FAZER LOGINTânia enterrou a avó junto ao túmulo de seus antepassados na cidade de Florença, o lugar era espetacularmente lindo, era o berço de toda arte e cultura, lugar onde viveram muitos gênios da humanidade como Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Dante e Maquiavel.
Gael acompanhou Tânia em todo o processo.
— Já sabe o que fará?
— Vou estudar, minha avó deixou uma boa herança para mim, depois que saímos do sítio dela, fomos morar em Nova York e compramos alguns títulos e uma casa aqui, além das joias e uma boa soma em dinheiro que ela tinha aplicado em bancos locais, acredito que dará para recomeçar e se manter por um tempo.
Gael segurou carinhosamente suas mãos.
— Eu gostaria muito que este recomeço fosse também parte da minha vida.
Tânia foi até seu rosto e lhe beijou a bochecha.
— Quem sabe, não é mesmo?
Ele sabia que as vidas deles nunca mais seriam as mesmas.
TÂNIA AINDA ESTAVA TRISTE quando chegou um pacote pelo correio endereçado a ela, era uma caixinha de música e uma carta que dizia:
Minha querida neta... se esta caixinha de música chegou a você é porque de alguma forma a vida decidiu que eu tinha que pagar pelos meus pecados longe de você... este presente recebi de minha avó e da mesma forma passo a você um dia passar para as suas netas, que ela possa guardar as melhores lembranças de uma vida assim como tenho em você as melhores lembranças de minha amarga vida...
Beijos
Te amo
Sua avó
GVC
O CORAÇÃO DE TÂNIA parecia ter se desmoronado naquele instante, era como se sua avó soubesse de uma forma ou outra tudo o que estava para acontecer, ela não imaginava que tipos de pecados sua avó poderia ter, mas sabia que de uma forma ou outra estará presente em sua vida daquele momento em diante.
TÂNIA COMEÇOU a frequentar uma escola local e era conhecida como a garota que usava um lenço “cafona” azul amarrado no pescoço, todas as garotas tiravam sarro dela, alguns garotos chegavam por trás e fingiam que o lenço era a rédea de um cavalo e troçavam dela, e o fato de não ter ninguém para cuidar dela só pioravam as coisas.
— Porque não contrata uma governanta, querida, para cuidar da casa e te ensinar como funcionam as coisas aqui em Florença, se quiser, tenho um bom nome para indicar.
Tânia seguiu o conselho do diretor e contratou uma mulher de trinta anos de idade chamada Claudine Sala, era bonita, solteira e muito inteligente, entendia principalmente de moda e cultura e era uma prima em terceiro grau da família Veronese.
— Já sabe o que vai querer fazer na vida, Tânia?
— Quero abrir um Ateliê.
— Temos uma estilista aqui? – Disse em tom de admiração e surpresa ao mesmo tempo.
Tânia sorriu, era a primeira vez que alguém a fazia se sentir bem desde que Gael Tinha ido embora para Milão.
— Posso te ensinar algumas coisinhas sobre costura e peças de linho fino, minha família tinha uma confecção de roupas, o clima está favorável para isso, Mussolini tem sido um bom governador para nós.
— Não entendo muito disso.
— Mas precisa entender se quer crescer, precisa saber sobre muitas coisas, como funciona o sistema, mas principalmente, nunca deva favores a ninguém, acredite no seu sonho e vá sem pestanejar.
— Minha avó falava a mesma coisa.
— É porque seu sangue era italiano, normalmente italianos têm as mesmas características de querer conquistar o mundo... somos descendentes dos romanos, esqueceu?
Ela sorriu.
— Seria um sonho.
Tânia passou a mão pelo lenço azul.
— Você gosta muito dele, não é?
— É meu amuleto da sorte.
— Então, minha querida, estude e seja a melhor, para não depender da sorte, mas uma coisa tenho que te falar, se quer seguir no mundo da moda, a primeira regra é inovar, e se ficar somente com este lenço azul, uma hora irão enjoar de você.
Então Tânia teve o seu primeiro sobressalto de milhares que teria em sua vida.
— Tive uma ideia então.
— Qual?
— Em vez de usar somente o lenço azul, e se chamássemos meu ateliê de “Blue Scarf”, que traduzindo seria “Lenço Azul”?
— É uma boa ideia, o nome é forte e faz com que a presença de sua avó seja constante para você, seria uma bela homenagem.
— Assim, em vez de usar meu lenço, sempre estarei nele, é uma forma de remeter à lembrança da minha avó e o que ela deixou para mim.
— Achei maravilhosa a ideia.
Tânia sorriu orgulhosa de sentir que seu sonho estava nascendo.
— Mas nunca se esqueça, Tânia, o mundo da moda é perigoso e voraz, espera apenas um deslize para engoli-la viva.
— Já me falaram isso uma vez.
— Recomendo também que se case o quanto antes, pois, haverá, digamos assim, muita tentação.
— Fala por experiência própria?
Ela corou.
— Todas nós fazemos burrices em nome da paixão uma ou outra vez na vida.
— Pelo visto a sua cota já foi, não é mesmo?
— A minha já, mas a sua não, e nem deve.
Ambas deram risada.
IGUALMENTE AO LIVRO “O sorriso de Cíntia Donnaville”, este livro surgiu de uma ideia absurda que veio em uma talagada só, uma amiga, Tânia postou uma foto com um lenço azul amarrado ao pescoço e até então nada daquilo havia me chamado a atenção, mas como se tivesse recebido uma marretada na cabeça, a ideia veio...A menina do lenço azul...Essa era a primeira ideia de um título, contei a ela, que inicialmente gostou, mas achou que tudo fazia parte de alguma brincadeira, o que não é o meu caso, se eu simplesmente vislumbrar uma ideia, com certeza a colocarei para frente sem pestanejar, e assim sucedeu.Em sua maioria, os personagens são inspirados em pessoas reais, Marcel um Guitarrista, amigo em minha adolescência, Gleide, uma amiga do Rio de Janeiro, com uma personalidade forte e que vence tudo e todos dia-a-d
Tânia Copelli continuou a ser conhecida no mundo todo como a mulher que revolucionou a moda, ela se casou novamente e foi avó de muitos netos, abriu uma fundação com o mesmo nome de sua grife e ajudou a muitas crianças carentes, abrindo oportunidades em seus ateliês no mundo todo.JANICE, AO CONTRÁRIO DA MÃE, seguiu a carreira militar, sendo uma oficial altamente condecorada igual ao pai, lutou em diversas batalhas, como o Vietnã e no Golfo, quando se aposentou, seguiu na carreira política, chegando ao Senado dos Estados Unidos e sendo cotada a ser a primeira mulher a disputar para a Presidência dos Estados Unidos, perdendo nas eleições primárias duas vezes seguidas.THEODORE seguiu a carreira de cineasta de filmes eróticos parisienses, um dos primeiros a seguir aquele ramo, ganhando fama mundial seguindo o sucesso de Deep Throat, do qual er
Tânia fechou os olhos e por um instante o tempo começou a passar em câmera lenta, então, ouviu o barulho oco do corpo sem vida de Marcel cair no chão e a voz de Greg.— Ainda bem que chegamos a tempo.— GREG!!! – Ela jamais imaginou que ficaria tão feliz em vez alguém na vida quanto ele – Nunca achei que ficaria tão feliz ao vê-lo novamente.— Ainda bem que meus instintos estavam certos em segui-la até aqui, sabia que uma hora esse miserável apareceria.— Mas...— Sei que deve estar pensando que ele era apenas o auxiliar de Gladys, mas era um miserável invejoso, matou Gael, o pai de Gladys, Jorge e agora queria te matar também.— Jorge está morto?— Infelizmente... ele foi sequestrado e torturado no dia do acidente.— Coitado do Jorge... era um excelente profissional.
Theodore entrou no escritório de sua mãe e olhou para o atelier, todos estavam tristes e o ambiente visivelmente sem vida.— Sua mãe era uma grande mulher.Theo olha para trás e viu Gabrielle, a secretária de sua mãe e a intermediária entre eles.— É o que todos dizem.— Isso aqui agora é tudo seu.— Isso aqui nunca será meu.Apesar de ser um rapaz que acabou de sair da adolescência, ela o percebeu muito adulto naquele instante.— Mas alguém terá que dar seguimento ao que ela construiu.Theo sorriu.— Parabéns, Gabi... é todo seu... só me mande relatórios semanais.— Para de brincadeira, Theo.— Você acha que eu iria brincar com uma coisa dessas, e outra, era o desejo da minha mãe.Theo abriu o cofre e mostrou o tes
Os médicos estavam correndo com as duas macas emparelhadas lado-a-lado, tudo estava turvo, as luzes se revezavam entre clarear e escurecer...— Tânia... disse quase num sussurro quando as camas pararam para iniciarem os procedimentos médicos.— Não fala nada...— Queria que você soubesse que foi uma extraordinária adversária... fico feliz em tê-la como minha rival.— Agora não é hora....— Nem nunca mais será...Gladys sorriu e por um instante, Tânia percebeu que era seu adeus.— RÁPIDO!!! – Gritou um dos médicos – perdemos os sinais vitais dela.Tudo o que Tânia ouviu foi sumindo... então ela adormeceu.AOS POUCOS, TÂNIA foi recobrando a consciência e, de repente, se lembrou de Gladys.— GLADYS!!! CADÊ A GLADYS???As
Theo estava passeando pelas ruas de Paris e sabia que seriam bem tranquilas devido à semana da moda em Milão, não haveriam madames desfilando pelas ruas, pois todas estariam por lá vendo as tendências para a próxima estação, então era apenas administrar seus negócios ilegais.— E aí, Theo, tudo bem? Meus sentimentos...— Tudo bem... porque meus sentimentos?— Você não ouviu o rádio e nem viu as capas de jornais?Ele negou com a cabeça e correu até a banca e viu estampado na primeira página a tragédia tripla... porém só uma delas lhe chamou a atenção...“MORRE A HEROÍNA PARISIENSE, GLADYS VIERMOND...”