Mag-log inTodo o meu corpo estremeceu. Abri os olhos que nem sequer havia percebido que estavam fechados e no instante que meu olhar se cruzou com os do príncipe, ele percebeu o aroma.
O macho se afastou repentinamente olhando ao redor e procurando a origem do aroma de Marius, assim como eu. E tão repentinamente como surgiu, ele desapareceu. O macho olhou em minha direção, sua expressão um misto de emoções e eu reconheci todas elas. Incredulidade, em seguida raiva e finalmente, ciúmes.
Demétrius estava se sentindo traído.
— Isso não é possível. Ele... — suas palavras morreram no ar.
Mas eu sabia que era possível. Marius estava vivo e estava perto daqui.
Tão perto que eu desconfiava que por um instante, ele estava aqui.
Meu coração batia descompassado e naquele momento tudo que eu ansiava era estar sozinha. Estar sozinha para que ele viesse até mim, para que eu o abraçasse, que o beijasse.
Mas o que eu mais desejava era seu perdão.
— Eu não irei com você. — falei.
Seu olhar se voltou imediatamente em minha direção e pela primeira vez eu o vi com raiva.
— O que? — ele disse entredentes.
Levantei o queixo e olhei firmemente em seus olhos verdes profundos.
— Você ouviu. Vou ficar aqui e ficarei bem.
O macho respirou fundo e ficou ereto, sua postura imponente.
— Você quer esperá-lo. — seu tom era de acusação.
Não neguei suas palavras.
E o silencio se instalou entre nós como uma cobra venenosa prestes a dar o bote. Eu esperei que o macho explodisse, que me acusasse de traição, que falasse palavras cruéis para mim. Que retirasse seu apoio, mas Demétrius não era assim.
O macho me lançou um último olhar e me deu as costas.
Demétrius fechou a porta com força, causando um baque.
Assim que a porta se fechou, inspirei tentando sentir o aroma que fazia o meu sangue correr mais rápido e meu coração bater mais forte. Que me fazia querer sair correndo até ele.
Nada. O aroma havia sumido, ao menos, no meu apartamento.
Mas será que eu conseguiria seguir o rastro? Agora que estava na academia, outros rastreadores estavam me ensinando que o rastro pelo cheiro era o primeiro passo para lobas como eu.
E se tornava muito mais forte para mim.
Corri até a janela tentando inspirar profundamente e sentir seu aroma, mas ele estava se afastando cada vez mais.
Arfei, segurando o impulso de correr atrás do aroma quando vi um carro parando em frente ao meu prédio. Era um SUV preto, igual aos carros que a realeza usava. As portas se abriram e vários machos grandes com roupas pretas e passos pesados saíram dele.
Frustrada eu os vi se espalharem pelo prédio e suas saídas, Demétrius não havia brigado comigo ou tentado me levar a força, mas havia enviado seus lobos para me vigiarem.
Eu sabia que aquilo não se tratava apenas de proteção contra Kilian ou outros lobos negros que tentassem me ferir.
Aquilo se tratava de capturar Marius.
Maldito seja Demétrius!
Oh, ele estava roubando de mim a chance de reencontrar Marius, de ver com os meus próprios olhos que ele estava vivo!
Rangi os dentes de ódio e logo senti meus olhos arderem e as lágrimas descerem. Como ele podia ter tamanha ousadia? Como ele ousava me vigiar daquela forma?
Sai da janela e senti meu coração disparar de repente, minhas mãos começaram a tremer e eu percebi que estava tendo um novo ataque.
Aquilo havia começado quando voltei da prisão ao qual Clarisse me submeteu. E retornou mais forte quando Marius supostamente morreu.
Inspirei profundamente tentando retomar o controle da minha respiração, mas foi inútil. Eu não conseguia respirar e nada que eu fizesse fazia com que aquela sensação horrível de desespero e desamparo cessasse.
Quando minhas pernas começaram a tremer e eu me senti fraca, usei minhas últimas forças para me arrastar até o banheiro, entrando em completo desespero no box e ligando a água fria.
Me abaixei no chão gelado do azulejo e abracei meus joelhos, deixando que a água fria caísse sobre a minha cabeça. Desejando que de alguma forma ela levasse aquela sensação de sufocamento e esmagamento em meu coração embora.
Arfei, enquanto meus pensamentos sempre me levavam para o mesmo lugar. Para a cabana onde comecei a me apaixonar por Marius.
Selene estava agitada em minha mente, seus pensamentos novamente atropelando os meus, seus sentimentos entrelaçados com os meus, porque dividíamos o mesmo coração e a loba sentia a intensidade dos meus sentimentos por Marius.
“Ele está vivo. Era o cheiro dele. Temos que ir até ele.” ela dizia repetidamente e eu compartilhava de sua necessidade desesperada.
Mas como poderia ir atrás dele sabendo que diversos lobos me seguiriam? Como eu poderia fazer isso?
A água fria continuou a me envolver enquanto de modo gradativo, meu coração voltou a bater mais lentamente, minha respiração desacelerando enquanto meus pensamentos se tornavam mais claro à medida que os minutos passavam.
Eu apenas precisava de uma distração.
Vários minutos depois, olhei para a lixeira em um ponto cego das câmeras do corredor do primeiro andar do prédio. Respirei fundo e acendi o isqueiro colocando fogo no compartimento. A fumaça subiu para o teto e eu sabia que logo os alarmes disparariam, mas fui mais rápida e corri em direção ao alarme de incêndio o acionando.
Segundos depois, o corredor estava repleto de moradores saindo de seus apartamentos com seus rostos assustados e mais deles desciam das escadas até que tudo se tornou um caos.
Todas as saídas estavam repletas de pessoas e era difícil para os seguranças conseguirem me ver, mas eu os vi, tentando entrar para certamente ir até o meu apartamento.
Me desviei deles seguindo até a garagem e pegando a minha moto, coloquei o capacete e acelerei.
Inspirei profundamente e novamente consegui achar o rastro do aroma de Marius.
Segui para a pista seguindo o aroma fraco enquanto meu coração batia de modo descompassado.
Horas depois, segui por uma estrada de terra onde o aroma ficava mais forte.
Quando cheguei perto da clareira onde tudo havia começado, percebi para onde estava indo.
Marius havia retornado para a nossa cabana.
Há muito os guerreiros do rei Alfa haviam constatado que jamais voltaria aquele lugar, eu mesma não poderia imaginar que ele voltaria para aquele lugar.
Mas ali estava o rastro do seu aroma.
Peguei a trilha de terra e em certo ponto tive que descer da moto.
Corri em direção a pequena construção, meu coração batendo com força demais, minhas mãos suando e minha mente vidrada na esperança de reencontrá-lo.
Selene estava novamente lutando para assumir o controle, seus argumentos eram que ela era mais rápida que eu. Mas por alguma razão eu queria vê-lo como humana. Queria que ele olhasse o meu rosto primeiro.
E de repente, eu o vi.
O macho estava parado fora da cabana, de costas para mim enquanto socava uma arvore repetidamente. Seus ombros tensos e o suor iluminado pela lua descendo por suas costas.
Ele estava descalço e seus cabelos estavam do mesmo tamanho de quando o conheci. Um segundo depois ele paralisou e eu percebi que o macho devia estar sentindo o meu cheiro.
Lentamente Marius se virou, suas mãos com sangue de tanto socar a arvore.
Seus olhos de Jasper se fixaram em mim e seu olhar estava repleto de decepção.
Aquilo quebrou a minha alma.
— Marius? — arfei.
Sua expressão estava impassível, seu rosto uma máscara fria. Seus lábios retos não faziam qualquer menção de dizer uma única palavra.
E para a minha surpresa, ele se virou me dando suas costas e entrou para sua cabana.
Eu arfei contra sua boca, seu nome preso em minha garganta. Meu coração batendo contra o seu, enquanto sentia seu membro me invadir, me preenchendo e fazendo todo o meu corpo arder em chamas. Seus olhos me fitavam, seu olhar me queimando por inteira, enquanto seus quadris se moviam cada vez mais profundamente. Eu seguia o movimento dos seus quadris, minhas pernas agora entrelaçadas em sua cintura, enquanto uma onda de prazer me quebrava... Meu centro completamente aceso para ele, enquanto eu sentia a umidade entre nós... Logo meus gritos e seus movimentos foram ficando cada vez mais intensos, minhas mãos foram para os seus cabelos macios, seus lábios nos meus...saboreando. — Pela deusa...minha Jane... — Marius rosnou contra meus lábios e estocou com ainda mais força, seu corpo musculoso sobre o meu me fazendo delirar. Eu sentia tudo ao redor desaparecendo, restando apenas aquele macho. Seus lábios pressionando os meus agora, sua língua mergulhando em minha boca e de repente foi c
Eu queria gritar de tanta felicidade, porque era ele. Selene estava gritando dentro de mim enquanto meu corpo estava queimando. Tentei limpar as lágrimas que desciam, mas não conseguia tirar as mãos dele, de seu rosto, de seus cabelos e braços. Era como se ele pudesse desaparecer a qualquer momento... — Como pode ser você... — murmurei. Marius sorriu, dentes pequenos e um pouco tortos, mas que o deixavam ainda mais fofo. Seu olhar desceu para os meus lábios e se tornou predatório, sensual e possessivo. Eu podia sentir sua excitação contra a minha barriga naquele momento e ele não precisava falar que deixaria a conversa para depois. Marius me beijou novamente, mas dessa vez suas mãos foram para minha cintura e em um movimento ágil o macho me ergueu para os seus braços. Eu envolvi minhas pernas em sua cintura, sua excitação pressionando a minha me fez arfar contra seus lábios. Suas mãos foram para minhas pernas, eu sentia suas garras me arranhando levemente e sabia que seu lo
Todo o meu corpo paralisou enquanto a luz da lua refletiu naqueles olhos vermelhos, O macho estava sem camisa, seus cabelos escuros iam em pequenas ondas até seu pescoço, cobriam suas orelhas e parte de sua fronte. Ele possuía uma barba espessa e escura, mas eu via em seus olhos que aquele macho era mais novo que eu. Apesar de seu tamanho, de seus ombros largos e seus braços poderosos. Ele continuou a me encarar, seus olhos fixos em mim pareciam me venerar e eu recuei um passo quando percebi o volume em sua calça jeans escura. — Ah... pela deusa, não, eu não vou machucá-la! — ele anunciou e suas mãos foram para a frente de sua calça. Eu vi suas bochechas queimarem de vergonha e parte de mim desejou fugir. Fugir daquele lugar que era meu e de Marius, mas Selene gritou dentro de mim o nome dele. Senti como se todo o meu corpo e minha alma fossem puxadas para aquele macho, sem perceber, eu havia não apenas parado de recuar, mas vi meu corpo se inclinando para frente. Vi meus pés s
Vários anos depois. Olhei para Aureliano enquanto o macho se encarava no espelho. Era o dia de sua coroação como Rei alfa, e já havia alguns anos que Demétrius havia nos deixado. Olhei para a foto do macho na cabeceira e em como ele havia me entregado anos incríveis, como sua mão estava quente e forte quando eu a segurei pela última vez. Quando fechei os olhos, ouvi novamente sua voz. Amo você, Jane... que vida incrível você me deu. — Está chorando novamente, mãe. Está com medo de que eu não me saia bem? — a voz de Aureliano, que já não era mais o meu pequeno filhote, mas um macho de quase dois metros assim como o seu pai, com olhos intensamente verdes, me tirou dos meus pensamentos. Eu via em seu rosto a dúvida, ele estava buscando minha aprovação. — Aureliano, estava apenas lembrando do seu pai e do quanto você se parece com ele. Sei que será um rei incrível... Seus olhos se iluminaram e o macho se inclinou em minha direção, me envolvendo em um abraço caloroso. Eu o abrace
Cinco anos depois — Mãe! — a voz infantil era como uma melodia para os meus ouvidos...quase sempre. Senti os braços musculosos de Demétrius ao meu redor afrouxarem enquanto ouvia a porta do quarto se abrir. Eu sabia que não devia ser mais do que seis horas da manhã, a luz do sol estava fraca ainda lá fora. Quando ouvi os passos daqueles pés pequenos pelo quarto, abri os olhos. Qualquer irritação ou desconforto que eu pudesse sentir pelo horário passou no segundo que olhei nos pequenos olhos verdes de Aureliano. Seus cabelos escuros estavam bagunçados sobre sua fronte, seus cabelos eram ondulados como os meus e seu sorriso pequeno como os do pai. Demétrius se sentou na enorme cama e seus braços musculosos se abriram para Aureliano, que pulou sobre ele. Ouvi sua risada infantil enquanto o macho o cobria de beijos. Fiquei alguns segundos observando os dois machos que detinham o meu coração, ouvindo suas vozes, ouvindo seus corações enquanto eles sorriam um para o outro e brinca
A arena estava repleta de lobos e lobas que estavam ali para assistir a luta pela Luna Diana. Nas arquibancadas, os lobos gritavam para que o Alfa Ward estraçalhasse Sebastian, enquanto a alcateia de Kilian e de Sebastian, gritavam ao contrário. Eu ouvia suas vozes brutais, pedindo sangue e morte. E enquanto era guiada para a posição mais elevada na arena, em uma estrutura com uma imponência que cintilava. Havia detalhes em ouro e o símbolo de um lobo sobre ela. Demétrius voltou seu olhar na minha direção no mesmo segundo que entrei na arena acompanhada das servas, eu vi o macho se erguer de seu trono e vi em seu olhar que ele viria até mim. Levantei uma mão para que ele não descesse as escadas. Quando finalmente cheguei a poltrona ao seu lado, seus olhos verdes me avaliaram. — Você estava chorando. — ele afirmou e eu sabia que não poderia negar. Meus olhos estavam me entregando. Voltei meu olhar para o macho ao meu lado, respirei fundo. — Sim...mas isso já acabou. — falei,







