pele. Foi como se o universo respirasse conosco. — Talvez nunca fosse para entendermos — murmurei. — Talvez só precisássemos sentir. Ela assentiu, enxugando as lágrimas, mas ainda tremia. — E Dante? — perguntou. — Ele também lembra? Meu coração se apertou. — Ainda não. Mas o corpo dele, o olhar dele, às vezes parece lembrar antes que a mente consiga aceitar. Há dias em que ele me olha e o tempo se dobra. Como se soubesse quem eu fui, mas ele não parece estar pensando nisso, já que ele agora tem uma pessoa.Também não posso alime
Lunael VossA pergunta me pegou desprevenida. — Não sei se posso chamar de estar juntos, já que somos casados a um bom tempo — respondi. — É complicado. Ele me protege, me domina, mas há momentos em que sinto que ele teme algo que nem eu entendo.— Ele teme perder de novo — disse ela, com firmeza.Virei o rosto, surpresa. — Como assim?— Ele me contou sobre você — murmurou, a voz quase um sussurro. — Sobre o quanto a amou… e o quanto a perdeu e sempre a esperou.Fiquei olhando para o chão, tentando lidar com o nó na garganta.— Eu também o amei — confessou ela, de repente.A frase veio como um trovão.Olhei para ela, e por um instante, achei que tinha ouvido errado. — O quê?Ela sorriu com tristeza. — Sim. Eu amei Lucian. Mais do que devia.Meu coração acelerou, e um estranho calor percorreu minhas veias.— Mas você não é casada? — perguntei, sem conseguir disfarçar o espanto.Ela balançou a cabeça devagar. — Fui. Perdi meu marido pouco depois que Scarlett morreu. Ele não suportou a







