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ENTRE FERIDAS E VERDADES

Autor: Lunna Sousa
last update Data de publicação: 2026-02-03 02:09:46

LIZZY...

Amanhece e rapidamente saio da cama. Estou encantada com o apartamento e ainda mais por perceber que aquele jeito durão do senhor Collins é apenas uma armadura.

Ele está sendo legal comigo. Me ajudou e depois nos divertimos no jogo, nem parece a mesma pessoa. É o que penso enquanto lavo o rosto. Saio do quarto e me deparo com Cibele na porta, prestes a entrar.

— O senhor Mark já saiu e me pediu para te acordar. Ele foi se trocar e, em seguida, vai para a empresa… parece que hoje é um dia importante — ela fala, me conduzindo até a sala. Ela está claramente me expulsando, e já imagino o motivo.

Pego a maçã que ela me oferece e, em seguida, sigo com Renato até a kitnet onde vou ficar. Me arrumo com o uniforme que já está lá e pego o cartão de transporte que a empresa fornece.

Ao chegar na empresa, começo logo meu trabalho. É fácil entender o que devo fazer. Deixo o café pronto e, em seguida, subo até os andares da presidência para entregá-lo.

Primeiro na sala do senhor Mark e depois na sala do senhor Collins. Entro no elevador e a porta se abre na cobertura. Fico impressionada com o tamanho do espaço e com a beleza da cidade vista do alto. Por alguns segundos, me distraio, até que, de repente, alguém sai do elevador.

É ele. Senhor Collins. Sua presença enche o lugar, e sua voz rouca faz com que todos prendam a respiração.

— Está atrasada. Gosto de encontrar meu café já na sala e, de preferência, servido! Se não for capaz de fazer isso, avise o RH. Eles contratam outra pessoa!

— Assim? Sem eu fazer nada, já está me tratando como um cavalo? — sussurro, e a secretária Jamile toma a bandeja da minha mão.

Ela acena com a cabeça para que eu saia.

— Que maluco! Não fiz nada e ele já chega distribuindo patadas! Desnecessário. Será que está irritado por ter perdido dez mãos seguidas no pôquer? Ah! Que seja… riquinho metido!

Cuido dos meus afazeres, que são muitos. Limpo todos os andares e resta apenas o do senhor rabugento.

— Não precisa se preocupar, eles estão em reunião em outra sala, pode limpar a dele! — diz Jamile.

Entro com o carrinho de limpeza e levo um susto ao ver uma mulher sentada na cadeira do senhor Collins.

— Ah, me desculpe! Eu não sabia que tinha alguém aqui… — começo a dizer, mas ela me corta imediatamente.

— Alguém não, queridinha! A mulher do senhor Collins, a mãe da filha dele… Susan Collins, o único e verdadeiro amor de Victor Hugo Collins! Faça seu trabalho rápido e saia logo daqui! Ele não gosta de ver empregados esfregando seu chão.

Ela sorri e coloca os pés sobre a mesa. Meu coração arde de ódio e vontade de dar uma resposta, mas fico em silêncio. Preciso do meu emprego. Não fazia ideia que teria que suportar o senhor Collins de saia também.

Me atrapalho muito com a limpeza da sala principal. Primeiro porque a tal Susan me observa o tempo todo, depois porque há muitos carpetes.

— Você não está fazendo direito, empregadinha! Precisa retirar esse maior também! — ela fala, levantando a borda do carpete com o bico do scarpin.

— Sim, senhora… Termino esse lado e já limpo aí!

Estou exausta e com fome. Já passou da hora do café e ainda não desci para comer.

Levanto o carpete e vou enrolando-o em direção a Susan. Ao me aproximar do pé dela, peço para que se afaste, mas, inesperadamente, ela se recusa.

— Empregadinha incompetente! — ela fala.

— AÍ!

Ela pisa na minha mão propositalmente.

— Qual é o seu problema, Susan? O que pensa que está fazendo, sua maldita repugnante?!

O senhor Mark entra na sala no exato momento em que Susan pisa na minha mão. Me afasto, me contorcendo de dor. Por mais que eu tente não demonstrar fraqueza, lágrimas escorrem pelo meu rosto.

Mark a segura pelo braço, com fúria e ódio no olhar, mas é contido pelo senhor Collins.

— Calma aí, cara! Vai bater em mulher? — ele questiona, me olhando com os olhos cerrados. — Eu disse que essa garota seria uma confusão, mas você não me ouviu!

Ele fala como se a culpa fosse minha, enquanto a verdadeira errada é consolada por ele.

— Não, Victor! Essa cobra peçonhenta pisou na mão da Lizzy! Eu vi perfeitamente bem… Essa mulher nem deveria estar aqui! — Mark fala, alterado.

— Quem decide isso sou eu, não você! Até porque você não passa de um sócio minoritário… A empresa é minha, já esqueceu? — o senhor Collins fala, cerrando o punho.

Mark fica em silêncio. Seus gestos falam por si. Ele caminha até onde estou e estende a mão.

— Vamos, Lizzy! Vou te levar para o hospital… Você vai pegar um atestado médico e depois vai para a justiça do trabalho. Vai abrir uma denúncia contra a empresa! — ele fala. Ao passar por Susan, a encara, então j**a seu crachá aos pés do senhor Collins e sai comigo sem dizer mais nada.

Enquanto o senhor Mark me leva para o hospital, o senhor Collins discute com Susan.

— Você não deveria estar aqui na empresa, muito menos na minha sala! PORQUE MACHUCOU A GAROTA, SUSAN! — ele grita batendo a mão contra a mesa.

Susan inventa desculpas e diz que não foi proposital.

— O seu amigo me odeia, você sabe disso! Apenas fui sair da sala para que ela fizesse seu trabalho, mas me desequilibrei e pisei em sua mão.

Senhor Collins segura seu braço com força e a encara.

— Dez anos ao seu lado, Susan, são suficientes para saber que fez por maldade. Só não entendo por quê, o que essa garota fez a você?

A pergunta mexe com Susan, deixando-a fora de si.

— É jovem, bonita… quem contratou essa garota? É óbvio que foi para você se divertir com ela! Não vai ficar com outra mulher, Victor… você sempre será meu, está me ouvindo!?

Susan se j**a nos braços dele, mas ele ri rouco e a afasta.

— Foi você quem errou. Jogou nosso casamento no lixo e ainda me deixou para ficar com aquele velho… Vai embora, Susan, e aproveita e leva aquela menina com você! Ela não é minha filha, e mesmo que minha mãe insista, eu não pretendo criar filhos de outro homem.

As palavras de Victor Hugo deixam Susan pálida. Ela pensava que Olívia mentia ao dizer que ele não quer a menina.

— Eu voltei para recomeçar uma vida nova, amor. Pode me dar uma chance? Pode dar certo, Victor… Eu ainda te amo e sempre vou te amar!

Susan se aproxima e acaricia a barba do senhor Collins, seus dedos finos deslizam até seus lábios.

— Vai embora, por favor… você já brincou demais comigo! — ele aperta o rosto dela, mas ela sorri.

Susan fecha a porta, tranca, e deixa o vestido cair até os pés.

Victor passa a mão pelo rosto, lutando contra o desejo. Susan o beija, agarra seu pescoço e brinca com sua língua em seus lábios. Victor não se contém, a coloca sobre a mesa e, com respiração pesada, a possui ali mesmo.

— Você ainda me ama? — ela pergunta deslizando os lábios pelo seu peito.

— Sim, mas luto todos os dias para te esquecer! Essa foi a última vez que entra nessa empresa… Você vai sair definitivamente da minha vida!

Victor coloca a roupa enquanto Susan o olha incrédula. Ele ajeita o colarinho e o relógio.

— Seguranças, tirem essa mulher daqui! Susan está proibida de entrar na empresa… Se isso acontecer de novo, vocês estão demitidos.

Ele fala ao telefone e imediatamente os seguranças entram na sua sala.

Susan não coloca nem o sapato e sai com o vestido aberto. Seu rosto cora sob os olhares de todos.

— Como ele consegue? Usa ela e depois a j**a fora! Esse homem é um demônio.

— Bem feito! Vaca ordinária, machucou a coitada da Lizzy… Espero que ela nunca mais volte — diz Jamile.

— JAMILE! — grita o senhor Collins.

— Sim, senhor Collins…

— Ligue para o senhor Mark e traga notícias da garota!

Ela obedece e fecha a porta. Victor acende um cigarro e senta diante da imensa janela, observando Susan ser largada na calçada.

Seu coração dói ao vê-la sendo maltratada, mas é o que deseja: nunca a perdoará pela traição.

— Senhor Collins, Lizzy vai passar por uma cirurgia… Na verdade, já está na sala de cirurgia, segundo o senhor Mark.

Jamile fala da porta, sem se aproximar.

Victor arqueia a sobrancelha.

— Parece que ela rompeu algum tendão, ou ligamento... Não sei ao certo, senhor! Houve fratura e o osso rompeu um ligamento.

O senhor Collins endurece o semblante, seus olhos escurecem e ele se coloca de pé.

— Peça para deixarem meu carro na entrada! Estou indo para o hospital! — ele fala, caminhando para o banheiro.

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