INICIAR SESIÓN— EU NÃO QUERO SABER...
— Pensa bem, querida...
— Pensar o que, Marie? Eu transei com um cara para que eu não fosse jogada na rua como uma qualquer e vou criar um filho dele?
Marie sabia bem o que era perder um filho, você não poderia voltar atrás nunca mais, era a pior perda que alguém poderia ter na vida, ela era uma garota nova, superaria aquilo.
— Como eu faço para arrancar isso daqui?
O doutor ficou um pouco sem graça e olhou para Marie que tinha a face totalmente tranquila.
— Marie? Sei que você conhece pessoas, muitas pessoas.
— Bem... – disse o doutor – acho que eu...
— Ninguém vai a lugar nenhum!
— Vocês dois conhecem alguém que vai me ajudar a me livrar disto, e vamos fazê-lo AGORA!!!
— Doutor... – voz de Marie era apaziguadora.
O doutor colocou a mão na cabeça como que temendo o que iria fazer.
— Existem remédios abortivos, mas...
— Não existe mas, doutor, não vou perder meu futuro por causa de uma criança que não planejei e muito menos desejei, entendeu?
— Talvez se houver alguém para criá-lo.
Gleide pensou no pai pela primeira vez em todo aquele tempo.
— Não há ninguém.
O doutor pegou o receituário e escreveu algumas palavras.
— Tome isto daqui, vai resolver o seu problema.
Gleide pegou o papel da mão do doutor como se houvesse alguma urgência naquilo tudo.
— Marie, sei que já te devo o mundo, mas preciso ainda de um favor.
— Não, Gleide!!! Posso ser o que for, menos assassina, se quiser, cuidarei da criança de bom grado como se fosse minha.
Ela olhou para o doutor e assentiu para que ele saísse.
— Como disse, neste mundo, nunca fique devendo nada a ninguém, mas vamos fazer um trato, você tem esta criança, a dê para mim e a deixarei como minha herdeira de toda a minha fortuna, mas... só me deixe novamente sentir a emoção de cuidar de alguém novamente... você não sabe o que é perder alguém que ama, eu perdi três que saíram dentro de mim e nunca pude fazer nada além de chorar.
Gleide não sabia o que fazia, aquela mulher estava dando a ela a oportunidade de ter o mundo em suas mãos, era dona de um dos ateliês mais famosos de Paris, era apenas nove meses e depois, nunca mais precisaria de nada na vida, não deveria nada a ninguém, seria a dona absoluta de um império.
— Com uma condição.
— Fala.
— Que ele, ou ela, nunca saiba que eu sou a genitora dele, digamos, estou apenas te emprestando minha barriga como forma de pagamento pelo que está me dando.
Marie ajoelhou-se na frente dela como se estivesse em uma igreja agradecendo pelo milagre que estava esperando e beijou a barriga dela como se estivesse esperando o Messias.
— Não irá se arrepender.
Óbvio que não se arrependeria...
IGUALMENTE AO LIVRO “O sorriso de Cíntia Donnaville”, este livro surgiu de uma ideia absurda que veio em uma talagada só, uma amiga, Tânia postou uma foto com um lenço azul amarrado ao pescoço e até então nada daquilo havia me chamado a atenção, mas como se tivesse recebido uma marretada na cabeça, a ideia veio...A menina do lenço azul...Essa era a primeira ideia de um título, contei a ela, que inicialmente gostou, mas achou que tudo fazia parte de alguma brincadeira, o que não é o meu caso, se eu simplesmente vislumbrar uma ideia, com certeza a colocarei para frente sem pestanejar, e assim sucedeu.Em sua maioria, os personagens são inspirados em pessoas reais, Marcel um Guitarrista, amigo em minha adolescência, Gleide, uma amiga do Rio de Janeiro, com uma personalidade forte e que vence tudo e todos dia-a-d
Tânia Copelli continuou a ser conhecida no mundo todo como a mulher que revolucionou a moda, ela se casou novamente e foi avó de muitos netos, abriu uma fundação com o mesmo nome de sua grife e ajudou a muitas crianças carentes, abrindo oportunidades em seus ateliês no mundo todo.JANICE, AO CONTRÁRIO DA MÃE, seguiu a carreira militar, sendo uma oficial altamente condecorada igual ao pai, lutou em diversas batalhas, como o Vietnã e no Golfo, quando se aposentou, seguiu na carreira política, chegando ao Senado dos Estados Unidos e sendo cotada a ser a primeira mulher a disputar para a Presidência dos Estados Unidos, perdendo nas eleições primárias duas vezes seguidas.THEODORE seguiu a carreira de cineasta de filmes eróticos parisienses, um dos primeiros a seguir aquele ramo, ganhando fama mundial seguindo o sucesso de Deep Throat, do qual er
Tânia fechou os olhos e por um instante o tempo começou a passar em câmera lenta, então, ouviu o barulho oco do corpo sem vida de Marcel cair no chão e a voz de Greg.— Ainda bem que chegamos a tempo.— GREG!!! – Ela jamais imaginou que ficaria tão feliz em vez alguém na vida quanto ele – Nunca achei que ficaria tão feliz ao vê-lo novamente.— Ainda bem que meus instintos estavam certos em segui-la até aqui, sabia que uma hora esse miserável apareceria.— Mas...— Sei que deve estar pensando que ele era apenas o auxiliar de Gladys, mas era um miserável invejoso, matou Gael, o pai de Gladys, Jorge e agora queria te matar também.— Jorge está morto?— Infelizmente... ele foi sequestrado e torturado no dia do acidente.— Coitado do Jorge... era um excelente profissional.
Theodore entrou no escritório de sua mãe e olhou para o atelier, todos estavam tristes e o ambiente visivelmente sem vida.— Sua mãe era uma grande mulher.Theo olha para trás e viu Gabrielle, a secretária de sua mãe e a intermediária entre eles.— É o que todos dizem.— Isso aqui agora é tudo seu.— Isso aqui nunca será meu.Apesar de ser um rapaz que acabou de sair da adolescência, ela o percebeu muito adulto naquele instante.— Mas alguém terá que dar seguimento ao que ela construiu.Theo sorriu.— Parabéns, Gabi... é todo seu... só me mande relatórios semanais.— Para de brincadeira, Theo.— Você acha que eu iria brincar com uma coisa dessas, e outra, era o desejo da minha mãe.Theo abriu o cofre e mostrou o tes
Os médicos estavam correndo com as duas macas emparelhadas lado-a-lado, tudo estava turvo, as luzes se revezavam entre clarear e escurecer...— Tânia... disse quase num sussurro quando as camas pararam para iniciarem os procedimentos médicos.— Não fala nada...— Queria que você soubesse que foi uma extraordinária adversária... fico feliz em tê-la como minha rival.— Agora não é hora....— Nem nunca mais será...Gladys sorriu e por um instante, Tânia percebeu que era seu adeus.— RÁPIDO!!! – Gritou um dos médicos – perdemos os sinais vitais dela.Tudo o que Tânia ouviu foi sumindo... então ela adormeceu.AOS POUCOS, TÂNIA foi recobrando a consciência e, de repente, se lembrou de Gladys.— GLADYS!!! CADÊ A GLADYS???As
Theo estava passeando pelas ruas de Paris e sabia que seriam bem tranquilas devido à semana da moda em Milão, não haveriam madames desfilando pelas ruas, pois todas estariam por lá vendo as tendências para a próxima estação, então era apenas administrar seus negócios ilegais.— E aí, Theo, tudo bem? Meus sentimentos...— Tudo bem... porque meus sentimentos?— Você não ouviu o rádio e nem viu as capas de jornais?Ele negou com a cabeça e correu até a banca e viu estampado na primeira página a tragédia tripla... porém só uma delas lhe chamou a atenção...“MORRE A HEROÍNA PARISIENSE, GLADYS VIERMOND...”