FAZER LOGIN| T |
heodore Viermond cresceu cercado por todo o carinho e amor que Marie poderia dar a ele, mas então a guerra mudou todo o cenário que havia em sua mente.
Quando os nazistas entraram desfilando sobre as ruas de Paris, foi a ele a incumbência de, na calada da noite, esconder a Monalisa na casa de uma pessoa que haviam indicado que o fizesse.
Assim como muitas pessoas ricas, a casa de Marie também foi invadida e saqueada, a levando à total miséria, morrendo de inanição poucas semanas depois, Theodore prometeu se vingar daqueles malditos.
Astutamente conseguiu sobreviver realizando pequenos furtos noturnos, até ser surpreendido por um soldado nazista.
— Está fazendo o que aqui, garoto?
— Nada.
Ele dizia tentando se desvencilhar do homem que era muito forte.
— Não sabe que não pode ficar zanzando por aí à noite após o toque de recolher, mesmo uma criança deve ser detida.
— Só estava procurando alguma coisa para comer.
— Garotos da sua idade na Alemanha não sentem fome ao menos que provem ser merecedores da comida que os alimenta, e outra, animais fracos e indefesos na noite são presas e não predadores.
— Não sou alemão... muito menos nazista.
— Claro... é apenas um garoto morto.
O soldado apontou seu rifle para ele, mas por algum milagre a arma não disparou, dando tempo mais do que suficiente para Theodore dar um chute no saco do soldado que deixou sua arma cair no chão e para a sua infelicidade, naquele momento ela funcionou, mas o tiro foi nele mesmo.
Theodore pegou sua carteira e alguns mantimentos que ele levava em sua mochila.
Isso deve servir por alguns dias...
Por onde passava, Theodore contava orgulhoso a história que matou um soldado nazista com sua própria arma, ganhando fama no submundo parisiense, principalmente depois de conhecer Serge Klarsfeld, que havia fugido dos campos de concentração na Romênia e dedicava sua vida em caçar nazistas.
Depois de conhecer Serge, com quem se casaria em 1963.
— THEODORE...
— Theodore? Por acaso vocês se conhecem?
Ela sorriu gentilmente como se aquilo fosse a coisa mais comum do mundo.
— Ele é o meu filho... – ela deu uma pausa fingindo complacência com o garoto – fiquei sabendo o que aconteceu com Marie, sinto muito, querido.
— Se sentisse muito teria ido atrás de mim quando a guerra estourou.
— Para que?
— Eu sou seu filho... dããã...
Gladys sorriu e disse:
— Acha que sou estúpida o suficiente para colocar a sua vida em risco com tantos nazistas visitando meu atelier, e outra, acha que eu não sei das suas visitinhas noturnas cometendo pequenos delitos em minha mansão.
— É apenas o pagamento de minha pensão.
— Charles me contava tudo sobre você.
— Charles Rigoulot?
— O próprio...
— É mais do que um herói olímpico.
— Acho que vocês precisam ficar a sós.
Gladys deu um beijo no rosto de Charles De Gaulle e pegou o garoto pela orelha e o arrastou até um canto.
— Quem você pensa que é para chegar aqui desta maneira?
— Sou seu filho.
— Não... você é um pirralho que acha que pode fazer o que bem entende... já livrei você de uma enrascada uma vez, não ache que pode fazer o que bem entende toda vez que precisar de algo.
Olha só quem fala...
— E você acha que tenho que fazer o que?
Gladys bufou de raiva.
— Procure o Marcel, ele saberá o que fazer com você.
Os dois deram um abraço:
— Estou tão feliz em saber que está bem.
— Não é o que parece.
— As aparências enganam.
E Theodore foi embora.
ASSIM QUE GLADYS VOLTOU para o salão de festas, Charles lhe fez uma pergunta que pegou Gladys de surpresa:
— Por acaso você não estava usando um colar, Gladys?
Ela passou a mão por sobre o pescoço...
Desgraçado filho-de-uma-p...
IGUALMENTE AO LIVRO “O sorriso de Cíntia Donnaville”, este livro surgiu de uma ideia absurda que veio em uma talagada só, uma amiga, Tânia postou uma foto com um lenço azul amarrado ao pescoço e até então nada daquilo havia me chamado a atenção, mas como se tivesse recebido uma marretada na cabeça, a ideia veio...A menina do lenço azul...Essa era a primeira ideia de um título, contei a ela, que inicialmente gostou, mas achou que tudo fazia parte de alguma brincadeira, o que não é o meu caso, se eu simplesmente vislumbrar uma ideia, com certeza a colocarei para frente sem pestanejar, e assim sucedeu.Em sua maioria, os personagens são inspirados em pessoas reais, Marcel um Guitarrista, amigo em minha adolescência, Gleide, uma amiga do Rio de Janeiro, com uma personalidade forte e que vence tudo e todos dia-a-d
Tânia Copelli continuou a ser conhecida no mundo todo como a mulher que revolucionou a moda, ela se casou novamente e foi avó de muitos netos, abriu uma fundação com o mesmo nome de sua grife e ajudou a muitas crianças carentes, abrindo oportunidades em seus ateliês no mundo todo.JANICE, AO CONTRÁRIO DA MÃE, seguiu a carreira militar, sendo uma oficial altamente condecorada igual ao pai, lutou em diversas batalhas, como o Vietnã e no Golfo, quando se aposentou, seguiu na carreira política, chegando ao Senado dos Estados Unidos e sendo cotada a ser a primeira mulher a disputar para a Presidência dos Estados Unidos, perdendo nas eleições primárias duas vezes seguidas.THEODORE seguiu a carreira de cineasta de filmes eróticos parisienses, um dos primeiros a seguir aquele ramo, ganhando fama mundial seguindo o sucesso de Deep Throat, do qual er
Tânia fechou os olhos e por um instante o tempo começou a passar em câmera lenta, então, ouviu o barulho oco do corpo sem vida de Marcel cair no chão e a voz de Greg.— Ainda bem que chegamos a tempo.— GREG!!! – Ela jamais imaginou que ficaria tão feliz em vez alguém na vida quanto ele – Nunca achei que ficaria tão feliz ao vê-lo novamente.— Ainda bem que meus instintos estavam certos em segui-la até aqui, sabia que uma hora esse miserável apareceria.— Mas...— Sei que deve estar pensando que ele era apenas o auxiliar de Gladys, mas era um miserável invejoso, matou Gael, o pai de Gladys, Jorge e agora queria te matar também.— Jorge está morto?— Infelizmente... ele foi sequestrado e torturado no dia do acidente.— Coitado do Jorge... era um excelente profissional.
Theodore entrou no escritório de sua mãe e olhou para o atelier, todos estavam tristes e o ambiente visivelmente sem vida.— Sua mãe era uma grande mulher.Theo olha para trás e viu Gabrielle, a secretária de sua mãe e a intermediária entre eles.— É o que todos dizem.— Isso aqui agora é tudo seu.— Isso aqui nunca será meu.Apesar de ser um rapaz que acabou de sair da adolescência, ela o percebeu muito adulto naquele instante.— Mas alguém terá que dar seguimento ao que ela construiu.Theo sorriu.— Parabéns, Gabi... é todo seu... só me mande relatórios semanais.— Para de brincadeira, Theo.— Você acha que eu iria brincar com uma coisa dessas, e outra, era o desejo da minha mãe.Theo abriu o cofre e mostrou o tes
Os médicos estavam correndo com as duas macas emparelhadas lado-a-lado, tudo estava turvo, as luzes se revezavam entre clarear e escurecer...— Tânia... disse quase num sussurro quando as camas pararam para iniciarem os procedimentos médicos.— Não fala nada...— Queria que você soubesse que foi uma extraordinária adversária... fico feliz em tê-la como minha rival.— Agora não é hora....— Nem nunca mais será...Gladys sorriu e por um instante, Tânia percebeu que era seu adeus.— RÁPIDO!!! – Gritou um dos médicos – perdemos os sinais vitais dela.Tudo o que Tânia ouviu foi sumindo... então ela adormeceu.AOS POUCOS, TÂNIA foi recobrando a consciência e, de repente, se lembrou de Gladys.— GLADYS!!! CADÊ A GLADYS???As
Theo estava passeando pelas ruas de Paris e sabia que seriam bem tranquilas devido à semana da moda em Milão, não haveriam madames desfilando pelas ruas, pois todas estariam por lá vendo as tendências para a próxima estação, então era apenas administrar seus negócios ilegais.— E aí, Theo, tudo bem? Meus sentimentos...— Tudo bem... porque meus sentimentos?— Você não ouviu o rádio e nem viu as capas de jornais?Ele negou com a cabeça e correu até a banca e viu estampado na primeira página a tragédia tripla... porém só uma delas lhe chamou a atenção...“MORRE A HEROÍNA PARISIENSE, GLADYS VIERMOND...”