MasukA estrada parecia mais longa do que Laura se lembrava.Talvez porque, agora, cada quilômetro carregasse uma pergunta.A casa onde havia nascido.O lugar que, durante tantos anos, existira apenas em fotografias antigas, lembranças fragmentadas e histórias que sua família contava sempre pela metade.Laura estava sentada no banco do passageiro, olhando pela janela enquanto as árvores passavam rapidamente.Rafael dirigia em silêncio.No banco traseiro estavam Gabriel, Maria e Clara. Otávio seguia logo atrás, em outro carro, acompanhado por dois homens responsáveis pela segurança.Ninguém sabia exatamente o que encontrariam.E isso era o que mais incomodava Laura.Ela apertou os dedos sobre o próprio colo.Rafael percebeu."Está nervosa?""Estou tentando não ficar.""Não precisa fingir comigo."Laura virou o rosto para ele."Você sempre sabe quando estou mentindo?""Com você, quase sempre."Ela soltou uma pequena risada."Isso deveria me irritar.""Eu posso fingir que não percebo.""Não."
Laura leu a mensagem novamente."Venha sozinha, Laura.""Ou sua mãe descobrirá que o homem que ela protegeu por tantos anos também foi responsável pela morte do próprio pai."As palavras pareciam queimá-la por dentro.Gabriel.Seu tio.O homem que havia desaparecido dos registros.O homem que, segundo Rafael, estava ligado às movimentações financeiras dos Montenegro.E agora, de acordo com a mensagem, era o responsável pela morte do próprio pai.Seu avô.Laura levantou os olhos.— Ele está com minha mãe.Eduardo confirmou:— Se a mensagem for verdadeira, sim.Gustavo pegou o celular.— Não podemos saber se ele está dizendo a verdade.— Eu sei.Laura respondeu.— Mas ele sabe que minha mãe está viva.Rafael se aproximou.— E quer que você vá até ele.— Sim.— Sozinha.— Sim.Rafael balançou a cabeça.— Não vai acontecer.Laura olhou para ele.— Rafael...— Não.Ele segurou as mãos dela.— Não vou permitir que você entre em uma armadilha sem ninguém por perto.— Ele pode machucar minha
Laura permaneceu parada na varanda.O celular continuava em sua mão.A mensagem ainda estava aberta na tela."Você quer saber quem matou seu avô?"E, logo abaixo:"Pergunte a Rafael onde ele estava naquela noite."Ela leu novamente.Depois levantou os olhos.Rafael continuava diante dela.O mesmo homem que havia segurado sua mão durante os momentos mais difíceis.O homem que a ajudara a enfrentar Gustavo.O homem que havia prometido não deixá-la sozinha.O homem por quem seu coração havia escolhido bater novamente.Agora alguém estava tentando colocar uma dúvida entre eles.— Laura?Ela não respondeu.Rafael percebeu imediatamente que havia algo errado.— O que aconteceu?Laura estendeu o telefone.Ele leu.Seu rosto mudou.Não por culpa.Por reconhecimento.Laura percebeu.— Você sabe alguma coisa.Rafael levantou os olhos.— Sei.Ela sentiu o coração apertar.— Então é verdade?— Não do jeito que essa pessoa quer que você pense.— Onde você estava naquela noite?Rafael ficou em silê
O carro avançava pela estrada em velocidade máxima.Laura permanecia no banco traseiro ao lado de Rafael, segurando a pasta contra o peito.O avô estava no veículo com eles.Eduardo dirigia.Gustavo seguia logo atrás com Otávio.Todos estavam indo para a antiga sede da Montenegro Holdings.O prédio estava pegando fogo.E Maria estava lá.Laura olhava pela janela, tentando controlar a respiração.— Mãe, por favor...Rafael segurou sua mão.— Vamos chegar até ela.— E se for tarde demais?— Não vai ser.— Como pode ter tanta certeza?Rafael virou o rosto para ela.— Porque ainda temos uma coisa que eles não têm.— O quê?— Você.Laura franziu a testa.— Eu?— Você é o motivo de todos estarem se movimentando.Seu avô olhou para ela.— Rafael está certo.Laura encarou o homem.— Então me diga a verdade.Ele suspirou.— Que verdade?— A que Helena mencionou.A verdadeira identidade do homem que criou o império Montenegro.O avô de Laura ficou em silêncio.Eduardo apertou o volante.— Pai.
Laura ficou encarando o doutor Henrique.As palavras dele pareciam não fazer sentido.O avô de Laura estava escondido na antiga casa de Gustavo.A casa onde ela havia vivido durante o casamento.A casa que havia deixado depois do divórcio.A casa onde tantas lembranças dolorosas ainda estavam guardadas.Laura olhou para Gustavo.— Você sabia disso?Gustavo parecia tão surpreso quanto ela.— Não.— Tem certeza?— Laura, eu juro que não sabia.Henrique interrompeu:— Ele não sabia.— Como você pode ter certeza?— Porque seu avô escolheu aquela casa justamente por causa disso.Laura franziu a testa.— Por causa do quê?Henrique respirou fundo.— Porque ninguém procuraria alguém ligado à sua família dentro da casa do seu ex-marido.Gustavo passou a mão pelos cabelos.— Então ele esteve lá esse tempo todo?— Não exatamente.— Explique.— Seu avô utilizava um cômodo subterrâneo que não aparece na planta da casa.Laura sentiu o coração acelerar.— O porão.Gustavo olhou para ela.— Eu nunca
Laura permaneceu em silêncio depois das últimas palavras de Teresa.A casa que ninguém mencionava.A casa que não aparecia nos registros.A casa conhecida apenas por Eduardo, Maria e seu avô.E, segundo Teresa, era exatamente ali que poderia estar o homem que todos acreditavam estar morto.Eduardo parecia perdido em pensamentos.Laura se aproximou.— Pai, você conhece essa casa.Não era uma pergunta.Ele respirou fundo.— Conheço.— Onde fica?— A cerca de uma hora daqui.— Por que nunca ouvi falar dela?— Porque seu avô mandou apagar qualquer registro.— Por quê?Eduardo olhou para a filha.— Porque era um lugar de emergência.— Emergência para quem?— Para nossa família.Laura franziu a testa.— Você já levou alguém para lá?Eduardo demorou a responder.— Sim.— Quem?— Você.Laura ficou imóvel.— Eu?— Quando era criança.— Eu estive naquela casa?— Sim.— E não me lembro.— Você tinha apenas alguns anos.Laura passou a mão pelos cabelos.— Então talvez meu avô tenha escondido algu







