LOGINE se o destino devolvesse o amor da sua vida… no corpo de outra mulher? Ele enterrou o amor da sua vida… mas o coração dela nunca o deixou. Há dois anos, o poderoso e implacável magnata Nikolai Romanov perdeu tudo em uma única noite. Um acidente de carro levou a mulher que ele amava e junto com ela, a única parte de si mesmo que ainda era capaz de sentir. Desde então, Nikolai se tornou um homem frio, inalcançável… um fantasma vivendo em meio ao luxo. Até que, em um dia comum, ele a vê. Uma simples auxiliar de serviços gerais, invisível para todos. Menos para ele. Há algo nela que o desconcerta. Um olhar que o prende, uma presença que… dói. E o mais perturbador: O coração dela dispara toda vez que ele se aproxima. Irina não entende aquela conexão intensa com o chefe inacessível. Não entende por que seu corpo reage a ele como se já o conhecesse… como se já tivesse pertencido àquele homem. Mas existem segredos que nem o destino deveria ousar revelar. Porque dois anos atrás, Irina recebeu uma segunda chance de viver. Um transplante raro. Um coração novo. Um coração… que já foi de outra mulher. Da esposa dele. Quando a verdade vier à tona, o que restará? Um amor impossível… ou um sentimento que nunca morreu? Porque amar Irina pode significar trair o passado. Mas rejeitá-la… pode ser como perdê-la outra vez.
View More“Alguns encontros não começam com olhares... começam com algo muito mais perigoso: reconhecimento.”
O escritório permanecia mergulhado num silêncio que qualquer funcionário da Romanov Corporation aprenderia a reconhecer imediatamente.
Não era um silêncio confortável.
Era o tipo de silêncio que fazia todos medirem as palavras antes de entrar no escritório de Nikolai Romanov, um homem conhecido pela impaciência e intolerância a desperdício de tempo.
Naquela tarde, porém, o silêncio parecia mais pesado do que o normal.
Sentado atrás da enorme mesa de mogno escuro, Nikolai mantinha os olhos fixos na tela do computador enquanto dezenas de relatórios permaneciam abertos diante dele, embora não tivesse lido uma única linha nos últimos minutos.
Talvez na última hora.
A gravata permanecia afrouxada ao redor do pescoço e o primeiro botão da camisa social continuava aberto. A pele bronzeada ficava parcialmente exposta, enquanto a tensão acumulada ao longo do dia se refletia na mandíbula rigidamente travada.
Os dedos tamborilavam sobre a superfície da mesa num ritmo lento e constante, um hábito raro para alguém conhecido justamente pelo autocontrole quase obsessivo.
Do outro lado da sala, Dmitri Morozov observava tudo em silêncio.
Conhecia Nikolai bem o bastante para notar detalhes que escapavam aos outros e, naquele momento, bastou um olhar para entender que o amigo estava longe de ter um bom dia.
— Você vai acabar destruindo essa mesa.
Nikolai sequer levantou os olhos.
— Compro outra.
Dmitri soltou uma risada curta.
— Eu continuo achando que a terapia seria mais barata.
Nikolai não respondeu. Permaneceu imóvel atrás da mesa enquanto o silêncio voltava a ocupar a sala, denso e familiar. Dmitri já conhecia aquele comportamento, nos últimos dois anos, tinha visto o amigo trocar respostas por silêncio e conversas por longos períodos de isolamento sempre que havia algo que não estava disposto a dizer.
Dmitri girou lentamente o copo de uísque entre os dedos antes de apoiar as costas na poltrona.
— Dois anos, Kolya.
O movimento foi mínimo, pequeno demais para a maioria das pessoas notar. Mas Dmitri viu a mandíbula masculina endurecer, os olhos azuis perderem qualquer traço de neutralidade e o exato instante em que a conversa se tornou perigosa.
— Não faça isso.
A voz de Nikolai saiu baixa e controlada, mas o aviso era claro.
— Então pare de agir como se tivesse sido enterrado junto com ela.
O silêncio que veio depois foi imediato.
Porque, mesmo depois de dois anos, Nikolai ainda não tinha conseguido deixar de sentir falta da mulher que havia perdido.
— Já chega, Dmitri.
O amigo sustentou seu olhar por alguns segundos antes de suspirar.
Aquela discussão terminava sempre da mesma maneira e antes que pudesse insistir novamente, o som discreto da porta se abrindo chamou a atenção dos dois homens.
Dmitri foi o primeiro a desviar os olhos.
— Deve ser a equipe da limpeza.
Sem qualquer expectativa, Nikolai voltou a atenção para a porta, sem imaginar que a pessoa prestes a entrar seria capaz de abalar uma rotina que permanecia inalterada havia dois anos.
Irina empurrou o carrinho de limpeza pelo corredor exatamente como fazia todas as tardes, concentrada apenas em terminar mais um turno antes de voltar para casa. O escritório da presidência era apenas mais uma parada dentro de uma rotina que se repetia há meses, mas, ao se aproximar da porta, algo estranho aconteceu.
Ela diminuiu o passo sem perceber.
Não havia motivo para aquilo. Já tinha entrado naquele escritório outras vezes, mas, ainda assim, uma sensação desconfortável percorreu seu corpo, fazendo seus dedos se ajustarem ao cabo do carrinho enquanto uma tensão inexplicável se instalava em seus ombros.
Por um instante, teve a absurda impressão de que estava prestes a entrar em algum lugar que já conhecia, mas a sensação desapareceu tão rápido quanto surgiu.
Irritada consigo mesma, empurrou a porta e entrou.
Ela usava um uniforme simples, mantinha os cabelos ruivos presos num coque despretensioso e não havia nada em sua aparência que parecesse exigir atenção. À primeira vista, ela parecia apenas mais uma pessoa entre tantas outras que circulavam pelo prédio todos os dias.
Mas, no instante em que ela atravessou a porta, algo mudou. Os dedos de Nikolai cessaram o movimento sobre a mesa e sua atenção se fixou nela antes mesmo que conseguisse compreender o motivo.
A mulher continuou caminhando sem olhar diretamente para ele e seguiu concentrada na própria tarefa como se aquele fosse apenas mais um escritório.
Mas então ela parou por apenas um segundo, um único segundo.
E Nikolai percebeu.
Os dedos dela apertaram o cabo do carrinho com mais força e os ombros ficaram tensos por um breve instante. O pequeno gesto fez Nikolai se perguntar se ela também havia percebido a estranha sensação que tomou conta da sala.
A lógica dizia que aquilo não significava absolutamente nada, mas a verdade era que a lógica vinha falhando desde o instante em que aquela mulher misteriosa havia entrado por aquela porta.
Sem perceber, Nikolai se levantou fazendo a cadeira deslizar para trás e o movimento chamou imediatamente a atenção de Dmitri.
— Nikolai?
Mas ele não respondeu. Seus olhos permaneciam fixos nela, enquanto tentava compreender por que uma desconhecida havia capturado sua atenção de uma forma que nenhuma outra pessoa havia conseguido nos últimos anos.
E aquilo, por si só, já era estranho.
Foi quando ela ergueu os olhos.
E tudo piorou no instante em que os olhares se encontraram.
A sensação desconfortável que Irina vinha tentando ignorar aumentou imediatamente. Não parecia apenas o olhar de um executivo observando uma funcionária. Havia algo estranho na forma como ele a encarava, e isso foi suficiente para que seus dedos apertassem o cabo do carrinho com mais força enquanto ela tentava entender por que estava tão nervosa de repente.
Nikolai também ficou imóvel.
Durante alguns segundos, ele esqueceu o relatório aberto na tela, esqueceu Dmitri sentado do outro lado da sala e esqueceu até mesmo o fato de que deveria agir como sempre agia diante de qualquer pessoa que entrasse em seu escritório: com distância, controle e completa indiferença.
Porque ele não era o tipo de homem que perdia tempo observando desconhecidos e sabia reconhecer atração quando a sentia. Mas aquilo era diferente. Não havia desejo nem interesse evidente, apenas uma sensação desconfortável e persistente que sua mente não conseguia compreender.
Ele deu um passo à frente sem pensar e a reação dela foi imediata.
Os ombros se enrijeceram e o queixo se ergueu numa tentativa silenciosa de recuperar o controle da situação. Ela sabia que não deveria encará-lo daquela forma, principalmente sabendo quem ele era, mas seus olhos permaneceram presos aos dele por alguns segundos a mais do que o apropriado. Só voltou a si quando a voz grave e rouca dele rompeu o silêncio da sala, fazendo-a piscar e lembrar que ainda estava ali para trabalhar.
— Qual é o seu nome?
A pergunta saiu antes que ele pudesse reconsiderá-la.
Dmitri virou a cabeça imediatamente.
Porque aquela não era uma pergunta normal. Era a primeira vez, em dois anos, que algo parecia despertar Nikolai Romanov.
“Há uma tranquilidade especial em ver alguém que amamos sendo amado com cuidado.”Ekaterina RostovaNikolai ajeitou o travesseiro atrás de Irina e permaneceu inclinado, esperando que ela encontrasse uma posição confortável.— Assim?— Assim está bom.Ela sorriu para ele antes de voltar o rosto para mim.Apertei sua mão.Durante o caminho até a cobertura, eu tinha imaginado situações suficientes para deixar Dmitri preocupado comigo também. Ele explicou que Irina estava melhor, que tinha comido e descansado, mas só consegui acreditar por inteiro quando a encontrei naquela cama.Agora ela usava uma camisa de Nikolai, com as mangas dobradas e os cabelos um pouco amassados pelo travesseiro.Havia um pote de sorvete sobre a bandeja.— Então foi assim que resolveram o problema? — perguntei, olhando para ele.Irina acompanhou meu olhar.— Eu almocei antes.— Ainda bem. Por um instante, achei que precisaria conversar com seu enfermeiro.Nikolai recolheu a bandeja.— Ela também comeu parte do m
“Há cuidados que nos fazem desejar ficar, mesmo depois que já nos sentimos melhor.”Irina PetrovaQuando chegamos à cobertura, o enjoo tinha diminuído, mas Nikolai continuava observando meu rosto a cada poucos passos.Deixou minha bolsa sobre a poltrona e me acompanhou até o quarto.— Quer deitar um pouco?Assenti.Sentei-me na beira da cama enquanto ele se ajoelhava para tirar meus sapatos. Apoiei a mão em seu ombro, acompanhando o cuidado com que segurou meu tornozelo antes de retirar o segundo.— Já estou melhor — falei.Ele ergueu os olhos.— Eu sei. Mas você ainda parece cansada.Nikolai se levantou e abriu o armário.— Quer uma roupa mais confortável?Olhei para a camisa que ele retirou do cabide.— Essa serve.Seu sorriso apareceu quando a colocou ao meu lado.— Vou buscar água.Troquei de roupa enquanto ele estava fora. A camisa desceu até minhas coxas, e precisei dobrar as mangas para encontrar minhas mãos. Tinha o cheiro dele.Quando Nikolai voltou, eu já estava deitada, com
“O orgulho ferido encontra justificativas até para aquilo que não consegue aceitar.”Romena VorontsovaNikolai saiu da sala de reuniões antes dos acionistas.Ergui os olhos ao vê-lo atravessar o corredor com Elena. Ele não diminuiu o passo para responder ao homem que o chamou nem pareceu ouvir a pergunta feita perto da porta.Foi direto à mesa de Irina.Eu estava com uma pasta aberta nas mãos quando ele se ajoelhou ao lado da cadeira dela.Fechei-a devagar.Irina parecia pálida. Uma funcionária estava perto, segurando um copo, e Elena se inclinou para ouvir alguma coisa que Nikolai perguntou.Não consegui distinguir as palavras, mas vi sua mão no rosto de Irina. Vi a maneira como segurou os dedos dela e permaneceu ali, à altura de seus olhos, sem se importar com as pessoas que saíam da reunião.Um dos acionistas parou a poucos passos de mim.— Aconteceu alguma coisa?— Parece que uma funcionária passou mal.Ele acompanhou meu olhar.Nikolai afastou uma mecha do rosto de Irina e o home
“Há momentos em que o que mais importa deixa de caber na agenda.”Nikolai RomanovDmitri explicava a alteração no prazo de uma operação quando Elena abriu a porta.Ergui os olhos, esperando que me entregasse algum documento. Ela entrou sem a pasta que costumava trazer e veio diretamente até mim.— Irina está passando mal — disse em voz baixa.Afastei a cadeira.— Onde ela está?— Na mesa dela. Teve uma tontura e precisou se sentar.Levantei-me antes que terminasse.Dmitri interrompeu a explicação. Um dos acionistas, sentado perto da janela, acompanhou meu movimento.— Podemos fazer uma pausa, senhor Romanov.— Preciso sair.Peguei o telefone e olhei para Dmitri.— Remarque a reunião.Ele assentiu, já fechando o documento à sua frente.— Eu resolvo.Saí com Elena, sentindo a distância até o setor aumentar a cada passo.— Ela perdeu a consciência?— Não. Está conversando, mas ficou muito pálida. Disse que estava enjoada.Olhei adiante e a encontrei.Irina estava sentada, com uma das mão


















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