FAZER LOGINJá era a quarta vez que eles transavam e o alemão era literalmente um bom soldado na cama.
— Você é maravilhosa, sabia? Um rabo desses não é qualquer pessoa que tem...
— E também não é para qualquer um, meu querido – disse enquanto suportava a dor das estocadas violentas.
— Faria qualquer coisa que me pedisse neste momento, Gladys.
— E eu retribuiria o favor de bom grado, meu comandante.
— Adoro que me chame assim.
Todo oficial militar gosta...
— Sei que fez isso porque deseja que eu lhe deva algum favor.
— Poderia te pedir dois favores?
Ele diminuiu o ritmo para que ela falasse.
— Depende.
— É algo que está facilmente ao seu alcance.
— Pode falar.
— Preciso que dê uma pausa nas mortes dos gays aqui em Paris, vocês mataram dois dos meus melhores homens.
— Que pedido estúpido.
— Sei que aos seus olhos são sub-humanos, mas para mim são importantes, trabalham bem no meu ateliê, fazem tudo o que peço sem pestanejar, esse tipo de mão-de-obra não é facilmente conseguido por aqui, ainda mais em momentos críticos como este.
— Vou pensar no seu caso.
— Se me fizer este pequeno favor, saiba que terá este corpo, todas as vezes que desejar.
Ele sorriu satisfeito.
Não dá para negar esse rabo maravilhoso ao meu dispor...
— Acho que é um preço bem camarada, a vida de uns imundos por uma bela trepada, não vejo porque não, mas não poderei impedir meus homens de fazê-los se ficarem de bobeira por aí.
— Pode deixar que cuidarei para que isso não aconteça.
— E qual o segundo pedido?
— Preciso que arranque o pau alguém para eu guardar de lembrança.
GLADYS MANDOU QUE TODOS ELES se vestissem como homens e as mulheres como tal.
— Saiba que não estamos gostando nem um pouco disto.
Gladys chegou perto dele e lhe deu uma bofetada.
— Ontem eu dei o meu cú para que vocês tivessem uma oportunidade de sobreviver, acho que vestir uma roupa que não gostam é um precinho bem camarada por suas porras de vidas, não é mesmo? Nem sentar estou conseguindo por causa daquele maldito nazista, talvez muitos de vocês sentiriam prazer nisto, mas eu não, agora façam o que estou mandando, ou tenham a vida de vocês por conta e sumam da minha frente.
Todos eles fizeram o que Gladys havia mandado.
O GENERAL CUMPRIU com o combinado e estava maneirando nas mortes de homossexuais e seus funcionários estavam visivelmente mais tranquilos.
— Não sei que milagre você fez, Gladys, mas os nazistas pararam de importunar nossos funcionários.
— Não há homem que resista a uma boa trepada, eles pensam muito mais com a cabeça de baixo do que a cabeça de cima.
— Pelo jeito você virou a cabeça deles, não é mesmo?
— Quem sabe...
IGUALMENTE AO LIVRO “O sorriso de Cíntia Donnaville”, este livro surgiu de uma ideia absurda que veio em uma talagada só, uma amiga, Tânia postou uma foto com um lenço azul amarrado ao pescoço e até então nada daquilo havia me chamado a atenção, mas como se tivesse recebido uma marretada na cabeça, a ideia veio...A menina do lenço azul...Essa era a primeira ideia de um título, contei a ela, que inicialmente gostou, mas achou que tudo fazia parte de alguma brincadeira, o que não é o meu caso, se eu simplesmente vislumbrar uma ideia, com certeza a colocarei para frente sem pestanejar, e assim sucedeu.Em sua maioria, os personagens são inspirados em pessoas reais, Marcel um Guitarrista, amigo em minha adolescência, Gleide, uma amiga do Rio de Janeiro, com uma personalidade forte e que vence tudo e todos dia-a-d
Tânia Copelli continuou a ser conhecida no mundo todo como a mulher que revolucionou a moda, ela se casou novamente e foi avó de muitos netos, abriu uma fundação com o mesmo nome de sua grife e ajudou a muitas crianças carentes, abrindo oportunidades em seus ateliês no mundo todo.JANICE, AO CONTRÁRIO DA MÃE, seguiu a carreira militar, sendo uma oficial altamente condecorada igual ao pai, lutou em diversas batalhas, como o Vietnã e no Golfo, quando se aposentou, seguiu na carreira política, chegando ao Senado dos Estados Unidos e sendo cotada a ser a primeira mulher a disputar para a Presidência dos Estados Unidos, perdendo nas eleições primárias duas vezes seguidas.THEODORE seguiu a carreira de cineasta de filmes eróticos parisienses, um dos primeiros a seguir aquele ramo, ganhando fama mundial seguindo o sucesso de Deep Throat, do qual er
Tânia fechou os olhos e por um instante o tempo começou a passar em câmera lenta, então, ouviu o barulho oco do corpo sem vida de Marcel cair no chão e a voz de Greg.— Ainda bem que chegamos a tempo.— GREG!!! – Ela jamais imaginou que ficaria tão feliz em vez alguém na vida quanto ele – Nunca achei que ficaria tão feliz ao vê-lo novamente.— Ainda bem que meus instintos estavam certos em segui-la até aqui, sabia que uma hora esse miserável apareceria.— Mas...— Sei que deve estar pensando que ele era apenas o auxiliar de Gladys, mas era um miserável invejoso, matou Gael, o pai de Gladys, Jorge e agora queria te matar também.— Jorge está morto?— Infelizmente... ele foi sequestrado e torturado no dia do acidente.— Coitado do Jorge... era um excelente profissional.
Theodore entrou no escritório de sua mãe e olhou para o atelier, todos estavam tristes e o ambiente visivelmente sem vida.— Sua mãe era uma grande mulher.Theo olha para trás e viu Gabrielle, a secretária de sua mãe e a intermediária entre eles.— É o que todos dizem.— Isso aqui agora é tudo seu.— Isso aqui nunca será meu.Apesar de ser um rapaz que acabou de sair da adolescência, ela o percebeu muito adulto naquele instante.— Mas alguém terá que dar seguimento ao que ela construiu.Theo sorriu.— Parabéns, Gabi... é todo seu... só me mande relatórios semanais.— Para de brincadeira, Theo.— Você acha que eu iria brincar com uma coisa dessas, e outra, era o desejo da minha mãe.Theo abriu o cofre e mostrou o tes
Os médicos estavam correndo com as duas macas emparelhadas lado-a-lado, tudo estava turvo, as luzes se revezavam entre clarear e escurecer...— Tânia... disse quase num sussurro quando as camas pararam para iniciarem os procedimentos médicos.— Não fala nada...— Queria que você soubesse que foi uma extraordinária adversária... fico feliz em tê-la como minha rival.— Agora não é hora....— Nem nunca mais será...Gladys sorriu e por um instante, Tânia percebeu que era seu adeus.— RÁPIDO!!! – Gritou um dos médicos – perdemos os sinais vitais dela.Tudo o que Tânia ouviu foi sumindo... então ela adormeceu.AOS POUCOS, TÂNIA foi recobrando a consciência e, de repente, se lembrou de Gladys.— GLADYS!!! CADÊ A GLADYS???As
Theo estava passeando pelas ruas de Paris e sabia que seriam bem tranquilas devido à semana da moda em Milão, não haveriam madames desfilando pelas ruas, pois todas estariam por lá vendo as tendências para a próxima estação, então era apenas administrar seus negócios ilegais.— E aí, Theo, tudo bem? Meus sentimentos...— Tudo bem... porque meus sentimentos?— Você não ouviu o rádio e nem viu as capas de jornais?Ele negou com a cabeça e correu até a banca e viu estampado na primeira página a tragédia tripla... porém só uma delas lhe chamou a atenção...“MORRE A HEROÍNA PARISIENSE, GLADYS VIERMOND...”