INICIAR SESIÓNNatalie deu alguns passos para o lado, abrindo caminho para que ele passasse, observando atentamente cada movimento de Alejandro. Ele se movia como um homem que sabia exatamente o que queria e como conseguir. Havia algo na postura dele, mesmo ferido, que indicava sua recusa em admitir qualquer fraqueza, como se o orgulho o mantivesse de pé.
Apesar disso, a médica dentro de Natalie não conseguia simplesmente deixar passar. — Espere — disse ela, sua voz mais firme do que o esperado. Alejandro parou na porta, sem se virar, oferecendo-lhe apenas um breve momento de atenção. — Deixe-me verificar o seu ferimento antes de ir. Você precisa de antibióticos e analgésicos para o trajeto. Ele suspirou impacientemente, mas se virou. O olhar dele era desafiador, carregado de um peso difícil de decifrar. — Seja rápida — disse ele, a voz marcada por um sotaque forte que tornava suas palavras ainda mais cortantes. Natalie se aproximou com cuidado, sentindo seu coração acelerar. Sem dizer uma palavra, começou a examinar o curativo improvisado. O sangue já tinha manchado parte das ataduras, mas felizmente o sangramento havia diminuído. Ainda assim, ele precisava de mais cuidados do que estava disposto a admitir. Enquanto trocava as ataduras rapidamente, as mãos de Natalie tremiam levemente, não por medo, mas pela estranha tensão que pairava no ar entre eles. Ela podia sentir o olhar dele em cima de si, como se estivesse decidindo se ela era uma ameaça ou apenas uma inconveniência. Quando terminou o curativo, abriu a gaveta e pegou uma bandeja com pequenos frascos. Ela informou que aplicaria um antibiótico, sem esperar permissão. Sabia que ele poderia facilmente arrancar tudo dela se quisesse, mas, naquele momento, ele permaneceu imóvel, permitindo que ela agisse. Preparando a injeção com rapidez, Natalie a aplicou no braço dele. Depois entregou dois comprimidos de analgésico e um copo de água. — Tome. Vai ajudar a suportar a viagem — disse ela, seu olhar firme no dele. Por um momento, achou que ele recusaria por puro orgulho, mas, para sua surpresa, Alejandro pegou os comprimidos e os engoliu sem discutir. Um pequeno gesto de aceitação, ou talvez apenas uma estratégia para acelerar a própria fuga. Quando terminou, ela deu um passo para trás, sentindo um alívio misturado com frustração. — Agora você está pronto — disse Natalie, a voz mais dura do que ela pretendia. Ele não respondeu. Apenas se ajeitou melhor, ajeitando a camisa amassada e o casaco escuro que estava ali, jogado sobre uma cadeira. O tecido, sujo com o próprio sangue, manchava o pano de vermelho escuro, mas ele parecia não se importar. Seus movimentos ainda eram um pouco rígidos pela dor, mas ele não deixava transparecer fraqueza alguma. Natalie ouviu passos pesados no corredor. Estavam vindo buscá-lo. Alejandro se aproximou da porta, mas antes de sair, virou ligeiramente a cabeça na direção de Natalie. — Não deveria se meter com coisas que não entende, doutora — disse ele, com aquela voz rouca, cheia de uma ameaça velada. — Isso pode acabar mal pra você. Então, sem esperar resposta, ele cruzou a porta, sumindo no corredor. Natalie ficou ali, imóvel, com o coração batendo forte no peito. Era como se uma corrente invisível tivesse se formado entre eles naquele instante, algo que ela não conseguia explicar, mas que sabia, no fundo da alma, que não iria se romper tão facilmente. Mesmo que ele tivesse ido embora, a sensação de perigo — e algo mais, algo sombrio e sedutor — permanecia pairando no ar, impregnando o ambiente como uma sombra que não podia ser dissipada. E Natalie, contra toda a lógica, sentia que aquele encontro era apenas o começo.Alejandro estava sentado no sofá, Sebastián no colo, enquanto Natalie se acomodava ao lado dele, sorrindo com a movimentação da sala. Amaya corria de um lado para o outro, espalhando brinquedos e risadas, enquanto Isadora, mais velha e cheia de paciência, supervisionava, intervindo de vez em quando para organizar a bagunça com um sorriso divertido. Malu e Verónica observavam tudo da cozinha, trocando olhares cúmplices e risadas silenciosas, encantadas com a harmonia e a alegria da família reunida. De repente, Alejandro inclinou-se e roçou os lábios na orelha de Natalie. Sua voz rouca e divertida sussurrou: — Sabe, mi amor… acho que ainda não terminei com você hoje. Quero mais um. Natalie piscou, surpresa, mas logo reconheceu a provocação e sorriu com malícia. Ela ergueu a sobrancelha, tentando parecer séria. — Mais um o quê? — perguntou, ainda rindo com a movimentação das crianças ao redor. — Isso… você sabe do que estou falando — respondeu ele, com aquele olhar provocador que se
O sol entrava pelas janelas amplas da casa, iluminando cada canto com uma luz cálida que parecia abraçar todos que estavam ali. O aroma de café fresco e pão recém-saído do forno preenchia a cozinha, misturando-se ao perfume das flores cuidadosamente arrumadas nas mesas. Era um dia especial, daqueles que pareciam suspender o tempo, e todos sabiam que cada instante deveria ser vivido com plenitude. Amaya corria pelo corredor, tropeçando levemente nos próprios pés, e ria sem parar, os olhos brilhando de alegria. Ela tinha cinco anos agora, e mesmo com a pouca idade, já mostrava uma personalidade encantadora: curiosa, doce e cheia de energia. Natalie a observava, o coração apertado de amor, sentindo cada pequeno gesto da filha como se fosse uma bênção silenciosa. — Amaya, cuidado! — chamou Alejandro, já no final do corredor, estendendo os braços para acolher a menina antes que ela caísse. Amaya se jogou nos braços do pai, rindo alto, e Alejandro a apertou com força, sentindo a ternura
O carro preto deslizou suavemente pela estrada iluminada pelo sol da tarde, enquanto Alejandro mantinha uma das mãos firmes no volante e a outra entrelaçada à de Natalie. A viagem tinha sido longa, mas o coração dela estava em disparada — não pelo cansaço, mas pela ansiedade de rever sua pequena. Amaya. — Não acredito que já estamos chegando… — Natalie murmurou, sentindo os olhos arderem de emoção. — Foram dias lindos, mas eu senti tanta falta dela, Alejandro. Ele desviou o olhar por um segundo para encará-la, um sorriso tranquilo surgindo nos lábios. — Eu também, amor. Mas olha… — ele inclinou-se e beijou a mão dela suavemente — …valeu cada segundo estarmos juntos, sem pressa, sem preocupações. Agora voltamos completos. Natalie sorriu, embora um nó apertasse sua garganta. Completos, sim. Mas uma parte essencial estava faltando, e em minutos tudo voltaria ao lugar certo. Quando o carro cruzou os portões da imensa propriedade, ela sentiu o coração acelerar. Do lado de dentro, Nata
Os dias na ilha haviam passado como um sopro, e Alejandro e Natalie aproveitaram cada segundo. Entre mergulhos no mar cristalino, longos passeios pela areia dourada e jantares sob o céu salpicado de estrelas, tudo parecia perfeito demais para ser real. Agora, no último dia da viagem, o sol já começava a descer no horizonte, tingindo o céu com tons alaranjados e dourados, como se o próprio dia se recusasse a terminar. Natalie estava na varanda do quarto, os pés descalços tocando o chão frio, sentindo a brisa suave que fazia as cortinas esvoaçarem atrás dela. Vestia apenas uma camisola leve, quase transparente, que colava sutilmente às curvas do seu corpo por causa do calor. Alejandro, por sua vez, estava sentado na cama, observando-a com aquele olhar intenso que fazia sua pele se arrepiar por inteiro. Ele se levantou devagar, os passos silenciosos no piso de madeira, e quando chegou atrás dela, deslizou as mãos firmes pela cintura da mulher, aproximando o corpo forte do dela. O calor
O sol brilhava alto no céu, refletindo nas águas cristalinas da ilha paradisíaca, quando Alejandro e Natalie chegaram ao quiosque à beira-mar. O aroma de frutas tropicais misturado com o cheiro salgado do mar criava uma sensação de êxtase, amplificando a alegria do casal. Cada passo na areia parecia um convite para que a lua de mel fosse perfeita, sem pressa, sem preocupações — apenas eles dois, o mar e o calor do dia. Sentaram-se em uma mesa de madeira rústica, com toalha clara, guardanapos dobrados com cuidado e pequenas flores tropicais decorando o centro. Natalie recostou-se na cadeira, sentindo a brisa acariciar seus cabelos. Alejandro se sentou ao lado dela, entrelaçando os dedos aos dela com firmeza, transmitindo proteção e carinho ao mesmo tempo. — Olha esse mar… — disse Natalie, sorrindo enquanto observava as ondas. — É impossível não se sentir feliz aqui. — Não é só o mar que me deixa feliz — respondeu Alejandro, segurando a mão dela com mais força e olhando-a com intensi
O primeiro raio de sol penetrou pelas cortinas leves, tingindo o quarto com um tom dourado. O som do mar ainda ecoava ao longe, trazendo consigo a lembrança da noite passada, gravada no corpo de Natalie como uma marca impossível de apagar. Sentia a pele quente, a respiração ainda lenta, como se o sono não tivesse conseguido apagar por completo a intensidade do que vivera. Abriu os olhos devagar, e a primeira coisa que viu foi o rosto de Alejandro, a poucos centímetros do seu. Ele dormia de lado, o braço pesado repousado sobre a cintura dela, como se tivesse medo que ela escapasse durante a noite. Por um instante, ficou apenas observando. Os cabelos negros levemente bagunçados, a barba por fazer que riscava o maxilar perfeito, os lábios entreabertos, convidativos. Ele parecia menos o homem poderoso e dominador que sempre conheceu, e mais… humano. Tranquilo. Mas ainda assim perigoso, porque até adormecido Alejandro era capaz de fazer o coração dela disparar. Natalie moveu-se lentamen







