FAZER LOGINIndústrias Carmichael NY
Tony Tive uma semana exaustiva, muitas reuniões para preparar o pessoal para a abertura oficial da empresa. Do setor de compras, vendas, administrativo, financeiro, marketing, recursos humanos, cozinha, almoxarifado, segurança… tudo, exatamente tudo estava em seus devidos lugares e agradeço por ter uma equipe experiente e muito competente. Eu dava discursos de incentivo e orientações necessárias, mas lá no fundo eu estava apavorado. Meu pai sempre estava presente, mas não tirava a minha autoridade. Ele queria ver esse projeto fluir, queria me ver no comando, o filho rebelde agora estava na linha, mas ele sabia que uma palavra errada e eu largaria tudo. Mesmo eu tendo trabalhado em outros lugares, e erguido uma empresa quase falida, não sentia o medo que sinto agora. Medo de perder o controle e ver um império caindo. Não sou como Logan, ele nasceu para isso, foi preparado para isso e faz tudo de olhos fechados. Eu fiz administração e concluí com sucesso, mas também fiz faculdade de artes plásticas, que é minha paixão. Com a arte, eu consigo me acalmar, me concentrar e descarregar toda a energia negativa que sinto à minha volta. Mesmo a empresa não tendo inaugurado, todos já estão trabalhando, e semana que vem a minha secretária vai começar seus trabalhos. Eu passei os últimos meses trabalhando incansavelmente para me familiarizar com essa nova jornada e conseguindo contatos de parceiros novos. Olho a ficha de Tiana Gonzalez, vendo o quanto ela é linda. Suas informações me fazem conhecer um pouco mais sobre ela. Tem 27 anos, e dentre tudo que eu li, o que mais me chamou a atenção é que ela é mexicana, mas fala tão bem a minha língua, que parece que nasceu aqui. É estranho eu querer que ela comece a trabalhar logo? Por algum motivo doido, eu tenho muita curiosidade de saber como é conviver com ela, sendo que o nosso primeiro contato não foi dos melhores. Mas eu gostei muito de vê-la irritada, acendeu uma faísca em mim que há tempos eu não me sentia… Desafiado. Ouço uma batida na porta, e nem preciso me esforçar para saber quem é, em seguida ele entra com toda a sua presença imponente. — Oi pai! — Oi filho, está ansioso para começar os trabalhos? – Ele fala abrindo o botão do terno ao sentar na minha frente. É estranho ele se sentar em qualquer lugar desta sala que não seja onde eu estou agora, o lugar de poder máximo na empresa. Ele me olha com uma expectativa disfarçada numa feição estoica, mas sei que por detrás do seu semblante tem muitas perguntas que não foram feitas e por conta da minha mãe ele não as fará. — Ansioso não é a palavra, até porque eu já comecei a trabalhar a um tempo. Mas estou confiante na equipe. — E você, como está se sentindo depois que sua noiva fez o que fez? “Ele vai falar disso agora?” — Eu não lembraria dela, se não tivesse mencionado! — Você deu o seu apartamento pra ela, e está morando onde? Você precisa de ajuda para comprar um apartamento novo ou uma casa? Meu pai está genuinamente preocupado comigo, e não dizendo que sou irresponsável e sem compromisso. Parece que a nossa relação vai melhorar daqui pra frente. — Obrigado pai, mas já estou procurando um lugar para ficar. E como eu estava com vocês, acabei deixando para depois. — Você não pode deixar esse tipo de coisa para depois, sabe que ter um lar confortável pode te fazer ser mais produtivo. “Aí está ele!” — Não se preocupe pai, estou muito confortável, e prometo que não vai afetar meu trabalho. — Filho! Eu… eu quero agradecer por ter assumido a filial! Sei que para ele foi difícil dizer essas palavras, mas ele disse, então fiquei feliz, e vou me esforçar para não decepcioná-lo. — Também estou feliz pai, prometo dar tudo de mim! UMA SEMANA DEPOIS… Acordo cedo, tomo um belo banho e me arrumo bem, hoje é um dia especial, o dia de cortar a fita vermelha, abrindo oficialmente a filial das indústrias Carmichael em Nova York. Então verifico a minha imagem no espelho de pé, que tem no pequeno quarto de pensão em que estou vivendo nos últimos meses. Alinho meu terno cor grafite, passo meu perfume e me olho respirando fundo. Pego meu celular e saio do meu quarto descendo para a sala de jantar que já está com a mesa cheia de comida. Dona Agnes é uma senhorinha carinhosa e acolhedora, me sinto muito amado por ela. Ela é mãe do meu melhor amigo, Júlio, então está sempre se certificando se comemos, se dormimos bem, se estamos levando nossos casacos… — Bom dia! Vejo que Dona Agnes acordou inspirada hoje. – Falo dando um beijo na sua bochecha enrugadinha e rosada, e ela verifica se estou bem arrumado. Olho a mesa montada, e tem bolos, rosquinhas, pães, frios, sucos e panquecas. — Minha mãe não fez um café da manhã assim quando eu fui promovido! – Julio fala entrando na sala e beija sua mãe. — Não reclame, que eu mimo você a vida toda, e hoje é a vez de Tony. — A senhora vai dar boa noite para ele sempre antes de mim, não estou gostando nada disso! — É porque a porta do quarto dele é antes da sua, menino, pare de drama! — É Júlio, não seja ciumento! — Bela hora em que disse que aqui tinha um quarto vago! – Júlio faz uma cena. — Deveria ter pensado nisso antes, sabe que ninguém resiste ao meu charme! – Brinco. — Pena que tenho consulta hoje e não posso te ver cortando a fita, mas estarei rezando por você! – Ela fala acariciando meu rosto. — Mamãe, ele só vai cortar uma fita, não vai para a guerra! Mas não se preocupe, eu vou filmar seu bebezinho, e tirar fotos. Dou risada da cara que dona Agnes faz, se ela não estivesse tão feliz já teria dado com o pau de macarrão na cabeça dele. Mas outro assunto me incomoda. — Dona Agnes, eu já disse para a senhora mudar para um plano de saúde melhor, eu faço questão de pagar, seria uma honra… — Não, meu filho, eu gosto do doutor Belford, ele me atende há muitos anos, e não confio em outra pessoa. Suspiro frustrado e Júlio compartilha do mesmo sentimento que eu. Ela já está cansada e com muitos problemas de saúde, porém é muito orgulhosa. Após um café da manhã digno de um príncipe, Júlio me acompanha até às indústrias Carmichael, para me dar um apoio moral. Chegando lá, meus pais e meu irmão estão saindo do carro. Meu coração acelera e a pressão aumenta, a partir de hoje serei cobrado, mesmo em silêncio. — Vai se sair bem amigo! – Júlio fala segurando forte meu ombro. — Meu menino! – Minha mãe vem sorridente até mim, me abraçando forte enquanto beija meu rosto. Ver ela aqui tão feliz me deixa emocionado, e faço um esforço astronômico para não chorar. Minha mãe é a minha rainha, a pessoa que mais amo nesse mundo. Sinto falta dela todos os dias e lamento por tê-la feito sofrer por tantos anos.JuniorO escritório estava silencioso naquela tarde de sexta-feira, mas o ar entre nós dois nunca estava calmo.Eu estava sentado à minha mesa, revisando o último relatório da parceria com a Leônidas, quando Tiana entrou na sala com a pasta de documentos. Ela usava um vestido social preto que abraçava perfeitamente as curvas dos quadris, maquiagem básica, mas com um batom mais chamativo, ela usa aquele coque baixo que sempre me fazia querer soltar o cabelo dela. Ela cruzava e descruzava as pernas me hipnotizando. Mas o que realmente me destruiu foi quando ela se inclinou sobre a mesa para me entregar os papéis.O vestido abriu levemente no decote, revelando o sutiã de renda preta e o vale entre os seios. Eu senti o pau endurecer instantaneamente dentro da calça. O tesão bateu forte, quase doloroso. Fazia dias que a gente não tinha um momento só nosso e entre o trabalho intenso, Melissa na escolinha, Elijah ainda pequeno e as famílias sempre por perto, a intimidade tinha virado algo rá
Junior CarmichaelTrês anos se passaram desde o dia em que eu acordei no hospital com a faca ainda latejando na memória e o coração partido pela perda do nosso primeiro filho. Hoje, olhando para o loft iluminado por luzes suaves, com o som distante de risadas infantis ecoando do quarto das crianças, eu percebo que a vida não nos prometeu um caminho fácil, mas nos deu algo melhor, a chance de construir, tijolo por tijolo, a família que merecíamos.A gravidez de Tiana foi um milagre que demorou a chegar, mas quando veio, foi com uma força que nos surpreendeu. Depois da perda, nós dois tivemos medo de tentar de novo, medo de sofrer outra vez, mas Tiana, com aquela força que eu tanto amava, disse um dia, no meio de uma noite em que chorávamos abraçados: “Eu quero tentar. Quero dar um irmão ou irmã pra Melissa. Quero ver você ser pai de verdade”. Eu chorei como criança e nós tentamos.A gravidez foi tranquila, mas intensa. Tiana ficou mais sensível, mais cansada, mas também mais radiante.
3 ANOS DEPOIS…JuniorO ar de Connecticut estava fresco e limpo naquela tarde de primavera, mas dentro da mansão de Logan o calor era palpável. Era o aniversário de 40 anos de Logan, e toda a família tinha se reunido para comemorar. Eu dirigia com Tiana ao meu lado e Melissa no banco de trás, tagarelando sem parar sobre o “bolo gigante” que a tia Samantha tinha prometido. Meu coração batia forte, não de ansiedade, mas de uma alegria profunda, quase sagrada.Quando entramos na mansão, o salão principal estava cheio. Meus pais, Magda radiante, meu pai com seu ar sério mas com um sorriso que agora aparecia com mais frequência. Os pais de Tiana, abraçando Melissa como se fosse neta de sangue. As tias gêmeas contavam histórias animadas. Mary Anne ria com Júlio, Logan estava no centro, cercado por todos, mas com os olhos fixos em Samantha, como sempre. Benjamin corria com os amigos. Lolô trazia travessas para a mesa ao ar livre. E, num canto, conversando com Samantha, estava Jack, o policia
TianaO loft nunca esteve tão vivo quanto naquele Natal.A árvore brilhava no canto da sala com luzes douradas e prateadas, enfeitada com enfeites que Melissa e eu tínhamos escolhido juntas. O cheiro de peru assado, farofa, gemada e biscoitos de canela que Lolô trouxe enchia o ar. Risadas ecoavam por todos os lados, vozes se misturando em espanhol, inglês e um pouco de romani quando Magda contava histórias. Era o nosso primeiro Natal como família completa, com Melissa oficialmente nossa.Eu a segurava no colo, vestidinho vermelho de veludo que Magda tinha costurado com carinho. Após meses de muito amor e carinho, ela já me chamava “mamãe” com aquela vozinha doce que me derretia o coração. Eu a amava como se tivesse carregado ela na barriga, como se ela sempre tivesse sido minha. Toda vez que ela encostava a cabecinha no meu peito, eu sentia uma paz que curava, aos poucos, a dor da perda que ainda doía em silêncio.A família estava toda reunida. Os pais de Junior, Anthony, com um sorri
TianaO processo de adoção de Melissa foi mais rápido do que imaginávamos, mas cada dia pareceu uma eternidade.Depois daquela tarde no orfanato, quando vi aqueles olhos cor de mel me olhando como se já me conhecesse, eu e Junior não conseguimos mais pensar em outra coisa. Conversamos até altas horas da madrugada no loft, chorando, rindo, com medo, com esperança. Decidimos juntos: queríamos adotá-la. Não era pra preencher o vazio do bebê que perdemos, pois nada poderia fazer isso. Era porque ela precisava de nós, e nós precisávamos dela. Foi um amor puro, imediato e inevitável.Os papéis correram com uma velocidade impressionante graças aos contatos da família Carmichael. Assistentes sociais, psicólogos, visitas ao loft, entrevistas intermináveis. Eu tremia toda vez que alguém perguntava sobre nossa perda. Junior segurava minha mão com força, respondendo com calma, mas eu via nos olhos dele a mesma dor que eu sentia. Nós choramos depois, abraçados, mas levantamos no dia seguinte. Porq
Tiana Eu sonhei com o orfanato a noite inteira, e no sonho, eu andava pelos corredores pintados de amarelo desbotado, ouvindo risadas distantes de crianças. Mas quanto mais eu andava, mais o lugar ficava vazio. Os desenhos nas paredes sumiam. Os brinquedos desapareciam, até que eu chegava numa sala pequena, com uma única cama de grades. E ali, no meio do silêncio, um bebê chorava. Um choro alto, desesperado, que me cortava o peito, eu corria até o berço, mas quando chegava, ele estava vazio. Só restava um lençol branco, manchado de algo que parecia sangue. Eu acordava suada, o coração batendo tão forte que parecia querer sair do peito, com aquele choro ainda ecoando nos meus ouvidos. Era a terceira noite seguida. Abri os olhos no escuro do loft, o corpo tremendo, a camisola colada na pele úmida. O choro ainda parecia real, e eu sentei na cama, ofegante, tentando respirar. Junior acordou imediatamente ao meu lado, como se sentisse meu desespero mesmo dormindo. — Amor… de novo? — A







