FAZER LOGINLorena Azevedo abriu mão de tudo pelo casamento — sonhos, carreira e liberdade. Em troca, recebeu silêncio, desprezo e uma culpa que virou prisão. Um erro. Algumas mensagens. E um marido que não perdoou… nem a deixou partir. Depois de três anos de humilhação, Lorena foge com o filho nos braços e o coração em frangalhos. Sem rumo, encontra abrigo no pequeno apartamento da melhor amiga. E é ali que o destino resolve agir. No sertão mineiro, Rafael Ventura reina absoluto: fazendeiro rico, arrogante, bruto e marcado por traumas. Preso a uma noiva que despreza tudo o que ele é, Rafael não acredita em amor — só em controle. Uma noite. Uma boate. Um choque no banheiro. Ela, ferida e ousada. Ele, faminto e provocador. O que começa como um erro vira fogo. E quando o desejo entra em cena, nem cercas, alianças ou segredos conseguem conter o que arde. Porque alguns amores não pedem permissão. Eles queimam.
Ver maisEduardo SoaresDois meses. Foram dois meses infernais, trancado dentro do meu próprio quarto na Fazenda Soares, me recuperando do estrago que aquele caipira desgraçado fez no meu corpo. Dois meses suportando o calor sufocante das faixas nas minhas costelas fraturadas, a dor latejante no nariz reconstruído e o amargor diário de olhar no espelho e ver as marcas da humilhação. Mas a dor física não era nada comparada ao veneno que corroía o meu peito por dentro.Assim que os médicos finalmente me liberaram para viagens curtas e o meu motorista colocou o carro na estrada rumo a Belo Horizonte, a primeira coisa que fiz foi exigir um relatório completo dos meus advogados sobre o andamento dos meus negócios e o embargo das propriedades da região.E foi aí que o meu mundo ruiu de vez.A notícia caiu sobre a minha cabeça como um golpe de machado: o Rafael Ventura tinha fechado a compra da Fazenda Palmeiras. As terras do velho Juscelino Medeiros — os dois mil e duzentos hectares mais férte
Lorena Azevedo Abri os olhos devagar quando os primeiros raios dourados do sol começaram a invadir o quarto pelas brechas da cortina. O silêncio da manhã na Fazenda Ventura era acolhedor, quebrado apenas pelo canto distante dos passarinhos lá fora e pelo som suave do vento balançando as copas das árvores. Virei-me de lado na cama king size e fiquei ali, imóvel, admirando o Rafael dormindo ao meu lado. O rosto dele, que durante o dia carregava a responsabilidade e a dureza de cuidar de milhares de hectares, administrar negócios e enfrentar inimigos implacáveis, agora parecia completamente calmo, sereno e em paz. Passei os olhos por cada detalhe com devoção: a barba bem desenhada, o peito largo subindo e descendo no ritmo tranquilo da sua respiração, e até a pequena cicatriz no supercílio, lembrança recente daquela fúria desmedida, que já começava a sumir. Inclinei-me devagar sobre o corpo dele e comecei a distribuir beijos suaves e demorados pelo seu rosto. Beijei a bochecha
Rafael VenturaO sol já tinha se despedido quando tirei o chapéu e enxuguei o suor do rosto com o antebraço. Olhei ao redor e o escuro já tinha descido sem pedir licença, engolindo a cerca, o capim, o horizonte. Naquele horário não dava mais para continuar. Arumei as ferramentas, prendi o portão e voltei para a fazenda com o corpo pesado, as botas arrastando poeira. Subi a escada da casa já pensando no banheiro. Precisava de um banho. Tirei a calça e a cueca no meio do caminho, liguei o chuveiro e entrei na água quente, deixando que escorresse pelos ombros e pelas costas. O vapor começava a subir quando senti mãos no meu abdômen, descendo devagar para a minha masculinidade. Reconheci aquelas mãos antes mesmo de virar o rosto — e já fiquei no ponto.Virei-me. Lorena estava lindamente nua, os cabelos presos de qualquer jeito, os seios molhados, os olhos brilhando no vapor. Puxei-a para um beijo, sentindo a água escorrer entre nós dois.— Boneca, pensei que estava com as crianças.— Est
Rafael VenturaDois meses.Dois meses haviam se passado e eu ainda estava com aquele desgraçado do Soares na minha cola. Cada vez que o nome daquele sujeito surgia nos papéis que o Dr. Albuquerque trazia, a minha vontade era de pegar a caminhonete, ir até a Fazenda daque merda e quebrar o resto das costelas dele. O desgraçado deveria ter apanhado mais; o filho da puta não aprendeu a lição.Lembrei-me da reunião que tive com o Albuquerque no início da semana. Ele me explicou detalhadamente a decisão do juiz sobre o caso da agressão no hotel de Belo Horizonte. Segundo o meu advogado, o magistrado acabou pegando leve, levando em consideração as provações e os antecedentes do caso. Mas a minha situação na justiça era delicada: como eu já tinha enfrentado um julgamento pesado no passado — mesmo tendo sido provada a minha total inocência na morte do Valdir —, o meu histórico no fórum não era de um cidadão comum. O juiz determinou o pagamento de uma fiança consideravél para verme do soares,


















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