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A LINHA ENTRE OLHAR E AJUDAR

last update Fecha de publicación: 2026-05-09 23:20:08

A LINHA ENTRE OLHAR E AJUDAR

O semáforo fecha num vermelho intenso, quase agressivo, e Arthur sente o impacto da luz colorindo o interior do carro como se fosse um aviso.

Ele aperta o volante, mas não pelo trânsito, é ela.

Helena. De novo.

Do outro lado da rua, encolhida sob a marquise estreita de uma farmácia fechada, Helena tenta ajeitar Davi no colo.

O menino está com o rosto molhado, não se sabe se de chuva, de sono ou de cansaço.

Ela o protege com o próprio corpo, como quem guarda um
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  • SOB O SINAL VERMELHO.   EPÍLOGO 2

    O Amor Sempre Encontra Espaço As palmas continuaram ecoando pelo auditório mesmo depois que Davi terminou a leitura. Algumas pessoas enxugavam discretamente os olhos. Outras sorriam ao observar o menino correr pelo palco assim que a professora autorizou as crianças a voltarem para suas famílias. — Pai! Arthur mal teve tempo de abrir os braços. Davi lançou-se contra ele com toda a força, fazendo-o rir enquanto o erguia do chão. — Você gostou? Arthur olhou demoradamente para o filho. Havia tantas emoções atravessando seu peito naquele instante que nenhuma palavra parecia suficiente. Por isso apenas o abraçou novamente. Depois segurou seu rosto entre as mãos. — Filho... Sua voz saiu embargada. — Esse foi o presente mais bonito que eu já recebi. Davi abriu um sorriso largo. — Eu escrevi sozinho. — Eu sei. Arthur beijou demoradamente sua testa. — E vou guardar esse papel para o resto da minha vida. Helena aproximou-se deles, envolvendo os dois em um abraç

  • SOB O SINAL VERMELHO.   EPÍLOGO

    ALGUNS MESES DEPOIS... O Amor Também CresceO tempo possuía uma maneira curiosa de curar aquilo que, um dia, parecia impossível de reconstruir. Não apagava as cicatrizes, nem fazia desaparecer completamente as lembranças difíceis. Apenas ensinava o coração a ocupar os espaços vazios com novas memórias, até que a dor deixasse de ser protagonista para se tornar apenas uma página já escrita.Nove meses haviam se passado desde a audiência.A mansão dos Menezes despertava naquela manhã com o mesmo movimento alegre que, pouco a pouco, se transformara na marca registrada daquela casa.O cheiro de café recém-passado espalhava-se pelos corredores, misturando-se ao perfume do pão caseiro que Dona Olívia retirava do forno. Pela janela da cozinha, o sol iluminava o jardim onde as roseiras floresciam com uma intensidade que parecia acompanhar a paz finalmente encontrada por aquela família.— Lucca! Espera eu!A voz de Davi atravessou a casa antes mesmo que Helena terminasse de colocar a mesa.O

  • SOB O SINAL VERMELHO.   O PRIMEIRO DIA DO RESTO DE NOSSAS VIDAS 2

    O PRIMEIRO DIA DO RESTO DAS NOSSAS VIDASParte 2Depois do café da manhã, a casa voltou a ganhar o movimento tranquilo que sempre existira, mas que, naquele dia, parecia carregado de um significado completamente diferente. Dona Olívia recolhia a louça enquanto cantarolava baixinho uma antiga música que costumava ouvir na juventude. Helena ajudava a organizar a cozinha, embora fosse constantemente interrompida por Lucca, que insistia em mostrar o dinossauro para qualquer pessoa que cruzasse seu caminho. No jardim, Arthur e Davi já haviam iniciado uma disputa para descobrir quem chegaria primeiro ao pomar.— Eu vou ganhá! Anunciou Davi, apoiando as mãos nos joelhos como um atleta prestes a disputar a corrida mais importante da vida.Arthur cruzou os braços e fingiu preocupação.— Será? Estou treinando há muitos anos.— Mas eu sou mais rápido.— Tem certeza?Davi fez um gesto afirmativo tão decidido que arrancou uma risada do pai.— Então vamos descobrir.Helena e Dona Olívia aparece

  • SOB O SINAL VERMELHO.   O PRIMEIRO DIA DO RESTO DAS NOSSAS VIDAS

    A primeira manhã depois da audiência amanheceu envolvida por uma tranquilidade diferente. Não havia compromissos no fórum, telefonemas de advogados ou a ansiedade que durante tantos meses acompanhara cada novo amanhecer daquela família. Pela primeira vez em muito tempo, a casa parecia respirar junto com seus moradores, como se as próprias paredes compreendessem que um ciclo finalmente chegara ao fim.Os primeiros raios de sol atravessavam as cortinas do quarto quando Helena abriu os olhos. Por alguns segundos permaneceu imóvel, observando Arthur ainda adormecido ao seu lado. Seu rosto estava relaxado, sem a tensão que ela aprendera a identificar nas semanas anteriores à audiência. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios.Ela não precisou perguntar a si mesma se tudo aquilo havia realmente acontecido.A resposta estava dentro do próprio peito.Davi agora era, diante da lei e da vida, filho de Arthur.E aquela certeza fazia o mundo parecer um pouco mais leve.Com cuidado para não

  • SOB O SINAL VERMELHO.   O SOBRENOME DO AMOR 2

    A viagem de volta aconteceu de uma maneira completamente diferente da ida ao fórum naquela manhã. No trajeto de poucas horas antes, o silêncio havia ocupado quase todo o interior do carro. Cada um enfrentava seus próprios medos, tentando controlar a ansiedade enquanto aguardava uma resposta capaz de mudar suas vidas. Agora, porém, o ambiente era preenchido pelas vozes das crianças, por risadas espontâneas e por uma leveza que parecia impossível de conter.Lucca permanecia na cadeirinha, abraçado ao inseparável dinossauro verde, repetindo sem parar a palavra que ouvira tantas vezes durante a audiência.— Filho, filho...Arthur olhou pelo retrovisor e sorriu.— É isso mesmo, campeão.Davi, sentado ao lado do irmão, parecia mergulhado em pensamentos.De vez em quando, olhava pela janela.Depois voltava a observar Arthur pelo espelho retrovisor.Helena percebeu aquele movimento repetido.— O que foi, meu amor?O menino demorou alguns segundos para responder.— Posso perguntá uma coisa?

  • SOB O SINAL VERMELHO.   O SOBRENOME DO AMOR

    A notícia da sentença parecia acompanhar cada passo da família enquanto deixavam a sala de audiências. O corredor do fórum continuava tão movimentado quanto antes, com advogados consultando processos, servidores atravessando de um lado para o outro e pessoas aguardando suas próprias audiências. Para todos aqueles que passavam, aquela era apenas mais uma manhã de trabalho. Para Arthur, Helena, Davi, Lucca e Dona Olívia, porém, aquele corredor marcava a passagem entre duas vidas.Arthur caminhava lentamente, ainda segurando a mão de Davi. O menino olhava para todos os lados, como se procurasse alguma mudança visível no mundo ao seu redor. Depois de alguns metros, parou de repente.Arthur voltou-se para ele.— O que foi, campeão?Davi franziu a testa com a expressão concentrada que costumava fazer quando tentava compreender alguma coisa importante.— Eu já virei filho?Arthur ajoelhou-se diante dele.— Virou.— Agora mesmo?— Agora mesmo.O menino permaneceu alguns segundos completame

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