Mag-log inEla inclinou-se um pouco.— Velho?Nada.Os dedos dela apertaram os dele.Não houve resposta.O coração acelerou.— Magnus.Dessa vez a voz saiu mais firme.Ela levantou-se da cadeira e sentou na borda da cama, ainda segurando sua mão.O rosto dele estava tranquilo.Os olhos fechados.Nenhuma expressão de dor.Evelyn olhou para o peito.Esperou subir.Nada.— Não.A palavra saiu baixa.Quase irritada.Ela soltou a mão dele apenas para tocar seu rosto.Ainda quente.— Magnus.Nada.Evelyn passou a mão pelo lado do pescoço.Procurou.Não encontrou.— Não faça isso.A voz falhou.Ela inclinou-se mais.— Você acabou de me entregar um reino inteiro. Não pode simplesmente me deixar com ele e—A frase quebrou.Evelyn fechou os olhos.— Não.Por sete anos, ela aprendera a sobreviver às perdas antes mesmo de elas acontecerem.Mantinha distância.Controlava o que sentia.Não prometia coisas que não podia garantir.Não deixava o amor alcançar lugares onde outra pessoa pudesse usá-lo para destruí
O nome atingiu Magnus em cheio.Por um longo instante, ele apenas a encarou.A confusão desapareceu.Depois veio reconhecimento.Nyra Everhart.Claro que conhecia o nome.Quase todo governante daquela parte do mundo conhecia.Sete anos antes, Valcrest havia sido assunto em reinos, matilhas e Conselhos durante meses.A Casa Everhart era antiga, respeitada, ligada às forças do Norte e conhecida pela lealdade ao trono de Valcrest. Garrick Everhart comandara tropas por anos. Elowen participara da política entre mulheres e Casas. E Nyra crescera ao lado de Theron Ashborne.Todos sabiam daquela história.O herdeiro que se tornara Supremo Alpha.A menina que crescera ao seu lado.A amizade transformada em amor antes mesmo de o vínculo confirmar o que já existia.A futura Luna aceita pelo povo.Depois, numa única noite, tudo ruíra.Vampiros.Documentos estratégicos.Traição.Rejeição pública.A queda completa dos Everhart.Exílio.Valcrest passara anos carregando as consequências políticas e
Evelyn permaneceu diante da porta por mais alguns segundos.A mão continuava apoiada na madeira, os dedos imóveis, como se aquele pequeno contato ainda pudesse mantê-la do lado de fora de tudo que sabia que encontraria ali.Do outro lado, Magnus tossiu novamente.Fraco.Muito mais fraco do que na coroação.Aquilo foi o suficiente.Evelyn fechou os olhos, puxou o ar e finalmente empurrou a porta.O quarto estava silencioso.As cortinas haviam sido abertas apenas o suficiente para permitir a entrada da luz da tarde, que se espalhava fraca sobre o chão. A lareira permanecia acesa apesar de o dia não estar particularmente frio, e o cheiro forte de ervas medicinais se misturava ao da madeira queimando.Não havia curandeiros.Não havia criados.Nem conselheiros.Magnus pedira para ficar sozinho.Esperando por ela.Evelyn fechou a porta atrás de si.Então o viu.O peito apertou com tanta força que precisou parar.Magnus estava deitado.Não sentado entre travesseiros como nas últimas semanas,
Lorian olhou para ela.Havia aprovação no rosto dele.Não adulação.Não surpresa exagerada.Apenas aquela expressão de quem tinha ouvido, pensado e concluído que ela estava certa.Darian levantou-se.— Então solicito que nossos escribas trabalhem na versão final ainda hoje.Evelyn assentiu.— Lorian acompanhará.O jovem virou.Não esperava.— Eu?— Conhece os números.Ele recuperou imediatamente a postura.— Sim, Majestade.— Confirme as cláusulas de reajuste e garanta que não apareça uma taxa nova escondida em alguma página porque alguém ficou criativo depois do almoço.Darian riu.Lorian sorriu.— Farei isso.— E se tiver dúvida?— Pergunto.— Excelente.Evelyn começou a reunir os papéis.Talvez sobrevivesse àquela manhã.Talvez até comesse antes do próximo Conselho.Então a porta se abriu.Não violentamente.Não houve grito.Ainda assim, alguma coisa mudou.Evelyn ergueu os olhos.Reconheceu o homem no mesmo instante.Guarda pessoal de Magnus.Ele estivera ao lado dele durante anos
Uma em cima da outra. Cada vez mais altas.Evelyn fechou a boca. Ficou olhando.Era quase impressionante.Homens adultos.Alguns com filhos já adultos.Terras.Exércitos particulares.Títulos.E nenhum deles parecia ter aprendido a esperar outra pessoa terminar uma frase.Ela apoiou as costas na cadeira.Talvez pudesse deixá-los falar até ficarem sem ar.Provavelmente demoraria.Darian observava a cena como quem começava a entender por que a negociação se arrastara por tantas gerações.Lorian, porém, parou de escrever.Ergueu os olhos.Primeiro para Harven.Depois Marek.Depois os outros.Evelyn percebeu a mudança na postura dele.Não interferiu.Harven continuava falando quando Lorian se levantou.— CHEGA.A palavra bateu nas paredes.Todos pararam.Até Evelyn olhou para ele.Lorian permaneceu em pé.Não gritava mais.Não precisava.— Todos aqui já tiveram oportunidade de falar. Alguns tiveram várias.Harven abriu a boca.Lorian virou para ele.— Não.O conde realmente fechou.Evelyn
Evelyn precisara de apenas dois dias usando a Coroa de Asterion para descobrir que governar um reino era consideravelmente mais simples quando metade das pessoas na sala não estava determinada a explicar por que nada deveria mudar.— Pela última vez, Majestade, esse acordo existe há quase sessenta anos.Conde Harven repetiu a frase com a solenidade de quem acreditava ter acabado de encerrar uma discussão.Evelyn permaneceu sentada à cabeceira da longa mesa do Conselho.Não respondeu imediatamente.Talvez porque já tivesse ouvido aquilo quatro vezes naquela manhã.Talvez cinco.Perdera a conta.À sua frente estavam contratos antigos, relatórios de extração, custos de transporte, taxas cobradas pelas Casas intermediárias e a proposta apresentada pelos representantes da Alcateia de Draven, responsável por uma das maiores regiões mineradoras a oeste de Asterion.Ferro.Cobre.Pequenas quantidades de prata industrial.Tudo necessário para armas, ferramentas, construção e manutenção das est







