INICIAR SESIÓNPor Zuldrax
Meu nome é Zuldrax, também conhecido como Zuldrax, o Temerário. Sou o atual rei de Zafis e sou temido por muitos, pois herdei de meus pais todo o potencial real de um zafisiano. Não sabia quanto tempo levaria, mas certamente eu venceria Alister, rei de Halis, na guerra que estamos destinados a lutar. O ódio entre os reinos de Zafis e Halis já existia há séculos, e eu não permitiria que a vida de tantos guerreiros tivesse sido perdida em vão.
Após o último ataque, há cerca de quatro meses, algo aconteceu que deixou Alister atordoado. Parecia que ele tinha encontrado algo importante, tão importante que recuou suas tropas e voltou para Henir, a cidade central de Halis. Pensei que talvez fosse o momento oportuno para invadir, no entanto, minhas tropas estavam cansadas e as fronteiras de Halis possuíam uma magia especial de dispersão.
Somos muito mais fortes e hábeis que os halisianos. Possuímos um tipo de energia especial que aumenta nosso potencial em combate corpo a corpo; no entanto, eles têm uma aura mágica, algo com que poderíamos lidar facilmente, desde que estivéssemos preparados.
Decidi também recuar minhas tropas para que pudessem descansar e recuperar suas forças. Momentos de trégua ocorriam com certa frequência, e sua duração podia variar de semanas a meses, ou até se estender por anos, dependendo da situação. Eu precisava revisar minhas estratégias e, principalmente, descobrir o que Alister estava tramando.
Ao final do dia, recolhi-me em meus aposentos e, com uma dióxy de comunicação, entrei em contato com meu espião chamado Haigar, guarda real de Alister e de inteira confiança dele. Ele só aceitou se submeter às minhas ordens para que eu poupasse a vida de seu filho, que mantinha cativo numa prisão em Zaríon, cidade central de Zafis.
A função para a qual eu o designara era simplesmente carregar uma dióxy especial que me permitia ver através de seus olhos e ouvir através de seus ouvidos, pois suas funções sensoriais se refletiam no meu dióxy espelho.
Dióxys são pedras raras capazes de canalizar nossa energia e reverter para um efeito específico. Dióxys normalmente são únicas, não sendo encontradas duas pedras de igual efeito. Para acionar uma dióxy é necessário estar em contato físico direto.
Vislumbrei Alister numa sala de reuniões. Ele estava com três de seus mais fortes guerreiros, magos de muito talento e, para minha surpresa, Hiratamino estava ali. Hiratamino é o mago mais velho no reino de Halis e serviu ao rei Helgon e à rainha Rainessya, pais de Alister.
Após a morte deles e da recém-nascida princesa Lenissya, Hiratamino abdicou do papel de mago real, pois fracassara ao proteger seus reis. Alister, como único sobrevivente da família real, herdou o trono e se tornou meu maior inimigo. O que estaria Hiratamino fazendo ali? Eu estava prestes a descobrir.
— Acha que é possível, Hiratamino? — questionou Alister, entregando-lhe uma dióxy e aguardando ansiosamente sua resposta. — Consegue sentir, certo?
— Impressionante! Sua energia vital permanece intacta. Não há dúvidas, ela está realmente viva!
Alister arregalou os olhos e não se conteve. Lágrimas começaram a cair, mas havia um sorriso em seus lábios que me irritava profundamente. Quem estava viva, afinal?
— Como é possível? Sua aura vital havia se dissipado. Não havia indícios de que ela pudesse ter sobrevivido — disse Hiratamino. Seu rosto de espanto foi, aos poucos, sendo substituído por um olhar de esperança e um sorriso de comoção que me deixou enojado.
— Todos nós acreditávamos nisso, mas essa dióxy localizadora é a prova de que Lenissya está viva, embora não esteja perto de nós. Agora entendo o que pode ter acontecido. Minha mãe, na tentativa de proteger a pequena Lenissya das mãos de Zadthos, utilizou uma magia de transporte dimensional, levando-a a um mundo onde ela pudesse ficar segura.
— Isso é realmente incrível! E depois de tantos anos — disse Hiratamino, deixando-se cair para trás, apoiando as costas no encosto da poltrona. — Entendo.
— Agora que sei que minha irmã está viva, não descansarei até tê-la conosco novamente.
— Se ela tiver herdado a mesma energia de sua mãe, será de grande ajuda nesta guerra. Rainessya era um prodígio, mas estava enfraquecida após o parto, e eu falhei no momento em que elas mais precisavam.
— Não se culpe mais por isso, Hiratamino. Também carrego a culpa de ter deixado Zadthos passar pelo nosso exército. Não tínhamos como prever. Vamos nos focar no futuro.
— Majestade, como bem disse Hiratamino, Rainessya era um prodígio. A magia que ela deve ter usado para levar Lenissya para outro mundo deve ser de alto nível, e talvez nenhum de nós consiga conjurá-la. Como faremos essa proeza? — perguntou o sábio Ikzar, quebrando o clima de euforia. Muito bem, Ikzar... muito bem!
— Já pensei nessa possibilidade, mas creio que deve haver alguma maneira. Hiratamino, eu convoquei você até aqui porque preciso de sua experiência. Sei que não quer mais usar magia, mas preciso do seu auxílio.
— Vossa Majestade, será uma honra servi-lo nessa importante missão. Farei o possível para trazer a princesa de volta. Sei que não posso apagar meus erros, mas trazê-la de volta ao seu lar em segurança será minha remissão perante ti.
— Conto com você! — disse Alister, virando-se para seus subordinados. — Este segredo fica entre nós. Não vamos dar esperança ao nosso povo sem ter certeza de que nossa missão dará certo. E se isso chegar aos ouvidos de Zuldrax, Lenissya correrá perigo. Então, eu lhes peço, que o que foi dito nesta sala permaneça nesta sala.
Alister se retirou em silêncio. Aquele idiota nem desconfiava que eu já sabia de tudo. Demorei alguns minutos para processar o que ouvira. Não conhecia Lenissya, não sabia do que era capaz, mas meu ódio por ela já começava a se manifestar. Ela pertencia à família real de Halis e, portanto, precisava ser eliminada, pois era uma ameaça.
Passei noites mal dormidas depois disso. Precisava de uma estratégia. Pensei em matar Hiratamino, mas aquele velho já não duraria muito mesmo, e para isso eu teria que me arriscar bastante e invadir Henir, o que era quase impossível.
Guerrear nas fronteiras é fácil, mas invadir a área central de Halis seria muito trabalhoso e, com certeza, traria muitas mortes. Meu pai morreu realizando essa façanha, e as dores geradas pelas perdas naquela época foram enormes.
Uma coisa entrava em conflito com meu anseio de atrapalhar o plano de resgate: minha vontade de matá-la. Eu sabia que, se a missão fracassasse, Lenissya continuaria viva e eu jamais conseguiria acabar com a família real. O que eu tinha que fazer, então, era esperar que eles a trouxessem para que eu pudesse agir.
Passaram-se alguns dias e nenhum de nós iniciou um novo ataque. Tanto meu reino quanto o deles possuíam uma vigília poderosa e artimanhas que impediam que inimigos invadissem o território um do outro.
Quanto àquela missão estúpida, o velho Hiratamino andava com frequência na biblioteca real da cidade central de Halis, chamada Henir, procurando algo na literatura que o auxiliasse nessa questão de passagem dimensional.
Ver aqueles tolos se esforçando me divertia. Eu faria daquela missão um curto sonho, seguido de um pesadelo infinito. Alister parecia ansioso, preocupado com o possível ataque que eu poderia realizar naquele instante, mas seu foco ainda era sua irmãzinha Lenissya.
Para preocupá-lo ainda mais, espalhei o boato de que estava armando meu exército e que iniciaria um novo ataque em breve. Mal sabia ele que eu não tinha a menor intenção de fazer isso. Me divertia atormentando-o.
Parte dos meus homens descansava em casa com suas famílias, enquanto outros vigiavam perto de nossa cidade central, Zaríon, e das fronteiras, revezando-se entre si. Embora eu quisesse ferozmente vencer essa guerra, meu povo era mais importante. Queria que aproveitassem o tempo com coisas prazerosas e fortalecessem os laços afetivos entre si. Nossa união e ódio contra o povo de Halis os fariam perecer em algum momento. Era só questão de tempo.
Alister decidiu me enviar uma proposta de paz sob o pretexto de que a Noite Negra estava se aproximando e que, em memória das pessoas que morreram naquele dia, deveríamos estender a trégua por um período mais longo. Já se passaram dezesseis anos desde que a Noite Negra ocorreu. Eu tinha apenas oito anos na época, mas me lembro da minha mãe, olhando pela janela do palácio para o horizonte, pálida, com um olhar profundamente entristecido. Acho que sabia, bem no fundo, que seu amado não voltaria mais.
Pensei em recusar o pedido de Alister, afinal, eu sabia muito bem o porquê daquilo, mas preferi não provocá-lo. Era melhor que ele acreditasse que estávamos em trégua temporária para, talvez, pegá-lo desprevenido em algum momento. Bem... esse truque já é velho, mas nunca me cansava dele. Sorri maliciosamente enquanto novas ideias surgiam em minha mente.
POR LORENAMeu pai, com toda sua gentileza, veio até o carro e abriu a porta para mim. Peguei meu buquê de rosas vermelhas, sentindo a textura delicada das flores em minhas mãos, e segui com ele até a entrada.Naquele momento, o mundo ao meu redor parecia desaparecer, e o rosto do meu amado era tudo o que eu conseguia enxergar. Seu sorriso, cálido e encantador, desarmou todas as minhas defesas, fazendo meu coração acelerar.Caminhei lentamente em sua direção, com meu pai ao meu lado, cada passo carregado de emoção e expectativa. Era como se aquele instante fosse apenas nosso, envolto em uma aura de amor e felicidade.Foi um momento mágico do começo ao fim, e, para completar o encanto, Noturno fez uma entrada especial, carregando na boca a almofada com as alianças. Assim como muitos dos presentes, não consegui evitar uma risada.— Que cachorro bonzinho — cochichou um dos convidados.— Esse foi bem adestrado — comentou outro.Mas, não importava o que dissessem, eu sabia a verdade. Senti
POR LORENAEstávamos passando pelo portão de entrada da propriedade, faltando poucos minutos para o horário marcado nos convites. Havia algo que minha sogra mencionou no caminho de ida, com o qual eu concordava. Dava agonia termos que usar o carro em vez dos nossos dons. No momento, ela estava concentrada, olhando a paisagem através da janela. Ela se encantava com tudo e, ao contrário do Zuldrax, nunca reclamou de nada.— Finalmente! — Lizbeth exclamou aliviada, assim que meu pai estacionou próximo à entrada onde ocorrerá a celebração. Perto de onde estávamos, havia uma fileira com pelo menos uma dúzia de carros. — Vou ver a Ellen.Lizbeth não esperou nem o carro desligar completamente antes de sair apressada, e não consegui segurar uma risada. Ela era uma verdadeira avó "babona", completamente apegada à pequena. Ela estava usando um longo vestido vermelho, muito bonito, e seu cabelo estava preso em um coque. A mulher do salão fez um ótimo trabalho com todas nós, inclusive com minha m
POR LINCYAtravessei no céu de Halasin. Não imaginei que voltaria a esse lugar. Bati minhas asas suavemente, sobrevoando o castelo de Alister, descendo de frente para a porta principal.Adentrei apressadamente e levitei no mesmo sentido que outras pessoas passavam. Acabei parando na sala do trono. Ele estava trabalhando, e o espanto foi evidente em seu rosto assim que me viu.— Ei! Levanta daí e vamos! — gritei para ele, furando fila.— Como te atreves a invadir meu local de trabalho e ainda me dar ordens? — Apesar do semblante sério, havia uma ponta de felicidade na voz que ele não conseguiu disfarçar. — A que vieste?— Vim a pedido do Zuldrax. Ele pediu para eu passar aqui e te pegar.— Estou ocupado, mas, se quiser ser atendida, entre na fila.— Tranquilo. Eu aviso para ele que tentei e para a Lenissya que o irmão não quis conhecer a sobrinha. Adeus!— Espere! — pediu, assim que dei as costas. — Minha irmã teve uma menina?— Uma linda princesinha — respondi, abrindo um enorme sorri
POR LINCYSeus dedos deslizavam pela gravata em mais uma tentativa desastrada de ajustar o nó. Mesmo após observar como meu pai fazia, ele não conseguiu imitar. Estávamos de volta à Terra há alguns dias e, agora, nos preparávamos para o casamento da Lorena.— Tudo bem, meu amor, deixe-me ajeitar isso para você — falei a ele. Lunester suspirou profundamente e deixou que eu terminasse o serviço.Observei-o por um momento, impecavelmente vestido de forma elegante e formal para a tão esperada ocasião. Ele parecia um verdadeiro galã de cinema.— Está lindo, querido! — elogiei, esticando-me na ponta dos pés para beijá-lo. Como eu sentia saudades de quando era mais alta...— Não tanto quanto você, meu anjo. — Sua mão deslizou suavemente pelo meu rosto, causando-me arrepios. O toque dele era sempre tão gentil! Se ele soubesse o quanto me fazia feliz...— Lin, mamãe mandou perguntar se já estão prontos.— Estamos sim, Hugo. Já estamos indo! — respondi com um sorriso.Lunester e eu já estávamos
POR LUNESTERSentia-me hipnotizado por Alissya enquanto ela narrava os acontecimentos. Cada detalhe de sua presença me fascinava: o modo como falava, seus traços, sua postura. Sentia-me orgulhoso por ter feito parte dessa aventura ao lado dela, especialmente por tê-la tido tão próxima de mim durante tanto tempo. Vi várias facetas suas que, provavelmente, minha família jamais conheceria. Eram todas memórias preciosas, sentimentos inigualáveis.Minha memória era aguçada, e enquanto Alissya resumia os fatos com paciência, eu os revivia detalhadamente em minha mente, como se estivesse experienciando tudo novamente. Essa imersão foi interrompida quando ela se aproximou de mim com uma pequena caixa preta na mão.— Permita-me agradecê-lo pessoalmente. Obrigada, príncipe Lunester, por tudo! Aceite isto, por favor!Um turbilhão de emoções explodiu dentro de mim enquanto ela abria a caixa, revelando um círculo dourado em seu interior. Era um anel. No momento em que ela pegou minha mão para entr
POR LUNESTERFazia quase um ano que eu não via Lincy, e mesmo assim era impossível parar de pensar nela. Seu sorriso, seu olhar, seu jeito de ser me cativavam por completo e preenchiam todos os meus sonhos, mesmo quando eu estava acordado. Eu sentia muita falta de sua presença, do seu carisma, e de simplesmente poder admirá-la em segredo. Eu não sabia se ainda estava em Halasin ou se tinha voltado para a Terra, e, mesmo assim, desejava ardentemente poder encontrá-la onde quer que estivesse.— A mensagem já foi entregue ao rei de Lefyr, e trouxe a resposta, Sua Majestade — informei, estendendo o envelope ao meu irmão mais velho. Ele assumia cada vez mais responsabilidades que antes pertenciam ao nosso pai e, em breve, seria coroado oficialmente.— Muito bem! Volte ao seu quarto e só saia quando for chamado — ordenou ele, com firmeza.Acatei passivamente. Desde que voltei com Miridar daquela jornada, assumi toda a culpa, e o fato de eu ter dispensado meu vassalo foi um agravante para mi