INICIAR SESIÓNMarcela Andrade
Quais são as chances do homem que você gosta, estar te tratando como uma rainha? Poucas claro! Rafael nos últimos quatro dias depois do que aconteceu comigo decidiu ser meu companheiro de todas as noites. Que companheiro maravilhoso! Passávamos horas coladinhos no meu sofá de dois lugares, assistindo filmes. Naquele momento estávamos bebendo cerveja enquanto conversávamos assuntos aleatórios. Deixei de tomar as porcarias que o médico receitou, não me fez muito bem, então cortei.
Nunca antes estivemos tão próximos daquele jeito, precisou algo ruim acontecer para o melhor vir. Eu não queria saber de nada além de aproveitar sua companhia. Talvez fosse o momento de dar uma investida, tentei deixar de lado o nervosismo e olhei nos seus lindos olhos. Meu coração acelerou tanto que pensei que não conseguiria, demonstrar meus sentimentos por ele. Suspirei tocando sua face carinhosamente, sem desviar nossos olhares. No momento que senti sua mão quente tocar a minha, acreditei em uma possível declaração.
— Mah, acho que você está embriagada. — disse ele, tirando minha mão do seu rosto. Como? Digo, ele não tinha entendido ainda? Resolvi então esclarecer tudo para que entendesse.
— Eu quero você, Rafael! — afirmei, fitando seus lábios atrativos. Para a minha decepção ele pulou do sofá. Foi como se eu tivesse falado alguma coisa de errado, sequer consegui fechar a boca. Meu corpo travou no sofá e eu mal conseguia respirar.
— Marcela, somos apenas amigos, pensei que isso estivesse claro! — ele disse, demonstrando um tipo de repulsa por mim.
Fiquei envergonhada por ter pensado que talvez ele gostasse de mim também. Eu era apenas uma amiga? E por que ele sempre me tratou tão bem? Demonstrou tantas vezes sua preocupação por mim. Tudo que acreditei foi uma grande mentira? Era difícil de acreditar.
— É por que sou acima do peso? — questionei, com os olhos lacrimejando. — Responde! Eu sei que é isso!
Ele pareceu incomodado e em dúvida do que dizer, por alguns segundos desejei ouvir algo diferente, distante da palavra amigos. Eu não estava bêbada o suficiente para suportar um fora.
— Desculpe. — foi tudo que ele disse antes de sair pela porta do meu apartamento.
Ser rejeitada por um amigo era uma dor em dobro, talvez sentisse pena de mim, por essa razão demonstrava ser prestativo. Taquei na parede a latinha de cerveja e surtei, chutando a mesinha de centro.
— Por que ninguém pode me amar? Eu preciso ser magra pra ser desejada? — questionei-me caindo de joelhos em cima do carpete roxo.
Recordei de um dos piores momentos que passei na minha vida...
Eu tinha dezessete anos e estava completamente apaixonada, pelo garoto mais lindo da minha rua, porém, ele era um cafajeste e eu só descobri isso depois de perder minha virgindade com ele no quarto de sua casa.
— Fala sério! Para de chorar, garota! — gritou puxando-me de cima da cama. Ele era um pouco mais alto que eu, corpo atlético e um moreno de arrancar suspiros. Chorei porque depois de fazermos amor, ele deixou claro o que isso significava, no caso, não significava nada.
— Por que mentiu pra mim? — perguntei fitando o chão. Tudo não passou de uma diversão, ele não queria nada comigo. Prometeu que depois que fizéssemos amor estaríamos juntos de verdade, assumiríamos um relacionamento para todos. E eu caí na sua boa lábia, virando mais uma que passou pela sua cama.
— Você é uma gorda muito burra! Acreditou mesmo que fossemos ter uma relação? — questionou enquanto ria do meu corpo. Puxei a coberta da cama para cobrir meu corpo nu. Ele não parava de sorrir de contentamento. E eu me senti uma imbecil que nunca deveria ter confiado nele.
— Não faz isso, por favor, eu realmente gosto de você! — afirmei, derramando lágrimas amarguradas. Entrei em total desespero, então, implorei para que pensasse melhor.
O que ele fez depois? Debochou de mim e me fez sair pela janela de seu quarto sem roupas, apenas enrolada com a coberta suja de sangue. Desde aquele dia ele nunca mais olhou na minha cara, fiquei um bom tempo condenando minha escolha ruim, mas nada poderia ser feito. Eu me arrependi muito de ter caído nas suas garras.
O amor verdadeiro existia somente nos livros de romance. Rafael foi mais uma decepção que entrou para minha grande lista de fracassos. Caminhei até o quarto e em seguida joguei-me de bruços sobre a cama de solteiro.
— Por que sempre faço tudo errado? Nunca vou aprender? Nenhum homem vai querer estar comigo porque sou gorda. — murmurei, com o rosto enterrado no travesseiro. Chorei até pegar no sono.
Acordei no dia seguinte com parte do meu corpo para fora da cama. Minha cabeça parecia estar dentro de uma panela de pressão. Quando fiquei de pé senti minha perna direita doer. Saí do quarto indo para o banheiro, escovei os dentes e joguei água no rosto. Evitei encarar o espelho, pois sabia que provavelmente meu rosto estivesse péssimo. Saí caminhando até à sala depois de fazer um xixizinho.
Bati os pés com força no piso frio e grunhi. Tudo estava bagunçado e eu era a única que teria que colocar tudo no lugar. Comecei pegando as latinhas de cerveja e indo colocá-las no lixo da cozinha. Voltei para sala querendo chorar porque lembrei do jeito que Rafael fugiu de mim. Coloquei a mesinha de centro no seu devido lugar. A campainha tocou chamando minha atenção, estranhei porque ninguém havia telefonado para avisar que eu tinha visitas. Olhei para o relógio da parede e era quase meio-dia, era sábado e não tinha planejado nada com Talita.
Minha amiga tinha escolhido um péssimo dia para me visitar. Caminhei até à porta e segurei na maçaneta. Quando abri a porta pensando ser Talita, tive uma surpresa e tanto.
— Senhor Fonseca. — disse franzindo o cenho. Não era uma miragem na minha frente, realmente ele estava ali e de um jeito que nunca pensei que um dia fosse vê-lo, sem seu clássico terno azul. Ele usava uma camisa pollo vermelha e calça jeans preta com rasgos desfiados nas pernas, usava também um tênis. Bernardo Fonseca, usando tênis, não era uma coisa que se veria todo dia.
Pisquei os olhos repentinas vezes até ter uma atitude. Tentei fechar a porta, mas ele me impediu. Não queria que ele entrasse, pois não era bem-vindo.
— Por que não me ligou? Pensou que era brincadeira o que está no contrato? Não era! — falou rude aproximando-se. O cheiro forte do seu perfume não demorou nada para impregnar tudo.
Eu simplesmente paralisei e ele empurrou-me para o lado, adentrando sem permissão o apartamento. Passei os olhos pelo seu corpo e parei em sua mão esquerda que segurava uma mala preta de rodinhas. Me perguntei de onde tinha surgido aquela mala, talvez tivesse focado demais no seu corpo, por isso não a vi antes. Uma mala e um homem como ele na minha frente, significava que ele tinha mudado de ideia, entretanto, eu não iria junto com ele para nenhuma viagem maluca de trabalho.
— Estou de repouso, não vou viajar com o senhor! — disse com firmeza, aproximando-me dele.
— Você não leu o contrato que te enviei! — rosnou, dando um passo à frente. — Nos finais de semana, vamos passar juntos!
Era brincadeira, certo? Ele sabia meu endereço porque tinha no meu currículo da empresa, porém, ele não tinha direito algum de entrar sem ser bem-vindo para zombar de mim.
— Eu assinei o contrato, pode confiar um pouco em mim? Não vou fugir de trabalhar finais de semana para o senhor gratuitamente. — expliquei e continuei. — Não precisava vir até aqui para zombar de mim desse jeito!
— Você fez um acordo comigo, Marcela. Avisei para ler, mas você não quis! Custava ler a porra da cópia do contrato? — ele ficou tão bravo que conseguia enxergar as veias do seu pescoço saltarem. — Sou seu hóspede aos finais de semana até nosso acordo encerrar. Trouxe algumas roupas para deixar aqui. Onde fica meu quarto?
Meu Deus! Era sério! Bernardo Fonseca ficaria sim, no meu apartamento, finais de semana. Errei feio ao assinar um contrato sem ler, por consequência não ficaria em paz com sua presença indesejada.
— Só tem um quarto. — informei, colocando uma das mãos na cintura e continuei. — O senhor, vai dormir no sofá!
— No sofá? Quem pensa que sou? Um cachorro?
Juro que quis respondê-lo com um sim, todavia, não queria confusão.
— Não vou te dar meu quarto!
— Você não tem escolha, caso não faça minhas vontades, terá que me pagar uma multa de seis mil reais!
Seis mil reais? Por que fui tão tola em enfrentar aquele homem poderoso? Não passou pela minha cabeça que isso tornaria minha vida um caos. Meus finais de semanas não seriam os mesmos convivendo com o diabo chamado Bernardo Fonseca.
Bernardo FonsecaCaleb após casar-se com Talita em pouco tempo tornaram-se pais de uma garotinha chamada Ana Vitória. Minha sobrinha diferente do pai não era nada bobinha, a pequena tinha personalidade forte. Cinco anos passaram-se, e ainda assim, tudo parecia ter sido ontem. Meus sentimentos por Marcela cresciam a cada dia mais. Ter uma esposa advogada e totalmente independente era meu orgulho, sim, ela tinha me laçado de vez. Namoramos durante quase dois anos e ficamos noivos em pouco tempo, apenas seis meses. Eu sentia-me preparado pra ser pai, planejamos tudo durante anos até finalmente tentarmos. Aguardava Marcela do lado de fora do banheiro com ansiedade. Nas últimas semanas ela começou a sentir alguns sintomas de gravidez, foi então que comprei alguns testes de gravidez.— Filho, po
Marcela AndradeMuitas coisas perambulavam meus pensamentos, entre elas um jantar de última hora. Bernardo era imprevisível e cheio de surpresas. No cemitério me confidenciou um segredo que lhe trazia tanta dor. Coloquei sobre a cama o vestido que usaria para aquela noite, onde oficialmente seria apresentada como sua namorada. Escolhi um vestido branco um pouco acima dos joelhos, a renda dava um toque delicado ao vestido, nada extravagante. Usaria uma sandália baixa da mesma cor. Meu namorado era louco e acontece que eu também era. Parte do meu rosto estava um pouco inchado do soco que tinha levado de Rafael. O que a família dele pensaria ao me ver? Esperava passar uma boa impressão, apesar do inchaço nada discreto.A campainha tocou e eram ainda às sete da noite, o jantar seria às
Bernardo FonsecaEu sabia que o tal de Rafael estava enganando Marcela com aquele papo de ser gay, contudo, sequer pensei que ele fosse capaz de fazer o que fez com ela, chame de destino ou azar, minha chegada no momento exato em que ele socou seu rosto. Coloquei ele em seu devido lugar, um homem que bate em mulher é um covarde. Depois de Marcela e eu sairmos da delegacia, tomei uma decisão importante, ela precisava saber o que mudou minha vida para sempre. Próximos ao cemitério onde Laura estava sepultada sentia o nervosismo ganhar força. E se a mulher do meu lado desistisse de mim? Talvez ela enxergasse um cretino que sempre deixou claro que eu era. Mesmo com medo segui adiante, após alguns minutos estacionei e respirei fundo antes de sair do carro.— Você precisa saber a verdadeira razão
Marcela AndradeAcordei no dia seguinte com uma dor de cabeça que mais parecia um desfile de carnaval. Saí um pouco tonta do quarto indo em direção ao banheiro. Um banho aliviaria as coisas pensei. Adentrei o banheiro já tirando minhas roupas. Liguei o chuveiro e entrei debaixo.— Nunca mais volto a beber... — resmunguei, apoiando a mão na parede.Caramba, não foi apenas o álcool que acabou comigo, Bernardo tinha deixado uma marca no meu seio. Eu senti vergonha do que tínhamos feito no escritório do salão de festas, por essa razão após sairmos de lá, evitei ao máximo qualquer contato com ele. Talita me confidenciou uma discussão entre família, mas não sabia detalh
Bernardo FonsecaNo momento em que reencontrei Marcela após quatro meses sofrendo, decidi ceder, ceder a tudo que sentia. Não foi nada fácil ficar longe dela, fiquei feito louco todo esse tempo sem saber notícias suas. Pensei que afastando-a de mim tudo que era confuso na minha cabeça voltasse ao normal, mas afinal de contas, qual normal? Eu não poderia voltar a ser o mesmo, mesmo que quisesse. A recuperação milagrosa da minha mãe tornou tudo um pouco menos pior, apenas ela sabia de tudo que se passava na minha cabeça e no coração. Ter declarado o que sentia para mulher que sequer pensei um dia sentir alguma coisa, aliviou minha angústia.— Marcelinha... — sussurrei, excitado com seu toque quente. Olhei em seus olhinhos um pouco antes de coloca-a se
Marcela AndradeO que eu sempre desejei alcançar aconteceu quando menos esperei. De frente para o espelho mal conseguia reconhecer-me. O terninho cinza e a camiseta azul ficaram perfeitos. Toquei a fenda da minha saia e sorri, tudo parecia um sonho, entretanto, era real. Parte de mim estava extremamente satisfeita pela minha conquistar, mas, a outra, sofria ainda em silêncio. Quatro meses sem qualquer contato com Bernardo Fonseca, mesmo o tempo passando rápido, parecia ter sido ontem a última vez em que o vi saindo do meu apartamento. Uma semana depois, fui demitida sem qualquer justificativa, pensei que era o fim, no entanto, não era, após dois dias recebi uma ligação com uma proposta irrecusável para trabalhar em um bom escritório de advocacia. Eu seria louca se recusasse, certo? Aceitei e foi a melhor coisa que poderia ter acontec







