INICIAR SESIÓNConsulta particular
Scarlett Johnson Desde que eu coloquei os pés nessa casa, minha vida tem sido uma confusão, e um choque de realidade. As palavras de Rocco foram muito claras, Luigi corri risco de vida se eu não o protegesse. Então, imagina meu desespero quando Luigi estava passando mal novamente, e dessa vez, o meu colo não foi o suficiente. Por mais que eu tenha cuidado da minha mãe a vida toda, ainda assim, eu não estava preparada para cuidar integralmente de um bebê. Aliás, eu estou preparada, mas a questão é que eu não aceito que Rocco Mancini pode ser tão frio, é tão distante com o seu próprio filho. Agora eu entendo que é por causa da sua posição, ele é o chefe de tudo isso, e acredita que Luigi é uma fraqueza, uma mancha que não pode ser descoberta. Por mais que ele prove que não está disposto a ceder, ainda não me dou por vencida. Eu quero que Luigi tenha pelo menos o amor do pai dele. Ele já não tem mãe, ele precisa pelo menos do amor do pai. Como um homem como Rocco pode ser tão...tão... Difícil - Calma pequeno... - Luigi resmungava, ele já estava rouco de tanto chorar. Quando quando a porta de abriu, eu finalmente soltei o ar. Rocco era uma confusão de cabelos, terno e arma. Ele parecia que tinha vindo da guerra, mas seu olhar suavizou quando me viu no chão com o pequeno resmungão. — Rocco... ele está tão quente... - Eu disse tentando explicar meu desespero- Já dei banho, remédio... ele não está comendo... — A ajuda está chegando — ele disse, ajoelhando ao meu lado. A médica entrou pouco depois, mal tendo tempo de largar a maleta. Foram os vinte minutos mais longos da minha vida. Eu observava cada movimento da médica, claro que sentia meu chefe atrás de mim. Mesmo morrendo de medo dele, seu cheiro, e presença era reconfortante. Finalmente, a mulher guardou o estetoscópio e aplicou uma medicação rápida. Luigi, exausto, começou a relaxar. — Foi uma reação à mudança de ambiente combinada com o nascimento dos dentes, Rocco. O sistema dele é forte, mas o corpo reage — A mulher explicou, limpando o suor da testa. Eu peguei o menino, e o abracei como se a sua vida dependesse disso. — Você agiu perfeitamente bem os primeiros cuidados. Compressas frias, monitoramento constante... Como babá, você está fazendo um trabalho impecável. Ele tem sorte de ter você por perto, cuidando de cada detalhe com tanto amor. Eu suspirei aliviada. Não queria morrer, ou ser ameaçada por ter feito algo de errado com o pequeno. — Obrigado, Sandra — Rocco disse apenas, a voz firme e profunda. — Matteo vai te acompanhar até a saída. E o que viu aqui, continua aqui... Engoli em seco, a cada momento entendia exatamente onde estava, e que as nossas vidas nunca mais seriam as mesmas. - Te devo a minha vida Dom, seu segredo vai para o túmulo comigo. - Acenou em concordância. Ela se foi, eu me vi sem jeito, olhando para o homem enorme e intimidade na minha frente. Rocco parecia perdido em seus próprios pensamentos, mas ele não dava o braço a torcer sobre o seu filho. Eu aceitei esse emprego por causa da minha mãe, e também porque eu não queria deixar Luigi que vi crescer e nascer. Eu amava aquele pequeno ser com a minha alma, desde que eu peguei ele nos meus braços. Senti uma lágrima solitária escorrer. - Porque choras, Scarlett? Ele está bem. - Rocco me olhava como se eu estivesse fazendo uma tempestade em um copo d'água. - Eu tive medo de perder ele... - Rocco me olhava estranho. - De ter feito algo de errado, dele sofrer mais... - Não consigo controlar as lágrimas. - Tenho medo também de você. - Digo olhando para ele. - Você fala que se acontecer algo, se ele for descoberto... - Rocco suspira. - Morro de medo de acontecer algo, e você querer a minha cabeça. Eu nos separar. Rocco agora tinha a gravata estava desfeita, pendendo do colarinho aberto, e as mangas da camisa branca estavam dobradas, revelando os antebraços fortes. Ele parecia uma outra pessoa. - Eu não posso me desfazer de você, Scarlett. Não depois de tudo que você sabe. Sempre uma ameaça. - Senhor Mancini, se ele não é importante para você, ele é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Eu não consigo ser indiferente a ele. Estou aqui pela minha mãe, mas porque eu vi essa criança nascer naquele quarto imundo da Salomé. Eu cuidei dele o quanto eu pude. O tirei daquele quarto porque eu não queria que ele fosse levado para pelo sistema, eu o escondi mesmo sem saber o que iria fazer da minha vida depois daquela decisão. Então pode me ameaçar, pode dizer que tem a minha vida na palma da mão. Eu aceito porque eu amo essa criança com todas as minhas forças. Pela primeira vez ele não disse nada, Rocco ficou calado ouvindo as minhas palavras. Ele estendeu a mão. Meus olhos seguiram o movimento até que senti seus dedos tocarem meu rosto. Ato que era para eu estar apavorada em receber, mas apenas me deixou de guarda baixa. A pele dele era quente, marcada pelo rigor do seu mundo, mas o toque... o toque era de uma delicadeza que me destruía por dentro. Inclinei meu rosto contra a palma de sua mão, fechando os olhos. Ele era uma pessoa carinhosa, porque insiste em dizer que não pode? - Eu não sou o que você anda fantasiando na sua cabeça, Scarlett. - Respeito que ame ele, mas eu não posso fazer o mesmo. - Rocco... - Nada é além de proteção e cuidado. - É o que eu posso oferecer. Aquelas palavras me quebraram. - O que eu sei é que vou proteger vocês. Não espere muito além disso... - Seus olhos pareciam ler a minha alma, e a confusão do meu ser. Porque não amar uma criança tão meiga como Luigi? - Vá dormir, Scarlett... - Olho para aquele homem que foi criado em um mundo novo para mim. Um mundo que cobra caro por atitudes movidas por sentimentos puros. Porque se amar o próprio sangue era um pecado imperdoável, então esse mundo que ele era chefe e dono, era um verdadeiro purgatório. - Rocco... - Não vai encontrar o que deseja, Scarlett. - Depois dessas palavras, sai do quarto deixando claro que não iria ser o pai que o pequeno precisava. — Você diz que não é o que eu fantasio — comecei, minha voz saindo mais baixa, quase um sussurro que o obrigou a parar à porta. — Mas homens que não sentem nada não tocam as pessoas com tanta cautela. Você tem medo, Rocco. Não do Luigi, mas do que ele faz você sentir. Ele se virou lentamente. A luz do abajur desenhava os músculos de seus ombros sob a camisa fina. O olhar dele não era mais frio; era sombrio, carregado de algo que eu não sabia nomear, mas que fazia meu coração martelar contra as costelas. — Cuidado, Scarlett — ele murmurou, a voz vibrando no meu peito. Ele caminhou de volta, diminuindo a distância até que eu pudesse sentir o cheiro de pólvora, tabaco e o perfume caro que emanava de sua pele. Ele se inclinou, o rosto a centímetros do meu. — A curiosidade é um vício perigoso nesta casa. E eu sou um homem com pouca paciência para jogos. Minha respiração travou. Meus olhos caíram para a boca dele por uma fração de segundo, e vi o maxilar dele travar. O ar entre nós parecia ter acabado. Naquele momento, não era apenas sobre Luigi ou sobre minha mãe. Era sobre a eletricidade que percorria meus braços quando ele me olhava como se eu fosse um enigma que ele queria desesperadamente decifrar ou destruir. Ele não se moveu. Por um momento eterno, achei que ele fosse fazer algo que não esperava. Queria provar que por trás do monstro havia um homem. — Vá dormir — ele repetiu, mas desta vez sua voz falhou levemente, uma rachadura na armadura de gelo. Ele saiu antes que eu pudesse responder, deixando-me sozinha com o silêncio do quarto e o batimento acelerado do meu próprio desejo. Ele podia negar o quanto quisesse, mas o toque dele tinha dito o que suas palavras tentavam esconder: ele não era indiferente. E isso era o mais perigoso de tudo.Rocco Mancini O mármore branco de Carrara estava frio sob a ponta dos meus dedos, mas o sol da tarde romana tentava, em vão, aquecer a pedra. Eu estava parado ali, em um dos cantos mais silenciosos do cemitério, onde os ciprestes barravam o barulho da cidade e o tempo parecia ter feito um pacto de não agressão com a memória.Nas minhas mãos, um maço de peônias frescas — as favoritas dela. Três anos. Três anos desde que a mulher que eu aprendi a chamar de mãe, sem nunca ter tido a coragem de dizer isso em voz alta, nos deixou por causas naturais. Um conceito estranho para um homem como eu, Rocco Mancini. No meu mundo, as pessoas não morriam de "causas naturais". Elas morriam de chumbo, de traição, de velhice amarga em celas de prisão ou de um coração que parava por causa do estresse de uma vida de crimes.Mas ela... ela morreu em paz. Em sua própria cama, cercada pelo perfume de lavanda e pelo amor de uma filha que ela criou para ser uma rainha.Ajeitei as flores no vaso de bronze, re
Antônio Vitorino Roma sempre teve um peso diferente da Toscana. Enquanto as colinas toscanas sugeriam paz e o sussurro do vento nas parreiras, Roma gritava história, poder e o eco de impérios que subiram e caíram sob o sol de mármore. Eu estava parado na varanda da mansão de Luigi, observando o jardim impecável, mas meus ouvidos estavam atentos ao caos que reinava dentro de casa.Cinco anos.Cinco anos se passaram desde que me tornei o Sottocapo dos Mancini. Cinco anos desde que vi meu filho, Valerio, abrir os olhos pela primeira vez. Muita coisa mudou, e ao mesmo tempo, nada mudou. Eu ainda era o homem que limpava o caminho para o trono, mas agora, minhas mãos, que antes só conheciam o frio do metal, conheciam o calor de mãos pequenas e o perfume de Vincenza que parecia se tornar mais doce a cada estação.Hoje, a mansão de Luigi era o epicentro de uma tempestade. Não era uma guerra de clãs, mas algo muito mais aterrorizante para um homem como o meu cunhado: o nascimento do seu prime
Vincenza Vitorino As horas seguintes foram um borrão de esforço e uma intensidade que eu nunca imaginei ser capaz de suportar. Eu, que sempre prezei pelo controle, pela estética perfeita, pela elegância inabalável, vi-me reduzida à minha essência mais pura. Eu era força. Eu era vida. Eu era a ponte entre o nada e a existência.Antônio não saiu do meu lado por um segundo sequer. Ele não era apenas um espectador; ele era a minha âncora. Quando a dor parecia insuportável, eu apertava sua mão, e ele absorvia a minha agonia com uma paciência de granito.— Olhe para mim, Vincenza — ele dizia, sua voz sendo o único som que eu conseguia processar em meio ao caos das contrações. — Você é a mulher mais forte que este mundo já viu. Você consegue. Eu estou aqui. Eu sempre estarei aqui.Lá fora, eu sabia que a família esperava. Rocco, meu pai, provavelmente estava andando de um lado para o outro no escritório, fumando um charuto atrás do outro, impaciente para conhecer o neto que ele já considera
Vincenza Vitorino O sol da Toscana nunca pareceu tão pesado e, ao mesmo tempo, tão cheio de promessas como naquela tarde. O ar estava carregado com o aroma de uvas maduras e terra aquecida, um perfume que, para qualquer outra pessoa, significaria apenas o fim de mais uma estação, mas para mim, era o cheiro do destino se cumprindo.Eu estava parada diante da janela do meu ateliê na nossa casa aqui, observando as sombras dos ciprestes se alongarem sobre as colinas. Minha mão, quase por instinto, repousava sobre o topo da minha barriga, sentindo a curva perfeita que abrigava o meu maior segredo, a minha obra-prima mais absoluta. Eu não tinha feito festas. Não houve "chá de revelação" com confetes azuis ou fumaças coloridas para o deleite de convidados ávidos por espetáculo. Para uma mulher que viveu sob os holofotes de Milão e Paris, e sob as sombras perigosas da máfia, o espetáculo era algo que eu reservava para o mundo exterior.O que eu tinha com aquele bebê era algo silencioso. Algo
Antônio Vitorino O peso do paletó de lã fria sobre meus ombros não era apenas o peso de um corte impecável de alfaiataria italiana. Era o peso de uma vida inteira. Enquanto eu terminava de ajustar o nó da gravata de seda preta diante do espelho da nossa suíte na Toscana, meus olhos — os mesmos olhos que aprenderam a ler o perigo antes de aprenderem a ler poesia — refletiam a gravidade do que estava prestes a acontecer.Hoje não era apenas um sábado de sol entre as videiras. Hoje, o sangue encontraria o seu novo destino.Eu me especializei para este momento desde os meus treze anos. Enquanto outros garotos da minha idade em Milão estavam preocupados com chuteiras de futebol ou em como impressionar meninas nas praças, eu estava em porões úmidos aprendendo a desmontar uma Glock com os olhos vendados. Eu estava em reuniões silenciosas, sentado em um canto, observando como o meu pai, Matteo, e o grande Rocco Mancini negociavam a vida e a morte com a mesma calma com que se pede um expresso
Vincenza Vitorino O escritório do meu pai sempre foi um lugar de sombras e decisões que alteravam o curso da história — não a história que se lê nos livros escolares, mas a história real, aquela escrita nos becos de Milão, nos portos de Sicília e nas salas de reuniões luxuosas de Roma. Ali, o cheiro de carvalho antigo misturava-se ao aroma de charutos caros e ao frio metálico das armas guardadas em gavetas de fundo falso.Mas hoje, o ar estava diferente.Eu estava sentada em uma das poltronas de couro bordô, minha barriga de oito meses agora uma presença imponente que ditava a minha postura. Ao meu lado, Antônio permanecia de pé, como uma estátua de granito, sua mão descansando levemente no meu ombro — um gesto que para o mundo era de possessão, mas para mim era puro suporte. À nossa frente, a mesa de mogno maciço parecia pequena diante dos três homens que definiam o meu mundo: meu pai, Rocco; meu irmão, Luigi; e meu marido, Antônio.A pauta da reunião deveria ser a expansão das rota