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CAPÍTULO 32 - GLADYS VIERMOND

last update Fecha de publicación: 2021-09-04 07:40:21

Gladys estava jantando em um restaurante quando viu um número circense um tanto quanto bizarro, mas ela jamais poderia esquecer uma das melhores noites que já teve na vida.

A primeira vez que um homem teve a incrível capacidade de fazê-la ter um orgasmo...

Um homem chamado Charles Rigoulot, um halterofilista se apresentava ali, levantando pessoas, Gladys chamou o garçom:

— Quem é este rapaz?

— Charles? Ele é bem conhecido por aqui, madame, foi campeão olímpico em 1924 de halterofilismo e estabeleceu doze recordes mundiais, é uma verdadeira lenda aqui em Paris, todos o conhecem como: "l'homme le plus fort dans le monde"

O homem mais forte do mundo...

Gladys pareceu bem impressionada com o currículo prévio do rapaz.

Nunca sai com um verdadeiro campeão...

— Diga que quero jantar com ele, peça que vista algo decente em vez desta tanguinha de oncinha cafona.

O garçom assentiu.

— Será feito, madame Viermond.

Após o número, Charles apareceu de tanguinha na frente de Gladys e sorriu.

— Acho que não entendeu meu pedido, senhor Rigoulot, os músculos atrofiaram seu cérebro?

— Ninguém diz o que devo ou não fazer.

— Pelo jeito nunca conheceu uma mulher, senhor Rigoulot, nós sempre mandamos nos homens, eles gostem ou não.

Gladys limpou a boca e se levantou.

— É por isso que sempre será tratado como uma mera atração de circo, o fato de não pintar o rosto, não quer dizer que seja diferente de um palhaço.

Charles a ficou olhando.

Quem essa puta pensa que é?

Naquela mesma noite, Charles, juntamente com alguns amigos foram presos pelos soldados nazistas, pois durante uma inspeção de rotina, Charles deu um soco no oficial nazista que o fez desmaiar.

Ele estava impressionado com a própria força, mas se descuidou e outro nazista deu-lhe uma coronhada com seu fuzil e ele caiu desmaiado no chão.

— Amanhã você será fuzilado, meu camarada.

Eles algemaram Charles e seus amigos e o conduziram até a cadeia.

Assim que ele recobrou a consciência, viu seus amigos em completo desespero.

— Que bom que você acordou, Charles, eles disseram que vão nos matar em praça pública amanhã.

Charles sorriu:

— Amanhã não é um bom dia para morrer, Louis.

Mas conseguiu desentortar as barras de ferro da cadeia, soltou todos os seus amigos e ainda espancou outro guarda.

— Da próxima vez eles deveriam escolher os franceses para serem a raça ariana superior.

CHARLES ESTAVA ANDANDO tranquilamente quando uma limusine emparelhou a ele, abaixou o vidro e Gladys disse:

— Quer uma carona, acho difícil alguém procurado pelos nazistas ficar andando por aí como se nada pudesse vencê-lo, ainda mais um alvo desse tamanho.

— E não pode.

— O fato de entortar barras de ferro com as mãos não quer dizer que seja à prova de balas também...

Ela abriu a porta enquanto ele ficou olhando sem entender para ela:

— Entra logo e não reclama.

Charles obedeceu.

— Viu só, não é tão ruim obedecer uma mulher.

Gladys estava sentada ao lado de uma pessoa que ele reconheceu imediatamente ser uma das que estavam na mesma cela que ele.

— Quero te agradecer por soltar meu amigo, ele me disse o que fez.

— Ele só foi beneficiado por minha saída.

— É impressão minha ou você não sabe receber o bem que as pessoas querem fazer por você? Te convidei para jantar e só pedi para colocar uma roupa decente e não colocou, estou te dando carona por ajudar um amigo meu e não consegue sequer aceitar um agradecimento... é só uma bola de músculos ou consegue pensar um pouco?

Charles engoliu seco aquela reprimenda, ninguém falava com ele daquela forma desde que sua mãe morreu.

— Me desculpe, eu...

— Que seja... só estou...

O motorista a interrompeu.

— Senhorita Viermond, temos problemas.

Gladys olhou e viu que era um bloqueio do exército nazista.

— Mas que merda...

Justo agora...

— Fiquem quietos vocês dois...

Os soldados deram ordem de parada e eles sabiam que se eles derem fuga, o que era impossível com uma limusine, seriam facilmente alvejados.

— Encosta que eu resolvo, e vocês dois se abaixem e não façam nenhum barulho.

O carro encostou.

— Documentos dos senhores – solicitou o oficial nazista.

Gladys abaixou o vidro.

— Com licença, senhor oficial, mas tenho pressa.

— Senhora... documentos.

— O General Von Bock sabe que você está aqui?

— É óbvio.

— Então... estou indo me encontrar com ele, peço a gentileza de nos liberar para que não cheguemos atrasados.

— Só um momento.

O oficial conversou pelo rádio.

— Pode passar, senhorita Viemond, o General Von Bock está esperando a senhora, disse que é uma grata visita.

Ela assentiu.

— Siga para a mansão do general.

— E nós aqui?

— Meu motorista os levará para a minha casa, lá conversaremos mais.

Assim como das outras vezes, ela e Fedor fizeram sexo diversas vezes.

— Nunca vou me cansar deste corpo maravilhoso que você tem, Gladys.

— A ideia é exatamente essa, meu comandante.

— Te levaria comigo se pudesse.

— Mas pode me ter agora, é exatamente isso que é a vida, não é mesmo? Aproveitar o agora.

E ele aproveitou.

QUANDO CHEGOU EM CASA, Charles estava esperando na sala.

— Porque se arriscou tanto assim pelo seu funcionário?

— Seu trabalho é mostrar a sua força e o meu a minha determinação e talentos únicos.

Gladys tirou o seu casaco e se jogou no sofá e caiu por cima dele completamente exausta.

— O que quer dizer com isso?

— Quero dizer o que disse... mas seu coeficiente de inteligência não consegue acompanhar isso e minha paciência não me permite ficar explicando para quem se esforça em não me entender.

Charles a pegou no colo e a sentia tão frágil que se quisesse poderia parti-la ao meio facilmente.

— Acha que tudo pode ser resolvido na base da força?

— Acho que sim, se não precisasse da minha força não teria salvado a minha vida, não é mesmo?

Ele a beijou e foi retribuído por Gladys, que por mais que tivesse transado com Fedor intensamente, ela sentia que estaria verdadeiramente fazendo amor com aquele homem, fazendo amor pela primeira vez na vida, e assim aconteceu.

— VOCÊ É A MULHER mais incrível que alguém poderia ter nos braços, sabia?

— Óbvio que eu sabia.

Ambos riram.

— Trocaria facilmente todas as minhas glórias por este momento.

— Você acha que ter vencido uma olimpíada e batidos diversos recordes mundiais impressionam mulheres como eu?

— Talvez...

— Não sou mulher que use o talvez em meu vocabulário, Charles, senão eu teria que dizer que talvez você seja o homem mais forte do mundo.

— O mais forte não posso afirmar mais, mas o mais sortudo, disso não posso negar.

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