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CAPÍTULO 150 – O RASTRO DO DESESPERO

Autor: Aldinha B.
last update Data de publicação: 2026-05-08 23:38:48

Rafael Ventura

Entrei no prédio do fórum tentando manter a postura, mas cada fibra do meu ser estava em estado de alerta. O saguão estava cheio de advogados, funcionários e curiosos, mas para mim, o mundo estava em silêncio. Eu só conseguia focar em uma coisa: a porta.

Encontrei o Dr. Arnaldo perto da entrada da Sala de Audiências. Ele estava com uma pilha de documentos nos braços e uma expressão de quem tinha acabado de descobrir o caminho para a vitória.

— Rafael, aqui! — ele chamou, gesticul
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    Lorena AzevedoO sol das quatro da tarde dourava as pastagens da Fazenda Ventura, projetando sombras longas sobre a terra batida e trazendo uma brisa suave que aliviava o calor intenso do dia. Eu estava sentada na varanda, acomodada em um banco de madeira de demolição, apreciando a cena que se desenrolava no quintal.Vitória e Miguel corriam pelo gramado ensolarado, gargalhando e arrastando um carrinho de madeira que o próprio Rafael tinha feito para eles. O meu Miguel, com seu jeito esperto e aqueles traços que me faziam lembrar tanto do pai, corria de um lado para o outro sem demonstrar o menor cansaço. Fiquei observando o meu menino com o coração apertado e quentinho ao mesmo tempo. Ele já estava crescendo tão rápido... Em breve completaria treze anos. Treze anos de uma vida que superou tantas dores e tempestades para chegar até aqui.Mas a aproximação desse aniversário me trazia uma inquietação silenciosa. O Miguel vinha comentando há dias que queria muito passar o aniversário del

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    Rafael VenturaA manhã em Nova York nasceu cinzenta, com uma névoa espessa cobrindo os topos dos arranha-céus e uma chuva fina batendo contra o vidro da suíte do hotel. Acordei antes mesmo do despertador tocar. A noite tinha sido conturbada, pontuada por lapsos de sono leve e pela imagem recorrente do garanhão estendido naquela baia.Levantei-me, passei a mão pelo rosto e fui direto para a cafeteira. Precisava de café forte e preto para colocar o cérebro nos eixos. Enquanto a bebida quente caía na xícara, olhei para o relógio: sete e meia da manhã. No Brasil, na Fazenda Ventura, a lida já devia estar a todo vapor. Pensei em ligar para a Lorena, mas decidi esperar ter informações concretas nas mãos. Não queria levar mais dúvidas para a minha boneca, que já carregava a responsabilidade da casa, das crianças e da fazenda com a ajuda da minha mãe.Bebi o café de uma vez só, vesti uma calça jeans escura, botas de couro italiano, uma camisa de manga comprida e a minha jaqueta pesada. Eu não

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