FAZER LOGINLorena Azevedo abriu mão de tudo pelo casamento — sonhos, carreira e liberdade. Em troca, recebeu silêncio, desprezo e uma culpa que virou prisão. Um erro. Algumas mensagens. E um marido que não perdoou… nem a deixou partir. Depois de três anos de humilhação, Lorena foge com o filho nos braços e o coração em frangalhos. Sem rumo, encontra abrigo no pequeno apartamento da melhor amiga. E é ali que o destino resolve agir. No sertão mineiro, Rafael Ventura reina absoluto: fazendeiro rico, arrogante, bruto e marcado por traumas. Preso a uma noiva que despreza tudo o que ele é, Rafael não acredita em amor — só em controle. Uma noite. Uma boate. Um choque no banheiro. Ela, ferida e ousada. Ele, faminto e provocador. O que começa como um erro vira fogo. E quando o desejo entra em cena, nem cercas, alianças ou segredos conseguem conter o que arde. Porque alguns amores não pedem permissão. Eles queimam.
Ver maisRafael VenturaFechei a porta pesada de madeira do nosso quarto, girando a chave na fechadura com um estalo seco e definitivo. O som abafou instantaneamente a barulheira das crianças no corredor e a voz da minha mãe na cozinha. O mundo lá fora podia estar desabando, mas dentro daquele quarto existia apenas o meu santuário. E o meu santuário atendia pelo nome de Lorena.A iluminação suave do fim de tarde entrava pelas frestas da janela, desenhando feixes dourados na penumbra do quarto. Tirei a minha jaqueta pesada e a joguei de qualquer jeito sobre a poltrona de couro. Ajeitei o corpo, me virando devagar para encarar a minha mulher. A Lorena estava de pé ao lado da cama, com o vestido leve desenhando as curvas que me enlouqueciam sempre. O peito dela subia e descia rapidamente, mostrando que a ansiedade e o desejo estavam consumindo a minha boneca na mesma proporção que consumiam a mim.Aproximei-me a passos lentos, como um predador encurralando a sua caça favorita, sentindo a temperat
Lorena AzevedoO sol das quatro da tarde dourava as pastagens da Fazenda Ventura, projetando sombras longas sobre a terra batida e trazendo uma brisa suave que aliviava o calor intenso do dia. Eu estava sentada na varanda, acomodada em um banco de madeira de demolição, apreciando a cena que se desenrolava no quintal.Vitória e Miguel corriam pelo gramado ensolarado, gargalhando e arrastando um carrinho de madeira que o próprio Rafael tinha feito para eles. O meu Miguel, com seu jeito esperto e aqueles traços que me faziam lembrar tanto do pai, corria de um lado para o outro sem demonstrar o menor cansaço. Fiquei observando o meu menino com o coração apertado e quentinho ao mesmo tempo. Ele já estava crescendo tão rápido... Em breve completaria treze anos. Treze anos de uma vida que superou tantas dores e tempestades para chegar até aqui.Mas a aproximação desse aniversário me trazia uma inquietação silenciosa. O Miguel vinha comentando há dias que queria muito passar o aniversário del
Rafael VenturaA manhã em Nova York nasceu cinzenta, com uma névoa espessa cobrindo os topos dos arranha-céus e uma chuva fina batendo contra o vidro da suíte do hotel. Acordei antes mesmo do despertador tocar. A noite tinha sido conturbada, pontuada por lapsos de sono leve e pela imagem recorrente do garanhão estendido naquela baia.Levantei-me, passei a mão pelo rosto e fui direto para a cafeteira. Precisava de café forte e preto para colocar o cérebro nos eixos. Enquanto a bebida quente caía na xícara, olhei para o relógio: sete e meia da manhã. No Brasil, na Fazenda Ventura, a lida já devia estar a todo vapor. Pensei em ligar para a Lorena, mas decidi esperar ter informações concretas nas mãos. Não queria levar mais dúvidas para a minha boneca, que já carregava a responsabilidade da casa, das crianças e da fazenda com a ajuda da minha mãe.Bebi o café de uma vez só, vesti uma calça jeans escura, botas de couro italiano, uma camisa de manga comprida e a minha jaqueta pesada. Eu não
Rafael VenturaA sala de monitoramento do Blackwood Stables parecia uma central de operações de guerra. Monitores de alta definição cobriam uma parede inteira, exibindo ângulos detalhados de cada corredor de baias, dos pastos de piquete, da pista de treinamento e do portão principal da fazenda.Thomas Blackwood andava de um lado para o outro, passando a mão trêmula pelos cabelos grisalhos. Ao lado dele, o chefe da equipe de segurança do complexo e o detetive responsável da polícia de Nova York analisavam os registros. Eu estava de pé, logo atrás do operador, com os braços cruzados sobre o peito maciço e a mandíbula tão travada que os músculos do meu rosto chegavam a doer. A raiva que queimava no meu peito desde o momento em que pisei naquela baia fria só fazia aumentar a cada segundo.— Retorne o vídeo da baia quatro para as 21h00 de ontem — ordenei, a voz grave cortando o zumbido dos aparelhos com a autoridade de quem não aceitaria nada menos do que a verdade absoluta. O tradutor ao






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