INICIAR SESIÓNAMANDA NARRANDO:
Cheguei em frente ao lobby do prédio de Jon. O porteiro, já acostumado a me ver, me deixou subir sem hesitar. Apertei a campainha algumas vezes até Jon abrir a porta com o rosto amassado de sono, usando um pijama do Bob Esponja. — Docinho, o que tá fazendo aqui? — ele perguntou, coçando os olhos. — Nutella, me perdoa te incomodar agora, mas por favor, posso dormir aqui? — pedi, sentindo o desespero em cada palavra. — Claro, docinho, entra. — Ele disse, dando passagem e trancando a porta atrás de mim. Entrei com minhas malas, tirando os tênis porque sabia que Jon não gostava que entrassem com sapatos em sua casa. Ele acendeu as luzes, revelando o ambiente aconchegante do seu pequeno loft — Nossa, são três da manhã. O que aconteceu, docinho? — ele perguntou, indo até a cozinha compartilhada com a sala e pegando uma garrafa de água na geladeira. — Ah, nutella, se eu te contar, acho que você não acredita. — Respondi, colocando minha mala e mochila no canto da sala, respirando fundo e tirando o casaco. — Me conte e eu digo se acredito. — Jon disse, tomando água e se aproximando. — Então lá vai... Flagrei minha mãe e o Rony transando no quarto dela. — Senti o peso de falar aquelas palavras, pendurando meu casaco no armário próximo à porta. — Não acredito. — Jon colocou a mão na boca, chocado. — Mas é verdade. — Esfreguei minhas mãos, tentando dissipar o incômodo. — Estou passada. — Jon exclamou. — Eu estou péssima... — Você flagrou no momento do sexo? No ato mesmo? — ele perguntou, incrédulo. — Sim... sim... — admiti, com as cenas passando pela minha cabeça. — Que ratazanas traiçoeiras... O que você fez quando pegou os dois na hora H? Me conta em detalhes, esse babado docinho. — Ele pegou uma garrafa de vinho tinto, duas taças e se sentou no tapete, batendo levemente no chão para que eu me juntasse a ele. Sentei ao lado de Jon e comecei a contar como acordei de madrugada após dormirmos assistindo a um filme juntos, ouvi os dois, o flagrante, as palavras de minha mãe, o tapa que trocamos e como saí de casa. Jon tomou metade da garrafa de vinho enquanto eu falava, completamente perplexo. — Bambina, estou rosa choque! Mas que cobra cascavel, e aquele canalha ordinário! Vamos colocar veneno de rato em uma torta para os dois comerem de sobremesa... — Jon disse, servindo mais vinho. — Eu ainda não acredito, Nutella, que minha própria mãe fez isso comigo. Ela sempre me odiou tanto, até entendo por um lado, porque destruí a vida dela, que engravidou de uma bastarda, mas eu sou o sangue dela, como pode ser tão fria? Ela me olhava com tanta raiva como se eu estivesse errada por flagrar os dois e atrapalhar o momento. — Desabafei, frustrada, tomando meu vinho. — Dios! Sua mãe é narcisista, ela não se importa com ninguém além dela mesma. Você não tem culpa que sua mãe deu para um homem casado no passado. Você pediu pra nascer? Não! Então ela deveria parar de jogar isso na sua cara, aquela naja. — Jon disse irritado, detestando minha mãe. — Não pedi para nascer, mas até que eu fui o espermatozoide que correu ela j**a na minha cara. A maior parte da minha infância passei dentro do meu quarto para não incomodar minha mãe, evitava ir ao banheiro até ficar muito apertada, não fazia barulho, não passava perto dela. Por causa da minha mãe, nunca quis aparecer nas fotos, apenas ficar por trás delas. Me tornei tão insegura... — Senti lágrimas querendo escorrer, mas segurei. — Docinho, com uma mãe como a sua, você não precisa de inimiga. Nunca vi pessoa tão ruim assim. — Jon disse, com a voz cheia de empatia. — Isso é verdade, e o Rony... como pode fazer isso comigo? Ele dizia que me amava, me prometeu tanta coisa, estávamos escolhendo um apartamento, íamos casar ano que vem... Eu me entreguei pra ele, perdendo a virgindade... Ah, como fui burra! — Virei minha taça de vinho, sentindo a raiva e a dor me consumirem. — Você se livrou daquele canalha. Imagina se casar com um homem que te trai com a sua própria mãe? É melhor levantar as mãos e agradecer, Mandy. Se livrou de dois problemas de uma vez: um noivo canalha e uma mãe que não vale nada. Agora você é livre, docinho. — Jon disse, enchendo minha taça novamente. — Livre... Um brinde a isso, então. — Ergui a taça, com lágrimas nos olhos de raiva, tristeza e uma pontinha de alívio. — Oh, docinho, não chora... — Jon disse, tentando me consolar. — Eu só queria entender por que, o que fiz para merecer isso, Jon? Por que eles me traíram desse jeito? E quanto tempo eles não fazem isso? — Comecei a chorar copiosamente, sentindo toda a dor que vinha segurando. — Quem não presta é assim mesmo, erra com as melhores pessoas. Quem não pode errar contigo é você mesma, docinho. — Jon disse, tentando me consolar. — Eu só preciso de um tempo para superar isso, e desculpa te pedir, mas posso dormir aqui hoje? Não tenho para onde ir. — Olhei nos olhos castanhos dele, buscando apoio. — Pra onde mais você iria, sua louca? Claro que pode ficar aqui quanto tempo precisar. Se quiser, dividimos a cama, eu não me importo. — Jon disse, com um sorriso acolhedor. — Fico com o sofá, obrigada, Nutella. — Toquei a mão dele, sentindo um alívio. — Você foi a única amiga que ficou ao meu lado quando minha avó morreu ano passado e quando assumi minha sexualidade no ensino médio, então sempre pode contar comigo, docinho. — Ele disse, apertando minha mão. — Você é o meu único amigo também, Nutellinha. — Respondi, sentindo uma pontada de gratidão. — Bem, agora que você me acordou, vou precisar chapar para conseguir voltar a dormir. — Ele disse, indo até uma gaveta e pegando uma cigarreira com baseados bolados.Capítulo Bônus:Abigail Narrando:Após Leandro sair no elevador, deixando-me sozinha com Samuel, entramos no apartamento. Ele fechou a porta e imediatamente perguntou:— Abby, o que o Leandro disse é verdade? Você foi procurar por ele? — Samuel passou as mãos pelos cabelos, preocupado.— Sim, é verdade, Samuel... — Respondi, encarando seus olhos azuis.— Por que você fez isso? — Ele perguntou, com insegurança e tristeza visíveis em seus olhos.— Samuel, não vamos falar sobre isso, por favor... — Disse, colocando minha mão na lombar e respirando fundo, confusa com tudo o que estava sentindo.— Responde, Abigail, por que foi atrás dele? — Samuel gritou, sua voz cheia de frustração.Olhei para ele antes de responder:— Eu precisava falar com ele sobre o divórcio. Fiquei sabendo que ele vendeu a casa, e minha advogada disse que eu tinha direito a parte disso. Ela me avisou que ele assinou os papéis, então pensei que poderíamos resolver amigavelmente...— Por que não me contou isso, Abby?
AMANDA NARRANDO: A formatura foi um dos dias mais emocionantes da minha vida. Anos de esforço, noites sem dormir e incontáveis desafios finalmente culminaram naquele momento. Leandro estava sentado com Jon e Diego ao seu lado, enquanto eu recebia meu diploma. Olhei para ele e soube que tudo tinha valido a pena. Ele estava lá, com um sorriso orgulhoso no rosto, e eu me senti realizada. A gravidez já começava a se tornar evidente, com minha barriga aparecendo sob as roupas. Leandro sempre acariciava minha barriga e conversava com o bebê, enchendo meu coração de amor e gratidão.O dia da ultrassonografia foi especialmente emocionante. Leandro segurou minha mão enquanto a médica preparava o equipamento.— E então, preparados para a surpresa? — A médica perguntou com um sorriso, enquanto olhava para a tela.— Totalmente! — Leandro respondeu, a empolgação evidente na sua voz.A médica apontou para a tela e disse:— Vocês vão ter uma menina!Leandro soltou um suspiro de felicidade e seus
LEANDRO NARRANDO:Depois da cerimônia, Mussas ordenou que o gerente da Scandallo preparasse uma festa especial. A boate estava fechada, reservada apenas para nós. Um buffet com especiarias italianas estava montado, e o aroma de pratos deliciosos enchia o ar. Observando Amanda, percebi que queria tê-la comigo para toda a vida. Morando com ela, sentia que um futuro sem sua presença seria incompleto. Saber que seria pai foi o maior presente que poderia receber. Amanda estava linda de noiva, seus seios ligeiramente maiores, um reflexo da gravidez. Ela sorria, conversando com minha mãe, Alice, e minha nonna, Malu, enquanto Rafa e Flávia cuidavam das crianças.Os homens, incluindo meu primo Mussas, meu pai Miguel, meu avô Joseph e meu cunhado Arthur, estavam bebendo algumas doses, comemorando a notícia de que eu seria pai. Mussas propôs um brinde:— Leandro, meu primo, sempre soube que você estava destinado a grandes coisas. Hoje, ao ver você se casar com Amanda e saber que será pai, meu
AMANDA NARRANDO: Ao chegarmos na Scandallo, Jon estava ao meu lado, mas nada poderia me preparar para o que estava prestes a acontecer. Ao entrar, fui surpreendida por uma atmosfera mágica. As luzes suaves e velas acesas criavam um ambiente íntimo e especial. Não havia bailarinas como de costume.Foi então que vi Leandro, parado no centro da pista de dança. Ele estava de terno cinza claro, com um brilho nos olhos que me fez derreter. Leandro se aproximou e se ajoelhou diante de mim, olhando nos meus olhos e segurando a minha mão.— Leandro, o que está fazendo? — perguntei, sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas.— Amanda, desde o dia em que te conheci aqui, minha vida mudou. Você trouxe luz, amor e esperança para os meus dias. Não consigo imaginar minha vida sem você. Quer casar comigo?Minhas mãos tremiam e meus olhos se encheram de lágrimas. A única coisa que consegui fazer foi sorrir e acenar com a cabeça, dizendo “sim” repetidamente.Jon, ao meu lado, sorriu e interrompeu o
JON NARRANDO:Eu estava saindo para visitar Amanda, enquanto Diego estava na rua, me ajudando com algumas coisas. Aquela tarde, teria uma surpresa para a Docinho. Porém, ao abrir a porta antes de sair, dei de cara com Amanda. Fiquei surpreso, mas feliz em vê-la, e disfarcei para não revelar que estava indo exatamente atrás dela.Ela estava com uma expressão preocupada, e logo percebi que algo estava errado.— Nutella, posso entrar? — ela perguntou. Eu abri a porta, deixando-a passar.— Claro, Docinho. O que aconteceu? — perguntei, tentando parecer calmo.Ela se sentou no sofá da sala e começou a falar.— Leandro está estranho ultimamente. Ele anda muito distante, e eu não sei o que fazer. Isso tudo começou depois que a ex dele apareceu, e não sei o que pensar — Amanda disse, olhando para mim com olhos verdes aflitos.Eu sabia que Leãozinho estava preparando uma surpresa para ela, mas não podia contar. Leandro era meu chefe e me pediu para manter segredo. Amandinha, por outro lado, e
VANUSA NARRANDO:Era uma quinta-feira quando deixei Rony trabalhando em seu computador no bangalô e fui para o spa fazer uma massagem relaxante. Passei a manhã cuidando de mim, fazendo as unhas e os cabelos. Depois, tomei um drink no bar próximo à piscina, onde sempre trocava olhares com João Garcia, o dono do resort. Ele parecia estar interessado em mim, e eu estava atraída pela ideia de ficar ao lado de um homem poderoso. Flertamos a manhã toda, e ele me convidou para almoçar. Usei meu charme para manipulá-lo e consegui um convite para jantar.Voltei para o bangalô sorrindo à toa, pensando na desculpa que ia usar para despistar Rony e jantar com o bilionário. Ao chegar, abri a porta e encontrei Rony deitado na cama, sem camisa, apenas de bermuda, parecendo dormir.— Rony? — Chamei, aproximando-me, mas ele não respondeu.Então, alguns passos entraram pela varanda, e meus olhos encontraram Roberto, usando um terno com luvas pretas. Ele tirou uma faca afiada de seu suporte de couro, fa







