INICIAR SESIÓNAo alcançar a cobertura, Helena travou por um segundo, perplexa.
O espaço era infinitamente maior do que ela havia imaginado, mas o que realmente a impressionou foi a atmosfera: não havia a frieza ostensiva dos imóveis de alto padrão, e sim uma elegância acolhedora, com cores quentes e texturas que convidavam ao toque. Tinha, de forma inquestionável, a alma de um lar.Lucas a conduziu para o interior segurando sua mão com firmeza carinhosa. Enquanto ela absorvia cada detalA claridade suave da manhã invadia a suíte, desenhando sombras delicadas sobre o lençol. Ao se espreguiçar devagar, Lucas percebeu que Helena já estava desperta, o olhar fixo no teto em uma contemplação silenciosa. Com um movimento lento e envolvente, ele a puxou mais para perto, colando o peito quente às costas dela e depositando um beijo demorado na curva macia de sua nuca.— Bom dia... — murmurou ele, a voz rouca carregada de um carinho manhoso.— Bom dia — respondeu ela, ajustando-se ao abraço. — Dormiu bem?— Eu sim... mas pelo jeito, você não dormiu quase nada — observou ele, desfazendo sutilmente o abraço para que ela pudesse se virar.Helena girou o corpo na cama, ficando de frente para ele, sustentando aquele olhar âmbar que sempre a desarmava.— Dormi sim, mas tive um sono leve. Nada de mais — respondeu de forma calma, esboçando um sorriso contido. — Toma café comigo antes de sair?Lucas a beijou suavemente nos lábios, prolongando o toque antes de se afastar um centímetro.—
A volta para casa transcorreu em um silêncio denso. Lucas mantinha as mãos firmes no volante, lançando olhares de relance para o banco do carona enquanto cruzava as avenidas iluminadas. Dentro do carro, a penumbra suavizava os contornos do rosto dela, mas não conseguia camuflar a melancolia que pesava sobre seus ombros.Ela travava uma batalha interna. Não queria mais se permitir sofrer por aquela história vencida, mas o veneno das palavras de Ricardo ainda a atormentava. Como pôde, um dia, ter amado tanto aquele homem? Como poderia ter se doado com tanta intensidade e admirado alguém que, no fundo, provava não valer nada? A sensação de ter rasgado anos da própria vida diante de tamanha pequenez moral era uma ferida difícil de fechar.No elevador do prédio, o isolamento do espaço pequeno pareceu estreitar a cumplicidade entre os dois. Lucas envolveu-a em um abraço silencioso, acolhendo-a contra seu peito em um gesto de puro conforto.
Ao fim daquela tarde, Helena retornou ao seu apartamento ainda absorvendo os resquícios da resposta ríspida recebida da diretoria sobre o Grupo Ferraz. O que provava que o novo dono não queria ninguém de fora em sua empresa. Não demorou para que a notificação de seu celular acendesse com uma breve mensagem de Lucas: "A noite está bonita demais para ficarmos trancados. Janta comigo hoje?". O convite simples, carregado de um romantismo sutil, trouxe um sorriso instantâneo aos seus lábios. Helena aceitou sem hesitar. O restaurante escolhido por ele ficava no topo de um edifício elegante no coração da cidade. O ambiente era sofisticado, à meia-luz, decorado com arranjos discretos e embalado pelo som suave de um piano ao fundo. Helena já não estranhava estar em um local tão elitizado ao lado dele; desde que Lucas revelara sua origem como filho de alguém influente da elite, sua postura aristocrática e a naturalidade com que tra
Helena compreendeu, com uma clareza quase avassaladora, que já não possuía qualquer defesa contra o charme e a intensidade de Lucas. Naquela madrugada, a reconciliação dos dois se fez através de uma entrega profunda, envolvente e visceral. No calor daqueles lençóis, na penumbra que escondia seus medos e revelava suas fragilidades, renderam-se mais uma vez à luxúria crua, desacelerando os batimentos cardíacos apenas quando o cansaço e a satisfação absoluta finalmente os dominaram. Helena se sentia como uma jovem com os hormônios em alta e sem pudor de se entregar a Lucas. Quanto mais ela tinha dele, mais ela o queria. Quando o dia amanheceu, Lucas despertou e evitou qualquer movimento brusco na cama. Manteve-se imóvel para não despertar Helena, que dormia de forma plena e serena aninhada em seu peito, com a respiração suave roçando sua pele. Ele a contemplou por longos minutos, o olhar tomad
Na penumbra acolhedora da cobertura, o silêncio era interrompido apenas pela respiração ritmada dos dois e pelo atrito suave dos dedos de Lucas acariciando as costas de Helena. No entanto, a mente dele trabalhava em ritmo acelerado. Lucas sabia que aquele abraço, por mais quente e seguro que parecesse, ainda era frágil. A sombra da dúvida continuaria a assombrá-los a menos que ele abrisse as portas do seu passado; Helena jamais confiaria nele de forma plena se continuasse no escuro.Com a voz baixinha e carregada de uma gravidade incomum, ele quebrou o silêncio:— Existem algumas coisas sobre mim que você precisa saber... coisas que eu nunca disse a ninguém.Ao ouvir o tom dele, Helena afastou-se ligeiramente, erguendo o corpo no colo dele para olhar diretamente em seus olhos âmbar.— Muitas coisas, Lucas — corrigiu ela com suavidade, mas firmeza. — Você sabe praticamente tudo sobre a minha vida, os meus erros e dores, mas eu n
— Que jogo, Lucas? — a voz de Helena falhou, o tremor denunciando a tempestade interna que a corroía. — Eu não estou te entendendo!Lucas deu mais um passo, sustentando o olhar com uma firmeza soberana. A intensidade que emanava dele não era de confronto, mas de alguém que domina absolutamente cada peça do tabuleiro.— A sua mente está criando um jogo muito perigoso para te dar respostas que simplesmente não existem — rebateu ele, a voz descendo a um tom grave, aveludado e visceral. — Eu não quero o seu cargo, Helena. Eu definitivamente não preciso dele.— Então me diz! — As lágrimas finalmente transbordaram, descendo quentes pelas bochechas de Helena. A vulnerabilidade de quem já fora traída antes por Ricardo vinha à tona, crua e desarmada. — Por que você sumiu ontem? Por que fez aquilo pelas minhas costas?Os olhos de Helena brilhavam, marejados pelo acúmulo de ansiedade e pavor. Ela ansiava por respostas; precisava desesperadamente resgata







